Alimentos afetados por tarifaço de Trump poderão ir para merenda escolar no Brasil

O governo Lula autorizou a compra direta de produtos afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos. Os alimentos incluídos nessa lista, segundo planejado pela gestão petista, poderão ser destinados para reforçar a merenda escolar na rede pública de ensino de Estados e municípios que se interessarem pela aquisição.

Os alimentos podem ser destinados também a hospitais e para as Forças Armadas. Nesta segunda-feira, 25, o Ministério de Desenvolvimento Agrário deve anunciar novos detalhes sobre como o sistema de compra especial poderá funcionar. A regulamentação foi publicada em portaria interministerial do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e do Ministério da Agricultura, em edição extra no Diário Oficial da União, na sexta-feira (22).

A portaria prevê que poderão ser adquiridos via compras governamentais flexibilizadas: açaí (fruta, purês e preparações), água de coco, castanha de caju (frutas de casca rija ou sem casca, sucos e extratos vegetais), castanha do Brasil (castanha-do-pará, fresca ou seca, sem casca), manga (fresca ou seca), mel, pescados (como corvina, pargo, tilápia e outros) e uva fresca.

A flexibilização das compras governamentais foi autorizada no âmbito da Medida Provisória nº 1.309/2025, que estabelece um plano de contingência para setores afetados pelo tarifaço. A MP autoriza excepcionalmente que poderão ser adquiridos pela União, Estados e municípios gêneros alimentícios que deixaram de ser exportados em virtude da imposição de tarifas adicionais dos Estados Unidos.

A aquisição excepcional dos gêneros alimentícios, prevê a MP, permitirá a contratação direta com dispensa de licitação, admitirá a apresentação simplificada de termo de referência e dispensará a elaboração de estudos técnicos preliminares. A portaria dispõe que os procedimentos são excepcionais e de caráter emergencial referentes às compras públicas de alimentos em atendimento exclusivo a produtores e pessoas jurídicas exportadoras afetadas pelas sobretaxa de importação aplicada pelos EUA.

Para habilitação à venda dos produtos para as compras governamentais flexibilizadas, os exportadores deverão apresentar declaração de perda na exportação do produto e pelo menos uma declaração única de exportação para os Estados Unidos do produto alvo de aquisição excepcional, a partir de janeiro de 2023.

Estadão Conteúdo

Morre Jaguar, cartunista e um dos fundadores de ‘O Pasquim’, aos 93 anos

Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, conhecido como Jaguar, morreu aos 93 anos neste domingo (24/8). Ele estava internado no hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, havia três semanas, tratamento uma pneumonia.

Jaguar foi um dos fundadores de ‘O Pasquim’, jornal de sátiras e charges que enfrentou a ditadura militar. Ele começou a carreira desenhando para a revista Manchete, em 1952, quando tinha 20 anos.

O apelido foi adotado após sugestão do cartunista Borjalo. Na ocasião, Jaguar trabalhava no Banco do Brasil, subordinado ao cronista Sérgio Porto, que o convenceu a deixar o emprego para seguir carreira no humor.

Metrópole

Governistas pedem convocação de Bolsonaro na CPMI do INSS

Os deputados Alencar Santana (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram, na última quarta-feira (20), um requerimento para a convocação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à CPMI do INSS. Pouco antes, em reviravolta negativa para o governo de, a oposição formou maioria para escolher o presidente da comissão, desbancando o acordo inicial para que a presidência ficasse com o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Com perfil mais governista, o parlamentar pelo Amazonas representava uma perspectiva mais positiva para o Executivo em tema com potencial de crise. O cargo, no entanto, ficou com o senador Carlos Viana (Podemos-MG), alinhado a Bolsonaro.

No requerimento, deputados justificam a convocação sob o argumento de que Bolsonaro teria conhecimento das irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários desde 2018. O pedido se baseia em uma declaração do senador Izalci Lucas (PL-DF), feita em maio deste ano em entrevista a CNN Brasil, em que o parlamentar afirma que, ainda na transição de governo, comunicou Bolsonaro sobre as fraudes.

“Tal circunstância impõe a esta Comissão a necessidade de apurar de forma direta o grau de conhecimento e as providências efetivamente adotadas ou omitidas pelo chefe do Poder Executivo no período em que os ilícitos se desenvolveram”, dizem os deputados. A expectativa do Planalto era garantir a presidência da comissão à Aziz, nome indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No entanto, horas antes da votação, a oposição conseguiu articular a candidatura de Carlos Viana, que levou a vaga por 17 votos a 14.

O governo também teve derrota na relatoria, que ficou com o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), escolhido pelo presidente eleito. O acordo anterior era para que a vaga ficasse com o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), uma indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que agradava o Executivo. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), reconheceu falhas da base governista na articulação da eleição da CPI e assumiu a culpa pela derrota. Ele admitiu que “subestimou” a capacidade de organização da oposição.

Após a derrota, ele se reuniu com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. No encontro, ficou definido que Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Comunicação de Lula, e um dos autores da convocação de Bolsonaro, assumirá a coordenação governista na CPI. O deputado Duarte Júnior (PSB-MA) vai ocupar a vice-presidência.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também reconheceu que foi subestimada a capacidade de mobilização dos oposicionistas. A CPMI do INSS foi instalada em 17 de junho pelo então presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AM), a partir de pedido apresentado em 12 de maio pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT). O pedido de CPMI foi assinado por 44 senadores e 249 deputados.

A TArde

Brasileiras brilham e conquistam inédita medalha de prata no Mundial de Ginástica Rítmica

O Brasil conquistou um resultado inédito, neste sábado, no Mundial de Ginástica Rítmica, que vem sendo realizado no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. A equipe verde e amarela empolgou o público, cometeu poucos erros e terminou na 2ª colocação, com 55,250 pontos. Trata-se do melhor resultado do País na disputa por conjunto na história dos Mundiais, superando o 6º lugar obtido na edição passada da competição, na Espanha, em 2023. O Japão foi o campeão e o bronze ficou com a Espanha.

O conjunto brasileiro liderava a classificação do geral, após as duas rotações (disputa de fitas e conjunto misto de bolas e arcos), ao fim da disputa do Grupo A. Mas as japonesas fizeram uma apresentação impecável, sem erros na apresentação do conjunto, e buscaram o topo do pódio com alta nota de 28,350 e 55,550 no geral, 0,300 na frente das atletas do Brasil. As espanholas terminaram com 54,750.

Em busca de uma medalha inédita em Mundiais, o quinteto brasileiro foi o oitavo dos 18 conjuntos a se apresentar no Grupo A e, com uma coreografia vibrante, levantou o público presente na Arena Carioca 1 ao som da música Evidências. Duda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Nicole Pircio e Sofia Madeira fizeram uma apresentação segura na série com 3 bolas e 2 arcos e conquistaram a nota 27,850.

O resultado deu ao Brasil a liderança parcial da competição, superando a Polônia, outra favorita, por 1,150. Ao término da primeira rotação, as brasileiras somavam a melhor nota, à frente da forte China (27,650), atual campeã olímpica, que teve recurso indeferido para aumentar sua pontuação, e Itália (23,260), bronze nos Jogos de Paris-2024.

O ótimo desempenho na série mista animou as brasileiras para a apresentação com cinco fitas na segunda rotação. Embaladas pelas músicas O que é o que é?, Aquarela do Brasil, Come to Brazil e Samba do Brasil, percorrendo do samba ao funk, as anfitriãs novamente empolgaram no tablado e obtiveram outra nota alta – 27,400 -, somando 55,250 no total.

Restava secar as concorrentes dos outros 35 países para conquistar um lugar no pódio. Ao fim da disputa de todo o Grupo A, com as apresentações do conjunto misto bolas e arcos e das fitas, o Brasil liderava a classificação geral, gerando expectativas elevadas para a equipe da casa. “Estamos bastante felizes, as meninas tiveram um ótimo desempenho aqui no Mundial. Elas fizeram excelentes apresentações, o público nos encantou. Ficamos muito felizes, as meninas se sentiram à vontade. Foi exatamente como a gente sonhou. Então, muito obrigado à torcida!”, celebrou a técnica do conjunto, Camila Ferezin.

A capitã Duda Arakaki também celebrou as performances, antes ainda do resultado final. “Foi melhor do que a gente imaginava, fizemos duas séries muito boas e estamos muito felizes”, disse a ginasta ao canal SporTV. “Estávamos focadas em representar bem o nosso País no Mundial em casa, e fazer séries boas. A gente se entregou ao processo e deu o melhor todos os dias (de preparação)”, acrescentou.

“Tenho certeza que somos a equipe que mais se dedicou e se preparou para este Mundial. Trabalhamos muito e estávamos unidas Mantivemos a concentração e a torcida trouxe mais energia”, comentou Nicole Pircio. “Não tem cenário melhor que competir em casa e com a família acompanhando”, disse Sofia Madeira. As comandadas da técnica Camila Ferezin vinham de resultados consistentes na temporada tanto na prova mista de três bolas e dois arcos quanto na série simples de cinco fitas. As brasileiras conquistaram três medalhas de ouro no Challenge de Portimão, em Portugal, e um ouro e um bronze na Copa do Mundo de Milão, na Itália.

O resultado no Mundial do Rio reflete a evolução do Brasil na modalidade. Na sexta-feira, duas representantes do País pela primeira vez ficaram entre as 18 finalistas no individual geral. Bárbara Domingos terminou em nono lugar, melhor resultado de uma ginasta brasileira na competição, enquanto Geovanna Santos, a Jojo, ficou em 18º. Neste domingo, as principais ginastas do mundo voltam à quadra para as finais por aparelho, tanto nos conjuntos quanto no individual. O Brasil está classificado nas duas disputas do dia.

Diario de Pernambuco

Se continuarmos nesse ritmo, os jumentos estarão extintos do Brasil em 2030

Conduzindo famílias retirantes em direção ao sul, carregando água de beber ou acompanhando o agricultor na lida diária, os jumentos conquistaram seu meritório lugar no ecossistema e na cultura brasileira. Agora, sob a pele de quem carregou parte da história do país nas costas, o colágeno está no centro de uma empreitada extrativista que ameaça a existência da espécie. Demandado em larga escala pelo mercado chinês, o produto é apontado por especialistas como o principal responsável pela redução populacional de 94% dos asininos no Brasil, entre os anos de 1999 e 2024.

Produzido com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o dado foi apresentado no terceiro ”Workshop Internacional Jumento do Brasil, Futuro, Sustentabilidade”, realizado no último mês de junho em Maceió, capital de Alagoas. Segundo o Mapa, entre 2018 e 2024, 248 mil jumentos foram abatidos no Brasil.

“A demanda mundial é de 4,8 milhões de peles de jumentos por ano, ou seja 4,8 milhões de animais. Nem a China produz a quantidade de jumentos que utiliza”, afirma Patrícia Tatemoto, doutora em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) e representante da ONG The Donkey Sanctuary na América do Sul.

A pesquisadora lembra que o elijao, produto derivado do colágeno, é utilizado na China pela medicina tradicional do país há mais 5 mil anos. Sua utilização se dá para tratar problemas de saúde como menstruação irregular, anemia, insônia e impotência sexual. “A eficácia do elijao não possui comprovação científica”, frisa Tatemoto.

A venda de jumentos brasileiros para o mercado chinês começou em 2016, após uma visita da ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, ao país asiático. “Parece piada”, publicou em suas redes sociais, ao descobrir a demanda chinesa por um milhão de jumentos ao ano. Segundo dados do IBGE, o Brasil nem sequer possui essa população total de animais. Em 2012, apenas 902 mil animais existiam no país, dos quais 97% deles, o equivalente a 877 mil indivíduos, viviam no Nordeste.

Apesar disso, em julho de 2017, a Bahia passou a exportar carne e couro à China, com meta de entregar 200 mil unidades por ano. Atualmente, boa parte dos abates de jumentos acontecem no estado, onde três frigoríficos têm licença do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para realizar os abates. “Temos pesquisas que comprovam que a atividade de abates não é sequer lucrativa”, completa Tatemoto.

Africano, mas naturalizado brasileiro

Oriundo do continente africano, o jumento chegou ao Brasil no século XVI, durante o período colonial. Resiliente, a espécie demonstrou adaptação exemplar ao semi-árido brasileiro, passando a desempenhar um importante papel no bioma. “Existem uma série de artigos científicos mostrando o impacto positivo dos jumentos em lugares dos quais eles não eram nativos. Na Bélgica e na Alemanha, eles fazem um importante papel de gestão de recursos naturais, comendo plantas invasoras, que inclusive espécies nativas não comem”, comenta Tatemoto.

De acordo com a cientista, os jumentos funcionam como verdadeiros restauradores de ecossistemas. “Outros artigos mostram que eles conseguem encontrar água e cavar poços. Não sabemos se, por causa da excelente audição, conseguem escutar o lençol freático”, acrescenta. Matando a própria sede, os asininos também dão de beber aos vizinhos. “Outras espécies passam a beber aquela água, defecar ali e disseminar sementes. Eles fazem uma mitigação de áreas que estão sendo desertificadas”, completa Tatemoto.

Resiliente

De acordo com a pesquisadora, os jumentos ameaçados de extinção são precisamente jumentos nordestinos, conhecidos como “jegues”. “É uma linhagem genética que só ocorre no Brasil. Então existe ali uma informação genética muito relevante para a escassez hídrica e a situação que a gente tem enfrentado de mudanças climáticas. É uma espécie tão resiliente quanto o povo nordestino”, comenta.

Disposto para o trabalho, a despeito de ter menor peso e estatura, o jegue nordestino teve seu trabalho no campo preterido pela popularização das motocicletas e pela modernização da agricultura. Errante pelas estradas e pela caatinga, virou alvo fácil dos abatedouros. “Temos relatos de venda desses animais por R$ 1. As condições de manejo clandestino, sem água, sem comida e sem assistência médico-veterinária fazem com que 20% desses animais morram antes de chegar ao abatedouro”, lamenta Tatemoto.

Distantes da aposentadoria

Professor de medicina veterinária, inovação e empreendedorismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Pierre Barnabé Escodro é enfático. “Se continuarmos nesse ritmo de abates, os jumentos estarão extintos do Brasil em 2030”, alerta. O pesquisador explica que a atividade de abate de jumentos no Brasil é extrativista, pois não possui inserção em uma cadeia produtiva. Ao passo que os animais são abatidos em massa, não há uma cadeia de criação que garanta a existência de novas gerações.

“A gente vê a necessidade emergente de cessar os abates de jumentos no Brasil. E de um censo fidedigno, confiável, para elaborar políticas públicas para a reinserção desse animal na sociedade e evitar a extinção, que já aconteceu em países africanos”, pontua Pierre. Segundo o cientista, o século XXI ainda reserva atividades relevantes para os jumentos. “Podem trabalhar na terra, seja com agricultura familiar, inclusive em locais onde os veículos não chegam, seja na recuperação do solo. Também podemos ter essa reintrodução, por exemplo, em terapias assistidas e na biotecnologia aplicada ao plasma”, acrescenta.

Em defesa dos jumentos, a comunidade científica já tem deixado o Governo Federal ciente da urgência da suspensão dos abates. Neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a receber ativistas da causa animal que cobraram medidas enfáticas a respeito da questão. “A gente não consegue ter um posicionamento do Governo Federal, porque é uma questão que envolve acordos comerciais”, destaca Pierre.

Apesar disso, já circula na Câmara dos Deputados o projeto de lei 2387/2022, que visa proibir o abate de equídeos e equinos (cavalos e jumentos) para o comércio de carne, pele e outras partes do corpo. A proposta está em análise nas comissões de Agricultura, Meio Ambiente e Justiça.Procurado pelo Diario de Pernambuco, o Ministério da Agricultura e Pecuária não deu retorno aos questionamentos da reportagem.

Diario de Pernambuco

PT elege nova executiva com foco na reeleição de Lula, Trump na mira

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou neste sábado (23) a sua nova comissão executiva nacional com alas da principal corrente interna, a Construindo um Novo Brasil (CNB), ocupando os principais cargos, foco em reeleger o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente norte-americano, Donald Trump, na mira.

Presidido pelo ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, o diretório nacional se reuniu mais cedo para definir os novos nomes da executiva e aprovar as diretrizes da composição para o futuro próximo. A lista de eleitos reflete os acordos que o novo presidente teve de fazer para chegar à cadeira. Gleide Andrade, aliada da ex-presidente e hoje ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) Gleisi Hoffmann, foi mantida na Secretaria de Finanças e Planejamento – inicialmente a contragosto de Edinho.

Entre os 26 nomes da executiva fora a presidência (11 secretários, 10 vogais e cinco vice-presidentes), 14 são da CNB. O restante pertence a correntes menores. Todos novos cinco vice-presidentes são homens: Jilmar Tatto, Joaquim Soariano, José Guimarães, Rubens Junior e Washington Quaquá. Os líderes das bancadas da Câmara, Lindbergh Farias, e do Senado, Rogério Carvalho, também.

Há cinco mulheres entre os outros principais cargos: Lucinha (Movimentos Populares e Política Setorial), Maria de Jesus, a Claudinha (Nucleação), Vitória Fortuna (Articulação de Políticas Públicas) e Tassia Rabelo (Formação), além de Gleide. A proporção vai de encontro à defesa da igualdade de gênero manifesta na resolução aprovada no mesmo dia.

As secretarias restantes serão ocupadas por: Eden Valadares (Comunicação), Henrique Fontava (Secretaria-Geral), Humberto Costa (Relações Internacionais), Laércio Ribeiro (Organização), Luiz Felipe, o Hadesh (Mobilização), e Romenio Pereira (Assuntos Institucionais).

Resolução política do diretório coloca Trump na mira

O PT também aprovou a nova resolução durante o encontro do diretório nacional. O texto, composto de 29 itens, é aberto com críticas a Trump, cuja política é descrita como “imperialista e de extrema-direita, característica do pensamento fascista”.

“Ninguém tem dúvida de que o governo Trump se inspira no fascismo. A forma com que ele deporta imigrantes, como ele obriga a prefeita de Washington a apagar das ruas a frase ‘Vidas pretas importam’, portanto se manifesta de forma racista, a forma com que tem deportado imigrantes venezuelanos para El Salvador. Se o mundo civilizado não levantar a voz, corre o risco de El Salvador se tornar o campo de concentração do século 21. A forma como ele apoia as forças nazistas na Europa. Quando eu caracterizo o Trump como o maior líder fascista do século 21, eu não estou bravateando”, declarou Edinho em coletiva de imprensa após a eleição da executiva.

Para o PT, os movimentos de Trump demonstram que sua ofensiva contra a soberania nacional, com o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, deve ir além das medidas tomadas até agora. O partido diz estar diante de uma “disputa contra o fascismo, de caráter prolongado, que tende a se desdobrar em diferentes dimensões políticas, institucionais e econômicas”. A avaliação interna é que Trump quer derrotar Lula nas eleições do ano que vem.

O PT planeja uma ampla mobilização para o 7 de Setembro, cujo mote deve ser a defesa da democracia e da soberania. A ideia é aproveitar o clima de hostilidade com o governo Trump, em meio das investigações contra a família Bolsonaro e o avanço do julgamento do ex-]presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Lideranças petistas querem organizar uma espécie de plebiscito popular por um leque de pautas econômicas que deve embalar a campanha do partido no ano que vem: o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos e isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais por mês.

Na resolução política do diretório, o PT também critica a possibilidade de uma anistia para os bolsonaristas envolvidos no 8 de Janeiro, a reconstrução do fórum permanente do PT da Amazônia Legal durante a COP30 e a regulação das plataformas digitais, que está prestes a avançar na esfera federal.

Estadão Conteúdo

Tarifaço de Trump afeta 3,3% das exportações brasileiras, diz Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (23) que o Brasil vai superar a crise comercial aberta com as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) e lembrou da menor dependência em relação ao mercado norte-americano, comparado a décadas passadas.

“Vai passar. Na década de 1980, era 24% a nossa exportação para os EUA, praticamente um quarto das exportações brasileira. Hoje, é 12%. E o que está afetado é 3,3%. Isso é o que está afetado no tarifaço”, observou o vice-presidente, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, durante participação em debate sobre conjuntura política promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília.

Alckmin lembrou que, no momento, cerca de 36% das exportações aos EUA são as mais afetadas pela tarifa de 50%, e que elas atingem de forma mais preocupante alguns setores da indústria de manufatura, como máquinas e equipamentos e indústria têxtil.

“Indústria de máquinas, equipamentos, calçados e têxtil. Esses são os que sofrem mais. Porque comida, [como] carne, se eu não vendi lá, eu vou ter outros mercados. Não vai cair o mundo. Café, se eu não vendi lá, vou vender em outro lugar. Agora, produto manufaturado é mais difícil de você realocar. Acaba realocando, mas demora um pouco mais”, pontuou o vice-presidente, que vem atuando como o principal negociador do Brasil nessa questão.

“Não vamos desistir de baixar essa alíquota e tirar mais produtos”, insistiu o vice, ao lembrar que cerca nem todo produto exportado pelo Brasil foi sobretaxado. Cerca de 42% deles ficaram de fora da alíquota de 50%, enquanto outros 16% foram incluídos em taxas que atingem outros países na mesma proporção, como é o caso do aço, alumínio e cobre.Como alternativa, ressaltou Alckmin, o país deverá expandir mercados, com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que pode ocorrer até o fim do ano, além de outras tratativas, como o acordo do Mercosul com o EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), Singapura e Emirados Árabes Unidos.

Alckmin também destacou as medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir os impactos negativos causados aos exportadores brasileiros com o tarifaço, como abertura de linha de crédito, suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados (drawback) e aumento do percentual de restituição de tributos federais a empresas afetadas.

No âmbito internacional, o vice-presidente citou a reclamação aberta pelo governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas norte-americanas e prevê que o caso pode chegar também a tribunais dos EUA. “Você não pode usar política regulatória por razões partidárias, políticas”, comentou.

Agência Brasil

Morre Miguel Proença, grande pianista brasileiro, aos 86 anos

O piano está silente. As notas que dele saíram, fluidas e melodiosas, dão lugar ao vazio do luto. Sem colcheias, semínimas ou semibreves, apenas uma pausa infinita. É assim que o instrumento de trabalho de Miguel Proença recebe a notícia de sua morte.

O pianista gaúcho de renome internacional faleceu nessa sexta-feira (22), aos 86 anos. Ele estava internado desde junho no Hospital São Vicente, na Gávea, bairro do Rio de Janeiro. Proença teve falência múltipla de órgãos.

Nascido em Quaraí, na fronteira com o Uruguai, Miguel Proença ganhou o mundo à frente de um piano. Foi um dos grandes porta-vozes da música erudita brasileira na Europa, Ásia e América do Norte. Lecionou na Alemanha e no Rio de Janeiro e deu enorme contribuição para a música erudita brasileira.

Agência Brasil

Bolsonaro nega tentativa de fuga e pede revogação da prisão domiciliar

A defesa de Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não solicitou pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. Os advogados também negaram que o ex-presidente tenha a intenção de fugir do país.

A manifestação foi enviada ao Supremo após o ministro Alexandre de Moraes conceder, na quarta-feira (20), prazo de 48 horas para os advogados se manifestarem sobre o documento de asilo encontrado pela Polícia Federal no celular de Bolsonaro durante busca e apreensão realizada, no mês passado, dentro da investigação sobre as sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.  Segundo a PF, o documento estava salvo no aparelho desde 2024.

De acordo com a defesa, o documento era um “rascunho”, e a solicitação de asilo não ocorreu. “A autoridade policial evidentemente sabe – posto que cediço – que para se aventar de uma prisão preventiva é preciso haver fato contemporâneo. Mas, ainda assim, tem apenas um documento, que reconhece ser mero rascunho antigo enviado por terceiro, além da indeclinável constatação de que o tal pedido não se materializou!”, disse a defesa.

Os advogados também aproveitaram para solicitar a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro. “Prestados os esclarecimentos solicitados, aproveita-se para requerer a reconsideração no que toca à decisão que determinou a prisão domiciliar, ou caso Vossa Excelência assim não entenda, o julgamento urgente do agravo regimental interposto pela defesa no último dia 06 de agosto”, argumenta a defesa.

A defesa também reiterou que o ex-presidente sempre cumpriu as cautelares determinadas pelo STF, como proibição de deixar o país e de não utilizar suas redes sociais e de terceiros. “Fato é que, com ou sem o rascunho, o ex-presidente não fugiu. Pelo contrário, obedeceu a todas as decisões emanadas pela Suprema Corte, inclusive a que o proibia de viajar ao exterior, respondeu à denúncia oferecida, compareceu a todas as audiências, sempre respeitando todas as ordens”, disseram os advogados.

Bolsonaro e o filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados pela PF no inquérito das sanções dos Estados Unidos. Após receber o relatório de indiciamento, Moraes enviou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá ao órgão decidir se Bolsonaro e Eduardo serão denunciados ao STF. Desde o início deste mês, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

Braga Netto – A defesa de Bolsonaro também se manifestou sobre outras acusações que constam no relatório no qual a PF indicou o ex-presidente, como o recebimento de uma mensagem de SMS do general Braga Netto, que estava proibido de entrar em contato com Bolsonaro. Para os advogados, Bolsonaro não respondeu à mensagem nem cometeu qualquer ilegalidade. “A mensagem foi apenas recebida. Sem notícia de resposta. Sem qualquer reação. Sem qualquer comunicação por parte do ex-presidente”, declarou a defesa.

Advogado de Trump – Sobre o pedido de orientações feito pelo ex-presidente ao advogado norte-americano Martin Luca, ligado ao presidente Donald Trump, para se pronunciar sobre o tarifaço aplicado contra as exportações brasileiras, a defesa disse que as trocas de mensagens ocorrem antes das medidas cautelares decretadas contra Bolsonaro. “O advogado americano não é investigado em nenhum feito. E não há qualquer proibição de contato do peticionário com o advogado”, pontuou a defesa.

Transferências – A defesa também criticou a divulgação dos dados bancários de Bolsonaro. De acordo com as investigações, o ex-presidente movimentou cerca de R$ 30,5 milhões no período de um ano. “O pior é que uma transferência de dinheiro para sua esposa, de valores com origem lícita, foi anunciada, com base em fontes, como um indício de lavagem de dinheiro”, afirmaram os advogados.

Law Fare – Por fim, os advogados de Bolsonaro acusaram a Polícia Federal de cometer Lawfare, tese jurídica que trata do uso de manobras para prejudicar um investigado. A tese foi difundida no Brasil por Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atual ministro do STF. “O relatório da Polícia Federal causa espanto. Encaixa-se como uma peça política, com o objetivo de desmoralizar um ex-presidente da República – quer queiram as autoridades policiais ou não, ainda é um líder político – expondo sua vida privada e acusando-o de fatos tão graves quanto descabidos”, completam os advogados.

Agência Brasil

Filhos de Bolsonaro movimentam R$ 8 milhões e levantam suspeita de lavagem

Relatório da Polícia Federal (PF) com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) recebeu cerca de R$ 4,1 milhões entre setembro de 2023 e junho de 2025, enquanto o vereador Carlos Bolsonaro (PL) movimentou R$ 4,8 milhões em um ano.

O Coaf identificou as transações como “suspeitas de configurarem indícios de lavagem de dinheiro e outros ilícitos penais” e repassou os dados à Polícia Federal.

O relatório compõem o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo da Ação Penal (AP) nº 2668, que apura suposta tentativa de golpe em 2022. Apesar de ser citado no inquérito, Carlos Bolsonaro não foi indiciado.

Metrópole

Em evento no Rio, Moraes diz que Brasil tem histórico de golpismo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse na sexta-feira (22) que o Brasil tem um “histórico de golpismo”. Relator das ações penais sobre a trama golpista ocorrida no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes participou de um evento com empresários no Rio de Janeiro.

Durante a palestra, o ministro fez um histórico sobre a redemocratização do país desde a promulgação da Constituição de 1988 e disse que, apesar do histórico de golpes de Estado no Brasil, o Poder Judiciário se mantém independente. Na avaliação dele, estabilidade democrática não significa tranquilidade, mas contar com os mecanismos constitucionais para garantir a normalidade democrática.

“Apesar de todos os ataques, nós mantivemos o Poder Judiciário independente no Brasil, um Poder Judiciário independente e respeitado. O respeito se dá pela independência. Judiciário vassalo, covarde, que quer fazer acordos para que o país momentaneamente deixe de estar conturbado, não é independente”, afirmou. Moraes também disse que a “impunidade, a omissão e covardia” nunca deram certo em nenhum país do mundo.

“O Judiciário é independente e corajoso. Ataques podem continuar de dentro ou de fora. Juiz que não a resiste a pressão, que mude de profissão, faça outra coisa na vida. O Judiciário cresce na pressão”, completou. Moraes é o relator de diversas investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre elas, a ação penal do núcleo 1 da trama golpista, que será julgada pelo Supremo a partir do dia 2 de setembro. O ministro também é alvo de aliados de Bolsonaro, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs sanções pessoais a ministros do STF, além de tarifas de 50% para produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Lei Magnitsky
No mês passado, os Estados Unidos anunciaram sanções financeiras contra o ministro, com base Lei Magnitsky, norma norte-americana que prevê a aplicação de restrições para quem é considerado violador de direitos humanos. A lei prevê o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, a proibição de transações com empresas americanas que estão no Brasil, além do impedimento de entrada no país. Apesar das sanções, a medida teve impacto reduzido. Moraes não tem bens nem contas em bancos sediados naquele país.  O ministro também não tem o costume de viajar para os Estados Unidos.

Agência Brasil

Malafaia diz não temer prisão e chama PF de ‘Gestapo de Moraes’

Alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF), o pastor Silas Malafaia afirmou não temer uma eventual prisão e disse que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes comanda uma “Gestapo”, em referência à polícia política do regime nazista. As declarações ocorreram em um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (21).

O pastor foi recebido no templo com aplausos, gritos de “Uh, é Malafaia”, cartazes com mensagens como “Exemplo de coragem” e “Profeta que não se cala”. O telão exibia “Estamos juntos, pastor”, e, em outro momento, uma bandeira do Brasil que tremulava.

Malafaia relembrou ter apoiado diferentes candidatos ao longo dos anos, citando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-ministro José Serra (PSDB-SP), e se queixou sobre a apreensão de cadernos em que anotava seus discursos. Segundo o pastor, ele pediu para ficar com um dos volumes, mas, após fazer um telefonema, o agente da PF recolheu todos.

“Ele estava debaixo de ordem do chefe da Gestapo de Alexandre de Moraes, em Brasília, o delegado lá, chefe da Gestapo, porque isso não é Polícia Federal”, disse. Ele prosseguiu dizendo que sempre agiu de forma independente e negou usar a igreja para fins políticos, falado como cidadão, e não como pastor: “Ele (Moraes) escolheu o cara errado, porque eu não tenho medo de ser preso e de ser retaliado”. “Esse homem vai ser julgado pelas leis deste País ou pelas leis de Deus. Vai chegar a hora dele. Não desejo mal a ninguém, mas vai chegar”, disse.

Sobre as mensagens trocadas com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), presentes em relatório da PF, Malafaia afirmou que mostram sua independência. “Mostra que não sou bolsominion, não sou puxa-saco. Critico quando tem que criticar e elogio quando tem que elogiar, meu papel é profético. Tenho intimidade e falo até bobagem”, afirmou, embora tenha chamado o fato de “vazamento”.

Os diálogos em áudios e mensagens aparecem em relatório da investigação que indiciou Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por coação no curso do processo que o ex-presidente responde no STF, por tentativa de golpe de Estado. Silas Malafaia é o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo que faz parte do movimento pentecostal da Assembleia de Deus no Brasil. Ele foi um dos principais conselheiros de Bolsonaro durante seu governo e, após 2022, tornou-se o principal organizador dos atos em seu favor.

Estadão Conteúdo

PF aponta que Bolsonaro movimentou mais de R$ 44 milhões em 2 anos

A Polícia Federal (PF) identificou movimentações financeiras de cerca de R$ 44,3 milhões nas contas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entre março de 2023 e junho de 2025, segundo relatório que integra o inquérito que tramita para apurar a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA contra a soberania nacional.

A investigação resultou no indiciamento do parlamentar e do ex-mandatário.O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou as transações como “suspeitas de configurarem indícios de lavagem de dinheiro e outros ilícitos penais” e repassou os dados à Polícia Federal.

Diario de Pernambuco

Empresários brasileiros se mobilizam contra tarifaço dos EUA

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, apresentou ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a agenda da missão empresarial que será realizada em Washington, nos dias 3 e 4 de setembro. O objetivo é sensibilizar empresários e o governo dos Estados Unidos, e fortalecer a defesa comercial do Brasil diante da investigação aberta pelos Estados Unidos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que prevê sobretaxa de 50% sobre exportações brasileiras.

“A nossa estratégia de reunião, para que não haja nenhum tipo de dicotomia, muito pelo contrário, nós temos que ser um pouco mais convergentes nesse momento, para que tenha uma unicidade. Também a nossa estratégia de tentar buscar o máximo de novas associações possíveis, aquelas que são efetivamente de interesse americano para se sensibilizar de uma forma mais rápida e que talvez não tenham sido contempladas porque não têm representatividade financeira, mas para muitas pequenas indústrias aqui tem uma grande representatividade”, afirmou Alban.

A comitiva reunirá associações setoriais, federações estaduais e grandes empresas para ampliar o diálogo com o governo e o setor produtivo norte-americano. A estratégia inclui buscar exceções à regra tarifária, ampliar a lista de produtos beneficiados e apresentar propostas de cooperação em áreas de interesse mútuo, como biocombustíveis, data centers e minerais críticos.

A programação prevê reuniões na Embaixada do Brasil em Washington, encontros com escritórios de advocacia e lobby, diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce e autoridades americanas, além de uma plenária empresarial. A agenda inclui ainda participação em audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), onde o Brasil reforçará sua posição.

Além da missão, a CNI discute com o governo federal contribuições para a medida provisória que busca mitigar os efeitos do tarifaço. A confederação pretende conversar com o Congresso Nacional sobre o plano de compensação destinado aos exportadores, que prevê R$ 9,5 bilhões fora do arcabouço fiscal. “Nós temos algumas sugestões, para que a gente possa deixar esses R$ 9,5 bilhões dentro do arcabouço, dando uma referência positiva ao mercado, de credibilidade, que possamos evoluir”, pontua Alban.

“O momento agora é que nós vamos tratar o assunto eminentemente de forma técnica e comercial. Nós queremos evitar possíveis dicotomias nos approaches, nos posicionamentos, mas sempre de uma forma técnica e comercial, para que a gente possa estimular a mesa de negociação”, conclui o presidente da CNI.

Brasil 61

Genial/Quaest: cresce pressão para Bolsonaro apoiar outro nome; bolsonaristas preferem Michelle

A Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (21), mostra que 65% dos entrevistados consideram que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível, deveria abrir mão da tentativa de ser candidato na eleição de 2026 e apoiar outro nome. O resultado representa crescimento de três pontos porcentuais na comparação com o levantamento realizado em julho. O grupo que afirma que o ex-presidente deveria manter a candidatura oscilou no limite da margem de erro, de 28% para 26%; 9% não souberam ou não responderam.

A margem de erro é de dois pontos porcentuais. O levantamento entrevistou presencialmente 12.150 pessoas com 16 anos ou mais, sendo 2.004 para o cenário nacional e o restante para as análises estaduais, entre os dias 13 a 17 de agosto. O nível de confiança é de 95%.A Quaest também perguntou quem deveria ser o candidato da direita caso Bolsonaro não dispute. No recorte apenas entre os eleitores que se identificam como bolsonaristas, a preferida é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 36%.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tem 15%, seguido do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 10%. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador do Paraná Ratinho Jr. (PSD-PR), têm 8% cada. Também foram citados Pablo Marçal (6%), Ronaldo Caiado (3%) e Romeu Zema (2%). Eduardo Leite não pontuou, enquanto 5% responderam “nenhum desses” e outros 7% não souberam ou não responderam.

Quando levado em conta todos os eleitores, independentemente da afinidade política, Michelle tem 16% das menções, empatada tecnicamente com Tarcísio (14%). O governador paulista, por sua vez, também empata na margem de erro com Ratinho Jr., que tem 10%. Marçal foi mencionado por 6%, Leite, por 5%, enquanto Eduardo e Caiado são citados em 4% das respostas, cada. Zema, de Minas Gerais, tem 3% e Flávio, 2%. A maior parte dos entrevistados, 21%, respondeu que nenhum dos nomes colocados deveria ser o candidato da direita. Outros 13% não souberam ou não responderam.

Reeleição de Lula

A pesquisa também perguntou aos entrevistados se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria se candidatar à reeleição no ano que vem. Houve estabilidade no resultado, já que 58% responderam que não, exatamente o mesmo porcentual da rodada anterior; e 39% que sim, oscilação positiva de um ponto porcentual. Os que não souberam ou não responderam são 3%.

Estadão Conteúdo