Após autorização de Moraes, Flávio visita Bolsonaro em prisão domiciliar

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visita na manhã deste sábado o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde março. O encontro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A visita ocorre em meio às articulações da direita para as eleições presidenciais. Na última semana, pesquisa divulgada pela Quaest identificou uma queda nas intenções de voto do parlamentar nos cenários contra o presidente Lula.

Acompanhado da esposa e das filhas, o senador foi autorizado a permanecer com Bolsonaro durante o horário de almoço, entre 11h e 13h. Ele chegou ao local pouco antes das 12h na manhã deste sábado. Na decisão, Moraes considerou que o encontro é compatível com as condições impostas à prisão domiciliar. O magistrado também determinou que todos os visitantes passassem por vistoria prévia e deixassem celulares e outros aparelhos eletrônicos sob custódia dos agentes responsáveis pela segurança da residência.

Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária desde 27 de março, após ser condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A medida foi concedida em razão de seu quadro de saúde e tem duração inicial de 90 dias.

A visita acontece em um momento de crescente pressão sobre Flávio. Pesquisa divulgada pela Genial/Quaest nesta semana apontou queda do senador em cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu em segundo lugar em um dos cenários de primeiro turno, com 29% (eram 33% em maio). A Genial/Quaest também mostrou o presidente Lula na liderança no segundo turno. Contra Flávio, o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista. Em maio, os dois apareciam empatados tecnicamente: Lula marcava 42% e Flávio 41%.

Agência O Globo

Em evento no Rio, Moraes diz que Brasil tem histórico de golpismo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse na sexta-feira (22) que o Brasil tem um “histórico de golpismo”. Relator das ações penais sobre a trama golpista ocorrida no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes participou de um evento com empresários no Rio de Janeiro.

Durante a palestra, o ministro fez um histórico sobre a redemocratização do país desde a promulgação da Constituição de 1988 e disse que, apesar do histórico de golpes de Estado no Brasil, o Poder Judiciário se mantém independente. Na avaliação dele, estabilidade democrática não significa tranquilidade, mas contar com os mecanismos constitucionais para garantir a normalidade democrática.

“Apesar de todos os ataques, nós mantivemos o Poder Judiciário independente no Brasil, um Poder Judiciário independente e respeitado. O respeito se dá pela independência. Judiciário vassalo, covarde, que quer fazer acordos para que o país momentaneamente deixe de estar conturbado, não é independente”, afirmou. Moraes também disse que a “impunidade, a omissão e covardia” nunca deram certo em nenhum país do mundo.

“O Judiciário é independente e corajoso. Ataques podem continuar de dentro ou de fora. Juiz que não a resiste a pressão, que mude de profissão, faça outra coisa na vida. O Judiciário cresce na pressão”, completou. Moraes é o relator de diversas investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre elas, a ação penal do núcleo 1 da trama golpista, que será julgada pelo Supremo a partir do dia 2 de setembro. O ministro também é alvo de aliados de Bolsonaro, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs sanções pessoais a ministros do STF, além de tarifas de 50% para produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Lei Magnitsky
No mês passado, os Estados Unidos anunciaram sanções financeiras contra o ministro, com base Lei Magnitsky, norma norte-americana que prevê a aplicação de restrições para quem é considerado violador de direitos humanos. A lei prevê o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, a proibição de transações com empresas americanas que estão no Brasil, além do impedimento de entrada no país. Apesar das sanções, a medida teve impacto reduzido. Moraes não tem bens nem contas em bancos sediados naquele país.  O ministro também não tem o costume de viajar para os Estados Unidos.

Agência Brasil