Filósofo francês Edgar Morin morre aos 104 anos

O sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, um dos maiores intelectuais do país, morreu na sexta-feira aos 104 anos, afirmou sua esposa à AFP neste sábado (30). Escritor prolífico, Morin foi um pensador de esquerda e autor de uma obra bastante diversa, que rompe com a sociologia tradicional e se apresenta como uma reflexão sobre o ser humano a partir da ciência.

“Até seus últimos dias, Edgar Morin permaneceu atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram seu pensamento”, declarou sua esposa, Sabah Abouessalam Morin, em um comunicado. “Hoje, o vazio que ele deixa é imenso. Mas sua coragem, sua fidelidade às pessoas e às ideias, sua exigência moral e sua esperança continuam nos acompanhando”, acrescentou. Apesar de sua idade avançada, o intelectual seguia muito presente no debate público.

Doutor honoris causa por 38 universidades estrangeiras, escreveu cerca de 40 livros traduzidos para vários idiomas, incluindo obras como “Introdução ao pensamento complexo”, “O Método”, “Lições da história” e “A cabeça bemfeita”. Sua originalidade, simultaneamente a de um historiador, filósofo e cientista, consistiu em romper fronteiras entre as disciplinas.

“Quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. As dissociações entre disciplinas o fragmentam, o despojam de vida, de carne, de complexidade, e certas ciências supostamente humanas chegam inclusive a esvaziar a noção de homem”, escreveu Morin em “O Método”, considerado um de seus trabalhos mais importantes.

Edgar Nahoum nasceu em 8 de julho de 1921, em Paris, filho único de uma família judaica sefardita originária da cidade grega de Tessalônica que havia emigrado para a capital francesa. Em 1941, ingressou no Partido Comunista e entrou para a Resistência com o pseudônimo de Morin. Em 1959, publicou “Autocrítica”, um livro em que relatava sua expulsão do partido, do qual havia sido um dos dirigentes, e seus próprios erros diante do stalinismo. Também foi um dos fundadores do comitê de intelectuais contra a guerra da Argélia.

AFP

Gêmeos morrem eletrocutados e são encontrados abraçados em jardim

Dois irmãos gêmeos de 22 anos morreram após sofrer uma descarga elétrica na cidade de Magione. Os corpos foram encontrados juntos em um gramado, após o acidente ocorrido na última quinta-feira.

As vítimas, Francesco e Giacomo Fierloni, estavam treinando aves para uma temporada de caça quando tudo aconteceu. De acordo com informações preliminares, um dos irmãos tentou ajudar o outro após o primeiro contato com a rede elétrica.

O acidente teria ocorrido quando um dos pássaros pousou em um fio elevado. Na tentativa de fazê-lo descer, um dos jovens utilizou uma vara de fibra de carbono e acabou tocando acidentalmente um cabo de energia de alta tensão.

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Manifestações anti-Trump ocupam ruas dos EUA e ultrapassam fronteiras

Grandes multidões protestaram neste sábado (28) nos Estados Unidos e em outros países contra o presidente Donald Trump, com milhões de pessoas indignadas com seu estilo autoritário de governar, suas duras políticas migratórias e a guerra com o Irã. Os organizadores das mobilizações afirmaram que “pelo menos oito milhões de pessoas se reuniram em mais de 3.300 atos nos 50 estados”, de grandes cidades até pequenos povoados. As autoridades americanas não divulgaram uma estimativa nacional da participação.

Esta é a terceira vez que os americanos saem às ruas em menos de um ano como parte de um movimento chamado “No Kings” (Sem Reis), a forma mais visível de oposição a Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Em Nova York, a metrópole mais populosa dos Estados Unidos, dezenas de milhares de manifestantes se juntaram ao protesto, entre eles o ator ganhador do Oscar Robert De Niro, um crítico frequente de Trump. De Niro classificou o presidente como “uma ameaça existencial para nossas liberdades e nossa segurança”.

Os protestos foram registrados de costa a costa, desde Atlanta até San Diego, e era esperado que os habitantes do Alasca também aderissem às mobilizações mais tarde, devido ao fuso horário. “Nenhum país pode governar sem o consentimento do povo”, declarou à AFP, em Atlanta, Marc McCaughey, um veterano militar de 36 anos. Em Washington, os participantes atravessaram uma ponte sobre o rio Potomac para seguir em direção ao Lincoln Memorial, cenário de manifestações históricas pelos direitos civis. Trump, por sua vez, está passando o fim de semana na Flórida.

A onda de reprovação a Trump ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos, com mobilizações registradas neste sábado em cidades europeias como Amsterdã, Madri e Roma, onde 20.000 pessoas marcharam sob um forte dispositivo policial. “Não queremos um mundo governado por reis… que tomam decisões de cima para baixo”, afirmou Andrea Nossa, um pesquisador nascido em Milão, de 29 anos.

Exibição do poderio militar – Milhões de pessoas participaram da primeira manifestação do “No Kings”, em junho do ano passado, com atos de Nova York a San Francisco, enquanto a segunda edição do protesto, em outubro, reuniu cerca de sete milhões de participantes, segundo os organizadores. Muitos apoiadores veneram o presidente dentro do movimento “Make America Great Again” (MAGA, Torne os Estados Unidos grandes novamente), enquanto opositores, do outro lado da profunda divisão política americana, rejeitam Trump com a mesma intensidade.

Os críticos de Trump questionam sua propensão a governar por decreto, seu uso do Departamento de Justiça para perseguir opositores, sua negação das mudanças climáticas e a ofensiva contra programas de diversidade racial e de gênero. Os críticos também apontam seu recente gosto por exibir o poderio militar americano após uma campanha em que ele se apresentou como um homem de paz. “Desde a última vez que marchamos, esta administração nos arrastou ainda mais profundamente para a guerra”, afirmou Naveed Shah, da Common Defense, uma associação de veteranos que integra o movimento “No Kings”.

“Em casa, testemunhamos cidadãos sendo mortos nas ruas por forças militarizadas. Vimos famílias destruídas e comunidades de imigrantes transformadas em alvo de ataques. Tudo em nome de um único homem que tenta governar como um rei”, acrescentou.

Springsteen em Minnesota – O estado de Minnesota foi um ponto central das manifestações, meses depois de virar o epicentro do debate nacional sobre a repressão violenta aos imigrantes impulsionada por Trump. O senador de esquerda Bernie Sanders declarou à multidão em Minnesota: “Nunca aceitaremos um presidente que seja um mentiroso patológico, um cleptocrata e um narcisista que mina a Constituição dos Estados Unidos e o Estado de Direito todos os dias”. O astro do rock Bruce Springsteen, crítico ferrenho do presidente, interpretou sua canção “Streets of Minneapolis” na cidade vizinha de St. Paul, a capital estadual, na presença de milhares de manifestantes.

Springsteen compôs e gravou a balada em 24 horas, em memória de Renee Good e Alex Pretti, dois cidadãos americanos mortos a tiros por agentes federais durante operações da polícia migratória de Trump na cidade. “Sua coragem, seu sacrifício e seus nomes não serão esquecidos”, disse Springsteen neste sábado, antes de começar a cantar.

AFP

Oscar 2026: Brasil sai sem prêmios e “Uma Batalha Após a Outra” domina a premiação

A cerimônia do Oscar 2026, realizada neste domingo (15), revelou os principais destaques do cinema mundial e consagrou produções que marcaram a temporada de premiações. A 98ª edição da premiação da Academia aconteceu em Hollywood, nos Estados Unidos, reunindo artistas, diretores e produtores de todo o mundo.

O grande vencedor da noite foi o filme “Uma Batalha Após a Outra”, dirigido por Paul Thomas Anderson, que conquistou seis estatuetas, incluindo as categorias mais importantes da premiação: Melhor Filme e Melhor Diretor.

O longa, estrelado por Leonardo DiCaprio, recebeu amplo reconhecimento da crítica e já vinha sendo apontado como um dos favoritos ao prêmio ao longo da temporada.

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Flávio Bolsonaro amplia agenda internacional com nova viagem aos EUA

Após passar o carnaval com a família no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos Estados Unidos nesta quinta-feira, 19. É a terceira ida ao exterior desde que se lançou como pré-candidato à Presidência da República. Em janeiro e fevereiro, Flávio fez viagens ao Oriente Médio e à França, numa série de agendas para consolidar sua candidatura como sucessor do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A equipe do senador não confirma o que ele deve fazer nem com quem deve se encontrar. O comunicador Paulo Figueiredo deve acompanhá-lo nos próximos dias. Nas demais vezes que pisou em território americano, Flávio esteve acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado por faltas após se autoexilar nos Estados Unidos. Atualmente Eduardo mora no Texas.

Em 20 de janeiro, Flávio foi até Israel com um roteiro de acenos políticos e religiosos, montado por Eduardo. Um aliado disse ao Estadão naquela ocasião que o objetivo era reforçar os laços com a direita internacional. A agenda, no entanto, serviu para que o senador passasse um verniz religioso à sua pré-candidatura. De cima de uma colina próxima ao Mar da Galileia, por exemplo, ele fez uma videochamada, depois publicada nas redes sociais, com parlamentares aliados – repleta de simbolismos.

“Estou aqui num lugar chamado Monte das Bem-Aventuranças. Foi aqui que Jesus Cristo fez seu primeiro discurso, e a partir daqui Ele começou sua peregrinação pelo mundo para levar esperança a todos. Então, queria pedir a todos aí (no Brasil) que fechassem os olhos para fazermos uma oração.”

Depois, ele se banhou nas águas do rio Jordão, num gesto que o pai, católico, fizera dez anos atrás, em maio de 2016. Era parte da estratégia visando a eleição de 2018, da qual acabaria vencedor. O local é ponto de peregrinação para cristãos, especialmente evangélicos, por ser o lugar onde Jesus teria sido batizado por João Batista. Flávio também passou pelo Bahrein, onde acompanhou uma corrida de cavalos a convite dos anfitriões do primeiro-ministro e príncipe herdeiro Sheikh Salman bin Hamad Al Khalifa, e pelos Emirados Árabes Unidos.

Na viagem que fez à França no mês seguinte, ele se encontrou com lideranças políticas, empresários e jornalistas conservadores numa tentativa de reforçar uma aliança global e convencer o mercado financeiro e descrentes na direita brasileira de que sua candidatura à Presidência da República é viável e influente, segundo seus aliados.

No roteiro de três dias houve encontros com lideranças políticas como Eric Zemmour (a nova cara da direita francesa), Marion Maréchal (neta de Jean-Marie Le Pen e sobrinha de Marine Le Pen, presidente do partido Reagrupamento Nacional) e François-Xavier Bellamy (vice-presidente do partido Os Republicanos).

A agenda também incluiu encontros com Thierry Mariani (ex-ministro e eurodeputado pelo Reagrupamento Nacional de Le Pen), Sarah Knafo (correligionária de Zemmour, aficionada por criptomoedas e fã de Elon Musk), uma das poucas políticas francesas convidadas para a posse de Donald Trump na Casa Branca e Vicent Bolloré, magnata da mídia conservadora francesa.

Quando voltar dos Estados Unidos, Flávio deve voltar a dar atenção à construção de sua candidatura. A pré-campanha foca hoje na construção de palanques estaduais para garantir apoio durante o período eleitoral. Na sexta-feira da semana que vem, 27, o senador deve ir a São Paulo para ter um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes. Há a previsão de que Flávio volte a Europa nos próximos meses para visitas a países como Polônia, Hungria, Portugal e Bélgica. Ele também planeja estar na posse do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, em março.

Estadão Conteúdo

Wagner Moura manda recado em português e entrega prêmio a Adolpho Veloso no Spirit Awards

O ator Wagner Moura chamou atenção durante o Film Independent Spirit Awards, realizado no domingo (15), nos Estados Unidos, ao anunciar em português o vencedor do prêmio de melhor fotografia. No palco, Wagner começou a apresentação em inglês, como padrão da cerimônia, mas mudou de idioma ao revelar o ganhador. “O Film Independent Spirit Award vai para…”, disse o ator.

Em seguida, completou em português: “Eu tô muito feliz com isso: Adolpho Veloso!” O prêmio foi entregue ao brasileiro Adolpho Veloso, diretor de fotografia de Sonhos de Trem. A reação do público e o tom descontraído do anúncio repercutiram nas redes sociais, principalmente pelo destaque dado ao Brasil durante a premiação.

Discurso teve referência ao Brasil e ao Carnaval
Ao subir ao palco, Adolpho Veloso comentou o momento ao lado de Wagner Moura e brincou com o encontro de dois brasileiros na cerimônia. “No palco, com ele e comigo, já tem um Carnaval aqui”, disse. Na sequência, o diretor de fotografia destacou o ano do País no cinema e falou sobre representatividade. “Que ano incrível para o Brasil. Estou muito feliz por representar o Brasil, a América Latina e todos os imigrantes”, afirmou. No fim do discurso, ele encerrou com uma mensagem já conhecida: “Por último: vai, Brasil! Vai, Corinthians!”

Brasil também venceu prêmio de filme internacional
Além do destaque na categoria de fotografia, o Brasil também venceu o prêmio de melhor filme internacional com O Agente Secreto, que concorria com Tudo que Resta de Você (Jordânia), On Becoming a Guinea Fowl (Zâmbia), Um Poeta (Colômbia) e Sirát (Espanha).

Ao receber o troféu, o diretor Kleber Mendonça Filho dedicou a vitória ao ator Udo Kier, que morreu em novembro, aos 81 anos. “Perdemos Udo recentemente, e ele é um verdadeiro espírito independente”, declarou. O Agente Secreto foi o último trabalho do ator alemão.

Estadão Conteúdo

Fundação do Nobel reage após María Corina dar medalha a Trump: ‘Prêmio é inseparável’

A Fundação Nobel, responsável por conceder o prêmio de mesmo nome anualmente para quem se destaca como promotor da paz ou de progressos científicos, afirmou nesta sexta-feira, 16, que o prêmio e o premiado são “inseparáveis”. A nota foi divulgada após a venezuelana María Corina Machado dar seu diploma e sua medalha para Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Ao conceder o prêmio, a Fundação dá uma medalha, um diploma e, separadamente, uma quantia em dinheiro (11 milhões de coroas suecas, ou R$ 6,4 milhões, na cotação atual).  Segundo o Comitê, um laureado não pode compartilhar o prêmio com outras pessoas, nem transferi-lo depois de anunciado, mesmo que a medalha ou o diploma sejam dados a outra pessoa. Assim, o Prêmio Nobel da Paz nunca pode ser revogado – a decisão é definitiva e válida para sempre. A organização também se recusa a comentar ações posteriores das pessoas que receberam o prêmio.

Segundo a Fundação, quem recebeu o prêmio é livre para fazer qualquer coisa com a medalha ou o diploma, de forma que podem ser doado a museus, leiloado para causas beneficentes ou qualquer outro destino que a pessoa deseje. Machado recebeu o prêmio por combater a ditadura liderada por Nicolás Maduro na Venezuela. Trump já havia tornado sua vontade de receber o Nobel da Paz pública e notória, mas como o reconhecimento se trata do ano de 2024, quando ele ainda não havia voltado ao cargo de presidente americano, não seria possível premiá-lo.

Trump afirmou que “encerrou oito guerras” em 2025, apesar de muitos dos conflitos terem sido apenas pausados, e não encerrados definitivamente. A líder da oposição ao chavismo na Venezuela enfrenta uma relação deteriorada com o governo Trump após a operação que levou à captura do ditador Nicolás Maduro.

Depois da incursão no país da América do Sul, o presidente dos EUA não ofereceu apoio político imediato para a detentora do Nobel da Paz. Segundo informes da inteligência americana, ela não possuía apoio suficiente para governar a Venezuela após a captura do ditador. No entanto, após a reunião, ela afirmou que “conta com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela” e que “espera ser presidente da Venezuela “no momento certo”.

Horas depois, Trump comentou sobre o encontro em postagem na sua rede social. “Foi uma grande honra para mim encontrar María Corina Machado, da Venezuela, hoje. Ela é uma mulher maravilhosa que passou por muita coisa. María me presenteou com o seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que eu fiz. Um gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, María!”

Estadão Conteúdo

 

 

Rússia lança ataque massivo de drones e mísseis na Ucrânia com alvo em instalações de energia

A Rússia lançou um grande ataque com 51 mísseis e 653 drones na Ucrânia durante a madrugada deste sábado (06) que acionou alertas de ofensiva aérea em todo o país, afirmou a força ucraniana. Segundo as informações, 585 drones e 30 mísseis foram derrubados e neutralizados, mas 29 locais foram atingidos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que as instalações de energia foram os principais alvos das violências, também observando que uma ofensiva de drone “incendiou” a estação de trem na cidade de Fastiv, localizada na região da capital do país.

Também hoje, o ministério da Defesa da Rússia disse que suas defesas aéreas derrubaram 116 drones ucranianos sobre o território russo e, de acordo com uma mensagem enviada pelo canal de notícias russo Astra via Telegram, a refinaria de petróleo de Ryazan foi atingida.

A Ucrânia não comentou imediatamente sobre o suposto ataque, mas o governador regional russo de Riazan, Pavel Malkov, disse que um prédio residencial foi danificado e que destroços de drones caíram no terreno de uma “instalação industrial”, sem mencionar a refinaria.

Estadão Conteúdo

Senado americano aprova projeto para cancelar tarifas contra Brasil

O edifício do Capitólio dos EUA em Washington, DC • Al Drago/Bloomberg

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (28) um projeto que busca anular as tarifas de até 50% aplicadas sobre produtos brasileiros desde julho deste ano. As taxas haviam sido impostas pelo presidente Donald Trump, sob a justificativa de “emergência nacional”, após desentendimentos diplomáticos entre os dois países.

A proposta foi aprovada por 52 votos a 48, com apoio de senadores democratas e alguns republicanos. O texto revoga a base legal que permitiu ao governo Trump aplicar as tarifas, que atingem principalmente produtos agrícolas como café, carne e suco de laranja.

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Adolescente neozelandês perde parte do intestino após engolir quase 200 ímãs

Um menino de 13 anos na Nova Zelândia teve parte do intestino removido cirurgicamente após ingerir quase 200 ímãs de alta potência. De acordo com um relato de caso recente, publicado na revista científica The New Zealand Medical Journal, a criança deu entrada no Hospital Tauranga com dor abdominal, admitindo ter engolido possivelmente 100 ímãs de neodímio cerca de uma semana antes. O número real recuperado de seu abdômen acabou sendo muito maior.

Usando um raio X, os médicos visualizaram quatro cadeias lineares em partes separadas do intestino do menino. Uma vez dentro do abdômen, os pequenos objetos de metal se uniram de forma destrutiva. Durante a cirurgia, as cadeias foram encontradas em seções separadas do intestino delgado e do ceco intestinal (a primeira parte do intestino grosso). Comprimidas, elas causavam a morte de várias áreas do tecido por falta de sangue, no que é conhecido como necrose por pressão.

Embora os cirurgiões tenham sido forçados a remover parte do intestino, o adolescente se recuperou bem e recebeu alta oito dias depois. “Como mostra este estudo de caso, a ingestão de pequenos ímãs de alta potência representa risco de vida”, afirma o pesquisador Alex Sims, da Universidade de Auckland, em comunicado.

“Pequenos ímãs de alta potência têm sido comercializados e vendidos como brinquedos divertidos para adultos e crianças quando vendidos em conjuntos, pois podem ser usados para criar diferentes formatos e também como brinquedos de agitação. Infelizmente, eles geralmente vêm em pequenas bolas coloridas, o que os torna atraentes para as crianças engolirem.”

O motivo pelo qual o adolescente engoliu os ímãs não foi explicado no relatório. No entanto, recentemente, autoridades governamentais da Nova Zelândia alertaram sobre uma tendência nas redes sociais em que crianças são incentivadas a usar ímãs para fazer piercings na língua, no nariz ou nos lábios. Esses itens podem ser engolidos acidentalmente, com consequências perigosas.

Em 2013, após uma série de hospitalizações por causa de ímãs, autoridades do governo da Nova Zelândia proibiram permanentemente a venda daqueles feitos de neodímio-ferro-boro (NIB). Eles são conhecidos como “ímãs de terras raras” e são até 50 vezes mais fortes do que os típicos ímãs ferrosos. Os médicos que cuidam do seu caso dizem que é “alarmante” a dificuldade de realmente fazer cumprir a proibição na Nova Zelândia.

Em 2024, uma jovem neozelandesa engoliu dois ímãs de terras raras em uma festa de aniversário. “Quando os médicos tiraram as radiografias dela, foi fácil ver que os ímãs estavam conectados”, disse sua mãe. “No entanto, um deles passou para o intestino e o outro ficou no estômago. A atração magnética fez com que eles se conectassem através do tecido e causou uma ruptura no estômago. Isso significou que minha filha teve que passar por uma cirurgia de emergência.”

Se houver suspeita de que uma jovem tenha engolido um ímã, as autoridades afirmam que é vital que ela seja levada ao hospital o mais rápido possível. Mais de 75% dos pacientes precisarão de cirurgia ou endoscopia.

Agência O Globo

Venezuela recorre ao Conselho de Segurança da ONU contra desdobramento militar dos EUA

A Venezuela se defendeu sexta-feira (10) no Conselho de Segurança das Nações Unidas e pediu que os Estados Unidos sejam impedidos de cometer um “crime internacional” contra o país, embora tenha recebido apoio moderado da maioria dos Estados-membros. “Acreditamos que este é o momento certo para que este Conselho de Segurança cumpra o mandato que lhe foi confiado (…) e evite uma catástrofe que pode abalar toda a região por gerações”, declarou o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada.

“As ações e a retórica belicista do governo dos Estados Unidos indicam (…) que estamos diante de uma situação em que é racional pensar que, em um prazo muito curto, será executado um ataque armado contra a Venezuela”, acrescentou Moncada. A Venezuela solicitou a reunião do Conselho para denunciar a “escalada de agressões” provocada pelo desdobramento militar dos Estados Unidos no Caribe.

“Estamos aqui para evitar a prática de um crime internacional”, insistiu Moncada, que pediu ao Conselho de Segurança — no qual os Estados Unidos têm direito a veto — que tome as “medidas necessárias”. Mas o país recebeu apoio apenas de alguns membros do Conselho, com seus aliados Rússia e China à frente.

As acusações de Washington — que afirma que o presidente Nicolás Maduro é o líder de uma suposta rede de tráfico de drogas, o Cartel de los Soles — “não se baseiam em nenhum fato”, mas “seriam um excelente tema para uma superprodução de Hollywood na qual, mais uma vez, os americanos salvariam o mundo”, ironizou o embaixador russo, Vasily Nebenzya. O diplomata russo acusou a Casa Branca de fomentar as tensões e afirmou que os Estados Unidos estão “a um passo de uma agressão armada direta”.

Embora muitos países tenham se mostrado cautelosos e pedido a ambas as partes que reduzam a tensão, Moncada declarou estar “satisfeito” com o fato de que alguns deles, sem condenar os Estados Unidos, defenderam o direito internacional. “A luta contra o narcotráfico deve ser conduzida com respeito ao direito internacional e aos direitos humanos”, declarou o embaixador adjunto da França, Jay Dharmadhikari. “Nesse contexto, os Estados devem abster-se de qualquer iniciativa armada unilateral.”

Desde setembro, os Estados Unidos realizam um desdobramento militar no sul do Caribe, diante das águas territoriais da Venezuela, e destruíram quatro supostas embarcações do narcotráfico, causando a morte de 21 pessoas, segundo Washington. O representante dos Estados Unidos, John Kelley, reiterou perante o Conselho a determinação de seu país de utilizar todo o seu “poderio” para “erradicar os cartéis de drogas, independentemente do lugar em que operem”.

AFP

Premiê da Hungria defende Bolsonaro após condenação: “Perseguição”

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, voltou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação do político húngaro aconteceu no sábado (13/9).

Em publicação no X, Orbán alegou que líderes conservadores estão sendo “esmagados” pela Justiça, e prometeu ficar ao lado do ex-mandatário brasileiro.

“Em todo mundo, a esquerda está usando os tribunais como arma para esmagar líderes conservadores”, disse o premiê da Hungria. “Agora punido com 27 anos de prisão, o caso contra o presidente Jair Bolsonaro não é Justiça, é uma caça às bruxas política. Estamos com ele contra essa perseguição antidemocrática”.

Esta não é a primeira vez que Orbán presta solidariedade a Bolsonaro. Em julho, o premiê da Hungria pediu que o ex-presidente brasileiro continuasse “lutando”, e classificou o processo judicial como “ferramenta de medo, não de Justiça”.

EUA preparam novas sanções contra o Brasil por condenação de Bolsonaro, diz Marco Rubio

EUA preparam novas sanções contra o Brasil por condenação de Bolsonaro, diz Marco Rubio

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou à rede estadunidense Fox News que Washington adotará novas sanções contra o Brasil em resposta à condenação de Jair Bolsonaro (PL) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ação penal sobre a trama golpista. Segundo a coluna do jornalista Jamil Chade, do UOL, Rubio afirmou que os anúncios oficiais serão feitos já na próxima semana. Para ele, a decisão judicial contra Bolsonaro revela um enfraquecimento do sistema democrático brasileiro.

Críticas de Washington ao Judiciário brasileiro

Na entrevista, o chefe da diplomacia americana acusou juízes brasileiros de ultrapassarem os limites de sua atuação. “Você tem esses juízes ativistas — um em particular — que não só perseguiu Bolsonaro, como tentou fazer reivindicações extraterritoriais contra cidadãos americanos ou contra alguém que postou online de dentro dos Estados Unidos, e chegou a ameaçar ir ainda mais longe nesse sentido”, afirmou em referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Rubio classificou o julgamento do ex-mandatário como parte de uma escalada de repressão judicial. “O julgamento é apenas mais um capítulo de uma crescente campanha de opressão judicial que tem tentado atingir empresas americanas e até mesmo pessoas que operam fora dos Estados Unidos”, destacou.

Medidas adicionais dos EUA

O secretário de Estado não detalhou quais sanções estão em preparação, mas adiantou que Washington apresentará novas ações econômicas e diplomáticas contra o Brasil. “Haverá uma resposta dos EUA a isso, e é isso. Faremos alguns anúncios na próxima semana sobre as medidas adicionais que pretendemos tomar”, completou.

Papa Leão 14 celebra seus 70 anos com milhares de fiéis no Vaticano

Milhares de fiéis foram à Praça de São Pedro, no Vaticano, para celebrar o aniversário de 70 anos do papa Leão XIV neste domingo (14).

“Meus queridos, parece que vocês sabem que completo 70 anos hoje”, disse sorrindo o pontífice ao fim da tradicional oração do Angelus dos domingos. “Agradeço ao Senhor, aos meus pais e a todos que se lembraram de mim em suas orações”, acrescentou o papa, aplaudindo a multidão.

O Vaticano não planejou nenhum evento oficial para comemorar o aniversário do pontífice, que neste domingo presidirá uma missa pelos mártires do século XXI.

AFP

Se continuarmos nesse ritmo, os jumentos estarão extintos do Brasil em 2030

Conduzindo famílias retirantes em direção ao sul, carregando água de beber ou acompanhando o agricultor na lida diária, os jumentos conquistaram seu meritório lugar no ecossistema e na cultura brasileira. Agora, sob a pele de quem carregou parte da história do país nas costas, o colágeno está no centro de uma empreitada extrativista que ameaça a existência da espécie. Demandado em larga escala pelo mercado chinês, o produto é apontado por especialistas como o principal responsável pela redução populacional de 94% dos asininos no Brasil, entre os anos de 1999 e 2024.

Produzido com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o dado foi apresentado no terceiro ”Workshop Internacional Jumento do Brasil, Futuro, Sustentabilidade”, realizado no último mês de junho em Maceió, capital de Alagoas. Segundo o Mapa, entre 2018 e 2024, 248 mil jumentos foram abatidos no Brasil.

“A demanda mundial é de 4,8 milhões de peles de jumentos por ano, ou seja 4,8 milhões de animais. Nem a China produz a quantidade de jumentos que utiliza”, afirma Patrícia Tatemoto, doutora em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) e representante da ONG The Donkey Sanctuary na América do Sul.

A pesquisadora lembra que o elijao, produto derivado do colágeno, é utilizado na China pela medicina tradicional do país há mais 5 mil anos. Sua utilização se dá para tratar problemas de saúde como menstruação irregular, anemia, insônia e impotência sexual. “A eficácia do elijao não possui comprovação científica”, frisa Tatemoto.

A venda de jumentos brasileiros para o mercado chinês começou em 2016, após uma visita da ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, ao país asiático. “Parece piada”, publicou em suas redes sociais, ao descobrir a demanda chinesa por um milhão de jumentos ao ano. Segundo dados do IBGE, o Brasil nem sequer possui essa população total de animais. Em 2012, apenas 902 mil animais existiam no país, dos quais 97% deles, o equivalente a 877 mil indivíduos, viviam no Nordeste.

Apesar disso, em julho de 2017, a Bahia passou a exportar carne e couro à China, com meta de entregar 200 mil unidades por ano. Atualmente, boa parte dos abates de jumentos acontecem no estado, onde três frigoríficos têm licença do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para realizar os abates. “Temos pesquisas que comprovam que a atividade de abates não é sequer lucrativa”, completa Tatemoto.

Africano, mas naturalizado brasileiro

Oriundo do continente africano, o jumento chegou ao Brasil no século XVI, durante o período colonial. Resiliente, a espécie demonstrou adaptação exemplar ao semi-árido brasileiro, passando a desempenhar um importante papel no bioma. “Existem uma série de artigos científicos mostrando o impacto positivo dos jumentos em lugares dos quais eles não eram nativos. Na Bélgica e na Alemanha, eles fazem um importante papel de gestão de recursos naturais, comendo plantas invasoras, que inclusive espécies nativas não comem”, comenta Tatemoto.

De acordo com a cientista, os jumentos funcionam como verdadeiros restauradores de ecossistemas. “Outros artigos mostram que eles conseguem encontrar água e cavar poços. Não sabemos se, por causa da excelente audição, conseguem escutar o lençol freático”, acrescenta. Matando a própria sede, os asininos também dão de beber aos vizinhos. “Outras espécies passam a beber aquela água, defecar ali e disseminar sementes. Eles fazem uma mitigação de áreas que estão sendo desertificadas”, completa Tatemoto.

Resiliente

De acordo com a pesquisadora, os jumentos ameaçados de extinção são precisamente jumentos nordestinos, conhecidos como “jegues”. “É uma linhagem genética que só ocorre no Brasil. Então existe ali uma informação genética muito relevante para a escassez hídrica e a situação que a gente tem enfrentado de mudanças climáticas. É uma espécie tão resiliente quanto o povo nordestino”, comenta.

Disposto para o trabalho, a despeito de ter menor peso e estatura, o jegue nordestino teve seu trabalho no campo preterido pela popularização das motocicletas e pela modernização da agricultura. Errante pelas estradas e pela caatinga, virou alvo fácil dos abatedouros. “Temos relatos de venda desses animais por R$ 1. As condições de manejo clandestino, sem água, sem comida e sem assistência médico-veterinária fazem com que 20% desses animais morram antes de chegar ao abatedouro”, lamenta Tatemoto.

Distantes da aposentadoria

Professor de medicina veterinária, inovação e empreendedorismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Pierre Barnabé Escodro é enfático. “Se continuarmos nesse ritmo de abates, os jumentos estarão extintos do Brasil em 2030”, alerta. O pesquisador explica que a atividade de abate de jumentos no Brasil é extrativista, pois não possui inserção em uma cadeia produtiva. Ao passo que os animais são abatidos em massa, não há uma cadeia de criação que garanta a existência de novas gerações.

“A gente vê a necessidade emergente de cessar os abates de jumentos no Brasil. E de um censo fidedigno, confiável, para elaborar políticas públicas para a reinserção desse animal na sociedade e evitar a extinção, que já aconteceu em países africanos”, pontua Pierre. Segundo o cientista, o século XXI ainda reserva atividades relevantes para os jumentos. “Podem trabalhar na terra, seja com agricultura familiar, inclusive em locais onde os veículos não chegam, seja na recuperação do solo. Também podemos ter essa reintrodução, por exemplo, em terapias assistidas e na biotecnologia aplicada ao plasma”, acrescenta.

Em defesa dos jumentos, a comunidade científica já tem deixado o Governo Federal ciente da urgência da suspensão dos abates. Neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a receber ativistas da causa animal que cobraram medidas enfáticas a respeito da questão. “A gente não consegue ter um posicionamento do Governo Federal, porque é uma questão que envolve acordos comerciais”, destaca Pierre.

Apesar disso, já circula na Câmara dos Deputados o projeto de lei 2387/2022, que visa proibir o abate de equídeos e equinos (cavalos e jumentos) para o comércio de carne, pele e outras partes do corpo. A proposta está em análise nas comissões de Agricultura, Meio Ambiente e Justiça.Procurado pelo Diario de Pernambuco, o Ministério da Agricultura e Pecuária não deu retorno aos questionamentos da reportagem.

Diario de Pernambuco

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