Coreia do Norte oferece apoio total à Rússia contra a Ucrânia

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, ofereceu a Moscou seu apoio total na guerra na Ucrânia neste sábado (12), durante seu encontro com o chanceler russo, Serguei Lavrov, informou no início da manhã de domingo (data local) a agência estatal norte-coreana KCNA. A visita oficial de Lavrov é a mais recente de uma série de encontros de alto nível com autoridades de destaque de Moscou, o que reflete o aprofundamento das relações bilaterais em meio à ofensiva russa contra Kiev.

A Coreia do Norte tem fornecido armas e milhares de soldados para apoiar a ofensiva russa, especialmente na região de Kursk, a fim de expulsar as forças ucranianas. Kim e Lavrov se reuniram no sábado em “uma atmosfera repleta da confiança de uma calorosa camaradagem”, segundo a KCNA. Lavrov publicou um vídeo no Telegram em que aparece apertando a mão de Kim e trocando um abraço com ele, e afirmou que o diálogo aconteceu em Wonsan, cidade na costa leste do país.

Kim disse ao chanceler Lavrov que a Coreia do Norte estava “pronta para apoiar e incentivar de forma incondicional todas as medidas adotadas pela liderança russa para lidar com a raiz da crise ucraniana”, relatou a KCNA. O líder norte-coreano também expressou sua “firme convicção de que o Exército e o povo russos seguramente alcançarão a vitória ao cumprir a sagrada causa da dignidade e dos interesses essenciais do país”.

Os dois também discutiram “questões importantes para aplicar fielmente os acordos alcançados nas históricas conversas da cúpula RPDC-Rússia de junho de 2024”, disse a KCNA, utilizando as siglas do nome oficial da Coreia do Norte (República Popular Democrática da Coreia). Nos últimos anos, os dois países reforçaram a cooperação militar. Eles assinaram um acordo de defesa mútua durante uma visita do presidente russo, Vladimir Putin, à Coreia do Norte no ano passado.

De acordo com a agência russa TASS, Lavrov disse que o presidente Putin “espera que os contatos diretos sejam mantidos num futuro muito próximo”. Meios de comunicação estatais da Rússia e da Coreia do Norte informaram que Lavrov permaneceria no país até este domingo.

No sábado, durante o encontro com a homóloga norte-coreana, Choe Son Hui, Lavrov agradeceu o trabalho dos “heroicos” soldados norte-coreanos que ajudaram o Exército russo a expulsar as tropas ucranianas da região fronteiriça de Kursk, onde ocorreram incursões em agosto de 2024. Moscou afirmou que havia expulsado as tropas ucranianas da região em abril, e naquela ocasião já havia agradecido às forças norte-coreanas, reconhecendo assim pela primeira vez sua participação direta no conflito.

Questionado sobre a possibilidade de que as tropas norte-coreanas sejam enviadas para outras partes da linha de frente, Lavrov respondeu que essa decisão cabe a Pyongyang. “Partimos do princípio de que é a própria RPDC que determina as formas pelas quais aplicamos nosso acordo de parceria estratégica”, disse o ministro, segundo a agência TASS. Essa viagem do diplomata russo ocorre um mês e meio após a visita a Pyongyang do secretário do Conselho de Segurança russo, Serguei Shoigu.

AFP

Coreia do Norte dispara míssil balístico em direção ao Mar do Japão

A Coreia do Norte lançou um míssil balístico neste domingo (14), anunciou o Exército sul-coreano, poucos dias depois de vários exercícios de artilharia com munição real que sinalizam um endurecimento da posição do regime de Pyongyang.

“A Coreia do Norte lançou um míssil balístico não identificado em direção ao Mar do Leste”, disse o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul em um comunicado, referindo-se a uma área também conhecida como Mar do Japão. Segundo o Estado-Maior Conjunto, o míssil voou mil quilômetros. A Guarda Costeira japonesa anunciou ter detectado “um objeto, potencialmente um míssil balístico, lançado pela Coreia do Norte”, citando informações do Ministério da Defesa do país, e pediu que os navios na área fossem cautelosos.

O último míssil lançado pela Coreia do Norte, em 18 de dezembro, foi um míssil balístico intercontinental (ICBM) Hwasong-18 de combustível sólido, o mais avançado que possuem, e foi disparado em direção ao Mar do Japão. Em janeiro, a Coreia do Norte realizou exercícios de artilharia com munição real em sua costa ocidental, perto de ilhas sul-coreanas cuja população civil foi chamada para se abrigar.

Mudança de tom
Na quarta-feira, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, descreveu a Coreia do Sul como o “principal inimigo” do país. “Finalmente chegou o momento histórico em que devemos defini-lo como o Estado mais hostil em relação à Coreia do Norte”, afirmou Kim, qualificando seu vizinho como o “principal inimigo” de Pyongyang.Essas declarações marcam uma mudança de tom na política norte-coreana, e analistas acreditam que Pyongyang adotará uma posição mais dura no futuro.

As relações entre as duas Coreias estão em seu ponto mais baixo em décadas. Em dezembro, Kim ordenou acelerar os preparativos militares para uma “guerra” que poderia “ser desencadeada a qualquer momento”. Ele também denunciou uma “situação de crise persistente e incontrolável”, supostamente causada por Seul e Washington com seus exercícios militares conjuntos na região.

Pyongyang conseguiu lançar um satélite espião no ano passado, após, segundo a Coreia do Sul, receber assistência tecnológica russa em troca de entregas de armas para a guerra que Moscou trava na Ucrânia. Nesse sentido, autoridades norte-coreanas anunciaram neste domingo que o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte visitará a Rússia na próxima semana.

No ano passado, a Coreia do Norte também consolidou sua posição como potência nuclear em sua Constituição e lançou vários mísseis balísticos intercontinentais, violando resoluções da ONU. Em novembro, Seul suspendeu parcialmente um acordo concluído com Pyongyang em 2018, que visava a prevenir incidentes militares na fronteira, mais uma indicação do agravamento das tensões entre os dois vizinhos. Desde que Pyongyang realizou seu primeiro teste nuclear, em 2006, o Conselho de Segurança da ONU adotou inúmeras resoluções pedindo que a Coreia do Norte encerre seus programas nucleares e de mísseis balísticos.

AFP