Governo autoriza estudo de viabilidade de nova hidrovia na Bahia

A Companhia de Docas da Bahia (Codeba) recebeu autorização do governo Lula para iniciar os estudos de viabilidade técnica e de potencial econômico para a retomada da exploração da hidrovia do São Francisco. A portaria foi publicada na edição desta terça-feira (26), do Diário Oficial da União (DOU), e assinada pelo ministro Silvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos.

De acordo com o documento, os referidos estudos subsidiarão as atividades relativas à exploração e operação da hidrovia pela Codeba, bem como serão parte integrante do procedimento administrativo da possível concessão da infraestrutura hidroviária. Em junho, o Governo Federal anunciou que o Rio São Francisco terá uma nova hidrovia para transporte de cargas do Sudeste, a partir de Pirapora-MG, com destino a Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), no Nordeste.

A intenção do projeto é utilizar os 1.371 km de extensão navegáveis com uma projeção de movimentar cinco milhões de toneladas. Entre as cargas previstas, estão insumos agrícolas, gesso, gipsita, calcário, grãos, bebidas, minério e sal. No percurso, o Velho Chico passa pelo Distrito Federal, por Goiás, pela Bahia, por Sergipe, Alagoas e Pernambuco. São 505 municípios e mais de 11,4 milhões de pessoas que, de alguma forma, se relacionam com um dos principais rios brasileiros.

O projeto foi dividido em três etapas:

Na primeira, as ações vão se concentrar em um trecho de 604 quilômetros navegáveis, de Juazeiro a Petrolina, passando por Sobradinho e chegando em Ibotirama. As cargas poderão ser escoadas por rodovias até o Porto de Aratu-Candeias, na Baía de Todos os Santos.

A segunda etapa abrangerá o trecho entre Ibotirama e Bom Jesus da Lapa e Cariacá com 172 quilômetros navegáveis. Nesse trecho, haverá conexão, via malha ferroviária, até os Portos de Ilhéus e Aratu-Candeias.

Já a terceira etapa aumentará a hidrovia em 670 quilômetros e ligará Bom Jesus da Lapa e Cariacá a Pirapora.

A Tarde

Alimentos afetados por tarifaço de Trump poderão ir para merenda escolar no Brasil

O governo Lula autorizou a compra direta de produtos afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos. Os alimentos incluídos nessa lista, segundo planejado pela gestão petista, poderão ser destinados para reforçar a merenda escolar na rede pública de ensino de Estados e municípios que se interessarem pela aquisição.

Os alimentos podem ser destinados também a hospitais e para as Forças Armadas. Nesta segunda-feira, 25, o Ministério de Desenvolvimento Agrário deve anunciar novos detalhes sobre como o sistema de compra especial poderá funcionar. A regulamentação foi publicada em portaria interministerial do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e do Ministério da Agricultura, em edição extra no Diário Oficial da União, na sexta-feira (22).

A portaria prevê que poderão ser adquiridos via compras governamentais flexibilizadas: açaí (fruta, purês e preparações), água de coco, castanha de caju (frutas de casca rija ou sem casca, sucos e extratos vegetais), castanha do Brasil (castanha-do-pará, fresca ou seca, sem casca), manga (fresca ou seca), mel, pescados (como corvina, pargo, tilápia e outros) e uva fresca.

A flexibilização das compras governamentais foi autorizada no âmbito da Medida Provisória nº 1.309/2025, que estabelece um plano de contingência para setores afetados pelo tarifaço. A MP autoriza excepcionalmente que poderão ser adquiridos pela União, Estados e municípios gêneros alimentícios que deixaram de ser exportados em virtude da imposição de tarifas adicionais dos Estados Unidos.

A aquisição excepcional dos gêneros alimentícios, prevê a MP, permitirá a contratação direta com dispensa de licitação, admitirá a apresentação simplificada de termo de referência e dispensará a elaboração de estudos técnicos preliminares. A portaria dispõe que os procedimentos são excepcionais e de caráter emergencial referentes às compras públicas de alimentos em atendimento exclusivo a produtores e pessoas jurídicas exportadoras afetadas pelas sobretaxa de importação aplicada pelos EUA.

Para habilitação à venda dos produtos para as compras governamentais flexibilizadas, os exportadores deverão apresentar declaração de perda na exportação do produto e pelo menos uma declaração única de exportação para os Estados Unidos do produto alvo de aquisição excepcional, a partir de janeiro de 2023.

Estadão Conteúdo

Aprovação de Lula cresce e vai a 46%, aponta pesquisa Genial/Quaest

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresceu pela segunda vez consecutiva e chegou a 46%, de acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 20. A desaprovação recuou no limite da margem de erro, de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e foi a 51%, ainda acima da aprovação. A melhora foi puxada pela região Nordeste, beneficiários do Bolsa Família e eleitores com 60 anos ou mais. Em julho, na última rodada do levantamento, os que aprovavam o trabalho do presidente eram 43% e os que reprovavam, 51%.

O levantamento entrevistou presencialmente 12.150 pessoas com 16 anos ou mais, sendo 2.004 para o cenário nacional e o restante para as análises estaduais, entre os dias 13 a 17 de agosto. O nível de confiança é de 95%. A recuperação de Lula ocorreu principalmente na região Nordeste, a única em que ele é mais aprovado do que desaprovado. O petista ganhou 7 pontos de aprovação, saindo de 53% para 60%, o maior percentual registrado no ano. A desaprovação caiu no mesmo ritmo para 37%.

O presidente também registrou melhora na região Sul, onde a aprovação foi de 35% para 38%, mas o índice ainda é inferior à desaprovação, que permaneceu em 61%; nas regiões Centro-Oeste e Norte, que foram agrupadas pela pesquisa, os que aprovam a gestão petista cresceram de 40% para 44%, e a reprovação caiu de 55% para 53%. A região Sudeste foi a única em que não houve variação fora da margem de erro. A aprovação oscilou positivamente em dois pontos porcentuais, para 42%, e a desaprovação negativamente em um ponto, para 55%.

Lula recuperou a popularidade entre os eleitores que recebem Bolsa Família. Ele começou o ano com 61% de aprovação neste grupo, mas o porcentual caiu sucessivamente até chegar a 50% em julho. Agora, subiu para 60%. Entre aqueles que não recebem o benefício, o presidente é aprovado por 43%.

No recorte por idade, o maior crescimento foi entre os eleitores com 60 anos ou mais. Antes em empate técnico (48% de aprovação contra 46% de desaprovação), o placar agora é de 55% de eleitores que aprovam Lula contra 42% que desaprovam. Também houve melhora na faixa dos 16 a 34 anos, mas a desaprovação ainda é superior à aprovação: 54% a 43%, ante 58% a 38% na última rodada. Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, a melhora na aprovação de Lula é fruto da combinação de fatores políticos e econômicos.

“A percepção do comportamento do preço dos alimentos trouxe alívio às famílias e reduziu a pressão sobre o custo de vida. Ao mesmo tempo, a postura firme de Lula diante do tarifaço imposto por Donald Trump foi vista como sinal de liderança e defesa dos interesses nacionais. Menos pressão inflacionária somada à imagem de um presidente que reage a desafios externos ajudam a explicar o avanço de sua aprovação neste momento”, disse ele. Segundo a Quaest, 48% dos eleitores consideram que Lula e o PT são os dois atores que estão fazendo o que é mais certo na crise desencadeada pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

Bolsonaro e seus aliados foram citados por 28%, enquanto 15% responderam nenhum dos lados; 9% não souberam ou não responderam. A percepção sobre o preço dos alimentos no mercado também melhorou: para 18% (antes eram 8%), os preços caíram, enquanto 60% afirmam que subiram (eram 76%). Outros 20% disseram que ficou igual (14%). Avaliação negativa fica estável e continua maior do que positiva. A pesquisa Genial/Quaest também mediu a avaliação dos eleitores sobre a gestão Lula. A maior parte dos entrevistados, 39%, disse ter uma opinião negativa do governo, 31% consideram que o trabalho é positivo e 27% como regular, enquanto 3% não souberam ou não responderam. Na rodada anterior em julho, eram 40% de negativo, 28% de positivo, 28% de regular e 4% de indecisos.

Estadão Conteúdo

Lula decide enviar dois projetos de lei para regulação das big techs

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar dois projetos de lei ao Congresso Nacional para regulamentar as plataformas digitais. Um trata da regulação desses serviços digitais, e outro, sob o ponto de vista econômico, propõe regras sobre a concorrência entre empresas de tecnologia, as chamadas big techs.

A expectativa é que os textos sejam encaminhados ao Congresso na próxima semana, após o presidente retornar da viagem que fará à Colômbia. O governo ainda aguarda a Câmara dos Deputados concluir a votação do chamado PL da Adultização. A urgência da matéria será analisada nesta terça-feira (19/8).

O tema da regulamentação das redes ganhou tração após o vídeo do influenciador Felca, que denunciou a exposição de crianças e adolescentes nessas plataformas. Na segunda-feira (18), o presidente Lula voltou a fazer coro pela regulação como forma de combater crimes na esfera digital.

Diario de Pernambuco

Lula recebe presidente do Equador em Brasília em meio a tarifa dos EUA

O presidente do Equador, Daniel Noboa, desembarca no Brasil nesta segunda-feira (18), para uma reunião com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília. O encontro acontece em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e à ofensiva do governo brasileiro pela abertura de novos mercados. O presidente Lula se reúne com Noboa na manhã desta segunda no Palácio do Planalto e, durante a tarde, os dois almoçam no Palácio do Itamaraty.

Ainda esta semana, o petista terá outro compromisso internacional: a viagem à Colômbia para participar da 5ª Cúpula Presidencial dos Países Amazônicos, em Bogotá – um encontro preparatório para a COP30. Com as tentativas frustradas de negociação com os EUA, o governo do presidente Lula tem apostado na busca de novos mercados e fortalecimento das alianças comerciais do Brasil. A estratégia visa contornar a imposição pelos Estados Unidos de tarifa de 50% a produtos brasileiros.

Conforme apuração da CNN, Lula tem novos telefonemas previstos para o início desta semana. Um dos contatos esperados é com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Lula também citou a intenção de dialogar com França, Alemanha, Reino Unido e União Europeia. Todas as conversas estão em fase de agendamento.

A Tarde

Pesquisa Datafolha: 35% culpam Lula por tarifaço e 22%, Bolsonaro

Uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada neste sábado (16) revela que 35% dos entrevistados atribuem a responsabilidade pelo tarifaço ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 22% associam a questão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 17%, ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsoanro (PL-SP).

O outro nome que aparece como possível responsável pelas tarifas impostas ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com 15%. Os que não atribuem o problema a nenhuma das figuras são 3%, os que responsabilizam todos equivalem a 1% e os que não sabem somam 7%.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 113 municípios brasileiros nos dias 11 e 12 de agosto. A margem de erro considerada é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança divulgado equivale a 95%.

Metrópoles

Michelle chama Lula de ‘pinguço’ e diz que Bolsonaro vai voltar à presidência

A ex-primeira dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “pinguço” em um discurso no Rio Grande do Norte e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai voltar à Presidência, apesar de estar em prisão domiciliar e inelegível.

Michelle participou do encerramento de um seminário do PL em Natal, neste sábado, 16, e foi apresentada como uma das estrelas do evento, fazendo o último discurso, ao lado de lideranças do partido, como o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

O PL tenta ampliar o espaço no Nordeste, historicamente mais simpático a Lula, para eleger mais parlamentares, governadores e angariar votos para uma candidatura presidencial que ainda não está definida. Michelle é apontada como uma possível candidata, na ausência de Bolsonaro na eleição, mas evita se colocar como postulante ao cargo.

Há duas semanas, uma pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Lula tem 48,5% das intenções de voto para a Presidência em 2026, em um cenário com Michelle como candidata, que aparece com 29,7%. No discurso, ela direcionou as críticas ao governo Lula, classificando a gestão petista como uma “união de criminosos, de corruptos, para destruir a nossa nação.”

“Um homem que corta um BPC, um homem que tira comida do prato, um homem que por maldade para o fornecimento de água para depois dizer: Deus é tão bom que deixou o povo do Nordeste sem água para me trazer como salvador para trazer água para o povo”, disse a ex-primeira-dama. “Mentirosos, cachaceiro, pinguço, irresponsável. É isso que ele é.”

Ao falar do BPC (Benefício de Prestação Continuada), Michelle fez referência ao projeto do governo Lula que limitava o acesso ao benefício, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O Congresso afrouxou o projeto. Enquanto Michelle discursava, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília.

Neste sábado, 16, ele saiu de cada para realizar exames médicos em um hospital na capital federal. “Meu marido gostaria de estar aqui, não pode, por estar em prisão domiciliar o que nos entristece muito. Eu falo que ele foi tirado da tomada”, afirmou Michelle. “Para a presidência tem nome e sobrenome: é Jair Messias Bolsonaro. Ele vai voltar, ele vai voltar. A justiça vai ser feita.”

Estadão Conteúdo

Lula sobe tom contra Trump e o acusa de mentir sobre Brasil

O presidente Lula (PT) subiu o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,contra as “inverdades” proferidas pelo mandatário sobre o Brasil em meio a guerra comercial entre as nações. O petista afirmou que o país deve ser tratado com respeito mesmo não sendo uma super potência.

“Eu não posso admitir que um presidente de um país do tamanho dos Estados Unidos possa contar a quantidade de inverdades que ele tem contado sobre o Brasil. O Brasil não é um país rico, o Brasil não tem um PIB que tem os americanos, o Brasil não tem o PIB que tem a China, mas nós temos um povo que merece respeito”, disse Lula.

As declarações de Lula feitas na sexta-feira (15), durante discurso, na inauguração da fábrica da montadora chinesa GWM, em São Paulo, acontecem um dia após Trump classificar o Brasil como um dos “piores parceiros comerciais” dos Estados Unidos e mentir sobre as tarifas de exportações. “O Brasil tem sido um parceiro comercial horrível em termos de tarifas, como você sabe, eles nos cobram tarifas enormes, muito mais do que estávamos cobrando. E não estávamos cobrando nada essencialmente”, disse o americano.

Na ocasião, o presidente também defendeu a relação comercial firmada com a China. “É importante que as pessoas saibam que o comércio do Brasil com a China hoje é de US$ 160 bilhões contra US$ 80 bilhões com os Estados Unidos”. Lula ainda chamou de “turbulência desnecessária” o movimento que os EUA vem protagonizando contra o Brasil, sob a justificativa de que retaliação ao julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu na tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023, no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Nós temos democracia, aqui no Brasil nós temos direitos humanos, e o ex-presidente está sendo julgado. Ele não está sendo julgado por nenhuma acusação da oposição, de nenhum deputado, ele está sendo julgado por delação de seus pares em função de uma tentativa de golpe que ele tentou dar em 8 de janeiro de 2023″, disse, sem mencionar Bolsonaro ou Moraes. E completou: “No plano de golpe dele estava previsto matar a mim, matar ao Alckmin e matar o presidente da Corte eleitoral que está julgando ele”, disse, sem mencionar Bolsonaro ou Moraes.

Trump ataca Brasil
O Brasil voltou a ser alvo de duras críticas dos Estados Unidos (EUA). Nesta quinta-feira, 14, o presidente Donald Trump criticou a parceria comercial com o país de Lula (PT) e voltou a atacar o sistema Judiciário brasileiro.

“E o Brasil tem algumas leis ruins em vigor onde eles pegaram um presidente e colocaram na prisão ou estão tentando prendê-lo e acontece que eu conheço o homem e vou te dizer: ‘Eu sou muito bom em pessoas, eu acho que isso é uma execução política o que eles estão tentando fazer com Bolsonaro”, afirmou o presidente dos EUA. As declarações do republicano referem-se às sanções econômicas de 50% sobre as exportações brasileiras, que entraram em vigor no último dia 6 deste mês.

Trump planeja mais sanções ao STF após reunião
O presidente americano sentou à mesa hoje com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Paulo Figueiredo, em Washington. Após o encontro, os EUA voltaram a falar em sanções. A Casa Branca estuda sancionar com a Lei Magnitsky, a mesma usada contra Moraes, os ministros que condenarem o ex-presidente por golpe de Estado. Integram o colegiado Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.

A Tarde

 

Editorial: Censura por procuração: o velho projeto de controle volta à cena

O Brasil está às portas de um retrocesso perigoso. Depois de o STF ter rasgado o espírito do artigo 19 do Marco Civil e decidido que plataformas podem ser responsabilizadas (sem ordem judicial prévia) por publicações de usuários, abrindo a porteira para remoções administrativas, o governo Lula tenta “sacramentar” no Congresso um projeto que amplia essa lógica e a transforma em política de Estado. A decisão do STF, fixada em 26 de junho de 2025, tornou as redes diretamente responsáveis por “postagens ilegais”, relativizando a exigência de intervenção judicial e dizendo que as regras atuais “não são suficientes”. É a antessala da censura por atalhos.

Agora, chega a minuta do Executivo: um texto que escala sanções contra plataformas, de advertências e multas até o desligamento provisório por até dois meses, sem necessidade de decisão judicial, caso não removam “conteúdos ilícitos”. E “ilícito”, ensina o noticiário, vai de crimes gravíssimos (como pedofilia) a formulações elásticas como “ataques à democracia”, um balaio conceitual pronto para uso político. As reportagens que tiveram acesso à minuta são explícitas ao mencionar o botão de desligar e a criação de um órgão federal para mandar nas redes. Na prática, um departamento de censura. Isso não é defesa da lei; é atalho autoritário.

O próprio Planalto confirmou, nos últimos dias, a intenção de enviar um projeto de lei para “regular” redes sociais e big techs, vendendo-o como proteção de “crianças e adolescentes”. É a velha técnica do “por motivo nobre”: quem poderia ser contra proteger crianças? Mas a embalagem não muda o conteúdo principalmente quando o texto abre a possibilidade de suspensão administrativa de serviços essenciais à conversação pública. A boa política enfrenta crimes com devido processo legal e juiz natural, não com canetaços de burocratas.

É preciso dizer com todas as letras: conteúdo criminoso se combate com Código Penal, investigação e ordem judicial. Misturar crimes incontestáveis com categorias nebulosas “ataques à democracia”, “violência política”  e entregar a interpretação a um órgão do Executivo é construir um aparelho punitivo discricionário. Hoje desliga uma plataforma porque “não cooperou”; amanhã manda remover uma reportagem incômoda sob o mesmo pretexto. O risco não é teórico; ele nasce do desenho institucional proposto.

Não é a primeira investida do petismo contra a liberdade de expressão. Em 2004, o governo tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo, um ente com poder disciplinar sobre a imprensa, que naufragou após forte reação de entidades e redações. A memória é curta, mas os arquivos não mentem. A tentação de “controle social da mídia” é um fio vermelho que atravessa diferentes momentos do projeto de poder do PT.

Diante desse histórico, a combinação é explosiva: um STF que recentralizou o poder de definir o que fica e o que cai das redes (sem ordem judicial prévia), e um governo que pretende criar um órgão administrativo com poder de censura de fato. Não há democracia robusta onde o fluxo da informação depende do humor do príncipe ou do parecer do comissário. Democracia se protege com liberdade, transparência e responsabilização a posteriori, não com mordaças preventivas.

Waldiney Passos

Lula sugere que Trump coma jabuticaba para pôr fim a tarifaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou do bom humor ao “sugerir” uma solução para o impasse envolvendo a taxação de 50% dos produtos brasileiros importados aos Estados Unidos. mandatário disse que iria mandar uma jabuticaba para o presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo Lula, ninguém que coma a fruta fica de mau humor.

“Eu vou levar jabuticaba para você, Trump. E você vai perceber que o cara que come jabuticaba de manhã, num país que só ele dá jabuticaba, não precisa de briga tarifária, precisa de muita união e de muita relação diplomática”, brincou Lula o petista. Brincadeiras à parte, Lula convocou uma reunião para este domingo, 13, para discutir medidas que o Brasil tomará em relação ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Além de Lula também participarão da reunião, o vice-presidente e ministros da Indústria, Geraldo Alckmin, o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não estará presente por incompatibilidade de agenda, já que a reunião foi convocada em caráter de urgência, mas um representante da sua equipe está presente.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, técnicos do Governo esperam a criação de um grupo de trabalho que proponha medidas de retaliação para barreiras comercias que forem impostas ao Brasil.

Entenda tarifa de 50% imposta ao Brasil
A medida, que terá fortes impactos na economia brasileira e também na economia baiana, surge como uma forma de retaliação ao país devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu na trama dos atos golpistas, no Supremo Tribunal Federal (STF). “A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional”, inicia o texto de Trump.

Na mensagem, o norte-americano considera a relação comercial entre os país como desequilibrada e “longe de ser recíproco”. Nesse sentido, o presidente diz ser necessário o afastamento com o Brasil. “Entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual”.

A Tarde

Michelle Bolsonaro faz carta pública a Lula: “Hora de baixar as armas”

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro leu, neste sábado (12), uma carta pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela participava de um evento no Acre quando, em discurso, pediu que o chefe do Executivo “hasteie a bandeira do diálogo e da paz” depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de 50% para produtos brasileiros.

“Você precisa deixar o seu desejo de vingança de lado. Você precisa parar de se juntar aos movimentos terroristas e aos ditadores. A imagem de um Brasil pacífico e de progresso está destruída porque você está se juntando a essas pessoas e arrastando o Brasil para o buraco!”, afirma Michelle.

Ela argumenta que o tipo de sanção ao qual o Brasil foi alvo “só foi aplicada a países reconhecidos como ditaduras”, e que o presidente se guia “por ideologias doentias e pelo desejo de vingança”.

Diario de Pernambuco

Lula reage a taxação de Trump e diz que medida será respondida com reciprocidade

Lula disse que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”, em um post nas redes sociais.

O presidente disse que o “Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, acrescentou.

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Janja interrompe jornalistas que tentam falar com Lula e os chama de ‘vira-latas’

Presidente Lula e a Primeira-dama Janja – Foto: reprodução/redes sociais.

A primeira-dama Janja protagonizou mais um momento constrangedor nesta quarta-feira (9) interrompendo com a frase “cadê meus vira-latas” o momento em que jornalistas questionavam o presidente Lula (PT) sobre as novas tarifas que os Estados Unidos pretendem impor a produtos brasileiros. A declaração foi feita enquanto o petista deixava o Palácio do Itamaraty, após almoço com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto.

A jornalista tenta falar com o presidente, mas Janja interrompe a pergunta e repete a frase “cadê meus vira-latas” duas vezes, com o intuito de impedir pergunta e resposta. A assessoria da primeira-dama negou que ela tenha se dirigido a profissionais da imprensa e que o alvo seriam supostos “bolsonaristas”, apesar de nenhum bolsonarista estar presente no momento da intercorrência.

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Trump cumpre promessa e anuncia tarifa de 50% para produtos do Brasil

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – Foto: reprodução redes sociais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, e alegou desequilíbrio comercial e práticas desleais por parte do governo brasileiro. Em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump justificou a medida com duras críticas ao atual estado da relação bilateral, tanto na esfera econômica quanto institucional.

Segundo o presidente americano, o Brasil impõe há anos barreiras tarifárias e não tarifárias que prejudicam os Estados Unidos e desequilibram o comércio entre os dois países. “Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco”, afirmou Trump, ao destacar que a tarifa de 50% é, na verdade, “muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições”.

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