
Vereador Gilmar Santos (PT)
A sessão desta terça-feira (data) na Câmara Municipal de Petrolina foi marcada por um longo e intenso debate em torno do Requerimento nº 044/2026, de autoria do vereador Gilmar Santos (PT), que apresentou moção de apoio e solidariedade à comunidade da Ilha do Massangano, diante das declarações do pastor Edilson Lira, da Igreja Verbo da Vida, ao comparar a localidade à Ilha do Marajó, associando o contexto à questão do pecado durante fala de evangelização.
A discussão foi aberta pelo vereador Diogo Hoffmann (UB), que iniciou sua fala registrando respeito à comunidade da Ilha do Massangano.
Ele afirmou ter apreço pelos moradores e destacou que já esteve diversas vezes na localidade. No entanto, declarou voto contrário ao requerimento.
Segundo Diogo, a moção parte de uma “premissa falsa”, pois, em sua avaliação, não houve ofensa à comunidade.
De acordo com o parlamentar, a fala do pastor foi retirada de contexto e tratava-se de uma referência bíblica. Ele citou o versículo “onde abundou o pecado, superabundou a graça”, afirmando que se tratava de uma aplicação evangelística e não um ataque à ilha.
Diogo também ressaltou o trabalho social da Igreja Verbo da Vida em Petrolina, mencionando ações no presídio masculino e feminino, projetos com crianças, recuperação de dependentes químicos e atividades em bairros periféricos. Ao final, anunciou que apresentará uma moção de solidariedade ao pastor na próxima sessão.
Na sequência, o vereador Ronaldo Silva (PSDB) votou favorável ao requerimento e classificou a declaração como “fala infeliz”.
Ele afirmou que, mesmo que não tenha havido intenção de ofender, a comparação foi inadequada e gerou desconforto. Ronaldo destacou a relevância cultural da Ilha do Massangano para o município, citando o samba de véio, a tradição ribeirinha e a contribuição histórica da comunidade.
O vereador também criticou a falta de investimentos públicos na localidade, mencionando o posto de saúde fechado há anos e a necessidade de maior atenção do poder público às ilhas do município.
Em seguida, o vereador Ronaldo Souza (REPUBLICANOS) também declarou apoio à moção. Ele afirmou conhecer o pastor, mas considerou que a comparação foi equivocada.
Ronaldo trouxe à tribuna o impacto da repercussão nas redes sociais e destacou que a Ilha do Massangano é reconhecida culturalmente como patrimônio pernambucano. Ele frisou que a comunidade possui infraestrutura, escolas, transporte escolar e políticas públicas implantadas ao longo dos anos.
Embora tenha afirmado acreditar que o pastor não teve intenção de ofender, sustentou que houve erro na forma como a comparação foi feita.
O vereador Aéreo Cruz (PDT) adotou tom conciliador. Ele afirmou conhecer o pastor Edilson e o trabalho social desenvolvido pela igreja. Disse não acreditar que houve intenção de desrespeito.
Ao mesmo tempo, destacou que a Ilha do Massangano merece investimentos estruturais e melhorias em áreas como infraestrutura portuária e apoio aos produtores locais.
Aéreo pontuou que o pastor já havia reconhecido o equívoco em vídeo posterior, mas reforçou que o Legislativo precisa se concentrar nas necessidades concretas da comunidade.
Autor do requerimento, o vereador Gilmar Santos (PT) utilizou a tribuna para defender a proposta. Ele afirmou que o debate não é contra a igreja, mas em defesa do respeito à comunidade da Ilha do Massangano.
Segundo Gilmar, a comparação foi ofensiva e associou indevidamente a localidade a ideias de degradação moral. Ele ressaltou que é papel da Câmara se posicionar diante de declarações públicas que atinjam a dignidade de comunidades tradicionais.
O vereador também apresentou reivindicações estruturais para a ilha, como saneamento básico, políticas de moradia e reativação do posto de saúde.
Na sequência, o vereador Josivaldo Barros (REPUBLICANOS) declarou voto contrário ao requerimento. Ele argumentou que a trajetória do pastor deve ser considerada de forma mais ampla.
Segundo o parlamentar, não se pode resumir todo o trabalho social desenvolvido ao longo dos anos a uma única fala. Ele destacou o papel das igrejas evangélicas no acolhimento, na recuperação de dependentes químicos e no trabalho com pessoas privadas de liberdade.
O edil o afirmou que o pastor já divulgou explicação pública e que é preciso ponderação na análise dos fatos.
Encerrando a discussão, a vereadora Maria Helena (UB) declarou voto favorável ao requerimento. Ela afirmou que, embora erros possam acontecer, a comparação foi inadequada.
A parlamentar destacou a importância cultural da Ilha do Massangano, lembrando sua valorização por figuras reconhecidas nacionalmente e sua contribuição histórica para a identidade de Petrolina.
Após as falas, foram registradas abstenções de alguns vereadores. O requerimento foi colocado em votação e aprovado por oito votos favoráveis, três contrários e quatro abstenções.
Com isso, a Moção de Apoio e Solidariedade à comunidade da Ilha do Massangano será registrada nos anais da Câmara Municipal de Petrolina.
A sessão evidenciou divergências quanto à interpretação da fala do pastor, mas também ressaltou a importância da ilha para a cultura, a história e a identidade do município.