Colisão entre helicópteros deixa 6 mortos no Rio de Janeiro

Seis pessoas morreram após a colisão de dois helicópteros na manhã deste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, todas as vítimas estavam nas aeronaves. Os helicópteros caíram em um pátio com veículos na Avenida das Américas. Ao menos 20 carros foram atingidos e as chamas se alastraram.

Os bombeiros foram acionados às 9h e enviaram quatro unidades para a ocorrência. Por volta das 10h50, o trabalho dos bombeiros já havia sido praticamente finalizado. Como os veículos atingidos eram elétricos, havia um risco maior de o incêndio se alastrar ainda mais, segundo os bombeiros, mas as chamas foram extintas.Informações iniciais indicam que cinco vítimas estavam em um dos helicópteros e, a outra, pilotava a segunda aeronave envolvida no acidente. Esses dados, no entanto, só serão confirmados após perícia. Até a última atualização desta reportagem, as vítimas não tinham sido identificadas. Moradores relataram o incêndio nas redes sociais.

Em vídeos compartilhados nas redes sociais, é possível ver uma fumaça preta e espessa. Moradores afirmaram que se assustaram com fortes barulhos de explosões. Trecho da Avenida das Américas precisou ser fechado. Pedaços de helicóptero foram encontrados pelos bombeiros em vários pontos. O local foi isolado e a Polícia Civil já iniciou a perícia. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, também foi acionado. Ainda não se sabe a causa da colisão.

Em nota, a FAB explicou que, neste momento, “profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação”.

Helicópteros estavam em situação regular – As aeronaves envolvidas operavam em situação regular, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Um dos helicópteros, de matrícula PP-MAC, é um modelo Bell Helicopter 206B Jet Ranger. Possui capacidade para cinco pessoas. A outra aeronave é um Eurocopter France AS 350 B2, com matrícula PR-DJJ, conta com seis assentos.

Estadão Conteúdo

Morre Raimundo Pereira, ícone do jornalismo que desafiou a ditadura

Morreu neste sábado (02), aos 85 anos, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira. Referência histórica na luta pela democracia, Raimundo faleceu no Rio de Janeiro, cidade onde residia com suas filhas. A causa da morte não foi divulgada oficialmente até o momento.

Trajetória de Raimundo Pereira: a voz da imprensa alternativa- Nascido em Exu, Pernambuco, Raimundo não foi apenas um espectador da história, mas um de seus narradores mais corajosos. Sua trajetória é marcada pela fundação de veículos que se tornaram trincheiras contra o autoritarismo no Brasil. Em 1975, Raimundo fundou o jornal Movimento, um dos principais expoentes da imprensa alternativa. Diferente das grandes corporações da época, o veículo era mantido por um coletivo de jornalistas e intelectuais, enfrentando de forma direta a censura prévia do regime militar.

Passagem por grandes redações –  Antes de se dedicar à imprensa independente, Raimundo deixou sua marca em veículos de grande circulação: Revista Veja: integrou a equipe fundadora e participou do dossiê histórico que denunciou a tortura no Brasil em 1969; Realidade e opinião: atuou como editor e repórter, sempre priorizando temas sociais e políticos.; Editora Manifesto: fundada por ele em 1997, focada na publicação de obras de análise política e histórica.

Perseguição política e formação – Curiosamente, a carreira jornalística de Raimundo começou de forma inesperada. Aluno do prestigiado ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), ele foi expulso em 1964 por motivações políticas e por sua atuação em um jornal estudantil. Chegou a ser preso pela ditadura, experiência que moldou seu compromisso inabalável com a liberdade de expressão.

“Raimundo foi um guerreiro que nunca abriu mão de seus princípios, mesmo nos momentos mais sombrios do país”, declarou a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em nota oficial.

A Tarde

 

Flávio Bolsonaro comemora rebaixamento de escola de samba que homenageou Lula: “O próximo vai ser o do PT”

O rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro de 2026 repercutiu no meio digital – e político – nesta Quarta-feira de Cinzas (18). A agremiação, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terminou na última colocação na apuração do Grupo Especial e voltará a disputar a Série Ouro no próximo ano. O resultado foi comemorado nas redes sociais pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fundada em 2018, a Acadêmicos de Niterói havia conquistado acesso à elite do Carnaval carioca em 2025. Para o desfile deste ano, a escola apresentou o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, dedicado à trajetória do presidente da República. A escolha do tema gerou controvérsia antes mesmo dos desfiles e motivou disputas judiciais, incluindo questionamentos analisados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após a divulgação do resultado oficial, que colocou a escola na última posição do Grupo Especial, Flávio Bolsonaro comentou o desfecho em publicação no Instagram, onde escreveu: “DOS PROJETOS DE DEUS NÃO SE ZOMBA! Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo. Nunca nos esqueçamos: família é algo sagrado. Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT.” Com o resultado, a Acadêmicos de Niterói deixa o Grupo Especial e volta a disputar a Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro em 2027.

Dario de Pernambuco

Jurada que “esqueceu” de dar notas para 3 escolas não volta para a apuração do carnaval 2026

A jurada que gerou polêmica no ano passado ao se “esquecer” de dar três notas de samba-enredo no Grupo Especial do carnaval carioca não avaliará as agremiações em 2026. Ana Paula Fernandes não consta do rol de julgadores, embora a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) tenha aumentado o número de profissionais na função este ano – de quatro para seis, sendo que duas foram eliminadas por sorteio.

Na ocasião, Ana Paula não deu notas para os sambas de Paraíso do Tuiuti, Mocidade e Portela – pelo regulamento, as três receberam pontuação máxima, 10. Para o quesito este ano, foram sorteados os jurados Christiano Abelardo, Vandelir Camilo, Alfredo Del-Penho e Alessandro Ventura. A menor nota será descartada. Após a polêmica, Ana Paula respondeu ao Globo sobre as três notas que não foram registradas em seu caderno de julgamento. Além de lamentar o equívoco ocorrido na última noite de desfiles, ela revelou que se sentiu extremamente incomodada com o barulho “insuportável” após a apresentação final, o que acabou resultando em uma queda de pressão.

A jurada disse ter cometido um “lapso terrível” relatou que o intenso barulho vindo do camarote e da roda de samba próximos ao módulo 4 era “ensurdecedor”. “Segundo o regulamento da Liesa, as minhas justificativas não puderam ser consideradas, pois não haviam sido transcritas para a primeira página. Então, eu não esqueci de dar notas. O correto seria dizer que eu não as transferi para a primeira página. No momento em que escrevemos a nota, logo após o desfile, o barulho é insuportável. No módulo 4, onde fiquei, havia uma rave e uma roda de samba em volume altíssimo. Por ser novata, eu não tinha noção do quanto isso atrapalharia, senão teria levado tampões. Nesse momento, eu tive uma queda de pressão por ser o terceiro dia e estar mais cansada. Dai, cometi esse lapso terrível. Eu admito o meu erro e lamento pela confiança que me foi depositada”, disse ela.

Por ser sua primeira vez nesta função, Ana Paula contou que se preparou com antecedência, estudando os sambas das agremiações “de forma incessante durante um mês”.  Questionada sobre as críticas que recebeu, Ana Paula relatou que tentou “não entrar nessa loucura coletiva”. Ela apontou na época que recebeu xingamentos, ameaças e ataques de intolerância religiosa e racismo. A jurada disse frequentar o terreiro desde bebê pois sua avó é mãe de santo e ressaltou que não seguiu no candomblé por opção.

Ana Paula aproveitou para se desculpar sobre o ocorrido, porém reafirmou a lisura do processo de avaliação das escolas: “Muitas vezes, as escolas se sentem injustiçadas por todo trabalho e dedicação de um ano inteiro. Por respeito a elas, eu busco ser o mais neutra possível e muitas vezes o julgamento técnico parece contraditório com a beleza apresentada na avenida. Me desculpo pelos transtornos causados na apuração devido ao lapso inaceitável que cometi. Mas tenho confiança nas minhas análises e justificativas. Agradeço também a Liesa e reafirmo a lisura do processo”, disse.

Agência O Globo

Rio lança portal que usa o samba como ferramenta pedagógica

O samba vai além da música, é também uma manifestação cultural rica que ajuda a desenvolver noções de identidade, memória, território e pertencimento. Foi com essa ideia que a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou a plataforma Rio, Escola do Samba, que conecta pessoas à história da música e do carnaval carioca.

Segundo o Diretor do Núcleo de Produção da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro (MultiRio), Eduardo Guedes, responsável pela iniciativa, abraçar a potência educativa do samba foi algo natural.

“O que a gente fez, basicamente, foi reconhecer que o samba ensina, que o samba e o carnaval são, por si só, ambientes de aprendizagem”, disse. “Quando a gente fala de carnaval, a gente está falando de uma grande produção cultural, e a produção cultural é sempre uma produção de conhecimento”.

Aprendizado
Além de entretenimento interativo por meio de jogos, a plataforma também conta com materiais que contextualizam territórios tradicionais do samba, movimentos culturais espalhados pela cidade e apresenta personalidades históricas, como Tia Ciata, Pixinguinha e Cartola.

No Brasil, a Lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira em todas as instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas. E o objetivo da MultiRio é que esse material também possa ser explorado nas salas de aula.  “A gente pensa que a cidade, como um todo, também educa, também ensina, então, é importante que todo mundo, de alguma forma, reconheça o samba e o carnaval como essa potência pedagógica”, afirma Eduardo Guedes.

Todo material pode ser acessado no site da plataforma. Nos jogos, que incluem música, a brincadeira é tocar os instrumentos ou comandar uma bateria de escola de samba com a ajuda dos ritmistas da escola mirim da Acadêmicos do Grande Rio.  No mini documentário Onde mora o samba?, a agremiação Unidos de Vila Isabel apresenta a conexão do samba com os processos de formação territorial e memória coletiva da cidade.

Escolas do samba
A relação não é novidade. No Rio de Janeiro, espaços de conexão histórica com o samba, patrimônio cultural imaterial do estado, realizam trabalhos de manutenção socioculturais nos seus territórios há anos.   Agremiações como Mangueira, Beija-Flor e Portela contam com complexos culturais e esportivos, com oficinas de música, dança e artes marciais durante todo o ano, assim como pré-vestibulares sociais, cursos de capacitação profissional e ações de inserção para jovens no mercado de trabalho.

Nas escolas de samba mirins, sempre associadas a uma agremiação matriz, é uma exigência que crianças e jovens possuam uma boa frequência escolar e tirem boas notas para participar das atividades, um instrumento que reforça a permanência nos estudos.

Agência Brasil

Cordão do Bola Preta celebra tradição de 107 carnavais no Rio

Como acontece há 107 carnavais, foliões vestindo roupas brancas com bolinhas pretas ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro na manhã deste sábado (14). É o desfile do Cordão do Bola Preta, que destacou no tema deste ano a própria relevância histórica como bloco mais antigo em atividade no país: Bola Preta, DNA do Carnaval.

À frente do cortejo, a tradicional Corte Real reforçou o brilho do desfile. Além de Paolla, participaram Leandra Leal (porta-estandarte), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Maria Rita (madrinha), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica da Portela (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas).

Neste ano, a corte ganhou reforço com a estreia das novas musas de 2026: Lú Bandeira, Flavia Jooris e Andrea Martins. Elas se juntam às musas Ju Knust, Thai Rodrigues, Taissa Marins e Luara Bombom, além do muso Amauri Junior. A animação ficou por conta da tradicional Banda do Cordão da Bola Preta, sob regência do maestro Altamiro Gonçalves.

Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco mantém a parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para a medição das emissões de gases poluentes dos geradores dos trios elétricos. A iniciativa permite a compensação de carbono do desfile. O desfile manteve o trajeto tradicional, com concentração na Rua Primeiro de Março e passagem pela Avenida Presidente Antônio Carlos, reunindo cariocas, turistas, famílias, idosos e crianças. Todos embalados pelas marchinhas e o hino oficial Quem não chora, não mama.

A carioca Luana Flor acabou de concluir a graduação em fisioterapia e decidiu comemorar o novo momento dançando e cantando no bloco. “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Escolhi o Bola Preta, porque é um bloco tradicional. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa.” “Estou aqui para curtir mesmo, mas se a Paolla Oliveira e a Leandra Leal aparecerem, vou tentar tirar uma foto com as divas também”, complementou.

Ninguém estava mais empolgada com a possibilidade de encontrar a Paolla Oliveira do que a foliã Eliane Silva. Vestida com as cores do bloco, ela carregava um cartaz de mais de um metro de altura com um apelo para a atriz tirar uma foto com ela: Paolla, só mais um foto comigo? Prometo parar… (na próxima encarnação). “Acompanho o Bola Preta há 15 anos e, como acontece todo ano, estou aqui à espera da nossa grande rainha”, diz Eliane.

História do Bola Preta
Fundado em 13 de dezembro de 1918, o Cordão da Bola Preta surgiu a partir da reunião de amigos no bar Cave de Ouro, na Rua da Carioca, com o objetivo de preservar o carnaval de rua, em um momento que a cidade do Rio passava por transformações urbanas e culturais.

Desde sua criação, o bloco adotou as cores preto e branco. Entre as décadas de 1930 e 1970, o Bola Preta manteve o formato de cordão carnavalesco, com marchinhas, metais e percussão. A sede do bloco, que já funcionou na Avenida Treze de Maio, está instalada atualmente na Rua da Relação, tornando-se ponto de encontro de músicos e foliões.

Agência Brasil

Artistas pernambucanos assinam alegorias do desfile da Grande Rio em homenagem ao Manguebeat

O maior carnaval em linha reta do mundo é de Pernambuco. Mas, megalomaníaco como só ele, segue se desenhando por outros cantos do país. Desde 1951, quando o frevo do Clube Vassourinhas inaugurou um jeito de festejar em Salvador, até os dias de hoje, com o Galo da Madrugada batendo as asas também em São Paulo. Agora, é o Rio de Janeiro que entra na rota. Na próxima terça-feira, às 22h, a escola de samba Acadêmicos da Grande Rio apresenta na Marquês da Sapucaí o enredo “A Nação do Mangue”, em homenagem ao movimento cultural pernambucano Manguebeat.

Para isso, a agremiação convidou quatro artistas visuais pernambucanos independentes, de diferentes áreas artísticas, para criar a identidade visual da alegoria. O ponto em comum é que todos dialogam com as expressões culturais do estado em seus trabalhos. “É muito massa ver que o pessoal da Grande Rio, enquanto pessoas do sudeste, tiveram profundidade e cuidado na pesquisa do tema. Saíram do superficial e procuraram abordar o tema com densidade”, celebra a muralista e ilustradora Carolina Noemia, que assina os trabalhos ao lado dos artistas Evêncio Vasconcelos e Tchôca, e do Coletivo Vacilante.

Nascida no bairro da Mustardinha, na Zona Oeste do Recife, Carolina mistura em suas telas e ilustrações referências à xilogravura, ao Maracatu Rural e ao manguebeat. “Não existe meu trabalho sem os estudos sagrados que Chico deixou em terra”, destaca a artista. Entre os personagens que habitam o trabalho de Carol, um deles vai ganhar a avenida: a Catita. Figura que dá início à celebração do Maracatu Rural, ela representa a mulher simples do povo, com seu jereré — rede de pesca de mariscos — onde guarda o dinheiro arrecadado.

A Tricolor de Caxias, como é conhecida a escola, desfilará dentro do Grupo Especial na próxima terça-feira com a proposta de aproximar às culturas que germinam nos diferentes mangues do Brasil. “Fazemos essa conexão entre os mangues de Caxias e os do Recife, porque, na verdade, a produção cultural aqui na Baixada Fluminense tem a mesma raiz identitária do Manguebeat. O samba e o Manguebeat nascem da mesma lama”, aponta Antônio Gonzaga, carnavalesco da Grande Rio que desenvolve o enredo ao lado do escritor Renato Lemos e do pesquisador Jader Moraes.

Carolina revela que só verá como sua arte ficou na alegoria no dia do desfile, ao mesmo tempo que o público. “É tão bonita essa magia, esse mistério que envolve o carnaval. Os desfiles, aquela expectativa de ‘só saber na hora’…, confesso que me deixa ansiosa. Mas é uma ansiedade boa, dessas que a curiosidade traz. Vai ser lindo. Terça-feira a gente descobre tudo e celebra”, afirma a artista.

Samba-enredo

Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni e Marcelo Moraes são os nomes por trás do samba-enredo. A letra que vai ecoar na Sapucaí exalta a resistência negra e periférica, a luta ambiental e social e a força transformadora do carnaval, com referências a Zumbi, Paulo Freire e, claro, Chico Science. “Freire, ensine um país analfabeto/ Que não entendeu o manifesto/ Da consciência social/ Chico! Manguebeat está na rua/ Caxias comprou a luta/ E transforma em carnaval”, diz um dos trechos.

Diario de Pernambuco

Jornalista da Jovem Pan News, André Miceli morre aos 46 anos

O jornalista, apresentador e empresário André Miceli morreu na noite da sexta-feira (16), aos 46 anos. A informação foi confirmada pela Jovem Pan News e por instituições com as quais ele mantinha vínculo profissional. Miceli enfrentava um câncer de pâncreas, doença sobre a qual manteve discrição enquanto seguia em atividade. Miceli também era CEO e editor-chefe da MIT Technology Review Brasil e atuava como professor e coordenador acadêmico dos cursos de Marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Homenagens

Em nota, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) lamentou a morte de Miceli e destacou sua contribuição para o ensino e a pesquisa no Brasil, além de se solidarizar com familiares, amigos, colegas e alunos. A MIT Technology Review Brasil também comunicou oficialmente o falecimento e destacou sua influência no setor de tecnologia.

Colegas do jornalismo, do meio acadêmico e do setor de tecnologia também publicaram homenagens nas redes. Uma delas foi feita pelo diretor da Jovem Pan News, Carlos Aros. “Meu amigo, obrigado por tudo”, escreveu. O velório será realizado neste domingo, 18, no Cemitério Jardim da Saudade Sulacap, no Rio de Janeiro.

Estadão Conteúdo

Rio de Janeiro reconhece validade civil de casamentos na Umbanda e no Candomblé

Casamentos religiosos celebrados em centros de Umbanda e Candomblé passaram a ser reconhecidos oficialmente no Rio de Janeiro. A medida está na Lei 11.058/25, de autoria do deputado estadual Átila Nunes (PSD), aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e sancionada pelo governo estadual. A conversão dessas uniões em casamento com validade civil passa a seguir as regras do Código Civil (Lei 10.406/02) e da Lei dos Registros Públicos (Lei 6.015/73).

Para a cientista da religião e jornalista Claudia Alexandre, a decisão admite, mesmo com atraso, o valor das tradições afro-brasileiras e ajuda a combater a intolerância religiosa. Claudia é sacerdotisa da Umbanda e do Candomblé, e há 20 anos celebra casamentos e batizados no terreiro dela, que fica em Paraty, no litoral sul fluminense.

“Esse é um passo importante que vai contribuir para a eliminação do estigma que recai historicamente sobre as religiões afro-brasileiras. Celebrações de batismo, casamento e fúnebres sempre foram realizadas pelos terreiros e o Estado Laico precisa reconhecer a autoridade religiosa, assim como reconhece as celebrações na Igreja Católica”, diz Claudia. “Em um país que naturaliza o aumento do racismo religioso, a lei é uma conquista, mesmo que, por enquanto, seja apenas no Rio de Janeiro”, complementa.

Processo exige alguns documentos

Para que a celebração religiosa possa produzir efeitos civis, será necessária uma declaração lavrada por autoridade religiosa da Umbanda ou do Candomblé. O documento deverá conter nome completo, CPF, documento de identidade e endereço dos noivos; data, local e hora da cerimônia; identificação da autoridade religiosa celebrante; identificação do templo, terreiro ou casa religiosa; além das assinaturas do celebrante e de, pelo menos, duas testemunhas da comunidade.

A declaração do casamento poderá ser encaminhada ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais competente, acompanhada da documentação exigida pela legislação federal.  Segundo Átila Nunes, a iniciativa assegura princípios como liberdade religiosa, dignidade da pessoa humana, igualdade, liberdade de associação e proteção à diversidade cultural. Ele diz que o Rio de Janeiro é o primeiro estado do país a aprovar uma lei sobre o tema. “É um processo de equidade. As igrejas católicas e evangélicas têm todos os direitos que as religiões de matrizes africanas não tinham. A grande vitória é que agora os casamentos nesses ritos poderão ter efeitos civis”, diz o parlamentar.

Determinação legal

A lei também define quem pode ser reconhecido como autoridade religiosa habilitada: sacerdotes e sacerdotisas, babalorixás, ialorixás, pais e mães de santo, chefes de terreiro e outras lideranças espirituais tradicionalmente reconhecidas na Umbanda e no Candomblé. O objetivo é respeitar os critérios internos de cada tradições, e preservar a autonomia espiritual e organizacional das comunidades.

“O reconhecimento tem especial relevância no atual contexto de combate à intolerância religiosa e ao racismo estrutural. A Umbanda e o Candomblé são tradições espirituais de origem africana que sofreram histórica marginalização, repressão e criminalização, muitas vezes invisibilizadas mesmo nas políticas públicas de promoção da igualdade e da liberdade religiosa”, disse Átila Nunes.

Agência Brasil

Falso pastor é preso por estuprar criança de 9 anos após ‘oração’

Um suspeito de estuprar uma menina de nove anos foi preso na sexta-feira (11), em Cachoeiras de Macacu, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A ação foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), da Polícia Civil do estado.

O criminoso, que se apresentava como pastor, teria se aproximado da família da vítima em Várzea das Moças, distrito de São Gonçalo, sob o pretexto de orar por um parente doente. No entanto, após todos adormecerem, ele invadiu o quarto da criança e cometeu o crime.

Segundo as investigações, o suspeito fugiu antes que a vítima pudesse relatar o ocorrido à mãe. A menina passou por exame de corpo de delito, que confirmou a violência sexual. Com base em trabalhos de inteligência, a polícia localizou e prendeu o suspeito, que agora responde por estupro de vulnerável.

A prisão foi realizada mediante mandado preventivo, e o caso segue sob investigação para apurar possíveis outros crimes envolvendo o acusado.

A Tarde

Polícia prende suspeito de planejar ataque a bomba no show de Lady Gaga

Um ataque a bomba, que tinha como alvo o show da cantora Lady Gaga, na noite desse sábado (03), na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi frustrado após uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça.

Os agentes prenderam um suspeito e um adolescente. O grupo alvo da ação disseminava discurso de ódio e preparava um plano, principalmente contra crianças, adolescentes e o público LGBTQIA+. De acordo com informações do G1, o plano era tratado como um “desafio coletivo”, para obter notoriedade nas redes sociais.

A operação, denominada de “Fake Monster”, foi planejada a partir de uma investigação que identificou que os suspeitos estavam recrutando participantes para promover ataques com uso de explosivos improvisados e coquetéis molotov. O homem que seria o chefe do grupo foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, um adolescente foi apreendido por armazenamento de pornografia infantil.

Ainda de acordo com o G1, na operação foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra nove alvos nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Duque de Caxias e Macaé, no Rio; Cotia, São Vicente e Vargem Grande Paulista, em São Paulo; São Sebastião do Caí, no Rio Grande do Sul; e Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso.

Nos endereços dos alvos foram apreendidos dispositivos eletrônicos e materiais que serão analisados. Os alvos da operação atuavam em plataformas digitais, promovendo a disseminação de crimes de ódio, automutilação, pedofilia e conteúdos violentos como forma de desafio entre jovens.

Diario de Pernambuco

Seis escolas voltam hoje ao Sambódromo do Rio para desfile das campeãs

As seis escolas com melhor classificação do Grupo Especial do carnaval carioca retornam ao Sambódromo na noite deste sábado (8), para o tradicional desfile das campeãs. A festa começa às 22h com o desfile da Estação Primeira de Mangueira, que terminou o campeonato na sexta colocação.

A verde e rosa da zona norte, segunda maior vencedora da história do carnaval carioca, com 20 títulos, apresenta o enredo À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões. A escola voltará à Passarela do Samba para apresentar a cultura bantu, comum a diversos povos da África e trazida com os escravos para o Brasil.

Quinta colocada no carnaval deste ano e maior vencedora da história, com 22 títulos, a Portela entra no Sambódromo em seguida, com o enredo Cantar Será Buscar o Caminho que Vai dar no Sol, que homenageou o cantor e compositor mineiro Milton Nascimento. Milton inclusive desfilou em um dos carros alegóricos, na terça-feira (4).

A terceira escola a entrar no Sambódromo será a campeã do carnaval de 2024 que, neste ano, ficou na quarta posição, a Unidos de Viradouro. O desfile, que começa já na madrugada de domingo (9), homenageia o líder quilombola João Batista, conhecido como Malunguinho, com o enredo Malunguinho: o Mensageiro de Três Mundos.

A Imperatriz Leopoldinense, terceira colocada neste ano, será a quarta escola a entrar na avenida, com o enredo Ómi Tútu ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón, sobre a viagem de Oxalá ao reino de Xangô.

Vice-campeã, a Acadêmicos do Grande Rio deve entrar na avenida entre as 2h20 e as 3h de domingo. Após ter perdido o título por apenas um décimo, a escola de Duque de Caxias volta à Passarela do Samba com o enredo Pororocas Parawaras: as Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós, sobre as encantarias do Pará.

Fechando a noite de festa, a campeã Beija-Flor de Nilópolis, que conquistou neste ano seu 15º título, entra na avenida, entre as 3h25 e as 4h15. O enredo Laíla de todos os Santos, Laíla de todos os Sambas, homenageia Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, músico, compositor e carnavalesco que participou de diversos títulos da escola de Nilópolis.

Regras
Apesar de não ser um desfile competitivo, uma vez que o resultado do carnaval 2025 já foi divulgado, existem algumas regras que as escolas precisam cumprir, sob pena de pagamento de multas. Entre as exigências para o desfile das campeãs estão os compromissos de se apresentar entre 60 e 70 minutos, com pelo menos 150 ritmistas na bateria e 45 pessoas na Ala das Baianas, sendo todos completamente fantasiados.  Será permitida a ausência de até uma alegoria e a maior parte dos componentes da escola precisam estar presentes.

Agência Brasil

Mulher é presa após morder pessoas em camarote da Sapucaí, no Rio de Janeiro

Uma mulher foi presa nesta terça-feira (4) no Sambódromo Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, por estar mordendo pessoas em um camarote do setor cinco. De acordo com a Guarda Municipal do Rio, ela apresentava sinais de embriaguez, resistiu à abordagem dos guardas e tentou mordê-los também.

Um segurança do próprio camarote foi quem acionou a equipe da Ronda Maria da Penha. A mulher foi conduzida até uma delegacia. Sua identidade não foi revelada, nem o número de vítimas e possíveis motivações para a agressão.

“Essa foi a terceira prisão feita pelas equipes da Ronda Maria da Penha da GM-Rio no Sambódromo. Os demais casos foram de flagrantes de violência contra a mulher”, informou a guarda municipal. Um caso foi registrado na sexta-feira, 28 de fevereiro, e outro no domingo, 2.
As equipes da Ronda Maria da Penha estão atuando tanto no Sambódromo quanto nos desfiles dos grandes blocos “para coibir flagrantes de violência contra a mulher e também para conscientizar e prevenir esse tipo de violência durante a folia”, afirmou a instituição.

Estadão

Campeã das escolas de samba do Rio será conhecida nesta quarta-feira

A campeã do desfile das 12 escolas de samba da Liga Especial das Escolas de Samba do Rio (Liesa), será conhecida nesta quarta-feira (5), a partir das 15h, na Cidade do Samba, zona portuária do Rio. Nesse ano, pela primeira vez, o desfile ocorreu em três dias, com quatro escolas se apresentando em cada dia. Antes, o desfile ocorria em dois dias, com seis escolas desfilando por noite.

As notas de 36 jurados que analisarão nove quesitos definirão a escola vencedora do carnaval deste ano. A nota mais baixa de cada jurado será descartada.

Os quesitos em julgamento são os seguintes: bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias,  comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira.

Regulamento
A ordem da leitura dos quesitos será definida nesta quarta-feira, em reunião que será realizada na sede da Liesa, entre 12h e 13h30.  O regulamento da Liesa determina que o tempo de duração do desfile de cada escola de samba será de, no mínimo, 70 minutos e, no máximo, 80 minutos.

Haverá perda de 0,1 (um décimo) de ponto para cada minuto não utilizado em seu desfile, quando este tempo for inferior a 70 (setenta) minutos. Também há perda de 0,1 (um décimo) de ponto para cada minuto excedente, quando o tempo de desfile for superior a 80 (oitenta) minutos.

As seis primeiras colocadas voltam à Marquês de Sapucaí, no próximo sábado (8), no desfile das campeãs. A escola com nota mais baixa será rebaixada e vai desfilar na Série Outro, de acesso, em 2026. Já a campeã do grupo de acesso sobe e vai desfilar na elite do carnaval carioca no ano que vem.

Agência Brasil

Neguinho da Beija-Flor faz seu último desfile disputando título

Exatamente às 23h47 desta segunda-feira (3), segunda noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca, o público do sambódromo da Marquês de Sapucaí ouviu o tradicional: “Olha a Beija-Flor aí, gente! Chora cavaco”.

O grito de guerra de Neguinho da Beija-Flor, intérprete da escola de samba de Nilópolis, na região metropolitana do Rio, marcava o último desfile oficial dele em disputa por um título para a agremiação da qual foi a voz dos sambas-enredos por 50 anos.

Em 20 de novembro de 2024, ele anunciou que 2025 seria o último carnaval: “muito obrigado por esse carinho maravilhoso. Eu não vou falar mais para não me emocionar, se não, não consigo cantar. Só posso dizer muito obrigado!”, declarou pelo alto falante antes de começar o desfile e ser ovacionado pela plateia.

Mas o intérprete, que esteve presente em todos os 14 títulos da azul e branca, deixou claro que, se depender dele, esse é o último carnaval, mas não o último desfile. “Vai ser no sábado das campeãs”, desejou, referindo-se à noite do próximo sábado (8), quando as seis escolas mais bem colocadas voltam à Marquês de Sapucaí para celebrar o resultado.

Desfile
A Beija-Flor foi a segunda escola a desfilar e apresentou ao público o enredo Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas, uma homenagem ao diretor de carnaval que figura entre as maiores personalidades da agremiação e do carnaval carioca. Ao fim do desfile de 77 minutos, Neguinho fez questão de colocar o público do carnaval como o grande protagonista da festa. “Eu costumo dizer que a grande estrela da Mangueira, da Portela, do Salgueiro, do Império, do Vasco, do Flamengo é o público, é a comunidade que os prestigia. A grande estrela da festa”, disse a jornalistas.

Perguntado sobre como será passar um carnaval sem ser a voz da Beija-Flor, disse que ainda não sabe a resposta.  “Vamos esperar 2026. Vamos esperar o próximo carnaval para ver”.

História
O intérprete de 75 anos entrou na escola em 11 de junho de 1975, quando ingressou na ala de compositores. A identificação com a Beija-Flor foi tão profunda que chegou ao ponto de ele ter alterado o nome na carteira de identidade para Luiz Antonio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes. Na história de tantos títulos há espaço para outros momentos marcantes, como o carnaval de 2009. Neguinho fazia tratamento contra um câncer, recebeu apoio da escola e da comunidade e, no dia do desfile, momentos antes de soltar o grito de guerra, casou-se em plena Passarela do Samba.

Despedida
A porta-bandeira Selminha Sorriso, que ocupa o posto há 29 anos, disse que tentou convencer o intérprete a não se aposentar. “Eu prefiro não acreditar. O meu coração ainda não aceita. O Neguinho é Neguinho da Beija-Flor para sempre. Nunca terá outro”, disse. Ela brincou que tentou convencê-lo a continuar cantando na escola. “Tentei, gente, infelizmente não consegui”. Perguntado pela Agência Brasil sobre o pedido de Selminha, o intérprete apenas brincou: “Selminha é minha irmã, ela torce muito por mim”, antes de ser novamente ovacionado pelo público e cercado por pedidos de fotografias na área de dispersão.

Agencia Brasi

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