Marília Arraes cumpre agenda em Petrolina e concede entrevista à Rural FM

Entrevista vai abordar projetos políticos e pautas voltadas ao Vale do São Francisco

A pré-candidata ao Senado por Pernambuco, Marília Arraes (PDT), estará cumprindo agenda nesta sexta-feira em Petrolina.

Durante a passagem pela cidade, Marília participará de uma entrevista ao vivo no programa “Espaço Aberto”, da Rural FM 103,1, a partir das 7h da manhã.

Na entrevista, a pré-candidata deverá abordar projetos políticos, cenário eleitoral de Pernambuco e pautas voltadas ao desenvolvimento do Vale do São Francisco, além de temas ligados à infraestrutura, economia e geração de emprego na região.

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Vereadora Cláudia Ferreira destaca avanços na Zona Leste e cobra investimentos em saneamento e saúde em Petrolina

Durante entrevista ao programa Espaço Aberto, da Rural FM, a vereadora Cláudia Ferreira fez um balanço de sua atuação na Câmara Municipal de Petrolina e destacou projetos apresentados no Legislativo, além de defender mais investimentos em infraestrutura, saneamento básico e saúde pública.

Segundo a parlamentar, entre os projetos de sua autoria estão o “Narcisismo Não é Amor”, voltado à conscientização e prevenção da violência contra a mulher, e uma proposta de alerta sobre os riscos dos jogos de apostas e jogos online, tema que, segundo ela, tem causado transtornos financeiros e emocionais a muitas famílias.

Foco na Zona Leste
Cláudia Ferreira afirmou que sua principal atuação está concentrada na Zona Leste de Petrolina, região que abrange bairros como Henrique Leite, Vila Vitória, Novo Horizonte, Terras do Sul, Mandacaru, Jardim Petrópolis, Vila Marcela e Cacheado.
De acordo com a vereadora, apesar dos avanços registrados na educação, com escolas estruturadas e novas unidades, os principais desafios da região ainda são o saneamento básico, a drenagem e a pavimentação.

“São mais de 40 anos de espera. A população já não aguenta mais conviver com esgoto a céu aberto e ruas sem infraestrutura”, destacou.

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EDITORIAL: A Armadilha da Centralização: Por que a PEC da Segurança encontra tanta resistência no Congresso?

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reformular o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) levanta um debate crucial e urgente para o futuro do Brasil: a delicada balança do federalismo na gestão de um tema tão sensível quanto a segurança. Embora a necessidade de integrar e aprimorar a atuação das forças policiais seja inegável diante do avanço do crime organizado, o texto original da PEC, ao propor conceder à União competência exclusiva para elaborar o Plano Nacional de Segurança Pública, acendeu um alerta para juristas, advogados e políticos.

O receio principal reside na excessiva centralização em Brasília de decisões que impactam diretamente a realidade dos estados e municípios, que, na prática, arcam com a maior parte dos custos e da execução da segurança pública.

Estados e municípios gerenciam suas polícias militares e civis, além das guardas municipais e possuem o conhecimento mais apurado das nuances regionais da criminalidade. A atribuição exclusiva à União para elaborar o Plano Nacional de Segurança Pública, embora possa buscar uma uniformidade necessária, arrisca impor uma visão “de cima para baixo” que desconsidera as peculiaridades locais, podendo levar à ineficácia das políticas.

As críticas a essa centralização ecoam no Congresso Nacional. O próprio relator da PEC na Comissão Especial, o deputado Mendonça Filho, reconheceu publicamente a fragilidade do texto original nesse ponto.

Em entrevista, ele ressaltou a desproporção e a necessidade de cooperação, e não de centralização: “Os estados respondem por cerca de 80% dos investimentos em segurança pública, enquanto a União participa com 12%. O caminho é a cooperação, não a centralização”. Essa fala resume a principal crítica: não se pode exigir que a maioria da execução se submeta a um planejamento que ignora a expertise e a capacidade de investimento dos entes federados.

De fato, o relator agiu para mitigar o problema, sugerindo alterações que buscam afastar a ideia de uma competência privativa da União para legislar sobre normas gerais de segurança, um ponto que gerou forte resistência, especialmente entre governadores.

A resistência no Congresso à PEC não é, portanto, uma mera “politicagem”, como alguns tentam rotular, mas sim um reflexo legítimo do debate sobre o modelo federativo brasileiro. Parlamentares da oposição e até mesmo da base aliada têm manifestado preocupação com o risco de esvaziar a autonomia dos estados, levando a um sistema mais burocrático e menos ágil.

Juristas e advogados especializados em direito constitucional e segurança pública alertam que, ao tentar solucionar a falta de coordenação nacional, o texto original criava um novo problema: o conflito de competências e a potencial judicialização das políticas de segurança. O modelo de sucesso em outras áreas, como o Sistema Único de Saúde (SUS), é a legislação concorrente ou o estabelecimento de diretrizes gerais pela União com competência suplementar aos estados, e não a exclusividade.

O desafio do relator Mendonça Filho e da Comissão Especial é justamente encontrar um ponto de equilíbrio que promova a tão necessária integração e coordenação nacional, essenciais para o combate ao crime organizado, que é interestadual e transnacional, sem ferir a autonomia dos estados, que estão na linha de frente do policiamento e da investigação criminal.

A segurança pública é uma pauta de Estado, não de governo. O Brasil clama por um sistema mais articulado e eficiente, mas essa eficiência deve ser construída sobre as bases sólidas da cooperação federativa, e não da centralização autoritária. O sucesso da PEC dependerá de sua capacidade de ouvir as vozes dos estados e garantir que o Plano Nacional seja um instrumento de articulação, e não de intervenção.

Waldiney Passos

Abertas inscrições para a Vila do Empreendedor em celebração ao aniversário de Petrolina

Estão abertas as inscrições para a seleção de empreendedores interessados em participar da Vila do Empreendedor 2025 – edição especial em celebração aos 130 anos da cidade de Petrolina. O evento vai acontecer nos dias 12, 13 e 14 de setembro, das 17h às 22h, na Porta do Rio, Orla de Petrolina, em parceria com o Sebrae.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas presencialmente na sede da AGE, localizada na Avenida Fernando Góes, nº 1009, Centro, até o dia 1º de setembro de 2025, no horário das 8h às 12h. Serão disponibilizadas 22 vagas para empreendedores formais e informais dos segmentos de artesanato, alimentos e vestuário. A seleção seguirá a ordem cronológica de inscrição.

Segundo o edital, podem participar microempreendedores individuais (MEIs) com CNPJ ativo e empreendedores informais residentes em Petrolina. Os selecionados terão espaço gratuito para expor e comercializar seus produtos durante os três dias de evento, que busca valorizar a economia local e dar visibilidade ao empreendedorismo da cidade.

A lista provisória dos aprovados será divulgada em 2 de setembro, no Diário Oficial dos Municípios. Haverá prazo para recursos nos dias 3 e 4 de setembro. O resultado final está previsto para 5 de setembro de 2025. Para outras informações sobre o processo de seleção, os empreendedores podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (87) 3983-7121.

G1 Petrolina

Editorial: 5º BPM atinge recorde histórico sem feminicídio: conquista que inspira continuidade e união política

O Sertão amanheceu mais seguro. Em 12 de agosto de 2025, o 5º Batalhão de Polícia Militar alcançou 237 dias sem registros de feminicídio consumado ou tentado na sua área de atuação — Petrolina, Afrânio e Dormentes — superando o recorde anterior de 229 dias (2018–2019). Em pleno Agosto Lilás, o marco ganha ainda mais significado: é prova de que prevenção, presença e parceria salvam vidas.

O resultado não é obra do acaso. Ele reflete ações integradas de proteção, com destaque para o Projeto Proteger, que já cadastrou e acompanhou 1.735 pessoas em 2025 e realizou 5.377 visitas domiciliares; o comprometimento da tropa, sob a liderança do Tenente-Coronel Welber Cavalcanti; e o alinhamento com o Programa Juntos Pela Segurança, do Governo de Pernambuco. Desde a última ocorrência (18/12/2024) e a última tentativa (24/11/2024), a curva de risco vem sendo contida com escuta ativa das vítimas, monitoramento e resposta rápida.

Celebrar é justo. Mas, mais do que medalhas, a sociedade espera perenidade. Para transformar recorde em novo padrão de segurança, é crucial:

  • Blindar orçamento e ampliar efetivo voltado à proteção das mulheres, com treinamentos contínuos em atendimento humanizado e gestão de risco.
  • Expandir o Projeto Proteger (mais equipes, mais bairros, mais visitas), integrando Prefeituras, Delegacia da Mulher, Ministério Público, Defensoria, Judiciário e rede socioassistencial.
  • Aperfeiçoar o monitoramento de medidas protetivas, com tecnologia, rondas dirigidas e resposta imediata a violações.
  • Prevenção na base: escolas, postos de saúde e CRAS com protocolos claros para identificar e encaminhar casos.

Transparência e metas públicas: divulgação trimestral de indicadores e compromisso com a meta ousada de 365 dias sem feminicídio.

O enfrentamento ao feminicídio não tem cor partidária. É dever de todos. Cabe aos líderes políticos garantirem apoio público e contínuo (leis, recursos, emendas, convênios) para que as boas práticas não sofram descontinuidade a cada calendário eleitoral. O 5º BPM mostrou que funciona quando há estratégia, comando e parceria. Falta-nos, como sociedade e classe política, manter o passo.

Se você ou alguém que você conhece está em risco, ligue 190 (emergência), 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 181 (Disque-Denúncia). Denunciar salva vidas.

Parabéns ao 5º BPM, às equipes parceiras e às mulheres que confiaram nas instituições. Que este recorde seja ponto de partida, não de chegada. Seguimos cobrando, apoiando e somando para que cada dia sem feminicídio se torne o novo normal no nosso Sertão.

Editorial: Câmara nova, responsabilidade maior: o desafio de justificar R$ 13 milhões

Waldiney Passos

A recente entrega da nova sede da Câmara Municipal de Petrolina, um projeto que consumiu R$ 13 milhões, levanta uma série de questionamentos sobre prioridades e responsabilidade pública. A obra, que começou em 2023 sob a gestão de Aero Cruz e foi concluída por Osório Siqueira, teve um custo total bem acima da previsão inicial, que era de R$ 4,5 milhões. É verdade que uma infraestrutura moderna pode motivar, mas a questão é: a população de Petrolina receberá o mesmo tratamento?

A cidade, terceira maior de Pernambuco, enfrenta desafios urgentes em diversas áreas, como infraestrutura, saúde e educação. A população anseia por soluções para problemas crônicos em ruas e bairros. Diante disso, a reforma da Câmara pode parecer um contraste gritante. A expectativa é que, com as novas instalações, os vereadores se sintam ainda mais motivados a trabalhar pela cidade.

No entanto, a população precisa de mais do que a “alta estima” dos vereadores. É fundamental que as comissões permanentes — como as de Saúde, Educação, Meio Ambiente e Direitos Humanos — funcionem de forma mais proativa, com reuniões periódicas e a apresentação de relatórios contínuos sobre os resultados. Os vereadores, que agora estão bem alojados, devem corresponder ao investimento feito com o dinheiro público. A nova sede é um reflexo do status do Poder Legislativo, mas o verdadeiro reflexo do trabalho dos vereadores deve ser visto nas ruas, nos bairros e na qualidade de vida da população.

Chegou a hora de a Câmara de Petrolina demonstrar que os R$ 13 milhões investidos na sua sede não são apenas para o conforto dos vereadores, mas sim um sinal de que o compromisso com a cidade foi renovado e fortalecido. Afinal, a população quer ver a mesma atenção dedicada à nova sede da Câmara nas ruas e bairros da cidade.

Qual a sua opinião sobre o investimento na nova sede da Câmara de Petrolina? Deixe seu comentário!

EDITORIAL – A Concha da Invisibilidade: até quando vamos ignorar o que está diante dos nossos olhos?

Na última segunda-feira (4), publicamos em nosso Instagram um vídeo que repercutiu fortemente nas redes sociais e trouxe à tona uma realidade incômoda e cada vez mais escancarada: a ocupação crescente da Concha Acústica, no Centro de Petrolina, por pessoas em situação de rua. A matéria foi feita com responsabilidade e respeito, com um único objetivo: chamar a atenção das autoridades para um problema que não pode mais ser ignorado.

Quem transita entre as Praças Dom Malan e Maria Auxiliadora sabe que o clima de insegurança tem se intensificado. Moradores de rua vêm se aglomerando no espaço, vivendo ali dia e noite, muitas vezes utilizando o local como banheiro a céu aberto, e isso não é exagero — é constatação.

Mas deixemos claro: não se trata de criminalizar a pobreza nem tampouco de desumanizar quem já perdeu tanto na vida. Não queremos ver essas pessoas retiradas à força, tratadas como estorvo. Pelo contrário. Defendemos que haja um trabalho sério de escuta, acolhimento e encaminhamento para locais que lhes devolvam, minimamente, a dignidade.

O que não podemos mais aceitar é o silêncio. Onde estão os vereadores de Petrolina que não enxergam esse problema que cresce diariamente bem debaixo de seus narizes? Quantas sessões da Câmara trataram do tema com a seriedade que ele exige? Quantos projetos foram apresentados com foco em políticas públicas voltadas para essa população?

Quem frequenta as missas na Catedral do Sagrado Coração de Jesus já se acostumou a desviar o caminho, com medo de abordagens, ou até mesmo de algo pior. Não se trata de preconceito, trata-se de uma sensação real de insegurança, potencializada por um contexto urbano degradado. Sabemos que não são todos os moradores de rua que cometem delitos, mas também é notório que o tráfico de drogas se aproveita da vulnerabilidade de muitos para agir ali, a céu aberto.

Furtos, arrombamentos e assaltos tornaram-se rotineiros no centro da cidade, inclusive a Rural FM, onde apresentamos o programa Espaço Aberto, já foi vítima dessas ações diversas vezes. E o que vem sendo feito? Quais respostas estão sendo dadas à população, aos comerciantes, aos fiéis, aos transeuntes?

Se existe um trabalho de acolhimento ativo em Petrolina, por que essas pessoas seguem ali, visivelmente abandonadas? É hora de  encarar o problema com maturidade e coragem. Assistência social, saúde mental, reinserção social, segurança pública: tudo isso precisa ser pensado de forma integrada.

Mas, antes de tudo, é preciso reconhecer que há um problema. E, até aqui, os vereadores da cidade têm falhado nisso. A responsabilidade social também é deles. O povo não elegeu representantes para que eles se limitem a sessões protocolares ou selfies em redes sociais. É hora de agir.

Este editorial é um apelo. Não para causar polêmica, mas para provocar reflexão e, acima de tudo, reação. Petrolina não pode mais fingir que não vê.

EDITORIAL – Brasil em crise: Prisão de Bolsonaro aprofunda instabilidade política e econômica

O Brasil vive dias de profunda inquietação institucional. A decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar prisão domiciliar contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira (4), marca um novo e preocupante capítulo da crise política e judicial que assola o país. Em um momento no qual o governo brasileiro busca aliviar as tensões diplomáticas e reverter os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a medida imposta por Moraes soa como um gesto de provocação e coloca em xeque o esforço conjunto da diplomacia e da economia nacional.

Enquanto o Itamaraty tenta, por um lado, conter os prejuízos do decreto comercial assinado por Donald Trump, que penaliza setores estratégicos da economia brasileira, o Supremo Tribunal Federal, por meio de um único ministro, decide unilateralmente tensionar ainda mais o ambiente institucional. Uma decisão que, em vez de contribuir para a estabilidade do país, apenas alimenta o confronto e mina a credibilidade da democracia.

A medida foi celebrada por setores ligados ao PT, que correram às redes sociais para festejar. No entanto, causou indignação imediata entre parlamentares da oposição, muitos dos quais decidiram retornar com urgência a Brasília, nesta terça-feira, para discutir as possíveis medidas cabíveis diante do cenário que se desenha.

Em meio a essa convulsão interna, um fato ainda mais alarmante ganhou projeção internacional: a publicação, nesta segunda-feira (4), de uma reportagem assinada pelo jornalista americano Michael Shellenberger. O material, amplamente repercutido nas redes e veículos independentes, aponta que o STF teria criado uma força-tarefa ilegal para prender manifestantes pró-Bolsonaro após os atos de 8 de janeiro de 2023.

Segundo o “dossiê”, documentos e conversas de WhatsApp revelam a existência de um protocolo interno criado pelo ministro Alexandre de Moraes para monitorar perfis em redes sociais dos investigados, com o objetivo de justificar suas prisões. A operação seria coordenada por um grupo informal no WhatsApp, do qual fariam parte servidores do STF e do TSE, incluindo Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes.

Uma das mensagens mais inquietantes envolve Cristina Yukiko Kusahara, então chefe de gabinete do ministro. Em conversa com Tagliaferro, ela afirma que a Procuradoria-Geral da República havia solicitado liberdade provisória para os presos preventivos dos atos de 8 de janeiro, mas que Moraes queria verificar os perfis das redes sociais antes de decidir sobre a soltura. Uma prática que, caso confirmada, representa clara violação de garantias fundamentais do processo penal.

Essa não é a primeira vez que Shellenberger expõe a atuação de autoridades brasileiras em âmbito internacional. Ele já havia publicado o “Twitter Files Brasil”, uma série de reportagens que mostravam como o Judiciário brasileiro pressionou a antiga direção do X (ex-Twitter) a entregar dados de usuários e remover publicações críticas ao sistema eleitoral.

Não sabemos até onde essa disputa institucional pode chegar. Mas sabemos, com clareza, que quem mais perde é o Brasil: perde em confiança, perde em segurança jurídica, perde em prestígio internacional. E, acima de tudo, perde sua democracia, ferida por decisões que já não respeitam mais os limites constitucionais.

Se não houver um basta, se os poderes constituídos não reagirem com responsabilidade, o que hoje parece grave poderá, em breve, se tornar irreversível.

Waldiney Passos

Editorial – O bom jornalismo ainda vale a pena

Quando iniciei minha trajetória nos programas jornalísticos de rádio, entendi logo que não bastava apenas ter uma boa voz ou dominar a técnica da comunicação: era preciso conteúdo. Por isso, fui estudar, me formar, ler, mergulhar nos clássicos, nas boas fontes, compreender o mundo para poder debatê-lo com propriedade. Sempre acreditei — e ainda acredito — no poder do conhecimento como base para um jornalismo sério e comprometido com a verdade.

Mas os tempos mudaram. Com a ascensão das redes sociais, surgiu um novo público mais apressado, mais imediatista, muitas vezes indiferente à profundidade da informação. Hoje, o que parece importar é a notícia curta, rápida, muitas vezes superficial. E quanto mais tragédia, melhor. A notícia boa, infelizmente, perdeu valor frente ao apelo da desgraça. O sensacionalismo virou isca, o grito sobrepôs a análise, e o viral se tornou mais importante que o verdadeiro.

Confesso que tenho refletido muito sobre isso. Às vezes, me sinto deslocado nesse novo cenário. Migrar do jornalismo formal, fundamentado e ético, para um modelo simplificado, apelativo, não é apenas uma mudança de estilo é uma mudança de valores. E aí me pergunto: vale a pena me desconectar da essência do que acredito só para alcançar curtidas, visualizações e compartilhamentos?

A resposta que encontrei é clara: não.

Não dá para dar um cavalo de pau na minha história e voltar atrás. Posso me adaptar às novas plataformas, posso ser mais objetivo quando necessário, posso ajustar a linguagem. Mas não abrirei mão da credibilidade, do respeito ao ouvinte e da ética que me trouxe até aqui. Porque o jornalismo, quando é bom, mesmo em tempos difíceis, ainda tem seu espaço. Ainda forma opinião, ainda inspira confiança, ainda transforma.

Lá na frente, talvez eu não tenha o maior número de seguidores ou os vídeos mais viralizados. Mas terei a consciência tranquila de que fiz a minha parte com dignidade, com respeito ao meu público e à missão que abracei: informar com responsabilidade, sem sensacionalismo, e com o compromisso inegociável com a verdade.

Esse é o jornalismo que acredito. E é esse que continuo fazendo.

Waldiney Passos

Editorial – CNH mais barata: Um avanço ao cidadão, um desafio ao setor de autoescolas

A proposta do governo federal de tornar facultativa a exigência de autoescola para obtenção da primeira CNH (Carteira Nacional de Habilitação) reacende um antigo debate: como equilibrar o direito do cidadão ao acesso mais barato à habilitação com a preservação de empregos e da qualidade na formação de condutores?

De fato, o alto custo para tirar a CNH é um entrave real para milhões de brasileiros. A estimativa de redução de até 80% nos custos, caso o candidato não precise mais frequentar as aulas obrigatórias em autoescolas, é um alívio em um país onde a mobilidade ainda é um passaporte para o trabalho e a sobrevivência. Sob esse aspecto, a proposta é justa, moderna e dá mais autonomia ao cidadão.

Contudo, não se pode ignorar o impacto que essa medida causará ao setor de autoescolas, que hoje emprega cerca de 300 mil pessoas e reúne mais de 15 mil CFCs (Centros de Formação de Condutores) em todo o Brasil. Se aprovada sem planejamento ou diálogo, a medida pode gerar uma onda de desemprego em larga escala e desestruturação de um setor que há décadas atua na educação para o trânsito.

As autoescolas, muitas delas empresas familiares, enfrentam o risco iminente de fechamento, além de verem anos de investimento e qualificação escoarem pelo ralo. Isso sem contar a preocupação legítima com a formação dos novos condutores, o trânsito brasileiro, já violento, não pode ser ainda mais penalizado pela ausência de um processo educativo mínimo.

É possível defender o direito do cidadão a uma CNH mais acessível e, ao mesmo tempo, construir uma transição equilibrada que preserve empregos, qualificação e segurança. A flexibilização das regras não deve significar a extinção das autoescolas, mas a criação de um novo modelo: mais acessível, mais eficiente e adaptado aos tempos atuais.

O caminho está no diálogo. O governo precisa ouvir o setor, os especialistas em trânsito e a sociedade civil. A inclusão dos instrutores autônomos credenciados, por exemplo, pode ser uma alternativa viável mantendo o controle de qualidade via Detran e ampliando a concorrência, o que naturalmente reduzirá os preços ao cidadão.

Portanto, o avanço da proposta deve vir acompanhado de responsabilidade social e compromisso com a segurança viária. O direito de dirigir não pode ser um privilégio de quem pode pagar caro, mas também não pode virar uma atividade desregulada, sem preparo técnico e pedagógico.

Reforma, sim. Desmonte, não.

Waldiney Passos

Editorial: Proposta de Alcolumbre para limitar ações de partidos no STF fortalece o Congresso e a vontade popular

Nós entendemos que a proposta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de restringir quais partidos podem acionar o Supremo Tribunal Federal para questionar leis aprovadas pelo Congresso é não apenas legítima, mas também necessária. O Brasil vive hoje um cenário de intensa judicialização da política, onde qualquer partido, mesmo com representação mínima, consegue travar no STF decisões que foram amplamente debatidas e aprovadas pelo Legislativo, que é a casa do povo.

É claro que o controle de constitucionalidade é fundamental para proteger a democracia e impedir abusos. Mas o que temos visto é o uso excessivo e, muitas vezes, estratégico de ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) por partidos nanicos, que não conseguem aprovar suas pautas no voto e tentam barrar no tapetão do Judiciário o que foi decidido pela maioria dos representantes eleitos. Isso desequilibra o jogo político e afronta o princípio da soberania popular.

A proposta de exigir um piso mínimo de representação, como ter ao menos 15 deputados ou um percentual relevante no Congresso para ter legitimidade ativa no STF, faz todo sentido. Não se trata de calar partidos pequenos, mas sim de garantir que o Supremo seja acionado para discutir grandes temas nacionais por partidos que realmente representam parcelas expressivas do eleitorado e do Parlamento.

É uma forma de respeitar a vontade popular expressa nas urnas, fortalecer o Congresso Nacional e diminuir o ativismo judicial, que tantas vezes paralisa o país. Por isso, apoiamos a iniciativa e esperamos que ela avance no Senado, trazendo mais responsabilidade e equilíbrio para as relações entre Legislativo, Judiciário e os partidos políticos.

Waldiney Passos

Editorial – Fachin, a contenção que veio tarde demais

Nesta segunda-feira (16), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, afirmou em alto e bom som que o STF deve atuar com “contenção”, respeitando os limites institucionais e evitando legislar ou ceder a pressões políticas. A fala aconteceu durante um evento em Brasília que marcou os 10 anos de sua posse na Corte.

À primeira vista, a declaração soa sensata e republicana. Mas, para quem acompanha de perto os bastidores do Judiciário brasileiro, causa espanto. Justamente Edson Fachin, o mesmo ministro que em uma só canetada anulou as condenações de Luiz Inácio Lula da Silva, permitindo seu retorno à cena política, agora prega sobriedade institucional?

Vale lembrar que Lula havia sido condenado em três instâncias distintas, num processo que, à época, seguiu todos os trâmites legais. Não houve absolvição. Não se provou inocência. O que Fachin fez foi questionar a competência territorial da Vara de Curitiba e do então juiz Sergio Moro, afirmando que não cabia àquela jurisdição julgar os processos do ex-presidente. Com esse argumento técnico — e não jurídico penal — o ministro limpou a ficha de Lula sem sequer enfrentar o mérito das acusações.

O resultado dessa decisão ainda ecoa no país. Fachin abriu caminho para a volta de Lula ao poder, sem que o povo pudesse ter uma resposta definitiva sobre a inocência ou culpa do então condenado. A anulação das condenações, sem julgamento do conteúdo dos processos, causou enorme frustração em boa parte da população e acirrou ainda mais a polarização política que divide o Brasil.

É curioso ver que, após tantos episódios em que o STF invadiu atribuições do Legislativo, derrubou leis aprovadas pelo Congresso e tomou decisões com forte impacto político, um dos protagonistas dessas ações agora fala em “limites institucionais” e prega contenção. A pergunta que fica é: por que não antes?

Não se pode apagar da história o papel que Fachin teve na reabilitação política de Lula. Sua decisão mudou o rumo das eleições, da política nacional e do próprio STF, que passou a ser cada vez mais cobrado pela sociedade.

Defender a contenção é correto e necessário. Mas não se pode esquecer que muitos dos atuais excessos do Judiciário brasileiro foram pavimentados por decisões como a de Fachin. Que seu discurso, ao menos agora, sirva como ponto de partida para uma verdadeira autocorreção da Suprema Corte. E que a justiça volte a se dar no tempo certo, de forma equilibrada, respeitando não só a letra da lei, mas também o sentimento de justiça do povo.

Waldiney Passos

EDITORIAL: Os números da pobreza em Pernambuco: Menos propaganda, mais ação

Nesta segunda-feira (2), o governo do Estado de Pernambuco divulgou, com tom de celebração, os números da Pnad Contínua do IBGE sobre pobreza e extrema pobreza no estado. Os dados indicam que, em 2024, 40,3% da população pernambucana ainda vive em situação de pobreza e 6,3% está na extrema pobreza.

Apesar da narrativa oficial apontar para avanços – como a saída de 698 mil pessoas da pobreza e de 288 mil da extrema pobreza –, é impossível ignorar a gravidade do cenário atual: quase metade da população do estado ainda enfrenta privações severas, muitas vezes sem acesso adequado à alimentação, moradia digna, saúde e educação.

A gestão estadual associa a suposta melhoria ao crescimento econômico dos últimos 15 anos, ao aumento do emprego e à elevação da renda. Mas é preciso ir além da propaganda. O que vemos nas ruas, nas periferias, na zona rural e nos sinais de trânsito é um povo passando dificuldades enquanto a classe política vive cercada de privilégios, assessores, carros oficiais e discursos prontos.

Pernambuco, que em 2022 tinha 50,8% da população pobre e 12,2% na extrema pobreza, conseguiu uma redução importante em termos percentuais. Mas isso não pode servir de escudo para esconder o que salta aos olhos: a fome ainda ronda os lares mais humildes, crianças vão à escola com fome, famílias sobrevivem com auxílio insuficiente e muitos trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas para garantir o básico.

Enquanto isso, milhões são gastos com publicidade institucional para “vender” um estado que só existe nos comerciais. É hora de menos marketing e mais políticas públicas reais, estruturadas, contínuas e transparentes. A população não quer números bonitos em relatórios; quer dignidade no prato, no bolso e na vida.

Pernambuco precisa, sim, reconhecer os avanços, mas precisa principalmente encarar a dura realidade social com seriedade, coragem e prioridade. Não basta criar programas para estatísticas — é necessário mudar realidades. E isso só acontece com planejamento, fiscalização, descentralização de recursos e, acima de tudo, compromisso com os que mais precisam.

A sociedade quer mais do que manchetes otimistas: quer ações concretas, imediatas e sustentáveis, que respeitem a dignidade do povo e combatam as desigualdades com responsabilidade, e não com promessas vazias ou propaganda disfarçada de informação.

Waldiney Passos

Editorial: Pernambuco registra aumento nas mortes no trânsito por causa do álcool!

Pernambuco acendeu um sinal vermelho. Dados recentes divulgados pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), com base em números oficiais do DataSUS e do IBGE, revelam um crescimento alarmante no número de mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool. Em 2023, o Estado registrou 576 vítimas fatais nesses chamados sinistros de trânsito, uma alta de 11,4% em relação ao ano anterior.

A taxa de 6,4 mortes por 100 mil habitantes em Pernambuco é superior à média nacional, que ficou em 5,8. Essa é a maior taxa observada no Estado desde 2017 e deveria ser motivo de ampla mobilização. O que estamos vendo é o retorno de uma curva perigosa que, por anos, vinha caindo. Desde 2010, houve uma redução de quase 18% nas mortes por álcool no trânsito, mas agora, em 2023, a tendência voltou a subir e isso não pode ser ignorado.

É importante dizer que não se trata mais de acidentes, e sim de sinistros de trânsito, conforme definem o Código de Trânsito Brasileiro e a ABNT. Um sinistro é resultado de uma escolha, de uma imprudência, de um ato consciente como dirigir após beber.

O perfil das vítimas também chama atenção: 88% são homens, principalmente entre 18 e 34 anos, ou seja, jovens adultos em plena fase produtiva e com toda uma vida pela frente. São pais de família, trabalhadores, estudantes, filhos e irmãos que morrem em vias públicas por decisões que poderiam ser evitadas.

Este editorial é um alerta às autoridades de trânsito, à Polícia Rodoviária Federal, à AMMPLA, à sociedade civil e, sobretudo, a cada condutor. É urgente reforçar as blitzes, fiscalizações com bafômetro, campanhas educativas e penas mais duras para quem insiste em beber e dirigir. A omissão, agora, pode custar ainda mais vidas.

Pernambuco precisa reagir. Não podemos permitir que o volante se transforme em arma, alimentada pela irresponsabilidade e pelo álcool. Que esses números não sejam apenas estatísticas, mas um ponto de partida para ação e consciência.

Waldiney Passos

Editorial: A Transposição do Rio São Francisco — 18 anos de promessas e palanques

Nesta quarta-feira, 28 de maio, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cumpre agenda no Sertão de Pernambuco. Ele visitará a cidade de Salgueiro, onde participa da cerimônia de assinatura da ordem de serviço para a duplicação da Estação de Bombeamento EBI-3, no Ramal do Salgado, uma extensão do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. Antes do evento oficial, Lula fará uma visita técnica à estação.

A presença do presidente em mais uma solenidade ligada à transposição reacende um debate que, para muitos nordestinos, já se tornou um ciclo de frustrações: a promessa de que a água do Rio São Francisco chegaria de forma plena e contínua às regiões mais castigadas pela seca ainda não foi cumprida.

A ideia de transpor as águas do “Velho Chico” remonta ao século XIX, ainda no Império, sob Dom Pedro II, mas foi somente no governo de Lula, em 2007, que o projeto finalmente saiu do papel. À época, foi anunciado com pompa: um investimento de R$ 4,5 bilhões e a promessa de conclusão em 2012. A proposta era ambiciosa — construir mais de 700 quilômetros de canais, por meio dos eixos Leste e Norte, para beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas em mais de 390 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

De 2012 a 2025 já se passaram 13 anos do prazo original, e a obra, iniciada há 18 anos, ainda não foi concluída de forma definitiva. O orçamento inicial já triplicou — hoje, estima-se que mais de R$ 14 bilhões tenham sido investidos, e os custos seguem aumentando. São quase duas décadas de atrasos, aditivos contratuais, disputas judiciais, paralisações e trocas de comando, enquanto a população aguarda por um recurso que, além de vital, foi transformado em instrumento político.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, houve entregas importantes de trechos do Eixo Norte. Em eventos realizados no interior do Nordeste, o então presidente fez questão de mostrar a chegada da água em locais como Jati (CE), Sertânia (PE) e outras comunidades que, de fato, viram os canais ganharem vida. Ainda assim, mesmo após essas entregas, muitas regiões contempladas pelo projeto permanecem à margem da promessa: a água chega e vai embora, como aconteceu após a posse de Lula em 2023, quando denúncias de moradores e lideranças locais indicaram a suspensão da liberação da água em alguns pontos.

A duplicação da EBI-3, que será anunciada agora, não deixa de ser mais um capítulo dessa longa novela. Trata-se de uma estação de bombeamento localizada no Eixo Norte, importante para garantir pressão e continuidade do fluxo hídrico. A obra é necessária, mas não pode ser tratada como um novo marco. Não é a ampliação de estrutura que irá resolver a principal questão: a efetivação plena da distribuição da água prometida desde 2007.

O uso da transposição como palco político se tornou regra. Governos de diferentes colorações ideológicas a utilizam como vitrine, ignorando que a verdadeira entrega não se mede em palanques montados, mas na água que chega à torneira de quem sempre dependeu de carros-pipa, cacimbas e poços de baixa qualidade. A seca não espera por eleição.

É preciso responsabilidade, transparência e respeito. O Governo Federal deve explicações claras à população sobre o cronograma final da obra. É necessário garantir não apenas a infraestrutura física dos canais, mas também a manutenção, a gestão eficiente da água transposta e a implantação de sistemas que permitam a sua chegada aos pequenos municípios, vilarejos e comunidades rurais.

A transposição do Rio São Francisco foi vendida como o projeto mais ousado da história recente do Brasil no combate à seca. Hoje, ela representa o símbolo mais claro do fracasso da classe política em cumprir aquilo que prometeu. É inaceitável que, após tantos anos e bilhões gastos, ainda se inaugurem obras parciais, estações duplicadas, trechos inacabados, enquanto milhões seguem com sede.

É hora de transformar a transposição em um verdadeiro legado de dignidade e desenvolvimento, não em um eterno palanque. Porque quem tem sede, não pode esperar.

Waldiney Passos

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