Na última segunda-feira (4), publicamos em nosso Instagram um vídeo que repercutiu fortemente nas redes sociais e trouxe à tona uma realidade incômoda e cada vez mais escancarada: a ocupação crescente da Concha Acústica, no Centro de Petrolina, por pessoas em situação de rua. A matéria foi feita com responsabilidade e respeito, com um único objetivo: chamar a atenção das autoridades para um problema que não pode mais ser ignorado.
Quem transita entre as Praças Dom Malan e Maria Auxiliadora sabe que o clima de insegurança tem se intensificado. Moradores de rua vêm se aglomerando no espaço, vivendo ali dia e noite, muitas vezes utilizando o local como banheiro a céu aberto, e isso não é exagero — é constatação.
Mas deixemos claro: não se trata de criminalizar a pobreza nem tampouco de desumanizar quem já perdeu tanto na vida. Não queremos ver essas pessoas retiradas à força, tratadas como estorvo. Pelo contrário. Defendemos que haja um trabalho sério de escuta, acolhimento e encaminhamento para locais que lhes devolvam, minimamente, a dignidade.
O que não podemos mais aceitar é o silêncio. Onde estão os vereadores de Petrolina que não enxergam esse problema que cresce diariamente bem debaixo de seus narizes? Quantas sessões da Câmara trataram do tema com a seriedade que ele exige? Quantos projetos foram apresentados com foco em políticas públicas voltadas para essa população?
Quem frequenta as missas na Catedral do Sagrado Coração de Jesus já se acostumou a desviar o caminho, com medo de abordagens, ou até mesmo de algo pior. Não se trata de preconceito, trata-se de uma sensação real de insegurança, potencializada por um contexto urbano degradado. Sabemos que não são todos os moradores de rua que cometem delitos, mas também é notório que o tráfico de drogas se aproveita da vulnerabilidade de muitos para agir ali, a céu aberto.
Furtos, arrombamentos e assaltos tornaram-se rotineiros no centro da cidade, inclusive a Rural FM, onde apresentamos o programa Espaço Aberto, já foi vítima dessas ações diversas vezes. E o que vem sendo feito? Quais respostas estão sendo dadas à população, aos comerciantes, aos fiéis, aos transeuntes?
Se existe um trabalho de acolhimento ativo em Petrolina, por que essas pessoas seguem ali, visivelmente abandonadas? É hora de encarar o problema com maturidade e coragem. Assistência social, saúde mental, reinserção social, segurança pública: tudo isso precisa ser pensado de forma integrada.
Mas, antes de tudo, é preciso reconhecer que há um problema. E, até aqui, os vereadores da cidade têm falhado nisso. A responsabilidade social também é deles. O povo não elegeu representantes para que eles se limitem a sessões protocolares ou selfies em redes sociais. É hora de agir.
Este editorial é um apelo. Não para causar polêmica, mas para provocar reflexão e, acima de tudo, reação. Petrolina não pode mais fingir que não vê.