Mulher morta pelo companheiro no Grande Recife o salvou de linchamento horas antes

Juliana Francisca da Silva e Marcelo Ramos de Souza (Reprodução)

Uma mulher de 39 anos morta a facadas pelo companheiro na frente das três filhas, de 2, 6 e 8 anos, teria salvado o suspeito de um linchamento horas antes do crime.

Segundo a Polícia Civil, Juliana Francisca da Silva foi assassinada na madrugada desta quarta-feira (10), dentro da própria casa, na Rua Palmares, no bairro de Várzea Fria, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife.

De acordo com relatos de moradores, o relacionamento era marcado por episódios de violência doméstica e a situação teria se agravado nos dias que antecederam o crime.

Na segunda-feira (8), Marcelo Ramos de Souza, de 42 anos, tentou matar Juliana enforcada com um fio após uma discussão. A vítima só conseguiu escapar depois que a filha mais velha do casal, de 8 anos, gritou por socorro e chamou a atenção dos vizinhos.

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Papa Leão XIV faz apelo contra violência às mulheres e cobra ação da sociedade

Pontífice ouviu o relato de uma jovem vítima da violência familiar e afirmou que o enfrentamento do problema é responsabilidade de toda a humanidade.

O papa Leão XIV fez um forte pronunciamento contra a violência doméstica e os feminicídios durante uma vigília de oração realizada no Estádio Olímpico de Barcelona, na Espanha. Diante de milhares de fiéis, o líder da Igreja Católica classificou como “dramática” a realidade enfrentada por mulheres vítimas de abusos e destacou que o combate a esse tipo de violência é um dever de toda a sociedade.

Em sua mensagem, o pontífice afirmou que a violência contra a mulher não pode ser encarada como uma fatalidade, mas como um problema que exige compromisso coletivo e mudanças culturais.

“Diante dessa realidade dramática, estamos todos convocados a enfrentá-la, seja pessoalmente, seja como sociedade”, afirmou.

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Mulher é assassinada a facadas na frente das três filhas em São Lourenço da Mata; suspeito é preso

DHPP, no Recife (Foto: Arquivo DP Foto)

Crime aconteceu durante a madrugada desta quarta-feira (10), dentro da casa da vítima na rua Palmares, no bairro de Várzea Fria, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife; companheiro da vítima foi localizado horas depois pela Polícia Militar

Uma mulher de 39 anos, identificada como Juliana Francisca da Silva, foi assassinada a facadas dentro de casa na frente das três filhas menores de idade, na madrugada desta quarta-feira (10), no bairro de Várzea Fria, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife. O principal suspeito do crime é o companheiro dela, Marcelo Ramos de Souza, de 42 anos, preso horas depois por equipes do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati) do 20º Batalhão da Polícia Militar.

De acordo com a polícia, o crime aconteceu por volta das 3h na rua Palmares. Juliana estava bebendo com um vizinho quando o companheiro invadiu a residência e desferiu diversos golpes de faca. Juliana foi atingida no rosto, nos braços e na região do tórax e morreu ainda no local. As três filhas do casal, de 2, 6 e 8 anos, presenciaram toda a cena.

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Homem que matou companheira ao atear fogo no corpo dela com acetona é condenado a 33 anos de prisão no Recife

Fórum Des. Thomaz de Aquino Cyrillo Wanderley, no Recife (Foto: Reprodução/Google Street View)

O Tribunal do Júri do Recife condenou, nesta sexta-feira (5), Alex Lima Tomaz da Silva a 33 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão pelo assassinato de sua companheira, Danielle Priscila Melo da Silva. A pena aplicada deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. O julgamento foi realizado no Fórum Thomaz de Aquino, localizado no bairro de Joana Bezerra, sob a presidência da juíza Maria Segunda Gomes de Lima, da 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.

Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o réu foi condenado por homicídio qualificado. O corpo de jurados reconheceu as qualificadoras de uso de meio cruel, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, uma vez que o crime foi praticado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Alex Lima Tomaz da Silva, que já se encontrava preso preventivamente, permanecerá detido para o cumprimento imediato da sentença. A defesa do condenado ainda pode recorrer da decisão judicial.

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Casa Nova proíbe nomeação de condenados por violência contra a mulher em cargos públicos municipais

Lei sancionada pelo prefeito Anísio Viana impede contratações e nomeações de pessoas condenadas por violência doméstica e feminicídio

O prefeito de Casa Nova, Anísio Viana, sancionou a Lei Municipal nº 547/2026, que proíbe a nomeação e a contratação para cargos públicos municipais de pessoas condenadas por crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher, bem como por feminicídio.

A nova legislação teve origem em um projeto apresentado por vereadoras da Câmara Municipal de Casa Nova e aprovado pelo Legislativo antes de receber a sanção do Poder Executivo.

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Órfãos de vítimas de feminicídio passam a ter direito a pensão INSS

Os filhos e dependentes de mulheres vítimas de feminicídio têm direito, a partir desta sexta-feira (29), a pensão especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A norma regulamenta a concessão do benefício no valor de um salário-mínimo. De acordo com a norma, têm direito à pensão os menores de 18 anos em situação de vulnerabilidade social cuja renda familiar per capita seja igual ou inferior a um quarto do salário-mínimo.

Além dos filhos biológicos, poderão receber o benefício enteados, menores sob guarda e tutelados que comprovem dependência econômica em relação à vítima. A solicitação pode ser feita pelo site ou aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135.

Documentação – O solicitante da pensão especial deve apresentar o documento pessoal de identificação oficial com foto da criança ou do adolescente ou, na impossibilidade deste, a certidão de nascimento. Para os filhos menores de idade nesta situação deve ser apresentado um dos seguintes documentos que relacionem o fato a um feminicídio: auto de prisão em flagrante; denúncia, conclusão do inquérito policial; ou decisão judicial. Se a pensão for devida a um dependente da mulher vítima de feminicídio, deverá ser apresentado o termo de guarda ou de tutela provisória ou definitiva.

Requerimento – O requerimento da pensão especial deve ser feito pelo representante legal dos filhos e dependentes da vítima do crime. Porém, é vedado que as crianças e adolescentes sejam representadas pelo autor, coautor ou participante do crime de feminicídio tanto para requerer quanto para administrar o benefício mensal. O pagamento da pensão especial será devido a partir da data do requerimento. Portanto, não tem efeito financeiro retroativo à data de morte da vítima.

Agência Brasil

Suspeito de jogar a ex em penhasco grava confissão do crime e detalha fuga em MG

Homem suspeito de jogar ex-mulher de penhasco em MG grava vídeo confessando crime. — Foto: Redes sociais

Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, suspeito de jogar a ex-mulher de um penhasco na Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte, teve um vídeo gravado pela polícia, ao ser preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas. Na gravação, ele confessa o crime.

Na gravação, ele afirma que não planejou o crime, mas relata o que o motivou a agredir a ex-mulher, Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos. Silvanildo também descreve como abordou a vítima quando ela chegava ao trabalho e detalha a fuga após o crime. Ana Cláudia foi encontrada com vida nesta terça-feira (26).

“Segunda-feira eu peguei ela mesmo (…) lá no serviço dela. Eu peguei ela descendo do ônibus, abracei ela e falei pra ela entrar no carro. Ela falou, você vai me matar? (…) Levei ela lá pro Jardim Canadá e joguei ela lá do penhasco”, confessou Silvanildo.

Segundo a enteada de Silvanildo, o casal teve um relacionamento de 12 anos e uma filha de 9 anos. Eles estavam separados desde fevereiro deste ano. Desde então, Ana Cláudia vinha sendo perseguida pelo ex-companheiro.

Ainda de acordo com familiares da vítima, Ana Cláudia havia denunciado ameaças feitas por Silvanildo dias antes do desaparecimento.
O boletim de ocorrência foi registrado na noite de 20 de maio, às 19h40. Com medo e se sentindo ameaçada, Ana Cláudia pediu uma medida protetiva de urgência.

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Piloto de avião é condenado a 52 anos de prisão por feminicídio de namorada morta amamentando filha bebê

Dinorah Cristina Barbosa da Silva foi morta a tiros enquanto amamentava a filha de 8 meses em Paulista, no Grande Recife

O piloto de avisão Mayky Fernandes dos Santos foi condenado a 52 anos, quatro meses e 24 dias de prisão pelos crimes de tentativa de feminicídio e feminicídio. A vítima foi a comissária de bordo Dinorah Cristina Barbosa da Silva, de 35 anos, com quem ele tinha uma filha bebê de 8 meses. O crime aconteceu em outubro de 2019, em Maranguape II, em Paulista, no Grande Recife.

Dinorah foi morta na frente da mãe, enquanto amamentava a filha em casa, por dois homens encapuzados que invadiram a residência e que, segundo a sentença, foram contratados para praticar o crime. Mayky Fernandes é a sexta pessoa condenada por participação no feminicídio.

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Companheiro é preso após feminicídio no bairro Quati I em Petrolina

Uma mulher identificada como Maria do Socorro Cleonice de Oliveira foi morta dentro de casa, na manhã de ontem, quinta-feira (7), no bairro Quati I, em Petrolina. O caso foi registrado como feminicídio e causou grande comoção na comunidade.

Em entrevista ao programa Espaço Aberto, da Rural FM, o delegado da Polícia Civil, Gabriel Sapucaia, informou que o companheiro da vítima foi preso poucas horas após o crime, durante uma ação conjunta entre a Polícia Civil e a Polícia Militar.

Segundo o delegado, a vítima foi encontrada sem vida dentro da residência e havia sinais de agressões provocadas por instrumento contundente, além de socos.

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Livro de Samuel Britto é tema de artigo especial do jornalista e poeta Carlos Laerte

O jornalista, poeta e diretor da Clas Comunicação e Marketing, Carlos Laerte, assina um artigo especial sobre o livro “A Impuderada do Sertão, histórias de mulheres agredidas”, do escritor e jornalista Samuel Britto. O texto traz uma profunda reflexão sobre a violência contra a mulher, o feminicídio e a força feminina no sertão nordestino.

No artigo, Carlos Laerte ressalta a importância cultural e social da obra, que mistura literatura de cordel, realismo fantástico, tradições sertanejas e elementos históricos do cangaço.

O livro será lançado no próximo dia 08 de maio, no Senac Petrolina, trazendo a trajetória de Maria das Dores, a “Maria Impuderada do Sertão”, personagem que representa resistência, coragem e luta contra os maus-tratos e a violência doméstica.

Confira abaixo a íntegra do artigo assinado por Carlos Laerte:

Samuel Britto e a “Impuderada do Sertão, histórias de mulheres agredidas”

Carlos Laerte

Na primeira noite, eles se aproximam, ameaçam, intimidam e violentam psicologicamente uma rosa do nosso jardim. E não dizemos nada.

Na segunda noite, conhecendo o nosso medo, já não se escondem. Abusam física e emocionalmente, matam o roseiral e, percebendo nossa fragilidade, arrancam-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

A primeira imagem que nos remete à leitura do livro “A Impuderada do Sertão, histórias de mulheres agredidas”, do jornalista e escritor Samuel Britto, é um mergulho no poema “No caminho com Maiakóvski” (1968), do poeta Eduardo Alves da Costa.

No poema, assim como no livro — que será lançado no Senac Petrolina, no próximo dia 08 de maio — tulipas, rosas e orquídeas se confundem com Marias, Marielles e Ângelas, no perigoso e insano carrossel da violência que já registra, em 2026, o primeiro trimestre mais letal da história para as mulheres. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram contabilizadas 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março deste ano.

O número representa uma média de quatro mulheres mortas por dia no período, o equivalente a uma vítima a cada cinco horas no país.

Ancorado em exemplos femininos de luta e conquista, além de dados e estatísticas bem apurados, o livro do mesmo autor de “Maria Caminhoneira Sertanea e Seus Contos Heróicos, Românticos e Sertanejos” (2024) revela a incrível trajetória de Maria das Dores, a Maria Impuderada do Sertão.

“Impuderada”, assim mesmo, numa escrita informal, libertada das amarras estabelecidas pela gramática tradicional.

Valorizando as falas nordestinas, os costumes e os ritos do povo sertanejo, a obra transita entre o folclórico e o imaginário, desnudando lendas, contos e personagens de um realismo fantástico, povoado por seres sobrenaturais e fantasias arrepiantes.

Aventuras, crenças religiosas, rivalidades, feitos heroicos — e outros nem tanto — impregnam as mais de 300 páginas da obra com as cores da imprevisibilidade e das contradições que, somente à luz da determinação, da doçura e da paixão, “alguns (a que tal graça se consente) é dado lê-la”.

Ilustradas com imagens produzidas por recursos de Inteligência Artificial e mescladas por versos da literatura de cordel, as narrativas de ficção e de fatos reais se misturam numa velocidade estonteante, conduzindo o leitor por um fascinante labirinto de letras, signos e significados, semelhantes a livramentos em meio a um rio revolto de maretas e marolas.

Depois de revelar, à luz do dia, os antepassados de Cruz Credo — local onde se passa a história — Samuel Britto também envereda pelas aventuras do cangaço e do fanatismo religioso, ressaltando personagens como Lampião e Maria Bonita, fontes de inspiração para os Tomés Valentias e as Marias Impuderadas.

Principalmente Maria das Dores, heroína e guerreira da caatinga, que, além de eliminar os maus-tratos domésticos em sua própria família, ajuda a combater a violência contra toda e qualquer mulher do sertão.

Evocando as orações do Credo e de Santo Expedito, o autor segue revelando a continuidade das famílias e convidando para a mesma mesa a mulher, a mulher trans, parceiros íntimos ou ex-parceiros e casais homoafetivos. Todos nos mesmos pratos e talheres, com a mais legítima intenção: espalhar uma nova fase de paz, união e amor no sertão.

O empoderamento feminino é um movimento político, social e filosófico que luta pela equidade de gênero e pela participação ativa da mulher na sociedade. Essencial para o combate à violência, o movimento fomenta a autonomia econômica, emocional e política, permitindo que as mulheres façam suas próprias escolhas.

Carlos Laerte é poeta, jornalista e diretor da Clas Comunicação e Marketing

Pernambuco registra menos de mil homicídios no primeiro quadrimestre pela primeira vez em 22 anos

Estado registrou 942 homicídios entre janeiro e abril

Pernambuco registrou, entre janeiro e abril de 2026, menos de mil homicídios pela primeira vez em mais de 20 anos. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Defesa Social, foram contabilizados 942 assassinatos no período, o menor índice desde o início da série histórica.

Segundo a SDS, o número representou uma redução de 31% em comparação ao ano de 2004, quando começaram os levantamentos oficiais e foram registrados 1.336 homicídios nos quatro primeiros meses do ano.

Os dados também apontaram queda nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs). Pernambuco registrou 9.702 ocorrências no período, considerado o melhor resultado desde o início da série histórica desse indicador. A redução foi de 43,4% em relação a 2011 e de 76,9% quando comparada ao pico registrado em 2017.

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Pernambuco em alerta: Alepe debate crescimento dos casos de feminicídio

Audiência aponta falhas na proteção às mulheres e cobra ações urgentes

O aumento dos casos de feminicídio em Pernambuco acendeu um alerta entre autoridades e levou o tema à pauta da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Em audiência recente, parlamentares, representantes do poder público e da sociedade civil discutiram o avanço da violência contra a mulher e cobraram medidas mais efetivas de enfrentamento.

O debate destacou não apenas o crescimento dos feminicídios consumados, mas também o aumento das tentativas e de outros tipos de violência, evidenciando um cenário preocupante no estado. Segundo os participantes, os números refletem falhas na rede de proteção e na execução de políticas públicas voltadas às mulheres.

Durante a audiência, foram levantadas preocupações sobre a necessidade de ampliar o acolhimento às vítimas, fortalecer as medidas preventivas e garantir maior integração entre os órgãos de segurança, assistência social e justiça.

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TJPE condena Estado de Pernambuco a indenizar filhos de vítima de feminicídio em Serra Talhada

O Estado de Pernambuco foi condenado a pagar R$ 300 mil de indenização aos dois filhos de uma mulher vítima de feminicídio em Serra Talhada, no Sertão do estado. O crime ocorreu em agosto de 2018 e foi cometido pelo ex-companheiro da vítima, que havia fugido da prisão no mesmo dia. A informação foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Além da indenização, os filhos também receberão uma pensão mensal equivalente a dois terços do salário-mínimo até completarem 25 anos. À época do crime, a filha mais velha tinha 9 anos. A idade do filho mais novo não foi informada.

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Entre discurso e prática: feminicídio bate recordes enquanto governo executa apenas 15% dos recursos

Presidente Lula durante pronunciamento sobre o Dia Internacional da Mulher — Foto: Reprodução

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou mensagem pública defendendo o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres e reafirmando a necessidade de combater o feminicídio no Brasil. No pronunciamento, o presidente conclamou a sociedade e os governos a intensificarem ações para enfrentar a violência de gênero no país.

No entanto, os dados mais recentes revelam um cenário que caminha na direção oposta do discurso oficial.

Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.463 casos de feminicídio em 2023, um aumento de 1,6% em relação a 2022. Na prática, isso significa que uma mulher foi assassinada a cada seis horas no país em razão de sua condição de gênero. Foi o maior número registrado desde que a lei do feminicídio passou a vigorar, em 2015.

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Tese da AGU obriga autor de feminicídio a ressarcir pensão do INSS

Ações para responsabilizar financeiramente condenados por feminicídio por despesas com pensões por morte concedidas pelo INSS estão na mira da Advocacia-Geral da União (AGU). Os processos com essa finalidade ajuizados pelo órgão federal cresceram oito vezes nos últimos três anos: passaram de 12, em 2023, para 54 em 2024 e, no ano passado, chegaram a 100. São as chamadas ações regressivas por feminicídio.

Caso de Marília

No início deste mês, por exemplo, a 2ª Vara Federal de Marília, em São Paulo, condenou um homem a ressarcir o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelos valores pagos com a pensão por morte em favor da dependente da ex-companheira, falecida em decorrência de crime qualificado como feminicídio praticado por ele. A filha do casal tinha apenas dois anos de idade na época. O homem foi condenado pelo Tribunal do Júri à pena de 26 anos de reclusão.

Em razão do óbito, o INSS concedeu pensão à criança a partir de setembro de 2021, no valor mensal de R$ 1.518, com estimativa de manutenção até março de 2040. Com a ação regressiva, o homem terá de ressarcir a União pelos valores pagos e os futuros, assumindo o ônus financeiro da concessão do benefício, por ter sido o causador real do dano.

Desenvolvida pela AGU, a tese quer alcançar todos os benefícios previdenciários que forem pagos em decorrência de um feminicídio. Em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o objetivo é cruzar dados nacionais de condenações com as informações do INSS, como explica Adriana Venturini, procuradora-geral Federal da AGU.

“A ideia é que agora a gente consiga fazer parcerias com todas as 27 unidades da federação através do CNJ. E, com o cruzamento dos dados, a gente possibilite que nenhum pagamento previdenciário decorrente de violência doméstica fique sem uma resposta da AGU no sentido de cobrar do agressor o ressarcimento. Porque não deve ficar a responsabilidade para a sociedade”.

A iniciativa busca ainda evitar que o próprio réu figure como beneficiário da pensão por morte, ressalta a representante da AGU. “Assim que há condenação por feminicídio, o INSS é comunicado e ele evita que o pagamento seja feito se for em benefício do próprio réu. Se for em benefício do filho menor, o pagamento da pensão acontece automaticamente, porque ele não pode ser revitimizado, mas a gente cobra do causador da morte”.

Atualmente, a experiência está presente em 13 unidades da federação. Somente no ano passado, os processos cobraram 113 pensões por morte, com expectativa de recuperação de R$ 25 milhões aos cofres públicos. Para Adriana Venturini, essa política não se restringe ao ressarcimento financeiro aos cofres públicos, mas dialoga com iniciativas consolidadas de combate à violência de gênero. A AGU prepara o ajuizamento de dezenas de novas ações regressivas por feminicídio para o próximo mês, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher.

Agência Brasil

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