Quando iniciei minha trajetória nos programas jornalísticos de rádio, entendi logo que não bastava apenas ter uma boa voz ou dominar a técnica da comunicação: era preciso conteúdo. Por isso, fui estudar, me formar, ler, mergulhar nos clássicos, nas boas fontes, compreender o mundo para poder debatê-lo com propriedade. Sempre acreditei — e ainda acredito — no poder do conhecimento como base para um jornalismo sério e comprometido com a verdade.
Mas os tempos mudaram. Com a ascensão das redes sociais, surgiu um novo público mais apressado, mais imediatista, muitas vezes indiferente à profundidade da informação. Hoje, o que parece importar é a notícia curta, rápida, muitas vezes superficial. E quanto mais tragédia, melhor. A notícia boa, infelizmente, perdeu valor frente ao apelo da desgraça. O sensacionalismo virou isca, o grito sobrepôs a análise, e o viral se tornou mais importante que o verdadeiro.
Confesso que tenho refletido muito sobre isso. Às vezes, me sinto deslocado nesse novo cenário. Migrar do jornalismo formal, fundamentado e ético, para um modelo simplificado, apelativo, não é apenas uma mudança de estilo é uma mudança de valores. E aí me pergunto: vale a pena me desconectar da essência do que acredito só para alcançar curtidas, visualizações e compartilhamentos?
A resposta que encontrei é clara: não.
Não dá para dar um cavalo de pau na minha história e voltar atrás. Posso me adaptar às novas plataformas, posso ser mais objetivo quando necessário, posso ajustar a linguagem. Mas não abrirei mão da credibilidade, do respeito ao ouvinte e da ética que me trouxe até aqui. Porque o jornalismo, quando é bom, mesmo em tempos difíceis, ainda tem seu espaço. Ainda forma opinião, ainda inspira confiança, ainda transforma.
Lá na frente, talvez eu não tenha o maior número de seguidores ou os vídeos mais viralizados. Mas terei a consciência tranquila de que fiz a minha parte com dignidade, com respeito ao meu público e à missão que abracei: informar com responsabilidade, sem sensacionalismo, e com o compromisso inegociável com a verdade.
Esse é o jornalismo que acredito. E é esse que continuo fazendo.
Waldiney Passos



