Jurada que “esqueceu” de dar notas para 3 escolas não volta para a apuração do carnaval 2026

A jurada que gerou polêmica no ano passado ao se “esquecer” de dar três notas de samba-enredo no Grupo Especial do carnaval carioca não avaliará as agremiações em 2026. Ana Paula Fernandes não consta do rol de julgadores, embora a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) tenha aumentado o número de profissionais na função este ano – de quatro para seis, sendo que duas foram eliminadas por sorteio.

Na ocasião, Ana Paula não deu notas para os sambas de Paraíso do Tuiuti, Mocidade e Portela – pelo regulamento, as três receberam pontuação máxima, 10. Para o quesito este ano, foram sorteados os jurados Christiano Abelardo, Vandelir Camilo, Alfredo Del-Penho e Alessandro Ventura. A menor nota será descartada. Após a polêmica, Ana Paula respondeu ao Globo sobre as três notas que não foram registradas em seu caderno de julgamento. Além de lamentar o equívoco ocorrido na última noite de desfiles, ela revelou que se sentiu extremamente incomodada com o barulho “insuportável” após a apresentação final, o que acabou resultando em uma queda de pressão.

A jurada disse ter cometido um “lapso terrível” relatou que o intenso barulho vindo do camarote e da roda de samba próximos ao módulo 4 era “ensurdecedor”. “Segundo o regulamento da Liesa, as minhas justificativas não puderam ser consideradas, pois não haviam sido transcritas para a primeira página. Então, eu não esqueci de dar notas. O correto seria dizer que eu não as transferi para a primeira página. No momento em que escrevemos a nota, logo após o desfile, o barulho é insuportável. No módulo 4, onde fiquei, havia uma rave e uma roda de samba em volume altíssimo. Por ser novata, eu não tinha noção do quanto isso atrapalharia, senão teria levado tampões. Nesse momento, eu tive uma queda de pressão por ser o terceiro dia e estar mais cansada. Dai, cometi esse lapso terrível. Eu admito o meu erro e lamento pela confiança que me foi depositada”, disse ela.

Por ser sua primeira vez nesta função, Ana Paula contou que se preparou com antecedência, estudando os sambas das agremiações “de forma incessante durante um mês”.  Questionada sobre as críticas que recebeu, Ana Paula relatou que tentou “não entrar nessa loucura coletiva”. Ela apontou na época que recebeu xingamentos, ameaças e ataques de intolerância religiosa e racismo. A jurada disse frequentar o terreiro desde bebê pois sua avó é mãe de santo e ressaltou que não seguiu no candomblé por opção.

Ana Paula aproveitou para se desculpar sobre o ocorrido, porém reafirmou a lisura do processo de avaliação das escolas: “Muitas vezes, as escolas se sentem injustiçadas por todo trabalho e dedicação de um ano inteiro. Por respeito a elas, eu busco ser o mais neutra possível e muitas vezes o julgamento técnico parece contraditório com a beleza apresentada na avenida. Me desculpo pelos transtornos causados na apuração devido ao lapso inaceitável que cometi. Mas tenho confiança nas minhas análises e justificativas. Agradeço também a Liesa e reafirmo a lisura do processo”, disse.

Agência O Globo

Artistas pernambucanos assinam alegorias do desfile da Grande Rio em homenagem ao Manguebeat

O maior carnaval em linha reta do mundo é de Pernambuco. Mas, megalomaníaco como só ele, segue se desenhando por outros cantos do país. Desde 1951, quando o frevo do Clube Vassourinhas inaugurou um jeito de festejar em Salvador, até os dias de hoje, com o Galo da Madrugada batendo as asas também em São Paulo. Agora, é o Rio de Janeiro que entra na rota. Na próxima terça-feira, às 22h, a escola de samba Acadêmicos da Grande Rio apresenta na Marquês da Sapucaí o enredo “A Nação do Mangue”, em homenagem ao movimento cultural pernambucano Manguebeat.

Para isso, a agremiação convidou quatro artistas visuais pernambucanos independentes, de diferentes áreas artísticas, para criar a identidade visual da alegoria. O ponto em comum é que todos dialogam com as expressões culturais do estado em seus trabalhos. “É muito massa ver que o pessoal da Grande Rio, enquanto pessoas do sudeste, tiveram profundidade e cuidado na pesquisa do tema. Saíram do superficial e procuraram abordar o tema com densidade”, celebra a muralista e ilustradora Carolina Noemia, que assina os trabalhos ao lado dos artistas Evêncio Vasconcelos e Tchôca, e do Coletivo Vacilante.

Nascida no bairro da Mustardinha, na Zona Oeste do Recife, Carolina mistura em suas telas e ilustrações referências à xilogravura, ao Maracatu Rural e ao manguebeat. “Não existe meu trabalho sem os estudos sagrados que Chico deixou em terra”, destaca a artista. Entre os personagens que habitam o trabalho de Carol, um deles vai ganhar a avenida: a Catita. Figura que dá início à celebração do Maracatu Rural, ela representa a mulher simples do povo, com seu jereré — rede de pesca de mariscos — onde guarda o dinheiro arrecadado.

A Tricolor de Caxias, como é conhecida a escola, desfilará dentro do Grupo Especial na próxima terça-feira com a proposta de aproximar às culturas que germinam nos diferentes mangues do Brasil. “Fazemos essa conexão entre os mangues de Caxias e os do Recife, porque, na verdade, a produção cultural aqui na Baixada Fluminense tem a mesma raiz identitária do Manguebeat. O samba e o Manguebeat nascem da mesma lama”, aponta Antônio Gonzaga, carnavalesco da Grande Rio que desenvolve o enredo ao lado do escritor Renato Lemos e do pesquisador Jader Moraes.

Carolina revela que só verá como sua arte ficou na alegoria no dia do desfile, ao mesmo tempo que o público. “É tão bonita essa magia, esse mistério que envolve o carnaval. Os desfiles, aquela expectativa de ‘só saber na hora’…, confesso que me deixa ansiosa. Mas é uma ansiedade boa, dessas que a curiosidade traz. Vai ser lindo. Terça-feira a gente descobre tudo e celebra”, afirma a artista.

Samba-enredo

Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni e Marcelo Moraes são os nomes por trás do samba-enredo. A letra que vai ecoar na Sapucaí exalta a resistência negra e periférica, a luta ambiental e social e a força transformadora do carnaval, com referências a Zumbi, Paulo Freire e, claro, Chico Science. “Freire, ensine um país analfabeto/ Que não entendeu o manifesto/ Da consciência social/ Chico! Manguebeat está na rua/ Caxias comprou a luta/ E transforma em carnaval”, diz um dos trechos.

Diario de Pernambuco

Seis escolas voltam hoje ao Sambódromo do Rio para desfile das campeãs

As seis escolas com melhor classificação do Grupo Especial do carnaval carioca retornam ao Sambódromo na noite deste sábado (8), para o tradicional desfile das campeãs. A festa começa às 22h com o desfile da Estação Primeira de Mangueira, que terminou o campeonato na sexta colocação.

A verde e rosa da zona norte, segunda maior vencedora da história do carnaval carioca, com 20 títulos, apresenta o enredo À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões. A escola voltará à Passarela do Samba para apresentar a cultura bantu, comum a diversos povos da África e trazida com os escravos para o Brasil.

Quinta colocada no carnaval deste ano e maior vencedora da história, com 22 títulos, a Portela entra no Sambódromo em seguida, com o enredo Cantar Será Buscar o Caminho que Vai dar no Sol, que homenageou o cantor e compositor mineiro Milton Nascimento. Milton inclusive desfilou em um dos carros alegóricos, na terça-feira (4).

A terceira escola a entrar no Sambódromo será a campeã do carnaval de 2024 que, neste ano, ficou na quarta posição, a Unidos de Viradouro. O desfile, que começa já na madrugada de domingo (9), homenageia o líder quilombola João Batista, conhecido como Malunguinho, com o enredo Malunguinho: o Mensageiro de Três Mundos.

A Imperatriz Leopoldinense, terceira colocada neste ano, será a quarta escola a entrar na avenida, com o enredo Ómi Tútu ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón, sobre a viagem de Oxalá ao reino de Xangô.

Vice-campeã, a Acadêmicos do Grande Rio deve entrar na avenida entre as 2h20 e as 3h de domingo. Após ter perdido o título por apenas um décimo, a escola de Duque de Caxias volta à Passarela do Samba com o enredo Pororocas Parawaras: as Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós, sobre as encantarias do Pará.

Fechando a noite de festa, a campeã Beija-Flor de Nilópolis, que conquistou neste ano seu 15º título, entra na avenida, entre as 3h25 e as 4h15. O enredo Laíla de todos os Santos, Laíla de todos os Sambas, homenageia Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, músico, compositor e carnavalesco que participou de diversos títulos da escola de Nilópolis.

Regras
Apesar de não ser um desfile competitivo, uma vez que o resultado do carnaval 2025 já foi divulgado, existem algumas regras que as escolas precisam cumprir, sob pena de pagamento de multas. Entre as exigências para o desfile das campeãs estão os compromissos de se apresentar entre 60 e 70 minutos, com pelo menos 150 ritmistas na bateria e 45 pessoas na Ala das Baianas, sendo todos completamente fantasiados.  Será permitida a ausência de até uma alegoria e a maior parte dos componentes da escola precisam estar presentes.

Agência Brasil

Após 15 anos sem vencer, Rosas de Ouro volta a ser campeã pelo Grupo Especial de SP

A Rosas de Ouro é grande campeã Grupo Especial do Carnaval paulistano de 2025, após apuração realizada na tarde desta terça-feira (4) no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da capital paulista. Com 269,8 pontos, a escola da Brasilândia vence a Acadêmicos do Tatuapé no critério de desempate e chega ao 8º título da sua história.

A agremiação foi a sexta a apresentar na primeira noite de desfiles e levantou o público com o enredo “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”, contando a história dos jogos e fazendo um painel de como influenciaram a humanidade ao longo dos anos. O resultado foi acompanhado de perto pela diretoria e integrantes da escola. Como já é tradição nas apurações dos desfiles, a cada ponto conquistado, as reações eram um misto de nervosismo, tensão e esperança. As informações são do portal Metrópoles.

Diario de Pernambuco

Campeã das escolas de samba do Rio será conhecida nesta quarta-feira

A campeã do desfile das 12 escolas de samba da Liga Especial das Escolas de Samba do Rio (Liesa), será conhecida nesta quarta-feira (5), a partir das 15h, na Cidade do Samba, zona portuária do Rio. Nesse ano, pela primeira vez, o desfile ocorreu em três dias, com quatro escolas se apresentando em cada dia. Antes, o desfile ocorria em dois dias, com seis escolas desfilando por noite.

As notas de 36 jurados que analisarão nove quesitos definirão a escola vencedora do carnaval deste ano. A nota mais baixa de cada jurado será descartada.

Os quesitos em julgamento são os seguintes: bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias,  comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira.

Regulamento
A ordem da leitura dos quesitos será definida nesta quarta-feira, em reunião que será realizada na sede da Liesa, entre 12h e 13h30.  O regulamento da Liesa determina que o tempo de duração do desfile de cada escola de samba será de, no mínimo, 70 minutos e, no máximo, 80 minutos.

Haverá perda de 0,1 (um décimo) de ponto para cada minuto não utilizado em seu desfile, quando este tempo for inferior a 70 (setenta) minutos. Também há perda de 0,1 (um décimo) de ponto para cada minuto excedente, quando o tempo de desfile for superior a 80 (oitenta) minutos.

As seis primeiras colocadas voltam à Marquês de Sapucaí, no próximo sábado (8), no desfile das campeãs. A escola com nota mais baixa será rebaixada e vai desfilar na Série Outro, de acesso, em 2026. Já a campeã do grupo de acesso sobe e vai desfilar na elite do carnaval carioca no ano que vem.

Agência Brasil

Primeiro dia dos desfiles da elite do carnaval carioca terá 6 escolas

Os desfiles do Grupo Especial, considerado a elite do carnaval carioca, terão início na noite deste domingo (11). A partir de 22h, fantasias, adereços, carros alegóricos, vão colorir a Marquês de Sapucaí e apresentar o enredo trabalhado por cada uma das escolas.

Neste primeiro dia, seis agremiações irão atravessar a avenida do samba. Nos arredores do sambódromo, na região central do Rio de Janeiro, um esquema especial para o trânsito foi planejado pela prefeitura. A expectativa é de um público de aproximadamente 100 mil pessoas.

Irão desfilar na seguinte ordem: Unidos do Porto da Pedra, Beija-Flor, Salgueiro, Grande Rio, Unidos da Tijuca e a atual campeã, Imperatriz Leopoldinense. Cada agremiação possui entre 1 hora e 1 hora e 10 minutos para atravessar a Sapucaí e há penalização para aquelas que não conseguem concluir sua apresentação no tempo disponível. De acordo com a programação, o último desfile está previsto para se iniciar entre 3h e 3h50.

A escola Unidos do Porto da Pedra, que terá a missão de abrir as apresentações do Grupo Especial, tem como enredo Lunário Perpétuo: a profética do saber popular. A agremiação do município de São Gonçalo (RJ) conta a história de um livro  que reúne orientações sobre astronomia, agricultura, saúde, uso de ervas. Escrito em 1594 pelo espanhol Jerónimo Cortés, o Lunário Perpétuo foi apontado pelo folclorista Câmara Cascudo como a publicação mais lida no Nordeste brasileiro durante 200 anos.

Em seguida, a Beija-Flor seguirá a trilha dos seus desfiles realizados nos últimos anos e voltará a explorar um tema relacionado com a cultura negra. Dessa vez, a escola de Nilópolis (RJ) irá trabalhar com o enredo Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila. O público irá conhecer a história de Benedito dos Santos , que ficou conhecido como Rás Gonguila. Nascido na capital alagoana, ele afirmava ser descendente direto do último imperador da Etiópia.

O Salgueiro será responsável pelo terceiro desfile da noite e o enredo Hutukara irá falar sobre o povo Yanomami.. A escola da zona norte da capital carioca deixa claro, porém, que seu foco não será a crise humanitária que ganhou as manchetes de jornais de todo o país no ano passado. Essa situação, envolvendo o garimpo ilegal, será retratada apenas em um momento específico. O objetivo será mostrar ao público a cultura, os costumes e os conhecimentos yanomamis.

A cultura indígena também será trabalhada no desfile da Grande Rio , a quarta a pisar na avenida do samba. O enredo Nosso Destino É Ser Onça vai abordar a mitologia tupinambá. A escola do município de Duque de Caixas (RJ) pretende questionar como o Brasil se identifica com os povos originários de seu território, tendo como base o livro Meu Destino É Ser Onça, do escritor Alberto Mussa.

A quinta apresentação será da Unidos da Tijuca. Suas cores azul e amarelo darão vida ao enredo O Conto de Fados. A agremiação do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, quer convidar o público para uma viagem a Portugal, onde serão reveladas diversas lendas e histórias relacionadas com o país.

Atual campeã, a Imperatriz Leopoldinense encerrará a programação do primeiro dia. A agremiação do bairro de Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro, será mais uma que levará para a Sapucaí um enredo baseado em um livro.

A obra ficcional O testamento da cigana Esmeralda, do poeta pernambucano de cordel Leandro Gomes de Barros, foi a escolhida. Intitulado Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda, a escola pretende explorar o imaginário em torno do universo cigano (link: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-07/escolas-vao-levar-lendas-e-encantarias-ao-sambodromo-em-2024) e discutir a cultura popular.

As luzes cênicas prometem ser uma atração adicional no carnaval 2024. De acordo com a prefeitura do Rio, foi instalado um sistema de iluminação inovador no Brasil e com uma tecnologia utilizada em grandes shows mundiais. A maioria das agremiações vai assumir o controle da iluminação durante seus desfiles, de modo a ressaltar suas alas, carros e fantasias.

Os desfiles do Grupo Especial se encerram na segunda-feira (12), quando outras seis escolas irão atravessar a avenida. As apresentações novamente irão se iniciar às 22h e a ordem também já está definida: Mocidade Independente de Padre Miguel, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Viradouro.

Agência Brasil