Humberto Costa afirma que PT tende a apoiar João Campos em Pernambuco

O senador Humberto Costa (PT) concedeu entrevista à Rádio Rural FM, em Petrolina, onde avaliou o cenário político para as eleições de 2026, o posicionamento do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco e as articulações em torno do governo estadual e do Senado Federal.

Durante a conversa com Waldiney Passos, Adriano Jaques e equipe, o senador afirmou que ainda não há definição oficial do PT sobre o apoio ao governo de Pernambuco em 2026. Segundo ele, essa decisão deverá ser tomada nos próximos meses pela direção nacional do partido, com participação direta do presidente Lula.

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Inscrições do Sisu 2026 começam nesta segunda-feira

O período de inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 tem início nesta segunda-feira (19) e segue até as 23h59 do dia 23 de janeiro.

Nesta edição, o programa ofertará 274,8 mil vagas em 7.399 cursos de graduação, distribuídos em 136 instituições públicas de ensino superior em todo o país.

O Sisu é um programa do governo federal que seleciona estudantes com base no desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O resultado da chamada regular está previsto para ser divulgado no dia 29 de janeiro.

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Rede do PT usa ‘IA brava’ para desmentir fake do Pix e associa direita a baratas

Os grupos de WhatsApp mantidos pela rede de comunicação ligada ao PT lançaram vídeos produzidos com inteligência artificial (IA) para, ao mesmo tempo, desmentir informações falsas sobre a taxação do Pix e comparar com baratas as lideranças da direita que disseminaram informações distorcidas sobre esse sistema de pagamentos. Um dos vídeos é baseado na mais recente tendência de uso da IA para tornar objetos inanimados em personagens raivosos que dizem como devemos interagir com eles.

A estratégia do PT transformou a logomarca do Pix em um boneco que, bravo, reclama de insinuações falsas sobre ele. “Esse povo da extrema direita não me deixa em paz. Ficam mentindo dizendo que eu vou vigiar, que eu vou taxar, que eu vou acabar. Tá de sacanagem, né?”, diz a animação, em tom raivoso.

Outro vídeo espalhado por grupos de WhatsApp é sobre as “baratas da extrema direita” que “vivem no esgoto” e “saem voando e espalhando mentira”. O material usou inteligência artificial para criar imagens de usuários do Pix supostamente reais, em cenas cotidianas, sendo perseguidos pelas baratas. “As baratas dizem que Pix da Ana e da Maria vai ser monitorado, que o governo tá de olho nelas. Isso é mentira”, destaca.

O vídeo é encerrado por uma narração sobreposta a uma imagem de duas mulheres matando as baratas com o “inseticida da verdade”. “O Pix não é vigiado nem vai ser taxado. Quando o esgoto da extrema direita abre as baratas sempre tentam assustar o povo com fake news”, diz a mensagem. O conteúdo é uma tentativa de responder publicação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que novamente fez publicação com informações distorcidas sobre o Pix.

No vídeo publicado na semana passada, o parlamentar aparece dizendo que o governo passou a “monitorar suas transações no Pix” e que a medida teria sido tomada de uma forma “escondida” e “disfarçada” em uma instrução normativa publicada em agosto de 2025. “O Estado passou a olhar para o seu Pix como se fosse um dinheiro suspeito”, alega.

Como mostrou o Estadão Verifica, a regra mencionada por Nikolas não cria um monitoramento em tempo real de transações nem é exclusiva ou novidade para o Pix. A instrução normativa faz com que fintechs e carteiras digitais tenham as mesmas obrigações que bancos tradicionais sempre tiveram. Todos precisam informar à Receita movimentações acima de R$ 5 mil, seja em Pix, transferências ou outras transações. Isso já ocorria desde a criação do Pix, em 2020.

O informe é feito semestralmente e a Receita não tem acesso a detalhes, como destinatário ou motivo da transação. Não há quebra de sigilo bancário. Com a disseminação do novo vídeo de Nikolas Ferreira, a Receita Federal publicou uma nota na qual “orienta a população sobre fake news envolvendo Pix e tributação.” “Mentiras desse tipo voltam a circular nas redes sociais com o objetivo de enganar as pessoas e atender aos interesses do crime organizado”, diz o texto.

O vídeo das baratas foi lançado na sexta-feira, 16, em grupos de apoiadores do PT, três dias após o vídeo de Nikolas Ferreira. No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou adversários por espalhar informações falsas. “A gente precisa enfrentar esse debate e não se acovardar diante das mentiras e fake news que essa gente faz todo santo dia. Eu não conheço ninguém que ensina uma coisa séria e tenha 4 milhões de seguidores. Mas, se o cara estiver falando bobagem, pode até ter 20 milhões. O Bolsonaro tinha 30 milhões”, afirmou.

A rede de comunicação do PT não tem, oficialmente, ligação com a comunicação institucional do Palácio do Planalto. Contudo, o Estadão já mostrou a interação entre as duas estruturas. Essa rede é composta por integrantes do Instituto Lula, da Fundação Perseu Abramo e de sindicatos.

Estadão Conteúdo

Candidatos a cotas no CNU têm até segunda (19) para recorrer de resultado

Os candidatos da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) que não concordam com o resultado preliminar dos procedimentos de autodeclaração para vagas reservadas podem recorrer e solicitar a revisão até esta segunda-feira (19). O requerimento de nova análise do resultado por candidatos negros, indígenas, quilombolas e com deficiência deve ser feito na área do candidato no portal da Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora do certame. A autenticação deve ser feita com a conta da plataforma Gov.br do candidato. Em seguida, o interessado deve acessar o menu “interposição de recursos”.

Estes recursos interpostos serão analisados por comissão recursal, designada pela FGV e composta por integrantes diferentes dos membros da primeira comissão de confirmação complementar à autodeclaração. Ao todo, 35% das vagas do concurso são destinadas a ações afirmativas, sendo 25% para pessoas negras, 5% para pessoas com deficiência, 3% para pessoas indígenas e 2% para pessoas quilombolas. A divulgação do resultado do definitivo do procedimento de confirmação/verificação da autodeclaração para concorrer às vagas reservadas será em 18 de fevereiro.

Na quinta-feira (15), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a Escola Nacional da Administração Pública (Enap) divulgaram, os resultados preliminares da avaliação da autodeclaração prestada no momento da inscrição no certame por pessoas negras, pessoas indígenas, quilombolas e com deficiência.

Reserva de vagas
Conforme as regras do edital do chamado Enem dos Concursos, uma mesma pessoa candidata pôde concorrer simultaneamente em diferentes modalidades de cotas. Em nota, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) apontou que 15.903 candidatos que foram aprovados na primeira fase (provas objetivas) do concurso público realizaram essa etapa de verificação da autodeclaração.

O modelo garante que a vaga reservada seja ocupada por quem realmente se enquadra nos critérios legais, com o objetivo de evitar fraudes e para assegurar a análise justa de cada candidatura. Ao todo, foram realizados 14.659 procedimentos de confirmação complementar à autodeclaração para pessoas negras, na mesma cidade escolhida pelo candidato para a realização das provas. Cada candidatura foi analisada por uma comissão composta por cinco integrantes.

No caso das pessoas indígenas e das pessoas quilombolas, o procedimento de verificação complementar ocorreu por meio de envio eletrônico da documentação pelo portal da FGV. A análise da FGV foi feita por comissões compostas majoritariamente por integrantes desses povos e comunidades. Ao todo, 634 candidaturas indígenas passaram por análise. E outras 616 candidaturas de pessoas quilombolas também foram analisadas.

A FGV também contabiliza 4.201 candidaturas de pessoas com deficiência (PCD). A avaliação da declaração de deficiência no CNU 2025 não ocorreu em um consultório físico, mas em formato virtual, por telemedicina, conduzida por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar composta por três especialistas de diferentes áreas, sendo pelo menos um deles médico.O MGI aponta que o CNU 2025 é o primeiro concurso público federal a aplicar integralmente a nova Lei de Cotas (Lei nº 15.142/2025), que ampliou e qualificou as políticas de inclusão no acesso ao serviço público.

Agência Brasil

Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única

As cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) iniciaram a vacinação-piloto com o imunizante de dose única contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre Maranguape (60,1 mil), Nova Lima (64 mil) e também Botucatu, em São Paulo (80 mil). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades, composta por cidadãos com idade entre 15 e 59 anos. Em Botucatu, a vacinação começa neste domingo (18).

Os resultados da imunização serão acompanhados durante um ano. As análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorar eventuais efeitos adversos raros após a imunização. Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade da vacina contra a covid-19.

Se os resultados forem positivos, será iniciada a produção em massa para atender todo o país. Até o momento, o Butantan fabricou 1,3 milhão de doses. Antes dos resultados, porém, será realizada a imunização de públicos prioritários com a chegada de mais doses da Butantan DV. A imunização de profissionais da atenção primária à saúde está prevista para o início de fevereiro. Esse grupo, composto por  médicos, enfermeiros e agentes comunitários, deve receber as cerca de 1,1 milhão de doses que não foram usadas nesta fase prioritária.

Segundo o Ministério da Saúde, com a transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.

No lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos municípios. “Cidades [que foram] escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou. Massuda destacou, ainda, que a vacina é a primeira contra a dengue aplicado em dose única, o que permite imunização mais rápida e eficaz.

Os estudos clínicos indicaram eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves. Entre os vacinados, nenhum precisou de hospitalização por conta da dengue. A vacina foi desenvolvida em um processo de 20 anos, juntando tecnologias de diversos centros de pesquisa nacionais e apoio de pesquisadores estrangeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou com um financiamento de R$ 32 milhões, ainda em 2008. Um segundo aporte, para financiar a fábrica de vacinas, colocou R$ 97 milhões do banco à disposição, em 2017. Até o momento, o imunizante recebeu investimentos de R$ 305,5 milhões.

A rede de saúde das cidades que atuam nesta fase atenderá moradores com documento oficial, com foto, e a orientação é que se leve também o Cartão SUS. Mesmo com a imunização, o cuidado com essa e outras arboviroses permanece. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, “mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, as ações de prevenção seguem fundamentais, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de água parada”.

Agência Brasil

Delegados da PF apontam cenário “manifestamente atípico” em inquérito sobre Master

Delegados da Polícia Federal (PF) se dizem altamente “preocupados” com o andamento do inquérito sobre o caso Master em razão de “indícios” de que prerrogativas da classe “vêm sendo indevidamente mitigadas”. Em nota divulgada neste sábado (17) a classe reage ao cenário “manifestamente atípico” na investigação sob relatoria do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o grupo, tal contexto causa “legítima perplexidade institucional”.

A manifestação é assinada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que diz esperar que a PF e o Supremo Tribunal Federal possam “restabelecer uma atuação institucional harmônica, cooperativa e estritamente balizada pelo ordenamento jurídico”. A nota não cita diretamente Toffoli, mas faz referência a decisões do magistrado.

Os delegados destacam que, no bojo da investigação sobre o caso Master, foram determinadas acareações e “prazos exíguos para buscas e apreensões e inquirições”. Segundo o grupo, tais procedimentos se dão “à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial”.

Em dezembro, Toffoli chegou a marcar uma acareação entre o Banco Central, o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ao fim, o representante do BC foi dispensado do procedimento. Além disso, Toffoli externou mal-estar com a PF e atribuiu a corporação “inércia” na abertura da segunda etapa da Operação Compliance Zero. A nota dos delegados de Polícia Federal menciona ainda determinações sobre o encaminhamento de materiais para “outros órgãos” e a escolha nominal de peritos para a realização de exames nos objetos apreendidos com os alvos da Compliance Zero.

Tal indicação, por sua vez, faz referência a uma série de decisões de Toffoli: inicialmente o ministro determinou que os objetos apreendidos na segunda etapa da ofensiva fossem encaminhados ao STF; depois, houve um recuo, com a determinação de remessa dos objetos à procuradoria-Geral da República; ao fim foram escolhidos eritos para análise dos materiais. No entanto, segundo a ADPF, nem mesmo no âmbito interno da corporação, a designação de peritos ocorre por escolha pessoal ou nominal.

Estadão Conteúdo

Há 5 anos, Brasil aplicava primeiras doses de vacina contra a covid-19

Há 5 anos, o Brasil dava seus primeiros passos rumo ao fim de um pesadelo. No dia 17 de janeiro de 2021, logo depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial de duas vacinas no Brasil, a enfermeira paulista Mônica Calazans se tornava a primeira brasileira a ser vacinada contra a covid-19.

Mônica foi escolhida para esse momento histórico porque participou dos ensaios clínicos da vacina Coronavac, feitos no final de 2020 para comprovar a segurança e a eficácia da vacina. Na época, ela trabalhava no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, hospital especializado em doenças infectocontagiosas e referência para a doença, que atendeu mais de 40 mil pacientes durantes a pandemia.

A enfermeira conta que estava de plantão naquele domingo quando foi avisada pela chefe que deveria ir até o local da cerimônia, onde autoridades aguardavam a decisão da Anvisa para começar a vacinação logo em seguida. Quando descobriu que seria a primeira a receber a vacina, não segurou as lágrimas:

“Eu chorava muito! De verdade! Porque a gente estava passando por um momento traumatizante, e o meu irmão estava com covid na época. E eu também chorei de emoção, de alegria, porque a ciência estava dando um passo importante para acabar com aquela tragédia que estava assolando o mundo”. “Na hora que eu recebi a vacina, eu trouxe esperança para as pessoas. O meu punho cerrado era uma mensagem de esperança e de vitória. De que nós iríamos vencer essa fase tão terrível “

Já a vacinação no restante do país começou no dia seguinte, dia 18 de janeiro, após a distribuição de um primeio lote de 6 milhões de doses produzidas na China e importadas pelo Instituto Butantan, que posteriormente passou a processar a vacina no Brasil, a partir de ingrediente ativo enviado pela empresa Sinovac.

Alguns dias depois, no dia 23 de janeiro, a campanha recebeu o reforço das primeiras 2 milhões de dose da vacina da Oxford/Astrazeneca, inicialmente importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que depois incorporou gradualmente a tecnologia e passou a produzir a vacina em solo nacional.

A campanha priorizou os públicos mais vulneráveis, começando pelos trabalhadores de saúde da linha de frente, idosos e pessoas com deficiência que viviam em instituições e indígenas. Neste momento, o Brasil vivia o pico da variante Gama do coronavírus, que se mostrou mais agressiva e letal do que as que tinham se disseminado anteriormente.

Dado o limitado número de doses, a imunização avançou lentamente até alcançar outros públicos também bastante vulneráveis, como os idosos em geral. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas com idades entre 60 e 70 anos só receberam o imunizante ao longos dos meses de março e abril 2021.

Ainda assim, os benefícios da vacinação não demoraram a aparecer. Dados do Observatório Covid-19 Brasil mostram que já a partir de abril, as hospitalizações e mortes entre idosos começaram a cair vertiginosamente. Os pesquisadores acreditam que apenas nos primeiros sete meses da campanha, 165 mil hospitalizações e 58 mil mortes entre idosos foram evitadas. Nos meses seguintes, tanto o Butantan, quanto a Fiocruz passaram a finalizar e envazar as vacinas no Brasil, o que possibilitou o aumento expressivo de doses, em conjunto com a chegada de imunizantes adquiridos de empresas privadas.

Em um ano, 339 milhões de doses foram aplicadas, atendendo a 84% da população brasileira. Especialistas calculam que isso preveniu 74% dos casos graves e 82% das mortes esperadas no Brasil, o que significa que mais de 300 mil vidas foram poupadas.

Atrasos

No entanto, o mesmo estudo do Observartório Covid-19 Brasil que calculou as vidas salvas pela vacina também concluiu que “um contingente adicional de 104.000 hospitalizações poderia ter sido evitado se a vacinação tivesse começado mais cedo” e “outras 47 mil vidas poderiam ter sido salvas caso o governo brasileiro tivesse iniciado o programa de vacinação anteriormente”, apenas entre os idosos.

A vice-presidente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), Paola Falceta, acredita que a mãe, falecida em janeiro de 2021, está nessas estatísticas. Para ela, não há dúvidas que houve atraso no início da vacinação no Brasil, e que ele é resultado da negligência do governo federal da época. “A gente não poderia salvar todo mundo, obviamente, até porque a vacina depende da vontade própria da pessoa e existiria ainda aquele grupo que não tomaria a vacina”.

“Mas a maioria das pessoas queria acesso à vacina, e muitos dos que morreram foram as pessoas que poderiam ter tomado a vacina antes e não conseguiram. E essa falta foi imposta pela própria gestão, que decidiu não comprar, não negociar todos os tipos de vacina existentes”. A avaliação de Paola é corroborada por um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais. Se a vacinação no Brasil tivesse começado 40 dias antes, na mesma data em que foi iniciada no Reino Unido, com mais doses, e associada a medidas de isolamento e proteção, o Brasil poderia ter evitado 400 mil mortes, concluem os pesquisadores. Isso é mais do que a metade das cerca de 700 mil mortes causadas pela doença no país.

Por trás dos números, há histórias como as de Paola e de Ana Lucia Lopes, que perdeu o companheiro em maio de 2021. “Um mês depois que o Cláudio faleceu, eu fui tomar vacina. Nós tínhamos a mesma idade, então, ele iria tomar no mesmo momento. E é muito revoltante pensar isso, que ele não teve essa oportunidade. Imagina quanta gente poderia ter tomado a vacina, e tido a chance de sobreviver”.

A CPI da Covid-19, realizada em 2021, também concluiu que o governo federal impôs uma “escassez” de doses de vacina, que foi determinante para aumentar o número de casos e de mortos, e possibilitar a disseminação de novas variantes. Uma das provas consideradas foram as propostas de venda feitas pela farmacêutica Pfizer em agosto de 2020, oferendo 1,5 milhão de doses a serem entregues ainda no primeiro ano da pandemia. O governo brasileiro sequer respondeu.

“A aquisição de imunizantes deveria ter figurado como a principal providência no processo de prevenção à disseminação do novo coronavírus e, consequentemente, de proteção à saúde das pessoas, mas, infelizmente, essa medida foi negligenciada. Não obstante, as tratativas e a conclusão das negociações do governo federal sofreram injustificável e intencional atraso, que impactou diretamente na compra das vacinas e no cronograma de imunização da população brasileira”, diz o relatório final da CPI.

A comissão também sugeriu o indiciamento de 68 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e os ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. O pedido, no entanto, foi arquivado a pedido do procurador-geral da República da época, Augusto Aras, em julho de 2022. No ano passado, entretanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar os fatos denunciados pela CPI.

Agência Brasil

Gilmar Mendes nega pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, na manhã deste sábado (17), o habeas corpus que pedia a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi protocolado por um advogado que não faz parte da equipe que representa Bolsonaro legalmente. O ministro alegou não ser possível analisar pedido feito por advogado sem relação com a defesa do condenado.

O habeas corpus (HC 267.425) foi impetrado neste sexta-feira (16/1) por Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que não integra a defesa constituída de Bolsonaro, e apontava Moraes como autoridade coatora. No pedido, o advogado alegava supostas violações a direitos fundamentais e solicitava que o ex-presidente pudesse cumprir eventual pena em regime domiciliar, sob o argumento de necessidade de acompanhamento médico e de prioridade processual em razão da idade.

Por que Gilmar decidiu, e não Moraes?

Embora Alexandre de Moraes seja o relator do caso em que Bolsonaro foi julgado a 27 anos de prisão, o caso foi inicialmente distribuído à ministra Cármen Lúcia por prevenção, em 13 de janeiro de 2026, conforme as regras do Regimento Interno do STF. No entanto, como o pedido foi apresentado durante o recesso, período em que a Presidência e a Vice-Presidência da Corte analisam apenas matérias urgentes, a tramitação seguiu um rito específico.

Como o próprio Alexandre de Moraes exercia, naquele momento, atribuições relacionadas às urgências do recesso, e era também apontado como autoridade coatora no habeas corpus, ficou configurado um impedimento regimental para que ele apreciasse o pedido. Diante disso, com base no artigo 13, inciso VIII, e no artigo 37 do Regimento Interno do STF, os autos foram remetidos ao decano da Corte, Gilmar Mendes, que passou a atuar como relator excepcional do caso.

Na decisão, Gilmar Mendes afirmou que existem óbices jurídicos claros para o conhecimento do habeas corpus. O principal deles é a impossibilidade de o STF analisar habeas corpus impetrado contra atos de ministros da própria Corte, entendimento já consolidado na jurisprudência do tribunal, com aplicação analógica da Súmula 606 do STF.

O ministro destacou ainda que o pedido não foi apresentado pela defesa técnica de Bolsonaro, que segue atuante nos processos. Gilmar também apontou que não havia qualquer indício de omissão ou inércia da defesa que justificasse a atuação de um terceiro. Além disso, Segundo Gilmar Mendes, a admissão do habeas corpus poderia provocar subversão da lógica recursal e violar o princípio do juiz natural.

Gilmar Mendes também ressaltou que sua atuação ocorreu de forma temporária e excepcional, exclusivamente em razão do recesso, e que o reconhecimento do pedido implicaria indevida substituição da competência do relator natural do caso. Com esses fundamentos, o ministro decidiu não conhecer do habeas corpus, encerrando a análise do pedido de prisão domiciliar. Determinou ainda que fosse dada ciência da decisão aos ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Diario de Pernambuco

PF quebra sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso Master

A Polícia Federal (PF) quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão teve o sigilo retirado na sexta-feira (16). As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

“Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, que há elementos suficientes que apontam para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.'”, argumentou Toffoli.

O ministro afirmou que o procurador-geral da República acertou ao pedir a remessa do caso ao Supremo, ao destacar que as investigações conduzidas na 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo são mais amplas do que aquelas da Operação Compliance Zero.

Na decisão, Toffoli também determinou o sequestro e o bloqueio de bens de 38 envolvidos em valores que podem chegar a R$ 5,77 bilhões. As medidas foram cumpridas no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e, seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel.

Como mostrou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento da Reag Investimentos que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões. Documentos com a movimentação financeira de um fundo de investimento chamado Leal mostraram que Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Foi com uso desse e de um outro fundo que o pastor passou a ser sócio do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento. Os familiares de Toffoli foram os principais acionistas do empreendimento.

Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, a administração do resort e a Reag não se manifestaram. O ministro não tem participação direta no Tayayá, mas frequenta o resort.

Ao Estadão, Zettel, cunhado de Vorcaro, confirmou que foi cotista do fundo e disse ter deixado o investimento em 2022; e que este foi liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não tem “qualquer conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos”. Primo do ministro, Mario Umberto Degani, controlador das empresas que receberam o aporte, não foi localizado.

Estadão Conteúdo

Moraes se declara impedido e Gilmar vai julgar habeas corpus de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), repassou ao ministro Gilmar Mendes, nesta sexta-feira (16) os autos de um habeas corpus apresentado em favor da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na decisão, Moraes se declara impedido de apreciar pedido devido a uma questão regimental. As informações são do portal Metrópoles.

“Uma vez que a autoridade apontada como coatora no presente habeas corpus é o próprio ministro responsável pela análise das urgências no período, inviável a apreciação dos pedidos formulados por esta vice-presidência”, escreveu o ministro na decisão.

Moraes exerce interinamente a presidência da Corte durante o recesso do Judiciário, iniciado nesta segunda, 12, e que se estende até o dia 31 deste mês, período em que responde pelas questões urgentes, por isso não pode julgar a urgência de um caso em que está envolvido.

O habeas corpus foi pedido pelo advogado Paulo Souza Barros de Carvalhosa. Ele não faz parte da defesa de Bolsonaro. O ex-presidente foi preso em 22 de novembro do ano passado, por decisão de Moraes. Bolsonaro ficou detido na superintendência da Polícia Federal em Brasília, até quinta-feira, 15, quando foi transferido para a Papudinha, também na capital federal.

Estadão Conteúdo

Após denúncia, Raquel Lyra diz que empresa de ônibus do pai vai encerrar atividades

A empresa Logo Caruaruense, de propriedade do ex-governador de Pernambuco João Lyra Neto, pai da governadora Raquel Lyra (PSD), deixará de operar no sistema de transporte intermunicipal até o fim deste mês. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (16) pela própria governadora, durante entrevista concedida no Recife.

Segundo Raquel Lyra, a empresa já entregou suas linhas à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), responsável pela gestão do sistema no estado.

A Logo Caruaruense é alvo de denúncias de irregularidades desde 2023, reveladas nesta semana pelo portal Metrópoles. De acordo com relatório técnico da EPTI, os veículos da empresa teriam passado pela última vistoria em 2022, ano da eleição da atual governadora, e desde então não teriam sido submetidos às inspeções anuais obrigatórias.

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Brasil quitou R$ 2,2 bilhões em contribuições a organismos internacionais em 2025

O Brasil destinou cerca de R$ 2,2 bilhões, ao longo de 2025, para o pagamento de contribuições obrigatórias a organismos internacionais, além de integralizações e recomposições de cotas em bancos de desenvolvimento e fundos multilaterais. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (15), em Brasília, pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.

Segundo o governo federal, os repasses permitiram que o país mantivesse a adimplência em fóruns globais, regionais e setoriais considerados estratégicos.

No âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil quitou integralmente compromissos relacionados ao orçamento regular, às missões de paz e a mecanismos judiciais vinculados à organização, passando a integrar o grupo de países totalmente em dia com a entidade.

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MPSP deflagra operação para investigar delegada suspeita de ligação com o PCC

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (16), a Operação Serpens, que apura o suposto envolvimento de uma delegada de polícia com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A delegada, identificada como Layla Lima Ayub, tomou posse no cargo em dezembro do ano passado e encontra-se presa.

Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Pará, incluindo o município de Marabá, além de dois mandados de prisão temporária. As ordens judiciais foram expedidas no âmbito da investigação conduzida pelo MPSP.

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Mega-Sena acumula e próximo prêmio está estimado em R$ 41 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.960 da Mega-Sena, sorteado na noite desta quinta-feira (15), no Espaço da Sorte, em São Paulo. Com isso, o prêmio principal acumulou.

Os números sorteados foram: 03, 13, 15, 16, 46 e 47. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o valor estimado para o próximo sorteio, que acontece no sábado (17), é de R$ 41 milhões. A expectativa é de aumento no número de apostas, em razão do montante acumulado.

Apesar de não haver ganhadores na faixa principal, a quina registrou 46 apostas premiadas. Cada uma delas receberá R$ 38.114,61. Já a quadra teve 3.175 ganhadores, com prêmio individual de R$ 910,23.

As apostas para o próximo concurso podem ser feitas até as 19h do dia do sorteio, em casas lotéricas credenciadas ou pelos canais digitais oficiais da Caixa.

UPE divulga resultado do SSA 3 para ingresso em 2026 nesta sexta-feira

A Universidade de Pernambuco (UPE) divulga nesta sexta-feira (16), a partir das 11h, o resultado do Sistema Seriado de Avaliação (SSA) 3, referente ao ingresso em 2026. A publicação será feita pela Diretoria de Processos Seletivos Acadêmicos (DPSA), por meio dos sites processodeingresso.upe.pe.gov.br e www.upe.br.

Os candidatos poderão acessar o desempenho individual de forma online, utilizando login e senha. Também serão divulgadas as listas dos primeiros colocados tanto pelo sistema universal de vagas quanto pelo sistema de ações afirmativas.

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