CPMI do INSS tem acesso a quebra dos sigilos bancários de Vorcaro

Após o cancelamento do depoimento do Daniel Vorcaro na Comissão de Inquérito Parlamentar Mista (CPMI) do INSS, que estava previsto para a próxima segunda-feira (23), o relator do colegiado, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), informou que a ausência do dono do Banco Master não implicará prejuízos às investigações em curso.

O motivo, segundo Gaspar, se dá pela recuperação do material com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro dos membros da CPMI. Essas informações haviam sido retiradas da comissão em dezembro do ano passado pelo então relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, e agora foram recuperadas pelo novo relator na Corte, ministro André Mendonça.

Gaspar também comentou sobre o cancelamento de Vorcaro à comissão. “Ele como tem muita coisa a explicar para a sociedade, evidentemente viu essa brecha e optou por não comparecer”, disse.

Daniel Vorcaro cancelou a ida ao colegiado após ser amparado pela decisão do ministro André Mendonça que, na última quinta-feira (19/2), determinou que o banqueiro não seria obrigado a comparecer à CPMI do INSS e nem à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde ele também foi convocado para ser ouvido na terça-feira (24).

A ida de Vorcaro seria para esclarecer o acordo que o Banco Master mantinha em cooperação técnica com o INSS para oferta de crédito consignado, se houve descontos indevidos, falhas de controle e eventual participação de dirigentes ou parceiros da instituição nas irregularidades.

Correio Braziliense

PF quebra sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso Master

A Polícia Federal (PF) quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão teve o sigilo retirado na sexta-feira (16). As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

“Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, que há elementos suficientes que apontam para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.'”, argumentou Toffoli.

O ministro afirmou que o procurador-geral da República acertou ao pedir a remessa do caso ao Supremo, ao destacar que as investigações conduzidas na 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo são mais amplas do que aquelas da Operação Compliance Zero.

Na decisão, Toffoli também determinou o sequestro e o bloqueio de bens de 38 envolvidos em valores que podem chegar a R$ 5,77 bilhões. As medidas foram cumpridas no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e, seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel.

Como mostrou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento da Reag Investimentos que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões. Documentos com a movimentação financeira de um fundo de investimento chamado Leal mostraram que Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Foi com uso desse e de um outro fundo que o pastor passou a ser sócio do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento. Os familiares de Toffoli foram os principais acionistas do empreendimento.

Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, a administração do resort e a Reag não se manifestaram. O ministro não tem participação direta no Tayayá, mas frequenta o resort.

Ao Estadão, Zettel, cunhado de Vorcaro, confirmou que foi cotista do fundo e disse ter deixado o investimento em 2022; e que este foi liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não tem “qualquer conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos”. Primo do ministro, Mario Umberto Degani, controlador das empresas que receberam o aporte, não foi localizado.

Estadão Conteúdo