Polícias de Pernambuco se unificam para combater guerra entre facções em Petrolina

Responsáveis pelas forças de segurança no estado de Pernambuco falaram nesta segunda-feira (23) sobre o aumento nos casos de homicídios em Petrolina, no Sertão. Desde o início do ano, 43 pessoas foram assassinadas no município. A maioria dos crimes tem relação com a disputa entre facções ligadas ao tráfico de drogas.

De acordo com a Delegada-geral adjunta da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), Beatriz Leite, cinco pessoas ligadas à guerra entre facções em Petrolina foram presas nos últimos dias. “Durante esse final de semana todo, de sexta-feira até hoje pela manhã, nós não tivemos nenhum episódio, nem de homicídio, nem de tentativa de homicídio, o que mostra que as ações da Polícia Civil, da Polícia Militar, estão surtindo efeito”, disse a delegada, reforçando que outras prisões devem acontecer. Ela disse que “as investigações estão sendo feitas, os inquéritos estão sendo fechados, os mandados de prisão estão sendo expedidos pelo Poder Judiciário e a nossa expectativa é que as pessoas envolvidas com esses últimos homicídios sejam todas presas nos próximos dias”.

Entre os presos, estão dois homens que participaram de um latrocínio na última quinta-feira (19), no bairro Fernando Idalino. Um dos presos tem 19 anos, é da cidade de Juazeiro e já teria participado de outros 15 homicídios em Petrolina. “Ele está sendo investigado por esse fato do latrocínio do Fernando Idalino e também por esses outros homicídios relacionados ao tráfico de drogas”, explicou a delegada seccional de Petrolina, Isabella Pessoa, que destacou o perfil dos envolvidos nos crimes. “É o perfil que a gente tem verificado nesses últimos homicídios é de autores jovens, também cooptando pessoas jovens para estar ali traficando junto a eles. Então, é realmente um perfil mais jovem, tanto dos imputados quanto das vítimas”.

O avanço de facções criminosas oriundas de outros estados tem contribuído para o aumento da violência em Petrolina. Citando a Operação Nordeste Integrado, que ocorreu em 2025 em oito dos nove estados da região, para combater organizações criminosas investigadas por tráfico de drogas e armas e homicídios, a delegada-geral da PCPE reforçou a importância da integração entre os estados no combate ao crime.“As polícias vêm se organizando cada vez mais, elas também trocam informações. Então, isso nos permite trocar

informações, para elucidar esse crime de pessoas que saem daqui e cometem crime em outros estados e vice-versa. Então, essa conversa e essa troca de informações vem acontecendo há mais de um ano e isso vem nos permitindo esclarecer os crimes e lidar com essa criminalidade”.O comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), coronel Ivanildo Torres, destacou o aumento do efetivo em Petrolina.

“Estamos com reforço aqui em Petrolina. Já deslocamos quase 50 policiais, mais 16 em torno de 66 policiais, tanto do Recife, quanto das diretorias especializadas. Estamos com a equipe do BOPE, com a equipe da Rocan. Estamos com o trabalho desenhado junto com a Polícia Civil, com a Polícia Federal, de modo a arrefecer, porque entendemos que o momento é difícil, mas estamos também buscando resolver esses problemas com a equipe de reforço e a equipe local que nós temos”.

A secretária-executiva da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), Mariana Cavalcanti, reforçou a importância do trabalho conjunto entre as polícias para minimizar a situação de violência na cidade. “Aqui a gente fala muito da integração entre todas as polícias. A gente tem que somar esforços, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Federal, estar todo mundo junto engajado e com um olhar realmente voltado para a situação do Petrolina. Para a gente poder estancar isso e voltar a ter a paz que a cidade merece”.

G1 Petrolina

Bahia é o estado com maior número de facções no Brasil

Com 17 facções, a Bahia é o estado com o maior número de grupos criminosos do Brasil, seguido de Pernambuco (12) e Mato Grosso do Sul (10). É o que mostra um levantamento feito pelo jornal O Globo, publicado neste domingo, 10. A pesquisa coletou dados junto a fontes das secretarias de Segurança Pública, Administração Penitenciária e Ministérios Públicos de todos os estados, e contabilizou que 64 facções estão atuando no Brasil atualmente.

Entre os grupos mencionados pelas autoridades, 12 têm presença em mais de um estado, e os outros 52 são, até onde se sabe, organizações locais. Há duas delas, contudo, com presença efetivamente nacional. O Primeiro Comando da Capital (PCC) está em 25 unidades da federação, enquanto os fluminenses do Comando Vermelho (CV) se encontram em 26. Os grupos só não estão, ainda, no Rio Grande do Sul. O crime gaúcho gerou suas próprias facções interestaduais: Bala na Cara (BNC) e Os Manos.

Importação
Enquanto Bahia e Pernambuco têm um cenário fragmentado, com muitas facções locais disputando espaço, o território sul-mato-grossense é o maior “importador” de facções de outros estados. A rota do narcotráfico que passa pela fronteira com o Paraguai e a Bolívia estimulou nove das 12 facções interestaduais a criarem núcleos de atuação ali.

Apesar de o PCC já ter presença internacional, as autoridades brasileiras quase não encontram núcleos grandes de facções estrangeiras no país. A única exceção é no estado de Roraima, onde o grupo venezuelano Tren de Aragua possui membros. O estado que mais “exporta” facções nacionalmente é o Rio de Janeiro, que além do CV tem duas organizações com atuação interestadual: o Terceiro Comando Puro (TCP) e os Amigos dos Amigos (ADA).

É difícil dizer se o número de facções está diminuindo ou crescendo no país, sobretudo quando se trata dos grupos menores, porque não há critério oficial para diferenciar uma facção criminosa de uma gangue com atuação circunstancial.

A Tarde

Briga entre facções rivais deixa mortos no maior presídio do RN

(Foto: Internet/Ilustração)

Uma briga entre integrantes de facções criminosas na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta (região metropolitana de Natal), já deixou pelo menos três presos mortos neste sábado (14).

Imagens divulgadas pela polícia mostram três cabeças jogadas na área externa da unidade prisional. A Sejuc (Secretaria de Justiça e Cidadania) não confirmou o número de mortos e informou que o governo do Estado deve se pronunciar sobre a rebelião na manhã deste domingo (15).

“Deu para ver que eles [os presos] jogaram três cabeças para fora dos pavilhões, mas a polícia ainda não conseguiu entrar na unidade prisional”, disse o coordenador de administração penitenciária do Rio Grande do Norte.

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Más condições das prisões facilitam crescimento de facções, dizem especialistas

(Foto: Internet/Ilustração)

Mais uma vez, a guerra de facções criminosas dentro de presídios brasileiros expôs a fragilidade do sistema penitenciário do país. Especialistas e profissionais que vivem de perto a rotina dos presídios mostram que o sistema é falho e contribui para episódios como de Manaus.

As más condições a que presos são submetidos facilitam o crescimento de facções criminosas dentro dos presídios, nos quais o Estado tem cada vez menos influência. “O que acontece é que criamos um modelo para impedir a fuga de certos indivíduos, mas você os deixa se virarem lá dentro. Então, isso facilita a vida de organizações criminosas que tomam conta da cadeia”, afirmou o doutor em ciência política e ex-secretário de Segurança Pública Guaracy Mingardi.

O Juiz titular da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luis Carlos Valois, disse que o Estado tem de passar a cumprir a lei sobre as condições de um presídio. De acordo com o juiz, a prisão que existe é ilegal e longe do ideal.

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