Mendes manda PF apurar suposta espionagem contra secretário do Recife

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal (PF) que investigue o possível monitoramento ilegal de integrantes do governo de João Campos, prefeito do Recife. Sorteado relator do caso no Supremo, Mendes determinou ainda que uma apuração conduzida pelo Ministério Público de Pernambuco seja paralisada, enquanto o caso é investigado em âmbito federal.

O alvo da espionagem teria sido o secretário municipal de Articulação Política e Social da prefeitura do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão, Eduardo, que é assessor da prefeitura. Segundo a acusação feita pela gestão municipal, os dois foram monitorados e seguidos por agentes da Polícia Civil do estado, sendo que um rastreador chegou a ser instalado em um dos carros utilizados pelo secretário.

A suposta espionagem teria avançado também no meio digital, por meio da coleta de dados, incluindo “rastreamento e o reconhecimento facial”, destacou Mendes em despacho publicado na sexta-feira (30). “Não se trata, aqui, de apuração dirigida e fundamentada, mas de requisição massiva e horizontal de dados que, por sua abrangência e falta de delimitação, evidencia a prática típica, como dito, de ‘fishing expedition’”, escreveu o ministro.

A expressão fishing expedition, em inglês, se refere à chamada pesca probatória, isto é, quando uma investigação busca indiscriminadamente e sem delimitação específica por algum crime que possa eventualmente ter sido praticado por um alvo. Essa prática é ilegal no Brasil. O caso ganhou notoriedade após uma reportagem da TV Record, veiculada na semana passada, segundo a qual o rastreador teria sido instalado no carro de Monteiro em setembro do ano passado.

“A utilização de instrumentos técnicos de vigilância com finalidade política, dissociada de qualquer controle judicial, representa não apenas um desvio funcional, mas uma afronta direta aos preceitos fundamentais de inviolabilidade da intimidade, da legalidade, da impessoalidade e da igualdade de condição em disputa eleitoral”, escreveu Mendes no despacho.
O ministro determinou que a PF apure se há “indícios mínimos” da prática de crimes por agentes do estado de Pernambuco.

O caso surge no momento de pré-campanha eleitoral no estado. Campos é pré-candidato ao governo de Pernambuco, devendo enfrentar a atual governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). Os dois disputam o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo de Pernambuco nega monitoramento ilegal de adversários e afirma que as ações da Polícia Civil foram regulares, tendo sido realizadas no âmbito de investigações criminais sobre supostos desvios na prefeitura do Recife.

Agência Brasil

MPPE cobra explicações da SDS sobre denúncia de espionagem contra secretário da Prefeitura do Recife

Um dia após ganhar repercussão nacional, a denúncia de suposta espionagem envolvendo um secretário da Prefeitura do Recife passou a ser oficialmente acompanhada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O órgão enviou um ofício à Secretaria de Defesa Social (SDS) solicitando informações detalhadas sobre a apuração do caso.

Em nota, o MPPE informou que tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e, diante da gravidade das denúncias, decidiu formalizar o pedido de esclarecimentos. O Ministério Público, no entanto, não detalhou qual Promotoria ficará responsável pela análise das informações, nem antecipou eventuais medidas que poderão ser adotadas após a resposta da SDS.

LEIA MAIS

Prefeito João Campos afirma que denúncia de espionagem contra secretário não ficará impune

O prefeito do Recife, João Campos, afirmou de forma categórica que a grave denúncia de espionagem envolvendo um secretário municipal não ficará impune. A declaração foi feita após a repercussão nacional do caso, revelado em reportagem exibida no domingo pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record.

A reportagem trouxe à tona a suspeita de que policiais civis de Pernambuco teriam monitorado ilegalmente um secretário da Prefeitura do Recife, com direito à instalação de rastreadores em veículos, sem autorização judicial. De acordo com as informações divulgadas, a ação teria sido articulada por um grupo formado por três delegados e sete agentes da Polícia Civil de Pernambuco, que trocavam mensagens em um grupo de WhatsApp para acompanhar a rotina do secretário e de um familiar ligado à administração municipal.

LEIA MAIS