STF forma maioria e mantém prisão de ex-presidente do BRB

Investigação envolve suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro, investigados por suposto envolvimento em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

A decisão ocorreu nesta sexta-feira (24), com votos dos ministros André Mendonça, relator do caso, Luiz Fux e Nunes Marques, formando placar de 3 a 0 pela manutenção das prisões.

Os dois foram detidos no dia 16 de abril durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

No voto, Mendonça destacou que medidas alternativas à prisão seriam insuficientes diante da complexidade do esquema investigado e do risco de interferência nas apurações. Segundo o ministro, há indícios de continuidade dos crimes e possibilidade de influência sobre provas e testemunhas.

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Ex-presidente do BRB acertou propina de R$ 146 mi, diz Polícia Federal

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa teria combinado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa realizada hoje (16) pela Polícia Federal, na quarta fase da Operação Compliance.

O valor seria recebido por meio de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. A Polícia Federal disse ter rastreado, até o momento, o pagamento de ao menos R$ 74 milhões.

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PF prende Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, em nova fase da Operação Compliance Zero

O executivo é suspeito de negligenciar práticas de governança e autorizar operações sem lastro com o Banco Master. A ação cumpre mandados no DF e em São Paulo.

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (16), uma nova fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A investigação apura irregularidades em negócios firmados entre o banco público e o Banco Master, incluindo operações financeiras sem garantias (lastro) e falhas graves de governança.

Ao todo, os agentes federais cumprem 7 mandados de busca e apreensão e de prisão em Brasília e São Paulo.

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Justiça bloqueia ações do BRB ligadas a Banco Master

A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes a investigados na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. A decisão, em caráter liminar, foi concedida pela 13ª Vara Cível do DF após pedido do próprio BRB. A medida atinge participações acionárias avaliadas em cerca de R$ 376,4 milhões e impede a alienação dos ativos. Embora o processo corra sob sigilo, o BRB divulgou fato relevante nesta noite informando o ajuizamento do pedido de bloqueio.

O bloqueio atinge ações vinculadas a pessoas físicas e a fundos de investimento, entre eles Deneb Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Borneo Fundo de Investimento, Siracusa Fundo de Investimento, Delta Fundo de Investimento e Asterope Fundo de Investimento, além de empresas como Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.

Segundo o Portal Metrópoles, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; o ex-sócio Maurício Quadrado; o investidor Nelson Tanure; e o fundador da Reag, João Carlos Mansur, tornaram-se sócios do BRB após adquirirem ações por meio de terceiros apontados como “laranjas”. Com as aquisições, o grupo Master/Reag passou a deter cerca de 25% do capital do banco público do Distrito Federal.

Ressarcimento e investigação interna – No fato relevante divulgado nesta quinta-feira (26), o BRB informou que ajuizou tutela cautelar com pedido liminar “visando o bloqueio e arresto de participações societárias detidas pelos réus no capital social do próprio BRB”. Segundo o banco, a medida tem como objetivo possibilitar o futuro ressarcimento de prejuízos causados à instituição em razão de operações envolvendo o Banco Master, que está em liquidação extrajudicial. O BRB declarou no processo que os empresários investigados teriam ingressado no capital social “de forma ilegal”. A instituição também comunicou que enviou relatório preliminar da investigação interna à Polícia Federal. A apuração é conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria Kroll.

Prejuízo bilionário – O BRB é investigado pela aquisição de mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master com indícios de fraude. A estimativa inicial é de prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões, mas o valor exato deverá ser conhecido com a divulgação do balanço, prevista para março. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado pela Justiça e posteriormente demitido.

Compra rejeitada – Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central (BC) rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A operação previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master. O negócio, anunciado em março daquele ano, já enfrentava resistência no mercado devido ao modelo de captação considerado arriscado e à qualidade questionada de parte dos ativos da instituição.

O Ministério Público Federal havia recomendado ao BRB que comprovasse a lisura e a fidedignidade dos ativos antes de qualquer aquisição, alertando para possíveis passivos ocultos e ativos inflados. Com a rejeição do Banco Central e o avanço das investigações, o BRB busca recompor sua liquidez e seus índices de capitalização, enquanto tenta assegurar eventual ressarcimento judicial dos prejuízos.

Agência Brasil

Caso Master: BRB comunica renúncia de conselheiros após indicação ser atribuída a fundo da Reag

O Banco Regional de Brasília (BRB) anunciou, em fato relevante, a renúncia de dois integrantes do Conselho Fiscal da estatal. Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos, que era titular, e Celivaldo Elói Lima de Sousa, suplente, decidiram sair dos cargos após terem suas indicações atribuídas a um fundo ligado à gestora Reag, que é investigada por operações suspeitas com o Banco Master. Eles negam qualquer vínculo com o fundo.

“O BRB – Banco de Brasília S.A. (“BRB” ou “Companhia”) informa aos seus acionistas e ao mercado em geral que recebeu, na presente data, os pedidos de renúncia dos Srs. Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa aos cargos de membro titular e membro suplente, respectivamente, do Conselho Fiscal da Companhia. As renúncias produziram efeitos imediatos a partir da data de seus respectivos protocolos”, diz o comunicado do banco, divulgado na sexta-feira passada.

O fundo em questão é o Borneo, administrado pela gestora de recursos Reag. Com uma fatia de ações preferenciais (sem voto) de 7,89% do banco público, que tem negociação na Bolsa de Valores, o Borneo é um dos maiores acionistas privados do BRB. O aporte do Borneo no BRB contribuiu para ampliar a musculatura do banco antes do anúncio da tentativa de aquisição do Master, em março de 2025. O capital de uma instituição é um dos fatores levados em conta pelo Banco Central na hora de analisar aquisições, pois é um dos indicadores de capacidade para operar o negócio.

Os dois conselheiros que pediram renúncia divulgaram declarações, que foram reproduzidas no comunicado do BRB, em que negam vínculo com o fundo Borneo. “Ocorre que tive ciência (…) de que minha indicação teria sido atribuída ao denominado ‘Fundo Borneo’. Declaro que desconheço integralmente tal indicação pelo fundo Borneo. Declaro ainda que não possuo qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca do referido fundo, tampouco conheço seus representantes ou administradores”, disseram os dois.

O Banco Master foi liquidado após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que, em novembro do ano passado, deflagrou a operação Compliance Zero. A apuração resultou na prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à emissão e comercialização de títulos de crédito irregulares. Ele foi solto em seguida.

Agência O Globo