Pastor é condenado pela quarta vez após ofender mulher trans e associar religiões de matriz africana a ‘demônio’ e ‘feitiçaria’

Um pastor evangélico foi condenado pela quarta vez por publicar conteúdos racistas e transfóbicos nas redes sociais. Segundo os autos dos processos, Aijalon Heleno Berto Florêncio fez “lives” e vídeos em que associou religiões de matriz africana a “demônio” e “feitiçaria”, ofendeu uma mulher trans e xingou um artista que participou de uma peça institucional com elementos da cultura afro-brasileira.

Três das quatro condenações foram publicadas em menos de um mês, entre julho e agosto deste ano. Já a primeira sentença saiu em Setembro de 2023. Somadas, as penas preveem 12 anos de prisão em regimes aberto e semiaberto e danos morais de R$ 133 mil, além de multas.  Em todos os processos, cabe recurso.

A condenação mais recente foi proferida no dia 6 de agosto pela juíza Ana Cecília Toscano Vieira Pinto, da Comarca de Igarassu, no Grande Recife. Nesse processo, Aijalon foi a julgamento por causa de uma transmissão ao vivo realizada entre 24 e 25 de junho de 2021. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), na “live”, o pastor fez críticas à prefeitura da cidade, afirmando que a gestão promovia uma “convenção de bruxos e bruxas”.

Na transmissão, segundo os autos, ele marcou o perfil de uma mulher trans que atua na cena cultural do município, referindo-se a ela como “feiticeiro”, “filho do demônio” e “catimbozeiro”, sem respeitar a identidade de gênero da vítima. Conforme a denúncia, o pastor afirmou que nenhuma instância judicial o faria respeitá-la como mulher.

A denúncia cita, ainda, que o episódio afetou a saúde emocional da vítima, que chegou a desenvolver sintomas de depressão e “sofreu perseguição não apenas do acusado, mas também de terceiros influenciados por ele”. Na decisão, o réu foi condenado a seis anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além de multa. Também foi fixado o pagamento de uma indenização no valor de R$ 16.500.

Três dias antes, em 3 de agosto, o pastor foi condenado em outro processo, que também correu na Comarca de Igarassu. Segundo o documento da decisão, no dia 12 de fevereiro de 2021, ele “atacou a honra” de um dançarino que participou de um vídeo institucional da prefeitura sobre o adiamento do carnaval daquele ano, no meio da pandemia de Covid-19.

Conforme a denúncia do MPPE, Aijalon postou um vídeo criticando a peça e usando a imagem da vítima, que disse se tratar de um “feiticeiro”. Ainda segundo a promotoria, ele escreveu, em comentário de postagem no Instagram, que não ficaria “em silêncio vendo esses macumbeiros entregarem a cidade aos demônios”. Na decisão, a juíza Fernanda Moura de Carvalho condenou o pastor pelo crime de injúria qualificada, arbitrando uma pena de três anos e nove meses de detenção em regime aberto, além de multa. Ela também determinou o pagamento de R$ 16.500 à vítima por danos morais.

Outras condenações
Antes das duas sentenças publicadas neste mês, o pastor foi condenado outras duas vezes por mensagens de intolerância religiosa. Em um quinto processo, ele foi absolvido em 19 de junho de 2025. Uma delas saiu no dia 12 de julho deste ano. Na ação, a Promotoria de Justiça Criminal de Paulista, no também no Grande Recife, denunciou Aijalon por proferir discurso discriminatório contra o candomblé ao falar sobre uma caminhada dedicada ao orixá Ogum promovida pelo terreiro Asé Omo Ogudê.

Segundo a denúncia, em postagem publicada no Instagram em 26 de abril de 2023, quatro dias antes do evento, ele compartilhou uma notícia sobre a caminhada e escreveu um texto dizendo que o orixá era “incestuoso, violento e feiticeiro” e chamando a divindade de “demônio”. Nesse caso, o réu foi condenado a dois anos e seis meses de reclusão em regime aberto, além de multa. A pena foi revertida em pagamento de cinco salários-mínimos e prestação de serviços comunitários.

Já a primeira condenação foi publicada no dia 11 de setembro de 2023. No processo, o pastor foi denunciado por publicar um vídeo, na madrugada de 24 de julho de 2021, com mais um conteúdo que associava adeptos de religiões de matriz africana a expressões como “demônios”, “feitiçaria”, “répteis”, “animais abomináveis”, “malignos” e “satânicos”.

“O acusado atingiu, pois, toda uma coletividade por meio do discurso de ódio fincado em preconceito à religião de origem africana, extrapolando, portanto, o direito ao proselitismo de sua crença ou à liberdade de expressão”, afirmou o Ministério Público na denúncia.
Esse primeiro caso também foi julgado pela juíza Ana Cecília Toscano Vieira Pinto, que condenou o pastor por racismo, arbitrando uma pena de dois anos e seis meses de reclusão em regime aberto. A magistrada também determinou o pagamento de uma indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 100 mil. Conforme a decisão, o dinheiro deveria ser destinado a ações de enfrentamento à intolerância contra as religiões afro-brasileiras.

G1 Pernambuco

Padre nega missa para bebê reborn: “Procure um psiquiatra”

A febre dos bebês reborn continua dividindo opiniões nas redes sociais. Enquanto muita gente, incluindo celebridades, se derrete pelos bonecos ultrarrealistas, outros preferem encarar a moda com humor (ou ironia).

Um dos que decidiu entrar na onda, mas com boas doses de sarcasmo, foi o influenciador e sacerdote Padre Chystian. Para seus 3,6 milhões de seguidores no Instagram, ele publicou uma “nota de esclarecimento” inusitada, deixando claro que não está disposto a adaptar os rituais católicos para os bonecos.

“Não estou realizando batizados para bonecas reborn ‘recém-nascidas’. Nem atendendo ‘mães’ de boneca reborn que buscam por catequese. Nem celebrando Missa de Primeira Comunhão para crianças reborn. Nem oração de libertação para bebê possuído por um espírito reborn. E, por fim, nem missa de 7º dia para reborn que arriou a bateria”, escreveu.

O sacerdote ainda concluiu, com bom humor: “Essas situações devem ser encaminhadas ao psicólogo, psiquiatra ou, em último caso, ao fabricante da boneca. Sem mais!”. Nos comentários, muita gente entrou na brincadeira. “Vão te acusar de ‘rebornfobia’, Padre”, comentou um seguidor.

Mesmo com as críticas e piadas, os bebês reborn continuam populares: há quem pague até R$ 15 mil por um exemplar. Cada boneca pode levar até 15 dias de trabalho artesanal para ser finalizada. Apesar de já existirem no mercado desde o início dos anos 2000, os objetos ganharam os holofotes nos últimos meses, após diversas mulheres adultas criarem comunidades com eventos destinados às bonecas realistas, como encontro de mães em parques populares.

A Tarde

Vaticano aprova diretrizes que permitem que homossexuais sejam padres

O Vaticano aprovou novas diretrizes que permitem que homens homossexuais possam assumir o posto de padre e entrem nos seminários. A nova política, entretanto, proíbe a prática do sexo, assim como é vetado para os seminaristas heterossexuais.

O Vaticano não havia tratado de forma aberta o tema anteriormente, mas as diretrizes aprovadas em 2016 diziam que os seminários não poderiam ter em seus quadros homens com “tendências homossexuais”.”Quando se trata de tendências homossexuais no processo de formação, também é apropriado não reduzir o discernimento apenas a este aspecto, mas … compreender seu significado dentro do contexto mais amplo da personalidade do jovem”, diz o documento aprovado em novembro de 2024.

A Tarde

Preso em investigação de estupros, Padre Airton é internado em hospital particular no Sertão de PE

O padre Airton Freire, de 67 anos, foi internado em um hospital particular localizado em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, na tarde deste sábado (22). O religioso, que é investigado por estupros e está preso preventivamente desde o dia 14 de julho, teve uma crise de hipertensão arterial.

Ele foi levado da cela onde estava detido no Presídio Advogado Brito Alves para o Hospital Memorial Arcoverde. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do padre. O g1 entrou em contato com o hospital, para saber sobre o estado de saúde do paciente, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

A Fundação Terra, instituição criada por Padre Airton, também foi procurada pelo g1 para se pronunciar sobre o internamento do religioso, mas ainda não respondeu.

Padre investigado
De acordo com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), há cinco inquéritos policiais abertos contra o padre Airton Freire, acusado de estupro pela personal stylist Silvia Tavares de Souza; Em maio, ela denunciou que foi estuprada pelo motorista de padre Airton, Jailson Leonardo da Silva, a mando do religioso; Segundo Silvia Tavares, o estupro aconteceu no dia 18 de agosto de 2022, em uma propriedade da Fundação Terra; Desde a denúncia, Padre Airton está suspenso das atividades religiosas;

Padre Airton foi preso na sede da Fundação Terra, em Arcoverde, após o cumprimento de um mandado de prisão preventiva. Os advogados Mariana Carvalho e Marcelo Leal, que defendem Padre Airton, disseram que a prisão “surpreendeu” a defesa, e que vão tentar conseguir na Justiça um habeas corpus.

G1 Pernambuco