Escola de samba que homenageou Lula é rebaixada para a Série Ouro

Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a Série Ouro após sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro 2026. A escola levou para a Marquês de Sapucaí o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar da expectativa em torno da apresentação, a agremiação não conseguiu convencer os jurados e encerrou a apuração com 264,6 pontos, a menor nota entre as escolas do Grupo Especial.

LEIA MAIS

Homenagem a Lula 2: Lula e Janja deixam a Marquês de Sapucaí após mais de 8 horas de desfiles

Depois de mais de oito horas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, já na madrugada desta segunda-feira (16). Lula chegou por volta de 20h25 do domingo (15), no camarote da Prefeitura do Rio, onde já era esperado pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes (PSD), e vários de seus ministros, para acompanhar a primeira noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial.

A primeira escola a cruzar a avenida foi a Acadêmicos de Niterói com enredo em homenagem ao presidente. Lula deixou a Sapucaí por volta das 4h53 com acenos pela janela do carro a simpatizantes que chamavam por seu nome. O camarote reuniu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro da Educação, Camilo Santana, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Também prestigiaram o desfile, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. odos se recusaram a dar declarações à imprensa. Lula também entrou e saiu no camarote sem dar entrevista. Circularam entre os convidados do presidente os atores Denise Fraga, Humberto Carrão, Silvero Pereira, Paulo Vieira e Elisa Lucinda, entre outros.

O banqueiro André Esteves, fundador do BTG Pactual, também passou pelo camarote que recebeu o presidente. “Vou cumprimentar o  prefeito Eduardo Paes. É claro, o presidente merece todo o prestígio também”, disse Esteves. Sob alerta de possíveis acusações de propaganda eleitoral irregular, o Palácio do Planalto impediu a participação de ministros no desfile, bem como uso de verba pública para comparecer à festa na Sapucaí. Apenas a primeira-dama, Janja da Silva, foi liberada para desfilar, por não exercer cargo público, mas acabou apenas acompanhando o marido Lula como espectadora.

Apoiadores de Lula comemoram nas redes sociais o desfile da Acadêmicos de Niterói

Apoiadores do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva comemoraram nas redes sociais o desfile da Acadêmicos de Niterói na noite do domingo, 15, e madrugada de segunda-feira, 16. A escola foi a primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí no domingo. O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse que a homenagem feita pela Acadêmicos de Niterói a Lula “foi conduzida com arte, memória e resistência”. “Cada ala, cada verso e cada batida reafirmaram que o samba também é voz do povo, é luta e é esperança que insiste em florescer. Foi um espetáculo que arrepiou, levantou o público e mostrou que nossa cultura segue viva, forte e transformadora”, publicou no X.

O senador e ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE) também elogiou o desfile. Disse que a escola “narra a história desse nordestino (Lula) que dedicou a vida ao povo”. “Quem passou fome, hoje alimenta a alma do Carnaval. A Acadêmicos de Niterói narra a história desse nordestino que dedicou a vida ao povo. É emoção que não acaba mais!”, afirmou ele nas redes sociais. “A avenida pulsou diferente. A Acadêmicos de Niterói transformou a Sambódromo da Marquês de Sapucaí em um grande manifesto cultural, com um desfile potente, emocionante e cheio de significado”, completou.

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também publicou uma mensagem de apoio ao presidente da República. Disse que foi “lindo” acompanhar junto de Lula o desfile. “Lindo ver de perto na Sapucaí, com o presidente Lula, o desfile da Acadêmicos de Niterói. A mensagem é clara: 2026 exige força pra reeleger Lula no primeiro turno e eleger um Congresso mais popular, com a cara do povo!”, declarou.

A deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), vice-líder do governo na Câmara, também parabenizou a Acadêmicos de Niterói pelo desfile. Disse ter sido “emocionante”. “Emocionante! É impossível não se arrepiar com o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói cantando ‘Tem filho de pobre virando doutor, comida na mesa do trabalhador… A fome tem pressa’ e essa ala linda simbolizando a revolução que Lula fez na educação superior no Brasil”, afirmou ela no X.

Estadão Conteúdo

Homenagem a Lula 1: Oposição critica desfile homenageando Lula e Novo diz que vai pedir inelegibilidade

A oposição ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva criticou o desfile da Acadêmicos de Niterói homenageando o petista. O Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, também criticou o petista e disse que ele usa dinheiro público “para fazer campanha antecipada pra ele mesmo”.

“Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada pra ele mesmo. Sim, o dinheiro do suor do povo trabalhador brasileiro, que deveria ser devolvido à sociedade em forma de serviços públicos de qualidade, está sendo torrado num desfile de carnaval na cara de todos os brasileiros”, declarou no X o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio disse ser “um crime o que está acontecendo hoje no carnaval do Rio”. Reclamou do fato de seu pai ter sido condenado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por uma reunião com embaixadores. Não mencionou, porém, o motivo da condenação: o então presidente reuniu os representantes de outros países para fazer ataques sem provas ao sistema eleitoral.

“Jair Bolsonaro foi tornado inelegível, na mão grande, por uma reunião com embaixadores e por discursar num carro de som que não custou um centavo de dinheiro público. Isso não ficará impune! Vamos resgatar o nosso Brasil das mãos sujas do PT e devolver ao povo brasileiro!”, declarou o senador.

O Partido Novo e seu presidente confirmaram que vão pedir a condenação de Lula na Justiça Eleitoral. “O desfile é uma peça de propaganda do regime Lula. Financiada com o seu dinheiro. Vamos à Justiça Eleitoral buscar a inelegibilidade”, afirmou o Novo em sua conta no X. “O que denunciamos ao TSE está se confirmando ao vivo. Assim que o Lula registrar sua candidatura, o Partido Novo ajuizará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), requerendo a cassação do registro e sua inelegibilidade. A lei deve ser igual para todos”, declarou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, nas redes sociais.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também criticou o desfile. Disse que “quando a cultura se mistura com a política, perde a cultura”. “Vale também para o desfile dessa escola de samba. No caso, ainda pior, concorrendo para um grave ilícito eleitoral. Propaganda antecipada com dinheiro do pagador de impostos. Rebaixamento é o mínimo que merece”, afirmou no X. “E o problema era o Bolsonaro se encontrar com embaixadores. A interferência nas eleições, agora a de 2026, já começou. Vista grossa para um excesso noutro”, completou.

O senador e ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil-PR) também comentou o desfile. Fez alusões à operação Lava Jato para ironizar o presidente Lula e disse que o desfile “foi um deprimente espetáculo de abuso do poder”. “Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula. Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários tudo financiado pelo governo. A Coréia do Norte não faria melhor”, publicou no X.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma comparação velada entre o desfile e a reunião com embaixadores que levou ao julgamento de inegibilidade de Bolsonaro no TSE. “Se esse desfile fosse em 2022, Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inegibilidade vitalícia”, disse em sua conta no X.

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) foi outro que fez alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse suspeitar que o Supremo Tribunal Federal atuaria para barrar um desfile desse tipo em homenagem ao ex-presidente. “Vocês estão vendo essas imagens. Que dia que isso é carnaval? O que estão fazendo aqui é uma campanha eleitoral para o Lula. Vocês podem dizer: ‘Que implicância é essa?’. Imagina se fosse o contrário, o Bolsonaro como presidente, tendo financiado uma escola de samba com dinheiro público, fazendo um carro alegórico com a imagem do Lula preso. O que vocês acham que o STF teria feito?”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais.

Estadão