Edeilde Lopes tinha 15 anos quando acordou sentindo-se diferente. Os ossos do corpo inteiro doiam. As dificuldades para levantar da cama eram imensas. O apetite aos poucos sumiu, enquanto manchas tomaram conta de sua pele. Um cenário bem diferente da noite anterior, quando ela conversava com pessoas da mesma idade animadamente. Edeilde sempre foi uma adolescente disposta, com saúde. Não entendia os últimos acontecimentos com o próprio organismo. Os meses seguintes foram de dúvida, de um sofrimento compreensível.
O diagnóstico veio tão rápido quanto surpreendente. Edeilde tinha leucemia linfóide aguda, a neoplasia mais comum em crianças e ao mesmo tempo a que tem os maiores percentuais de cura, chegando até a 80%. A adolescente era muito jovem para compreender previsões médicas. Tudo aquilo não fazia parte de seus planos. Nascida em Juazeiro, na Bahia, deixou para trás a possibilidade de cursar direito na Universidade Federal da Bahia e mudou-se com a família para a pernambucana Petrolina por conta da oferta do serviço de Tratamento Fora de Domicílio.
Uma vez por semana, às segundas-feiras, a estudante, hoje com 22 anos, ainda vem ao Recife para acompanhamento médico. Viaja em um ônibus da empresa Progresso, cuja passagem é paga pelo governo federal. Os cuidados ainda precisam ser tomados porque em 2014 ela viveu a volta da doença, dois anos depois do fim do tratamento. Segundo os médicos, isso acontece com cerca de 20% dos pacientes. Hoje ela reage bem à quimioterapia. Não precisa de um transplante de medula óssea, como chegou a ser cogitado pela equipe médica. Espera nunca mais escutar de um médico despreparado que “daquele dia não passará”.






















