Papa Leão XIV pede cessar-fogo e diálogo para acabar com guerra no Oriente Médio

O papa Leão XIV voltou a clamar veementemente pela paz no Oriente Médio neste domingo (15), em meio aos conflitos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que ocorrem desde o dia 28 de fevereiro. Após a oração do Angelus ao meio-dia deste IV Domingo da Quaresma, o pontífice invocou cessar-fogo na região da janela do escritório do Palácio Apostólico que dá para a Praça São Pedro, na Cidade do Vaticano, em Roma.

Leão XIV pediu orações a todos aqueles que choram a perda de parentes e amigos mortos em consequência dos bombardeios. “Há duas semanas, os povos do Oriente Médio sofrem a violência atroz da guerra”, afirmou. “Milhares de pessoas inocentes foram mortas e muitas outras forçadas a abandonar suas casas. Renovo minha proximidade em oração a todos aqueles que perderam seus entes queridos nos ataques que atingiram escolas, hospitais e centros habitados.”

O papa disse estar muito preocupado com a situação no “amado” Líbano. Conforme destacou, o país está dilacerado pelos confrontos entre o Hezbollah e as Forças de Defesa de Israel (IDF). Por fim, o pontífice apelou para um que se substitua o uso das armas pelo diálogo, “o único capaz de garantir a paz pela qual todos os povos anseiam.”

Estadão Conteúdo

Conflito no Oriente Médio: “Nunca senti tanto medo”, diz jogador pernambucano no Kuwait

Em viagem profissional ao Kuwait, o jogador pernambucano de futsal Williams Oliveira do Nascimento, conhecido como “Vassoura”, tem relatado nas redes sociais o clima de apreensão vivido por quem está no Oriente Médio nos últimos dias. Desde o início dos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no sábado (28), a escalada do conflito passou a impactar diretamente moradores e visitantes de países da região, como Emirados Árabes Unidos, Catar e Líbano, além do Kuwait.

Nascido em Jaboatão dos Guararapes, Williams foi eleito Melhor Jogador do Mundo de Futebol 7 em 2018 e já foi quatro vezes campeão do mundo, integrando a seleção brasileira de Futebol 7. Ele está fora do Brasil para jogar um campeonato, adiado por dois dias devido à situação. Segundo o pernambucano, a previsão é de que em “dois ou três dias” a competição possa continuar normalmente. Nos stories do Instagram, rede social onde acumula mais de 420 mil seguidores, o atleta divide com os seguidores o medo de estar em um local visado pelos ataques iranianos.

No último domingo (1), o jogador compartilhou um story com falas positivas. “Fica aquela sensação de que pode acontecer uma coisa a qualquer momento, mas eu tenho fé em Deus que tudo vai se acalmar, tudo vai ficar bem, e vamos prosseguir no nosso trabalho”, disse. Pouco tempo depois, apareceu com o semblante assustado e afirmou ter ouvido dois estrondos “absurdos”. Ao fundo, é possível escutar o soar de uma sirene. “Ontem, antes de ontem, tava tranquilo” disse ele. Na sua fala, expressou preocupação pelos seus filhos, que não estão no país. “Deus abençoe nossos filhos, os filhos das pessoas que estão aqui, tentando trabalhar.”

Denúncia e pedidos de ajuda – Em uma das postagens, Williams denunciou a ineficiência da embaixada brasileira no Kuwait, que não respondia às suas tentativas de contato. É impossível deixar o país ou vias comuns no momento, uma vez que as fronteiras estão fechadas. O aeroporto internacional do país, alvo de ataque iraniano que deixou feridos no último sábado, está fechado. Ele chegou a publicar um apelo ao presidente Lula e ao deputado federal Nikolas Ferreira. “Não sei a quem pedir ajuda, todos aflitos no país”, escreveu. “Quem souber a quem eu poderia pedir ajuda, falem, por favor.”

O jogador conta que passou por duas situações parecidas em outros países, durante confrontos bélicos: uma vez em 2015, na Ucrânia, e em 2018, também no Kuwait, mas que nunca tinha sentido tanto medo. “Foram dois mísseis interceptados pelo Kuwait que caíram próximo do hotel”.

Hoje – A última atualização de Williams, até o fechamento da matéria, foi às 11h da manhã desta segunda-feira (2) no horário de Brasília — dez horas da noite no horário do país. Nos stories, o pernambucano afirmou que o dia seguiu normalmente no local: “A segurança aqui no Kuwait tá muito boa, tá bem eficaz. Foram mais de 300 mísseis interceptados.”

Diario de Pernambuco

Trump planeja iniciativa para ‘limpar’ Gaza e levar palestinos para Egito e Jordânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou no sábado (25) uma iniciativa para “limpar” a Faixa de Gaza e disse querer que Egito e Jordânia recebam os palestinos deste território como forma de alcançar a paz no Oriente Médio. “Estamos falando de 1,5 milhão de pessoas, e simplesmente limparemos tudo isso”, disse Trump à imprensa, referindo-se a Gaza como um “local de demolição”. Ele disse que a medida poderia ser “temporária ou de longo prazo”.

O republicano afirmou que havia conversado com o rei Abdullah II da Jordânia e esperava falar com o presidente egípcio Abdel Fatah al Sissi no domingo. “Gostaria que o Egito levasse as pessoas e gostaria que a Jordânia levasse as pessoas”, disse Trump a bordo do Air Force One.

A maioria dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza foi deslocada, alguns deles várias vezes, devido à guerra na Faixa de Gaza desencadeada pelo ataque do movimento islamista Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. A ideia foi aplaudida pelo ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich.

“A ideia de ajudá-los a encontrar outros lugares para começar uma vida melhor é uma excelente ideia. Após anos de glorificação do terrorismo, (os palestinos) poderão estabelecer vidas novas e boas em outros lugares”, disse Smotrich em comunicado.

“Durante anos, os políticos propuseram soluções inviáveis, como a divisão da terra e a criação de um Estado palestino, o que colocou em risco a existência e a segurança do único Estado judeu do mundo”, acrescentou o ministro, cujo partido é uma parte essencial do governo de coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O grupo palestino Jihad Islâmica, em contrapartida, condenou a iniciativa de Trump neste domingo, considerando que a “deplorável” proposta “alimenta crimes de guerra”. “Esta proposta é enquadrada como incentivo a crimes de guerra e crimes contra a humanidade ao forçar nosso povo a deixar sua terra”, afirmou o grupo, que lutou ao lado do Hamas em uma guerra sangrenta com Israel em Gaza até a trégua de 19 de janeiro.

Uma autoridade de alto escalão do Hamas declarou à AFP que o grupo palestino fará oposição à proposta do republicano. “Assim como eles frustraram todos os planos de deslocamento e terras alternativas por décadas, nosso povo também frustrará tais projetos”, disse Bassem Naim, membro do escritório político do grupo islamista, referindo-se aos comentários de Trump.

AFP