Mendonça abrirá procedimento para apurar troca na PF no caso Lulinha

Lulinha é citado em investigação acompanhada pelo STF e pela Polícia Federal.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deve abrir um procedimento para apurar as circunstâncias da troca do delegado da Polícia Federal responsável pela investigação da fraude no INSS em que o empresário Fábio Luís Lula da Silva é citado.

Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, Mendonça considerou insuficientes as explicações apresentadas pela Polícia Federal sobre a substituição do delegado responsável pelo caso, realizada sem comunicação prévia ao gabinete do ministro, relator do inquérito no STF.

Nos bastidores, o magistrado também demonstrou preocupação com a possibilidade de interferência política na investigação. Diante disso, Mendonça deverá aumentar o rigor no compartilhamento de informações do inquérito, restringindo o acesso aos dados da apuração.

O ministro já adota como prática a compartimentação de informações em processos sob sua supervisão, permitindo que apenas investigadores diretamente ligados às diligências tenham acesso aos detalhes das investigações, como forma de evitar vazamentos.

Ainda de acordo com informações da CNN, Mendonça também pretende intensificar o acompanhamento direto do trabalho da Polícia Federal no caso.

A troca na coordenação do inquérito transferiu a investigação da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), resultando na saída do delegado Guilherme Figueiredo Silva da condução do caso.

Em nota, a Polícia Federal informou que a mudança foi feita para garantir maior eficiência e continuidade às investigações, argumentando que a Cinq possui estrutura especializada para atuar em operações sensíveis e complexas com tramitação no STF.

Foi justamente essa coordenação que solicitou a quebra de sigilos de Lulinha e também conduziu a negociação da delação premiada do empresário Mauricio Camisotti.

A mudança ocorreu em meio a reclamações da defesa de Lulinha sobre vazamentos de informações da investigação. Já parlamentares da oposição criticaram a substituição do delegado e defendem a convocação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional.

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