Fim da escala 6×1 avança no Congresso e eleva receio de setores produtivo e financeiro

À medida que a discussão sobre a redução da carga horária de trabalho, com o fim gradual da escala 6 por 1, avança no Congresso, cresce o receio, no setor produtivo, de aumento de custos, e, no setor financeiro, de impactos sobre as contas públicas. O que se coloca sobre a mesa de discussão, entre analistas especializados na área fiscal, é que provavelmente será necessária alguma concessão para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o artigo 7.º da Carta Magna, hoje fixado em 44 horas semanais.

No mercado financeiro, a percepção é de que o potencial relator da PEC, Paulo Azi (União Brasil), pode conduzir a proposta de forma mais moderada, mas o avanço das conversas já é visto como negativo. A diretora de Macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, acompanha as discussões na Câmara, no Senado e em vários setores da economia. Para ela, as conversas caminham para um acordo que envolva a desoneração da folha como compensação a eventual aumento de custos para as empresas – algo que vai contra as intenções da Fazenda.

“Só a diminuição da jornada 6 por 1 não gera impacto fiscal. Isso tem impacto presumido, aumento de custo. Se houver um tipo de desoneração da folha, vai ter impacto fiscal. E no orçamento não tem espaço para nada disso, nem 2026 e nem para a frente, dado que a gente está trabalhando no limite do limite para trazer as metas de primário colocadas pelo governo”, disse Solange.

Ela acrescenta que há uma “discussão grande” sobre se a redução da jornada trará aumento de produtividade, e considera que, no caso do Brasil, a resposta é negativa. “Países que já aumentaram a produtividade deveriam poder discutir isso sem tantas preocupações. Não é o caso do Brasil”.

A economista ressalta que o governo federal não pode abrir mão de arrecadação e lembra que o Supremo Tribunal Federal (STF) – órgão que mediou o acordo entre Executivo e Legislativo para eliminar a desoneração da folha até 2027 – determinou que qualquer gasto ou renúncia de receita precisa vir acompanhado de fonte de compensação.

Por isso, qualquer despesa ou desoneração que surja como contrapartida ao fim da jornada 6 por 1, sem fonte de recursos, configurará novo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. “Não precisa o STF falar sobre isso. É uma lei que já foi aprovada, mas que não é respeitada. Hoje se cria despesa e desonera sem ter a contrapartida que deveria ocorrer se a lei fosse respeitada”, disse Solange.

Cientista político e analista econômico da Tendências Consultoria Integrada, Rafael Cortez também acredita que a redução da jornada exigirá concessões tributárias, reforçadas pela pressão de grandes grupos econômicos no Congresso. Ele ressalta que a proposta combina dois fatores de alto apelo político e eleitoral: redução da jornada e desoneração. “O problema é encontrar uma contrapartida à renúncia de receitas para manter a legalidade do fim da jornada 6 por 1 tendo em vista o estabelecido pelo STF”, disse Cortez.

O fim da escala 6 por 1 é um dos trunfos do governo para a campanha de reeleição do presidente Lula no pleito de outubro e já pressiona o Congresso. Levantamento feito pela Nexus mostra que quase dois terços da população brasileira aprovam a redução da jornada e que, no Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do País, o apoio é ainda maior.

Segundo Solange Srour, a volta do tema ao centro do debate político traz mais uma conta para o Orçamento, que opera com déficits recorrentes, dívida crescente e baixa credibilidade fiscal. A economista lembra que desonerações raramente são neutras, temporárias ou bem focalizadas.”A política de alívio sobre a folha, renovada sucessivas vezes, gerou perdas bilionárias de arrecadação sem evidências consistentes de ganhos duradouros em emprego ou produtividade. Transformou-se em benefício permanente, capturado por setores organizados, e em obstáculo adicional à consolidação fiscal. Agora, corre-se o risco de repetir o mesmo roteiro: aprova-se uma medida popular, ignora-se seu impacto econômico e, em seguida, tenta-se ‘corrigir’ o problema com mais renúncia tributária”, criticou a economista da UBS Global Wealth Management.

Estadão Conteúdo

Pernambuco reabre mais setores da economia nesta segunda, e cenário volta a se parecer um pouco com o da pré-pandemia

A partir desta segunda (8), o cenário das cidades pernambucanas volta a se parecer um pouco com o da pré-pandemia da covid-19. Depois das lojas de material de construção, que reabriram há uma semana, outras atividades vão se readaptando à nova normalidade. Nesta segunda será a vez da construção civil, do comércio atacadista inaugurar sua retomada e das clínicas médicas, enquanto o setor de shopping centers estreia o serviço de drive-thru. Reações negativas dos empresários ao Plano de Convivência com a covid-19 fizeram com que o governo antecipasse a reabertura de algumas atividades.

O setor de shoppings foi uma das atividades que reagiu à falta de data para abertura pelo governo de Pernambuco e foi atendido no pleito de antecipar a operação do drive-thru para aproveitar as vendas do Dia dos Namorados. Pelo plano inicial, o serviço só poderia funcionar a partir do dia 15, mas foi antecipado para esta segunda.

No Brasil, alguns shoppings já haviam adotado a operação do drive-thru para permitir que os lojistas voltassem a vender. Em Pernambuco, os centros de compra estavam trabalhando com delivery, a partir de plataforma online.

Agora, os consumidores podem comprar pelos sites das lojas, por WhatsApp e por telefone. Depois, a compra é retirada em pontos de entrega instalados nos estacionamentos dos shoppings.

“Os shoppings e os seus lojistas ficaram satisfeitos com a antecipação do prazo para funcionamento do sistema de coleta/drive-thru. O governo reconheceu o pleito dos lojistas, e isso é muito importante neste processo. Continuaremos dialogando para implementar a volta das outras operações”, diz o presidente da Associação Pernambucana de Shopping Centers (Apesce), Paulo Carneiro. Segundo ele, os shoppings e os lojistas se esforçaram para implantar o drive-thru para que funcione a partir de hoje. O governo ainda não definiu a data da abertura efetiva.

A retomada econômica não quer dizer, porém, que o Estado está livre do novo coronavírus, e, por isso, é preciso cumprir os protocolos sanitários para evitar uma escalada de transmissão do vírus nessa volta. A construção civil volta a abrir os canteiros de obras com o compromisso de operar com metade da mão de obra e adotando medidas de distanciamento social, higiene e comunicação e monitoramento. Entre as de distanciamento estão manter distância de 1,5 metro entre os trabalhadores, utilizando máscaras, óculos e protetor facial.

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