Sílvio Costa Filho denuncia dívidas do Estado com fornecedores

Deputado afirma que Governo inscreveu em “Restos a Pagar” para 2016 o valor de R$ 1,004 bilhão. Desse total, R$ 170,878 milhões não teriam sido quitados até o momento/Foto: Jarbas Araújo

O líder da Oposição, deputado Sílvio Costa Filho (PRB), tornou público, durante a Reunião Plenária de ontem (13), o resultado de um levantamento feito pela bancada que aponta um saldo a pagar a credores do Poder Executivo de R$ 959 milhões. O total, baseado em dados do Portal da Transparência, inclui valores liquidados e não pagos este ano e restos a pagar ainda do exercício de 2015.

“Ao não pagar os credores, o Governo do Estado tem gerado um grave prejuízo às empresas terceirizadas, organizações sociais, fornecedores e prestadores de serviços. Penaliza o empresário e o trabalhador”, disse o parlamentar.

Para debelar o suposto desequilíbrio, o oposicionista defendeu medidas como cortes nas verbas destinadas à publicidade e a redução do número de secretarias.

“A Oposição está profundamente preocupada com a situação financeira e fiscal do Estado. O 13º salário foi pago fora da data, com recursos que chegaram da União, oriundos da repatriação. O movimento para mostrar equilíbrio fiscal não condiz com a realidade dos dados”, emendou.

Costa Filho apontou, ainda, a falta de repasses do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM) e o não pagamento das emendas parlamentares ao Orçamento.

Equipe de transição expõe dívidas da prefeitura e desinteresse de Julio Lossio

equipe-transicao

Equipe de transição do prefeito eleito Miguel Coelho: Diniz Eduardo Cavalcanti, advogado e coordenador da equipe, o servidor da Polícia Federal Albérico Lacerda e a advogada Talita Andrade/Foto Waldiney Passos

Em observância a Lei Complementar Estadual nº 260 de 06 de janeiro de 2014, que trata dos princípios de responsabilidade e transparência da gestão fiscal nas transições de governo no âmbito do Estado de Pernambuco, o prefeito eleito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB), designou no dia 13 de outubro, logo após a proclamação do resultado dos eleitos, sua comissão de transição, tendo pessoalmente apresentado os nomes dos integrantes ao prefeito em exercício Julio Lossio (PMDB).

Pensando em facilitar a relação com o governo do prefeito Julio Lossio, Miguel Coelho indicou três técnicos: Diniz Eduardo Cavalcanti, advogado e coordenador da equipe, o servidor da Polícia Federal Albérico Lacerda e a advogada Talita Andrade.

“Ele não quis indicar nenhum político justamente para facilitar a interlocução com o governo de Júlio e dar uma maior agilidade na condução dos trabalhos, por isso ele primou pela eficiência, para que tudo fosse conduzido com a maior rapidez possível e sem gerar qualquer tipo de sequelas”, disse Dr. Diniz em entrevista a Rádio Jornal.

Na ocasião do primeiro encontro com Lossio, Miguel entregou o primeiro ofício de requisição dos documentos. “Os documentos requisitados foram exemplificativos constantes do manual de Transição do Tribunal de Contas, que são documentos explicativos, mas não quer dizer que são apenas aqueles”, explicou Dr. Diniz.

A equipe de transição reclama da morosidade do prefeito Julio Lóssio em responder aos ofícios encaminhados. “No primeiro encontro o prefeito prometeu que tudo estaria aberto, às claras, inclusive, afirmou que  iria deixar dinheiro em conta para que Miguel Pudesse dar continuidade aos serviços públicos e até mesmo ao programa de governo prometido em campanha”, lembrou.

No entanto, segundo o advogado, o primeiro ofício protocolado junto a prefeitura só foi respondido com 25 dias, ou seja, 10 dias além do tempo regulamentar fixado em lei,  ainda assim não foram respondidos todos os quesitos solicitados.

“Não nos enviaram a relação de contratos, como de fornecimento, de execução de serviços, enfim, isso não foi fornecido para a gente até hoje, documentos que são essenciais”, ressaltou, acrescentando não ter recebido também a Estrutura Administrativa da Prefeitura, mostrando como estão sendo alocados os servidores dentro das suas unidades de trabalho, para que o próximo prefeito possa dar continuidade no que está exitoso e, obviamente, modificar algum setor que necessite de algum aprimoramento para garantir uma maior eficiência administrativa.

Ausência de sistema de processos

Muitas aberrações foram relatadas pelos integrantes da comissão. Segundo eles, a prefeitura não dispõe sequer de um sistema informatizado para acompanhar os mais de 13 mil processos que estão tramitando na justiça, ou pelo menos, não encaminhou uma relação que conste o andamento atualizado de cada um dos processos.

“Por exemplo, vai ter a virada do ano o que é que garante que não tem nenhum prazo vencendo neste período?”, questionou Dr. Diniz.

O fato é tão grave que de acordo com Albérico Lacerda, há informações que a prefeitura tem deixado de receber créditos que teria direito, porque os processos têm sido arquivados e os cofres públicos têm sofrido esse prejuízo diariamente.

Nova Semente sem prestação de contas

Sobre o que chamou de “exitoso programa” propagado aos quatro cantos do país, Dr. Diniz disse que pelo convênio celebrado com o Petrape (Pequenos Trabalhadores de Petrolina) em 2010, a prefeitura deveria analisar a prestação de contas trimestralmente o que nunca foi feito.

“Eu entendo que a partir do momento que o convênio exige uma prestação de contas de 3 em 3 meses, torna-se dever da prefeitura analisar a prestação de contas e esse é um pedido nosso, que a prefeitura aprove as contas”, alertou.

Obras em andamento

A equipe lamentou que o prefeito Julio Lossio não queira colaborar com uma transição pacífica, tendo inclusive dificultado o acesso deles as obras em andamento.

“Pasmem, algumas das obras que a gente visitou estavam fechadas, nós não tivemos acesso e fizemos essas visitas a exemplo da Cohab VI que teve uma escola que a gente precisou olhar pelo buraco da fechadura. Então tudo isso dificulta o nosso trabalho de transição”, lamentou Dra. Talita Andrade.

Por conta dessa negligência da prefeitura em repassar o cronograma das obras em andamento a equipe desistiu de continuar com as visitas.

Portal da transparência deficitário

Segundo contatação da equipe até mesmo o portal  da transparência da prefeitura está desatualizado sem a publicação das leis, dos decretos. “Para se ter uma ideia, a relação dos secretários, pelo menos até ontem, tem secretário que já deixou o cargo há dois anos e o nome dele continua lá”, enfatizou Cavalcanti.

Restos a pagar

Contrariando o que afirmou o prefeito Júlio Lossio, que deixaria dinheiro em caixa para Miguel administrar, constou-se através de cruzamento de informações que o município de Petrolina tem de restos a pagar hoje o valor de R$ 59.722.772,63 (cinquenta e nove milhões, setecentos e vinte e dois mil, setecentos e setenta e dois reais e sessenta e três centavos).

“Na verdade são obrigações assumidas pela prefeitura com serviços, com fornecedores, com servidores, com contribuições previdenciárias, toda uma gama que necessita para fazer rodar a máquina administrativa”, esclareceu.

Dr. Diniz acrescentou ainda que desse total mais de R$ 16 milhões são de serviços que já foram executados e estão apenas aguardando o pagamento por parte da prefeitura.

Ele disse que a maior preocupação é com os serviços não processados, aqueles em que a prefeitura expediu uma ordem de serviço e ainda falta a execução, ou ocorreu a execução e falta a confirmação de que o serviço foi realizado.

“A grande dúvida é como vão ficar esses R$ 42.910 milhões, vai ser feito o que? Vão anular? Se for anulado e tiver algum serviço executado como vão ficar os fornecedores? Vão ter que procurar a justiça?, enfim, estamos falando de interrogações que têm ser esclarecidas pela prefeitura.

Por fim disseram esperar que a partir de agora o prefeito Julio Lossio possa dar uma atenção maior à transição para que a população não sofra com a descontinuidade de serviços essenciais.

Após reunião de governadores do NE, Câmara diz que Temer reconhece separação de multa de repatriação

paulo-camara-s

Paulo Câmara lembrou que os Estados do Nordeste têm suas dívidas muito abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (Foto: divulgação)

“O resultado da conversa do presidente Michel Temer com os governadores representantes das cinco regiões do País mostra que os Governos do Nordeste estavam certos em defender a separação do debate sobre a divisão da multa da repatriação e a adoção de novas medidas de ajuste fiscal. É fundamental que esse diálogo entre Estados e Governo Federal seja transparente e permanente”, avaliou o governador Paulo Câmara.
No último dia 25, reuniu os governadores nordestinos para tratar das questões relativas ao ajuste fiscal e a retomada do desenvolvimento do Brasil.
LEIA MAIS

Senado aprova novas regras para renegociação de dívidas de agricultores

oie_2111433a8hfsgbx

Senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) afirmou que a solução prevista no texto do projeto de conversão (PLV 24/2016) evitará o prosseguimento de leilões das terras dos agricultores.

As dívidas contraídas por agricultores das regiões abrangidas pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) poderão ser quitadas ou renegociadas com descontos até 29 de dezembro de 2017. As novas regras, previstas em projeto de lei de conversão da Medida Provisória (MP) 733/2016, foram aprovadas nesta terça-feira (20), pelo Senado e encaminhadas para sanção presidencial.

Presidente da comissão mista que analisou a MP, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) afirmou que a solução prevista no texto do projeto de conversão (PLV 24/2016) evitará o prosseguimento de leilões das terras dos agricultores, “a preços vis”, pelos bancos credores. Para o senador, o agricultor agora conservará em seu poder o principal meio para a realização de seu trabalho, “que é a terra para produção de alimentos”.

Conforme o projeto de lei de conversão, a liquidação das dívidas contraídas até 31 de dezembro de 2011 junto ao Banco do Nordeste (BNB) ou ao Banco da Amazônia (Basa) poderá ser feita com descontos variáveis de 15% a 95% e de 10% a 85%, conforme o valor e a localização do município. Os descontos serão aplicados por cinco faixas de valores da dívida atualizada segundo os montantes originais, que variam de R$ 15 mil a mais de R$ 500 mil.

O projeto de lei de conversão permite que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) usem esses mesmos procedimentos para oferecer a quitação de dívidas vencidas de pessoas físicas relativas a venda de lotes e ao uso de infraestrutura de irrigação de uso comum nos perímetros públicos.

Com informações da Agência Senado

Renegociação da dívida de produtores rurais será discutida no Senado

O objetivo do programa é  incentivar a implantação de unidades de palmas forrageiras na zona rural do município, em localidades que tenham o mínimo de água possível/ Foto: ASCOM

A repactuação pode atingir até 95%./ Foto: Embrapa

Nesta terça-feira (23), será realizada no Senado, reunião deliberativa da comissão mista do Congresso Nacional, onde será analisada a Medida Provisória (MP) 733/2016, que prevê a renegociação da dívidas dos produtores rurais.

A comissão é presidida pelo senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e o relatório de autoria do senador do estado do Piauí, Júlio Cesar (PSD). A MP foi editada no último mês de junho. 

LEIA MAIS

Plenário retomará debate sobre dívida dos estados hoje (8)

(Foto: Internet)

Segundo o acordo, a partir de janeiro de 2017, os estados começarão a pagar 5,6% da parcela devida. (Foto: Internet)

O projeto sobre a renegociação da dívida dos estados com a União (PLP 257/16) está na pauta de hoje (8) do Plenário da Câmara dos Deputados. A proposta alonga por mais 20 anos o pagamento das dívidas estaduais se forem adotadas restrições de despesas por parte dos governos estaduais, principalmente na área de pessoal.

A sessão de hoje está marcada para as 16 horas. O projeto também poderá ser analisado na tarde de terça-feira (9).

Após negociações com o governo interino de Michel Temer, o relator do projeto, deputado Esperidião Amin (PP-SC), leu no dia 1º uma nova redação apresentada pelo Ministério da Fazenda, incorporando itens como o pagamento de parcelas menores a partir do próximo ano com aumento gradativo até junho de 2018 e carência até dezembro.

LEIA MAIS

Projeto desenvolvido pelo TJPE melhora cobrança de dívidas fiscais

internet computador, pc

Um sistema de ajuizamento eletrônico em lote desenvolvido pela equipe de Tecnologia da Informação (TI) do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE) vai auxiliar as procuradorias municipais e estaduais no resgate de dívidas fiscais. O projeto, um dos finalistas da Maratona PJe, organizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), integra o sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe) ao sistema das procuradorias, possibilitando o ajuizamento de execuções fiscais em lote. De acordo com informações do TJPE, o sistema já está implantado na procuradoria municipal do Recife/PE e está em fase de instalação nas procuradorias do estado de Pernambuco e do município de Jaboatão dos Guararapes/PE.

A Maratona PJe, voltada para profissionais da área de TI dos tribunais, foi lançada em novembro de 2015 com o objetivo de desenvolver melhorias para o PJe, ferramenta que permite o acompanhamento e o processamento das demandas em curso em todas as esferas do Poder Judiciário brasileiro. A competição resultou em 40 projetos inscritos por tribunais de todo país, sendo 36 deles aprovados e os cinco premiados.

LEIA MAIS

Renan e Temer acertam com governadores acordo para dívidas dos estados

Michel Temer e governadores

No encontro foi batido o martelo na renegociação da dívida pública dos entes federados

Após reunião no Planalto com os governadores e com o presidente do Senado, Renan Calheiros, o presidente da República interino, Michel Temer, anunciou acordo para suspensão, por um ano, do pagamento das dívidas dos estados.

Todos os governadores participaram do acordo, que teve a articulação de Renan Calheiros. Desde maio, o presidente do Senado e os governadores vêm discutindo propostas para retomar o crescimento e ajudar os estados a sair da crise. Entre as alternativas está a revisão do Supersimples (PLC 125/2015 — Complementar).

“Nós aceitamos as sugestões dos governadores, estamos compatibilizando com a Receita Federal, o que é uma dificuldade muito grande. Nós mexemos muito na proposta [do Supersimples] enviada pela Câmara dos Deputados por ter sido considerada excessiva”, disse Renan Calheiros, garantindo que a discussão sobre a atualização do tributo que recai sobre micro e pequenas empresas será retomada nesta semana.

LEIA MAIS

Percentual de famílias endividadas cai para 59,6% em abril

A arrecadação federal atingiu em março o menor valor em cinco anos

A proporção de famílias inadimplentes, ou seja, com dívidas em atraso, caiu de 23,5% em março para 23,2% em abril deste ano

O percentual de famílias endividadas no país caiu de 60,3% em março para 59,6% em abril deste ano. Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada hoje (27) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual é também inferior ao observado em abril de 2015, que ficou em 61,6%.

A proporção de famílias inadimplentes, ou seja, com dívidas em atraso, caiu de 23,5% em março para 23,2% em abril deste ano. No entanto, esse indicador ainda está em patamar superior ao observado em abril de 2015 (19,7%).

LEIA MAIS

Relatório da MP das dívidas de caminhoneiros será analisado nesta terça-feira

Caminhões e carretas

A comissão mista destinada a examinar e emitir parecer sobre a Medida Provisória (MP)707/2015, reúne-se nesta terça-feira (5), às 11h, para analisar relatório do deputado Marx Beltrão (PMDB-AL). A medida, que recebeu 93 emendas, autoriza a prorrogação até 30 de junho do prazo para a formalização de refinanciamento de empréstimos contraídos até 31 de dezembro de 2014 por caminhoneiros para a aquisição de caminhões, carretas, reboques, carrocerias e outros bens semelhantes.

A MP 707/2015 também suspende, até 31 de dezembro de 2016, a cobrança judicial de dívidas relativas a empreendimentos rurais na área de abrangência da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) contratadas até 31 de dezembro de 2006, no valor original de até R$ 100 mil.

A medida proíbe ainda que, até essa data, essas dívidas sejam inscritas na dívida ativa da União. Por fim, suspende a prescrição dessas dívidas até a mesma data.

Para manter compromissos, governo corre risco de aumentar endividamento das famílias

Há quase um ano, Dilma Rousseff proferia o discurso de posse do segundo mandato como presidente da República. Apesar de indicadores econômicos e sociais apontarem que os meses seguintes seriam críticos para o país, ela fez declarações e promessas ousadas, a exemplo das que manteve durante a campanha à reeleição, mas o que se viu ocorrer no resto do ano deixou os eleitores confusos. A chefe do Executivo prometeu unir esforços para formar uma pátria educadora, mas a pasta de Educação foi uma das que sofreu mais cortes em 2015. Dilma reafirmou o compromisso de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, além do Mais Médicos, nenhuma mudança significativa pôde ser verificada. Na tentativa de manter compromissos sociais, o governo corre o risco de contribuir para aumentar o endividamento das famílias. E, para piorar o quadro, a dificuldade de diálogo com o Congresso ameaça até mesmo tirar Dilma do cargo, com o processo de impeachment recém-instaurado na Câmara dos Deputados. Confira quais foram os compromissos firmados pela presidente no discurso de posse e o que realmente foi cumprido no primeiro ano de mandato.

EDUCAÇÃO

Ensino saiu do foco

» “Gostaria de anunciar agora o novo lema do meu governo. Ele é simples, é direto e é mobilizador. Reflete com clareza qual será a nossa grande prioridade e sinaliza para qual setor deve convergir o esforço de todas as áreas do governo. Nosso lema será: Brasil, pátria educadora!”

O governo da presidente Dilma Rousseff precisará avançar muito na educação para fazer jus ao lema escolhido para o mandato no discurso de posse. Em apenas um ano, a “pátria educadora” teve três ministros à frente da pasta da Educação. Cid Gomes, hoje filiado ao PDT-CE, perdeu o cargo já no primeiro trimestre, após tentativa desastrosa de tentar explicar, perante o plenário da Câmara, o motivo de ter chamado os deputados federais de achacadores e entrar em embate direto com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Com a queda de Cid, o professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP) Renato Janine Ribeiro assumiu o ministério e deu uma ponta de esperança de que o governo levaria a sério a proposta de colocar a educação como uma das pautas prioritárias. No entanto, teve apenas cinco meses de uma gestão apagada à frente da pasta, marcada principalmente por problemas na renovação de contratos e limitação no número de bolsas ofertadas pelo Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Janine foi uma das vítimas da reforma ministerial de setembro e deu lugar a Aloizio Mercadante (PT), que voltou ao cargo depois de passar pela Casa Civil e ser um dos pivôs da crise entre governo e Câmara.

O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), bastante citado pela presidente durante a campanha, deverá oferecer 12 milhões de vagas até 2018. Neste ano, o programa registrou 1,1 milhão de novas matrículas, além das 1,2 milhão mantidas dos anos anteriores. Segundo levantamento da organização Contas Abertas, de janeiro a novembro deste ano, o governo aplicou R$ 2,7 bilhões no Pronatec, contra R$ 4,5 bilhões no mesmo período do ano passado. O investimento no Fies também apresentou recuo: foram R$ 14,6 bilhões em 2014, que caíram para R$ 12 bilhões neste ano.

Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento independente Todos pela Educação, defende que áreas como a educação e a saúde não deveriam ser atingidas pela restrição orçamentária – no Ministério da Educação, houve redução de R$ 7 bilhões no orçamento. “Não deveríamos sofrer cortes, e, sim, melhorar a eficiência. Há bons projetos, mas, na hora da aplicação, eles não vão para frente. Os cortes são um erro, porque, assim, reduzimos a possibilidade de crescer no futuro”, lamenta.

A meta de universalização da educação de crianças entre 4 e 5 anos até 2016, proposta por Dilma, também está longe de ser cumprida. Pouco mais de 12% delas ainda estão fora da escola, de acordo com dados do Observatório do PNE de 2013. “E não é só a educação básica que é prejudicada, mas também o ensino superior. Essa é uma conta que vamos pagar no futuro.”

 (Beto Novaes/EM/D.A Press )

SAÚDE

SUS abandonado

» “Na saúde, reafirmo nosso compromisso de fortalecer o SUS. Sem dúvida, a marca mais forte do meu governo, no primeiro mandato, foi a implantação do Mais Médicos, que levou o atendimento básico de saúde a mais de 50 milhões de brasileiros, nas áreas mais vulneráveis do nosso país”

Em relação à saúde, o presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gastão Wagner de Sousa Campos, acredita que pouca coisa mudou se comparado a anos anteriores. Para ele, o melhor programa do governo na área continua sendo o Mais Médicos, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede pública em geral não foram prioridades do governo no primeiro ano deste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. “Temos um problema crônico de financiamento. O conjunto do orçamento público é insuficiente, temos uma estimativa de que precisaria quase que dobrar o volume de recursos”, afirma.

Campos acrescenta ainda que uma série de problemas do SUS não foram enfrentados. O principal deles é a integração do sistema nas esferas federal, estadual e municipal. “O sistema se chama único, mas é muito descoordenado. Exemplo disso é o combate ao Aedes aegypti”, comenta. A maior preocupação dele é com relação à capacidade operacional da rede de lidar com uma possível epidemia do zika vírus.

De acordo com o especialista, de 40% a 50% da fila no SUS se deve à má gestão e à falta de integração. “O SUS continua com duplo comando em cada cidade, metade é da rede municipal e a outra metade, da estadual.  Campos critica ainda as indicações para cargos de chefia no sistema, que são todos de confiança e, portanto, mais sujeitos a influências político-partidárias. “Isso prejudica muito, pois não se consegue dar continuidade aos programas”, avalia.

 (Beto Novaes/EM/D.A Press )

INFRAESTRUTURA/ÁREA SOCIAL

Vítimas do ajuste fiscal

» “Assim como provamos que é possível crescer e distribuir renda, vamos provar que se pode fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados ou trair compromissos sociais assumidos”

Com o passar dos meses, esse não foi o cenário observado. As verbas para o Programa Minha casa, minha vida, carro-chefe da reeleição, sofreram retração de R$ 5,1 bilhões entre 2014 e 2015, redução real de R$ 6,6 bilhões, segundo a ONG Contas Abertas. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobretudo ligado a obras de infraestrutura, viu o orçamento despencar de R$ 53,9 bilhões durante os 11 primeiros meses de 2014 para R$ 34,9 bilhões no mesmo intervalo de 2015. “São justos os benefícios sociais? Sim. Só que a preocupação em manter esses benefícios acaba penalizando os investimentos em infraestrutura”, afirma o economista Otto Nogami. Ele entende que o ajuste fiscal que ceifa os orçamentos de diversos setores é consequência de uma crise que já se anunciava. “Na medida em que o próprio governo criou uma condição artificial na economia, estimulando as pessoas a consumirem mais, elas se endividaram, e isso tem impacto na economia. O desemprego, por exemplo, vem do plano econômico do passado.” Somente em novembro, foram fechados 130.629 postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. (Diário de Pernambuco)

Dinheiro comprometido. Um terço dos consumidores usarão 13º salário para quitar dívidas

Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indica que 33,3% dos consumidores brasileiros usarão o dinheiro da segunda parcela do décimo terceiro salário para quitar dívidas. De acordo com os números, 27,1% irão guardá-lo. Divulgada nesta segunda (14), a pesquisa foi feita com 1,2 mil pessoas em 72 municípios do país, entre 14 a 28 de novembro.

De acordo com a Associação Comercial, esse é o maior porcentual de consumidores cautelosos (60,4%) – somatória daqueles que vão guardar o décimo terceiro ou gastá-lo para pagar dívida – desde 2009, quando a pesquisa começou a ser feita. Em 2014, essa parcela atingiu 50%.

“Isso demonstra um crescimento da desconfiança do brasileiro em relação ao atual momento econômico do país. Os resultados também indicam, como já era esperado, que o Natal em 2015 será bastante modesto”, informou, em nota, Alencar Burti, presidente da ACSP.

O levantamento mostra que 14,6% dos entrevistados comprarão presentes com o salário extra de fim de ano e 6,3% vão viajar (em 2014 essa parcela era de 9,5%). A opção “comprar roupa nova para as festas de fim de ano” foi citada por 2,1% dos entrevistados (no ano passado essa parcela chegou a 1%). “Reformar a casa” foi lembrado por 1% (em 2014 foram 2,4%).

Em 2015 os indecisos somaram 14,6%, ante 16,7% em 2014.

12345