Líder do Comando Vermelho na Bahia é preso na Bolívia

Um homem apontado como líder do Comando Vermelho na Bahia foi preso na sexta-feira (13), na Bolívia durante uma ação conjunta das forças de segurança. O suspeito, identificado como Matheus Nascimento Santos, era alvo da Operação Bomboniere e foi localizado na cidade de Santa Cruz de La Sierra. Contra ele havia um mandado de prisão em aberto, e as investigações apontavam que o suspeito estava escondido no país vizinho.

De acordo com as autoridades, Matheus é era responsável pela “assessoramento logístico e operacional” da facção, além de ter forte contato com os traficantes do Rio de Janeiro.

Operação Bomboniere – A Operação Bomboniere foi deflagrada em setembro do ano passado e tem como alvo um grupo investigado por diversos crimes, entre el\es tráfico de drogas, armas e munições, homicídios, extorsão, corrupção de menores, roubos e lavagem de dinheiro.As investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa.

A captura contou com atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Bahia (FICCO-BA), com apoio das polícias Civil, Militar e Federal.

A Tarde

Mais da metade dos mortos em megaoperação no RJ eram de fora do estado

A lista de mortos da megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, mostra um retrato inédito da expansão do crime organizado no país. Segundo a Polícia Civil, mais da metade dos suspeitos mortos eram de fora do Rio de Janeiro, o que indica a presença de criminosos de outros estados nas comunidades cariocas, consideradas bases estratégicas do Comando Vermelho.

O levantamento, divulgado nesta semana, aponta ainda que 33 mortos não tinham o nome do pai no registro de nascimento, com idades entre 14 e 54 anos. Entre eles, estavam líderes de facção identificados pela polícia em estados como Bahia, Goiás e Amazonas.

A origem dos mortos foi distribuída da seguinte forma:
– Rio de Janeiro (42)
– Pará (17)
– Bahia (12)
– Amazonas (10)
– Goiás (7)
– Ceará (4)
– Espírito Santo (3)
– Paraíba (2)
– São Paulo (1)
– Mato Grosso (1)
– Maranhão (1)
– Distrito Federal (1)

Outros dois nomes ainda aguardam confirmação pericial, um deles, possivelmente da Bahia, conforme investigadores.

Crimes e histórico dos envolvidos
As investigações apontam que parte dos mortos possuía antecedentes criminais por homicídio, organização criminosa, associação para o tráfico, lesão corporal, ameaça, estupro coletivo e porte ilegal de arma. O mais novo entre os mortos era um adolescente de 14 anos, ligado ao tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil. O envolvimento dele foi identificado por meio de análises de redes sociais.

O jovem era investigado por um fato análogo a estupro de vulnerável em Queimados, na Baixada Fluminense, ocorrido em 2024, quando a vítima e os autores tinham 13 anos.

Novas operações previstas
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, dez novas operações semelhantes estão previstas no estado, com autorização judicial já concedida. As ações devem atingir favelas com forte presença de facções, como Rocinha, Cidade de Deus, Complexo da Maré e Complexo de Israel (Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta).

O plano inclui ainda operações voltadas à região de Jacarepaguá, considerada prioritária na retomada de territórios e uma das mais afetadas pela expansão do Comando Vermelho. As iniciativas também devem atingir a estrutura financeira das quadrilhas e empresas usadas para lavagem de dinheiro.

MPF retoma participação nas investigações
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu, nesta quinta-feira, 6, que o Ministério Público Federal (MPF) poderá acompanhar a apuração da operação que deixou ao menos 121 mortos. Na quarta-feira, entidades de direitos humanos haviam cobrado do ministro Alexandre de Moraes a revisão da decisão que excluía o MPF do caso, alegando risco à transparência e ao cumprimento de normas internacionais.

As instituições pediram investigações e perícias independentes e imparciais, além do arquivamento de inquéritos abertos contra familiares das vítimas. O Supremo Tribunal Federal (STF) segue acompanhando o caso e determinou a preservação das provas. A conselheira Fabiana Costa de Oliveira Barreto, que havia inicialmente barrado a atuação federal, reconsiderou a decisão após recurso apresentado pelo procurador-regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Júlio José de Araújo Junior.

A Tarde

CV só não está presente em 5 estados. Outras 30 facções operam no país

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está em fase final de elaboração de um relatório que revela o poder e o alcance das facções criminosas no país. Dados preliminares apontam que o Brasil tem 31 facções criminosas com potencial de afetar a segurança de estados.

Três dessas organizações possuem atuação nacional: CV (Comando Vermelho), TCP (Terceiro Comando Puro) e PCC (Primeiro Comando da Capital). Esse último com presença confirmada também em 28 países.Segundo dados da Abin, a expansão do Comando Vermelho começou em 2013. Até então, a facção estava presente em apenas no Rio de Janeiro, onde surgiu, no Pará, Tocantins, Rondônia e Santa Catarina. Hoje, o CV só não está presente em cinco estados: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O crescimento se deu a partir das transferências de lideranças e a partir do avanço da facção paulista para outros países, abrindo espaço em territórios ocupados em outros estados. Segundo o mapeamento, que deve ser publicado no início de 2026, quando presos são levados para outros estados, eles buscam outras regiões para atuar, se organizar e voltar para o Rio de Janeiro.

Sem fronteiras
Outra facção organizada no Rio, o TCP, rival do CV, copiou modelo e já está presente em dez estados. No relatório, o Terceiro Comando Puro aparece ainda no Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Ceará, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

O PCC, facção sediada em São Paulo, já atua fora do Brasil, com presença em 28 países, 17 a mais que em 2018. Além da expensão internacional, o número de integrantes dobrou e hoje são 2078 faccionados identificados. Os países com a maior quantidade de membros fazem fronteira com o Brasil: Paraguai, Venezuela, Bolívia e o Uruguai.

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