
Um dia após ganhar repercussão nacional, a denúncia de suposta espionagem envolvendo um secretário da Prefeitura do Recife passou a ser oficialmente acompanhada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O órgão enviou um ofício à Secretaria de Defesa Social (SDS) solicitando informações detalhadas sobre a apuração do caso.
Em nota, o MPPE informou que tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e, diante da gravidade das denúncias, decidiu formalizar o pedido de esclarecimentos. O Ministério Público, no entanto, não detalhou qual Promotoria ficará responsável pela análise das informações, nem antecipou eventuais medidas que poderão ser adotadas após a resposta da SDS.
A denúncia foi revelada no último domingo (25) em reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record. Segundo a matéria, policiais da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) teriam utilizado métodos de espionagem para apurar uma denúncia anônima contra Gustavo Queiroz Monteiro, secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife. Entre os supostos métodos estaria o uso de um rastreador instalado em veículo.
Na segunda-feira, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, concedeu entrevista coletiva e negou qualquer perseguição de cunho político. De acordo com ele, a apuração foi motivada por uma denúncia anônima que apontava o uso irregular de um veículo locado pela Prefeitura para possíveis pagamentos de propina. O monitoramento, segundo a SDS, teria ocorrido entre agosto e outubro de 2025 e foi arquivado por falta de provas.
Apesar disso, a SDS confirmou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de informações sigilosas da Polícia Civil. Entre os fatos apurados está a reprodução de conversas de um grupo de WhatsApp criado exclusivamente para tratar da investigação.
Um comissário da Polícia Civil, que foi afastado da Dintel, é apontado como suspeito. Ele também teria sido flagrado em uma reunião considerada irregular com o ex-presidente da Câmara de Ipojuca, Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD), investigado por suspeitas de desvios milionários de emendas parlamentares.
Segundo Alessandro Carvalho, a principal hipótese é de quebra de sigilo profissional. “Houve violação do sigilo profissional. Muito provavelmente pelo policial que foi afastado em novembro e que estaria repassando informações para uma organização criminosa”, declarou. O policial responde atualmente à Diretoria de Recursos Humanos da Polícia Civil e já era alvo de investigações do MPPE e da Corregedoria da SDS.
Diante do caso, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), usou as redes sociais para acusar o que chamou de “uso político da Polícia Civil”. Ele afirmou que irá acionar a Justiça para denunciar o suposto esquema. “Perseguição sem ordem judicial, sem inquérito, sem boletim de ocorrência, sem nenhuma formalidade. Rastreador sendo colocado em carro oficial da prefeitura sem ordem judicial. Isso é criminoso e não vai passar impune”, afirmou.
O caso segue em apuração e promete novos desdobramentos nos próximos dias.



