
Ontem, terça-feira, 27 de janeiro, nós informamos sobre um episódio que vem gerando forte repercussão no Brasil: o encontro do presidente Lula com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ocorrido em 2024, fora da agenda oficial, no Palácio do Planalto, o que, por si só, já gera muitas interrogações.
De acordo com as informações divulgadas pela imprensa nacional, a reunião teria sido articulada pelo ex-ministro Guido Mantega. Na oportunidade, o próprio presidente Lula teria envidado esforços no sentido de agilizar ou interceder por uma possível colocação de Guido Mantega no Banco Master.
Além disso, ontem também informamos outro dado que amplia ainda mais o alcance do escândalo. Segundo a colunista Andreza Matais, do Portal Metrópoles, o escritório de advocacia do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, teria recebido cerca de R$ 5 milhões do Banco Master por serviços de consultoria, mesmo após Lewandowski já ter assumido o cargo de ministro da Justiça do governo Lula.
De acordo com a coluna, o contrato foi firmado por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA) e previa o pagamento de R$ 250 mil mensais, tendo sido assinado em 28 de agosto de 2023.
Os pagamentos teriam prosseguido até setembro de 2025, ou seja, mais de um ano e seis meses após Lewandowski assumir o Ministério da Justiça, em fevereiro de 2024, fato que levanta questionamentos éticos e institucionais.
E o que já era grave ganhou contornos ainda mais preocupantes nos últimos dias.
O escândalo envolvendo o Banco Master não apenas cresce — ele estremece a República. A cada nova revelação, surgem mais fatos, mais conexões e mais questionamentos, envolvendo figuras centrais da política e do Judiciário brasileiro.
Agora, uma nova reportagem do Portal Metrópoles trouxe à tona que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, teria se encontrado por pelo menos duas vezes com Daniel Vorcaro, em sua mansão, em Brasília.
Segundo a reportagem, uma dessas reuniões ocorreu em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, período em que o Banco Master buscava apoio financeiro para evitar dificuldades operacionais.
Ainda de acordo com o Metrópoles, nesse encontro, Alexandre de Moraes teria se reunido também com Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB), justamente na época em que o BRB analisava a possibilidade de compra do Banco Master — operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central, após reação negativa do mercado e a identificação de inconsistências nos ativos da instituição.
A reportagem aponta ainda que Alexandre de Moraes também teria acompanhado, na mesma residência, o resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos, em novembro de 2024, em uma área reservada da mansão, descrita como restrita a encontros privados. Nesta ocasião, segundo relatos, o ministro teria degustado vinhos e fumado charutos de alto valor.
O caso ganha ainda mais repercussão diante da informação de que o Banco Master firmou, em janeiro de 2024, um contrato no valor de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Em manifestações anteriores, Alexandre de Moraes afirmou que nem ele nem o escritório atuaram para interferir no processo de liquidação do banco ou na tentativa de compra pelo BRB.
Em nota divulgada ontem, o ministro Alexandre de Moraes negou ter se reunido com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na mansão do empresário mineiro Daniel Vorcaro, no Lago Sul, em Brasília. No entanto, o Portal Metrópoles afirma possuir relatos que confirmam as duas idas do ministro do STF à residência de Vorcaro.
O conjunto dessas revelações expõe a fragilidade da nossa República, onde interesses privados parecem circular com facilidade entre o Executivo, o Judiciário, o sistema financeiro e os bastidores do poder, exigindo transparência, esclarecimentos e respostas à sociedade brasileira.



