Estado é condenado por prender homem por engano e mantê-lo em cela superlotada do Cotel

Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel) (Foto: Rafael Vieira/DP)

O estado de Pernambuco foi condenado a indenizar um homem preso por engano no Recife por tentativa de feminicídio. Detido na recepção do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), na Zona Norte da cidade, João Vitoriano de Mendonça Neto chegou a ser encaminhado à Delegacia da Macaxeira, também na Zona Norte, e ao Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, na RMR.

O autor da ação conta que foi conduzido coercitivamente em 8 de março de 2024 mesmo havendo discrepâncias evidentes entre seus dados e os do verdadeiro investigado, que é seu primo.

Entre as diferenças estavam a idade (o autor tinha 57 anos e o investigado, 49), o estado civil (um era casado, o outro solteiro) e o endereço. Os nomes também não batiam: o assistente administrativo do Crea-PE tem Neto como último sobrenome, já o investigado se chama João Vitoriano de Mendonça Júnior.

“Eu entrei em um carro com eles, o policial botou uma pistola entre as pernas e começou a pressão, me acusando de ter esfaqueado uma mulher em Carpina, lugar que nunca fui”, diz João Vitoriano.

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Serralheiro segue preso, em Juazeiro, por crimes em cidades onde nunca esteve

Conjunto Penal de Juazeiro (Foto: SEAP)

Um homem, de 47 anos, segue preso em Juazeiro, norte da Bahia, mesmo que indícios apontem que ele não tem culpa no que é acusado. A cena parece semelhante aos casos de prisão de negros em que uma foto serve para justificar as detenções. No caso de Juazeiro, o custodiado é Reginaldo Vidal Nascimento, serralheiro e pai de quatro filhos.

 

Nesta quinta-feira (7), ele completou 53 dias detido na cela 1 do módulo 3 do Conjunto Penal de Juazeiro. De acordo com informações do Preto no Branco, na manhã do dia 16 de agosto, Reginaldo ficou surpreso quando policiais o procuravam no local onde trabalha há 15 anos. Os agentes cumpriam um mandado de prisão preventiva. Ele era acusado de participar da tentativa de furto aos fóruns de Ribeira do Pombal e Tucano, onde Reginaldo nunca esteve.

 

As duas cidades estão a mais de 300 quilômetros de Juazeiro, onde Reginaldo Nascimento trabalha de segunda a sábado. Na tentativa de furto aos fóruns, três homens a bordo de duas motos tentaram arrombar os dois locais. Não havia um Reginaldo entre eles.

 

No entanto, o juiz Paulo Henrique Santana Santos, da Comarca de Ribeira do Pombal, sentenciou o serralheiro por um detalhe. A placa da motocicleta. O veículo, comprado por Reginaldo em 2018, foi vendido em fevereiro de 2019. Só que as tentativas de furto ocorreram dois anos depois, quando Reginaldo Nascimento não tinha mais notícia do veículo.

 

Segundo a defesa do serralheiro, tudo o que foi possível fazer para tirá-lo do presídio foi feito. No entanto, as iniciativas não vingam. “Já mandamos tudo o que foi preciso. A empresa onde ele trabalha já enviou carta manifestando a responsabilidade penal do empregado”, disse o advogado Jullivan Ferrari de Lima.

 

O defensor acrescentou que o promotor que apresentou a denúncia já voltou atrás e pediu a revogação da prisão preventiva. Lima disse ainda que, quando o juiz deu prazo de 15 dias para ele refazer o processo, respondeu no mesmo dia. Mesmo assim, o processo não andou e Reginaldo Nascimento permanece preso.