Pernambuco registra 1.828 mortes no trânsito em 2024 e tem um dos maiores aumentos do país

O aumento do número de motocicletas e desafios na fiscalização estão entre os fatores apontados para o crescimento das mortes no trânsito em Pernambuco

Pernambuco registrou 1.828 mortes em sinistros de transporte terrestre em 2024, segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa um aumento de 12% em relação a 2023, quando foram contabilizadas 1.632 vítimas fatais.

O levantamento aponta que Pernambuco está entre os estados brasileiros com os maiores crescimentos no número de mortes no trânsito no último ano. O resultado também representa o maior registro desde 2021 e reforça uma tendência de alta observada nos últimos anos.

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram nesta terça-feira (26) o Atlas da Violência 2026, estudo que revela um cenário preocupante para a segurança pública na Bahia. Segundo o levantamento, seis das dez cidades mais violentas do Brasil estão no estado baiano.

O estudo, baseado em dados de 2024, aponta que o Brasil registrou 42.590 homicídios no período, com taxa nacional de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Na Bahia, municípios aparecem com índices muito superiores à média nacional.

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Editorial – A negligência no trânsito custa vidas e exige respostas urgentes

É estarrecedor constatar que, num país onde morrem milhares de pessoas todos os anos em sinistros viários — lembrando que, pela lei, nem se fala mais em “acidentes”, pois são tragédias previsíveis e evitáveis — o Brasil trate com tamanho descaso o investimento em segurança no trânsito. Como se já não fosse suficiente termos políticas públicas que privilegiam o transporte individual, incentivando cada vez mais o uso do carro em detrimento do transporte coletivo e dos modos ativos como caminhar e pedalar, ainda assistimos ao total descumprimento das obrigações legais quanto à destinação dos recursos para salvar vidas nas ruas e estradas.

Os números divulgados pelo Atlas da Violência 2025, que pela primeira vez dedicou um capítulo exclusivo à violência nos transportes, somados aos estudos minuciosos da Confederação Nacional do Transporte (CNT), expõem a dura realidade: o Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset), criado para financiar a sinalização, engenharia de tráfego, fiscalização e educação no trânsito, virou praticamente um cofre para outras finalidades do governo. Em 2024, por exemplo, de R$ 810 milhões arrecadados com multas, míseros R$ 54 milhões foram aplicados de fato em segurança viária. O restante foi contingenciado e colocado no caixa geral da União, longe de onde deveria cumprir seu papel primordial: reduzir mortes e feridos nas vias do país.

Pior ainda é saber que não se trata de um problema pontual. Desde 2005 até 2024, o Funset teve R$ 23,46 bilhões autorizados, mas só 21,8% foram aplicados nas finalidades previstas em lei. Em vez de ir para ações diretas de prevenção de sinistros, a maior parte do dinheiro foi parar em sistemas burocráticos, fortalecimento institucional do Sistema Nacional de Trânsito e publicidade. Enquanto isso, só 11% foram destinados a projetos voltados à redução dos sinistros, e um vergonhoso 2,4% para a educação de trânsito, pilar essencial para formar cidadãos mais conscientes.

Diante desses dados revoltantes, fica o nosso questionamento: até quando as autoridades federais vão tratar a segurança no trânsito como assunto secundário, se não como uma simples fonte de arrecadação? Cadê o compromisso com as famílias brasileiras que todos os dias perdem seus entes queridos em colisões, atropelamentos e outros sinistros que poderiam ser evitados com engenharia, sinalização e campanhas educativas eficazes?

Fica aqui nosso alerta e cobrança. Que o Ministério dos Transportes, o Denatran, o Congresso Nacional e o próprio Tribunal de Contas da União façam o seu trabalho de fiscalização rigorosa e exijam o uso adequado desses recursos. Que se respeite o Código de Trânsito Brasileiro e se destine o que é devido para o Funset, com a devida prioridade na vida das pessoas. O trânsito seguro não é favor, é um direito de todos. E vidas humanas não podem continuar pagando o preço da negligência dos cofres públicos.

Waldiney Passos

Editorial – Atlas da Violência: enquanto Brasil reduz homicídios, Pernambuco registra aumento preocupante

O Atlas da Violência, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trouxe um dado que merece atenção: o Brasil registrou, em 2023, o menor número de homicídios dos últimos 11 anos. Foram 45.747 assassinatos, com uma média de 21,2 mortes por 100 mil habitantes uma queda de 1,4% em comparação com 2022.

Aparentemente, é um dado positivo. Mas quando analisamos os detalhes, surgem alertas importantes. A redução nacional foi puxada por alguns estados que investiram em políticas de segurança baseadas em dados, com foco em inteligência, prevenção e presença efetiva do Estado. Porém, em nove estados brasileiros a taxa de homicídios aumentou, mostrando que a violência não recuou de forma uniforme.

E é aqui que o caso de Pernambuco merece destaque infelizmente, de forma negativa. O estado foi na contramão da tendência nacional, com alta de 8% nos homicídios em 2023. A situação é ainda mais preocupante quando se considera que Pernambuco já vinha enfrentando dificuldades no enfrentamento da criminalidade urbana e rural. A atual gestão estadual demonstra, mais uma vez, fragilidade em combater de forma eficiente a violência que atinge sobretudo as periferias, os jovens e as mulheres.

Outros estados com aumento expressivo foram o Amapá, com alta alarmante de 41,7%, e o Rio de Janeiro, com 13,6%. Também registraram crescimento: Alagoas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O estudo aponta que a redução nacional pode estar relacionada a fatores como o envelhecimento da população, acordos de não-agressão entre facções criminosas em algumas regiões e políticas locais mais eficazes. Mas isso não garante que o país esteja mais seguro no longo prazo. Sem políticas estruturais e de combate às causas profundas da violência como desigualdade, exclusão social, falta de acesso à educação e cultura , a queda pode ser apenas temporária.

Outro dado que precisa ser encarado com seriedade: a violência contra mulheres aumentou. Em pleno século XXI, o número de mulheres assassinadas subiu, em desacordo com o restante do país. O feminicídio segue como uma ferida aberta, que exige resposta imediata do poder público.

Pernambuco precisa de uma reorientação firme na política de segurança. A população quer mais do que estatísticas: quer viver sem medo. Que os números do Atlas sirvam de alerta e não de consolo.

Waldiney Passos

Pernambuco é o quinto Estado do país onde morrem mais jovens

(Foto: Arquivo)

Dos 42.485 homicídios registrados em Pernambuco entre 2006 e 2016, mais de metade (24.181) foi de jovens entre 15 e 29 anos. Os números colocam o Estado em quinto lugar no País no que se refere a assassinatos de jovens e em sexto em termos de homicídios em geral, no Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado nesta terça-feira (5).

Para se ter uma ideia, só a quantidade de mortes de jovens é equivalente ao extermínio das populações de Fernando de Noronha, Ingazeira, Itacuruba, Calumbi e Solidão.

No último ano de análise, foram 47,3 assassinatos por 100 mil habitantes no Estado, bem acima da taxa nacional, de 30,3 por 100 mil, que já é 30 vezes a da Europa. Estão à frente de Pernambuco os estados de Sergipe (64,7), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8) e Amapá (48,7).

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