
O aumento do número de motocicletas e desafios na fiscalização estão entre os fatores apontados para o crescimento das mortes no trânsito em Pernambuco
Pernambuco registrou 1.828 mortes em sinistros de transporte terrestre em 2024, segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa um aumento de 12% em relação a 2023, quando foram contabilizadas 1.632 vítimas fatais.
O levantamento aponta que Pernambuco está entre os estados brasileiros com os maiores crescimentos no número de mortes no trânsito no último ano. O resultado também representa o maior registro desde 2021 e reforça uma tendência de alta observada nos últimos anos.
Entre 2014 e 2019, o estado havia conseguido reduzir significativamente os índices de mortalidade no trânsito, passando de 1.912 mortes para 1.474, uma queda de quase 23%. A partir de então, porém, os números voltaram a crescer gradativamente. Em 2020 foram registradas 1.509 mortes, em 2021 foram 1.496, em 2022 o total chegou a 1.461 e, em 2024, alcançou 1.828 óbitos.
O crescimento acumulado entre 2019 e 2024 foi de 24%, percentual superior ao avanço observado nacionalmente. Em todo o Brasil, as mortes no trânsito passaram de 34.881 em 2023 para 37.150 em 2024, um aumento de 6,5%.
No Nordeste, Pernambuco apresentou crescimento superior ao registrado em estados como Ceará, Maranhão e Paraíba. Apenas Sergipe, Alagoas e Piauí tiveram aumentos percentuais maiores. O estado pernambucano também registrou mais mortes no trânsito do que unidades federativas inteiras, como Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe.
O Atlas da Violência mostra ainda que o Nordeste se tornou a região mais letal do país no trânsito. Em 2024, os nove estados nordestinos somaram 11.885 mortes, superando o Sudeste, que registrou 10.929 vítimas fatais no mesmo período.
Os pesquisadores apontam que o aumento está diretamente relacionado ao crescimento acelerado do uso de motocicletas, principalmente entre trabalhadores de baixa renda e profissionais que atuam em serviços de entrega e transporte por aplicativos.
Segundo o estudo, as motocicletas já representam o principal fator associado à mortalidade no trânsito brasileiro. Em 2024, o país registrou 15.459 mortes envolvendo motociclistas, o maior número da série histórica iniciada em 2014. Em comparação com 2019, quando foram registradas 11.182 mortes desse tipo, o aumento foi de 38%.
A taxa nacional de mortalidade envolvendo motocicletas também cresceu significativamente, passando de 5,4 mortes por 100 mil habitantes em 2019 para 7,3 em 2024.
Os autores do Atlas alertam que a retomada econômica após a pandemia, o aumento expressivo da frota de motocicletas e a deficiência em investimentos em infraestrutura, fiscalização e educação para o trânsito contribuíram para a reversão da tendência de queda observada na década passada.
Com isso, o Brasil voltou a registrar índices de mortalidade no trânsito próximos aos observados há dez anos, reacendendo o alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas à segurança viária.



