
Levantamento reforça viabilidade da ligação entre Salgueiro e o Porto de Suape e projeta retorno econômico de 15,53%
A conclusão do trecho da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, e o Porto de Suape poderá gerar um ganho social estimado em R$ 4,76 bilhões. A projeção faz parte de um novo estudo técnico elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para reforçar a viabilidade socioeconômica do ramal pernambucano.
O levantamento aponta ainda uma taxa de retorno econômico de 15,53%. O cálculo considera benefícios que vão além da movimentação de cargas, como a redução dos custos logísticos, a diminuição de acidentes nas rodovias, a queda nas emissões de gases de efeito estufa, a redução de gastos públicos com a malha rodoviária e o fortalecimento da atividade econômica no Semiárido.
O estudo foi elaborado para subsidiar tecnicamente a manifestação da Sudene junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que cobrou novas análises sobre a relevância econômica, social e ambiental da obra antes da liberação de novos compromissos financeiros para o trecho pernambucano.
A discussão ganhou ainda mais importância porque uma decisão do TCU impediu a contratação da empresa vencedora de uma licitação para retomar as obras em 73 quilômetros da ferrovia, entre Custódia e Arcoverde. O processo deverá voltar a ser analisado pelo tribunal no próximo dia 15.
Os números apresentados pela Sudene também indicam que a ferrovia poderá movimentar entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas de cargas por ano. Além de grãos e produtos destinados à exportação, o trecho terá potencial para transportar gesso, combustíveis, fertilizantes, calcário, materiais para a construção civil, produtos siderúrgicos e contêineres.
A expectativa é de que a operação nos dois sentidos reduza o risco de ociosidade. Enquanto parte das cargas seguirá do interior para o Porto de Suape, combustíveis, fertilizantes importados e outros produtos poderão fazer o caminho inverso, atendendo cidades do interior. O estudo estima impactos positivos para mais de 400 municípios.
O levantamento também prevê reflexos importantes na geração de emprego e renda. A estimativa é de aproximadamente 13 mil postos de trabalho durante a implantação do empreendimento e cerca de 9,6 mil empregos quando a ferrovia estiver em operação. A expansão da atividade econômica poderá ainda injetar cerca de R$ 416 milhões por ano na massa salarial de Pernambuco.
Para a Sudene, os novos dados mostram que a importância da Transnordestina vai além do transporte de commodities. A ligação ferroviária com Suape poderá integrar o interior do Nordeste a um dos principais complexos portuários do país, reduzir custos, ampliar a competitividade das empresas e criar novas possibilidades para as cadeias produtivas regionais.
O estudo passa a ser um novo argumento em defesa da retomada e conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina, uma obra considerada estratégica para a logística e o desenvolvimento econômico de Pernambuco e de outros estados do Nordeste.



