Fechamento do Estreito de Ormuz impacta na movimentação do Porto do Recife

O fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra dos Estados Unidos contra o Irã já afeta a movimentação do Porto do Recife nos primeiros meses deste ano. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o novo presidente do Porto do Recife, Wagner Maciel, afirmou que o atracadouro já atua para reduzir os impactos.

O gestor revelou ainda que, até o momento, foi registrada uma redução da movimentação de cargas nos meses iniciais de 2026. As cargas de fertilizantes estão entre as mais afetadas, impactadas pela alta do preço da ureia em cerca de 60% no Brasil, uma das principais matérias-primas desses produtos. Outra carga afetada é a de açúcar, reflexo da redução do preço internacional do produto.

Ações para conter impactos – Caso o fluxo do faturamento de R$ 16 milhões registrado nos primeiros quatro meses se mantenha em 2026, a expectativa é de que a receita total do ano fique entre os R$ 48 milhões alcançados em 2024 e os R$ 56 milhões de 2025. Apesar desses desafios, o Porto do Recife trabalha para reduzir os impactos com ações e investimentos acontecendo como a construção de terminal de malte de cevada pela empresa Liquiport, a dragagem para receber navios com cargas maiores e a pavimentação do atracadouro para aumentar a segurança na infraestrutura portuária.

Museu do Porto do Recife – Prevista para ocorrer entre os dias 18 a 24 de maio, a inauguração do Museu do Porto do Recife também deve marcar assinaturas importantes. Além da abertura do Museu, a ideia é fazer em um único evento a assinatura do termo de compromisso da dragagem com o Ministério dos Portos e Aeroportos, por meio de investimentos de R$ 100 milhões do governo federal; e o anúncio de aproximadamente R$ 16 milhões de recursos do PAC para a renovação das 97 defesas do Porto. As defesas são estruturas de borracha que ficam nos berços de atracação que protegem os navios quando eles atracam. Além da assinatura do aditivo da prorrogação por mais 25 anos do convênio de delegação do Porto do Recife ao estado firmado com a União.

Dragagem aumenta atração – A dragagem aumenta a atração de navios maiores e com maior potencial de carga para o Porto do Recife e isso vai aumentar a potência de cargas. A partir dela, será possível elevar o calado do Porto do Recife para 12 metros, saindo dos 10,5 metros atuais. Com isso, o Porto vai poder receber navios maiores, por exemplo, de açúcar, de malte e cevada. Além de trazer mais trigo, a gente pode também receber transformadores para o setor de energia.

Movimentação portuária – O Porto do Recife movimentou, no ano passado, cerca de 1,6 milhão de toneladas. Desse total, 1 milhão de toneladas foram de importação e 600 mil toneladas de exportação. A maior parte dessas cargas a gente chama navegação a longo curso para a Europa, África e América do Norte. Entre as principais cargas, a gente pode destacar a grande movimentação do açúcar. Temos no Porto do Recife o Terminal do Sindaçúcar (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool) que se destaca. Boa parte do açúcar a granel vem principalmente das usinas da Mata Norte e eventualmente até de usinas da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Outro produto de destaque aqui é o da Barrilha, produto químico muito utilizado na indústria de vidros, além do malte de cevada, que atende o nosso polo cervejeiro e indústrias de cervejaria da Paraíba até o Rio Grande do Norte.

Investimentos no atracadouro – A empresa Liquid Port, que em 2024 arrematou uma área do Porto do Recife em leilão para a construção de um terminal de malte de cevada, deve aumentar a movimentação de cargas de 200 mil para 700 mil toneladas. A previsão é de que a construção do equipamento, com valor estimado em R$ 50 milhões, comece em junho deste ano e inicie a operação no final deste ano.

Diario de Pernambuco

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz em resposta ao bloqueio de seus portos

O Irã anunciou neste sábado (18) que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, poucas horas após a reabertura da via, em resposta à decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio aos seus portos. A reabertura, na sexta-feira, da passagem marítima crucial para o transporte mundial de petróleo foi bem recebida nas Bolsas e gerou otimismo em Washington, onde o presidente Donald Trump declarou à AFP que um acordo de paz mais amplo entre Estados Unidos e Irã estava “muito próximo”.

A República Islâmica havia “aceitado de boa-fé autorizar a passagem de um número limitado de petroleiros e navios comerciais” pelo estreito, mas os americanos “continuam com  atos de pirataria amparados no chamado bloqueio”, denunciou neste sábado o comando central das Forças Armadas iranianas. Por este motivo, acrescenta um comunicado militar, a situação voltou “ao estado anterior e a passagem estratégica fica agora sob o controle rigoroso” do Irã.

O anúncio aconteceu no momento em que diversas peças diplomáticas se movimentam para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio, com um acordo que vá além do cessar-fogo de duas semanas que entrou em vigor em 8 de abril entre Irã e Estados Unidos. Na manhã de sábado, o site MarineTraffic mostrava uma tímida retomada do tráfego comercial em Ormuz: pouco mais de 10 navios circulavam na região, incluindo petroleiros, mas por volta das 9h00 GMT (6h00 de Brasília) pelo menos dois pareciam dar meia-volta.

Um cruzeiro, o Celestyal Discovery, atravessou a via sem passageiros para um deslocamento entre Dubai e Mascate, algo inédito desde o início da guerra em 28 de fevereiro, segundo a mesma fonte. Antes da guerra, quase 120 navios atravessavam diariamente o estreito, segundo a publicação especializada Lloyd’s List.

– 21 navios bloqueados –
Após o anúncio iraniano da reabertura do estreito, o presidente Donald Trump afirmou que o bloqueio americano aos portos iranianos prosseguiria “totalmente em vigor” até o fim das negociações, e que “continuaria” se um acordo não for alcançado. “Desde o início do bloqueio, 21 navios acataram as ordens das forças americanas de dar meia-volta e retornar ao Irã”, anunciou neste sábado o Comando Central dos Estados Unidos.

No Irã, o jornal conservador Kayhan expressou hostilidade ao processo de distensão, ao considerar que abrir o estreito “antes de receber indenizações e da suspensão total das sanções (…) dá ao inimigo pérfido a possibilidade de recuperar forças em plena batalha”. A retomada do tráfego no estreito provocou uma alta nas Bolsas e uma queda expressiva nos preços do petróleo, já que 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito mundiais passava por Ormuz antes do conflito.

– Paquistão movimenta suas peças –
Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava “muito próximo” e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, um ponto crucial das negociações. O Irã, no entanto, negou ter aceitado a transferência das reservas de urânio enriquecido.  O comandante do Exército e o primeiro-ministro do Paquistão anunciaram neste sábado a conclusão de visitas diplomáticas de alto nível no âmbito dos esforços de paz.

O marechal Asim Munir, comandante do Estado-Maior do Exército paquistanês, concluiu uma visita de três dias ao Irã, onde se reuniu com autoridades. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif anunciou o fim de uma viagem que teve escalas na Arábia Saudita, Catar e Turquia.

– Líbano busca “acordo permanente” –
No Líbano, a outra frente de batalha da guerra, muitos deslocados retornaram para suas casas, no sul do país ou na periferia sul de Beirute. A trégua entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah começou na sexta-feira à meia-noite (18h00 de Brasília na quinta-feira), após um mês e meio de conflito que deixou quase 2.300 mortos no lado libanês, além de um milhão de deslocados.

O Exército israelense mantém a presença no Líbano em uma faixa de 10 quilômetros de profundidade a partir da fronteira. Trump afirmou que o governo americano “proibiu” Israel de bombardear o Líbano. “Israel não bombardeará mais o Líbano. Os Estados Unidos PROIBIRAM de fazer isso. JÁ BASTA!”, escreveu na rede Truth Social.

O Líbano trabalha agora em “um acordo permanente” com Israel, segundo seu presidente, Joseph Aoun, que prometeu “salvaguardar os direitos” de seu país e “não ceder nenhum pedaço do território nacional” nas negociações. Para Aoun, a trégua é “uma fase de transição (…) para trabalhar em um acordo permanente que proteja os direitos do nosso povo, a unidade do nosso país e a soberania da nossa nação”. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, destacou que a ofensiva contra o Hezbollah não terminou.

“Ainda há coisas que planejamos fazer a respeito das ameaças representadas pelos foguetes e drones” do movimento libanês, disse Netanyahu.

AFP

“Não estão lá por nós”, Trump questiona Otan por Estreito de Ormuz

\O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou nesta sexta-feira (27) sua decepção com os aliados da Otan por não enviarem apoio militar para garantir a segurança do Estreito de Ormuz durante a guerra no Oriente Médio.

“Eles não estiveram lá por nós”, disse Trump em um evento econômico em Miami. “Gastamos centenas de bilhões de dólares por ano na Otan, centenas, protegendo-os, e sempre estaríamos lá por eles, mas agora, por causa de suas ações, suponho que já não temos por que estarmos lá, não é?”

“Por que estaríamos lá para eles se eles não estão lá por nós? Eles não estiveram lá por nós”, insistiu Trump sobre seus aliados europeus, com os quais protagonizou fortes embates desde que retornou à Casa Branca em 2025.

AFP