
Custos por hectare aumentam em diversas culturas
A alta no preço do diesel, intensificada desde o início do conflito no Oriente Médio, já provocou um impacto estimado em R$ 7,2 bilhões para o agronegócio brasileiro. Os dados são de um levantamento da Farsul.
Segundo o estudo, o litro do diesel saiu de R$ 6,13, no fim de fevereiro, para R$ 7,55 em abril, representando um aumento acumulado de 23%. A cada elevação de R$ 0,25 no preço do combustível, o impacto nos custos do setor chega a aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
O aumento afeta diretamente o custo das operações agrícolas, principalmente nas atividades mecanizadas. A cultura da cana-de-açúcar foi a mais impactada, com aumento de R$ 355 por hectare. Outras culturas também sofreram elevação nos custos, como arroz, algodão, milho (1ª e 2ª safra), trigo e soja.
Em termos totais, os setores mais prejudicados foram o de cana-de-açúcar, com impacto de R$ 3,39 bilhões, e o de soja, com R$ 2,06 bilhões. O milho também registrou perdas significativas, tanto na primeira quanto na segunda safra.
Além dos efeitos diretos na produção, o aumento do diesel também contribuiu para a inflação. Em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88%, enquanto os alimentos subiram 1,56%.
O estudo aponta ainda que, caso o modelo de preço baseado na paridade de importação tivesse sido mantido, o impacto poderia ser ainda maior, chegando a R$ 11,2 bilhões, com o litro do diesel R$ 2,22 mais caro.
Diante desse cenário, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que busca reduzir os efeitos da alta dos combustíveis por meio de medidas fiscais. A proposta prevê mecanismos para amenizar os custos energéticos, preservando benefícios para os biocombustíveis.
O avanço do projeto ainda não tem data definida para votação, mas é acompanhado com expectativa pelo setor produtivo, que segue pressionado pelo aumento dos custos.



