Avicultura fortalece agricultura familiar e gera renda para milhares de famílias na Bahia

A avicultura tem transformado a vida de muitas famílias na Bahia, se consolidando como uma atividade essencial para gerar renda e fortalecer o campo. Já são cerca de 8 mil empreendimentos da agricultura familiar, fomentados pelo Governo do Estado, que beneficiam diretamente 10.244 famílias com galinheiros, kits produtivos, entrepostos de ovos, assistência técnica e equipamentos que qualificam a produção.

São estruturas como a da comunidade de Cacimba do Silva, em Juazeiro, que em julho recebeu um entreposto de ovos entregue pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). A unidade já beneficia 113 famílias, com mais de 100 mil ovos vendidos por mês. Destes, 3.600 passam diariamente pela classificadora, que abastece a comunidade e municípios vizinhos.

“Depois da construção do entreposto, conseguimos acessar outros mercados e garantir mais segurança para a venda dos nossos produtos. Hoje, produzimos quase 4 mil ovos por dia e estamos crescendo passo a passo, ganhando espaço no mercado com a nossa marca Caipira do Silva”, afirmou Marcirivan Passos, produtor rural e integrante da Cooperativa dos Empreendedores Rurais de Cacimba do Silva e Região (Coopercar).

O avanço também se apoia na certificação do Selo de Inspeção Municipal (SIM), que garante fiscalização sanitária e industrial de produtos de origem animal, assegurando qualidade e segurança para o consumidor. Assim como em Juazeiro, a Granja Ovos Caipira do Rancho, localizada em Santanópolis,  também conquistou o SIM, abrindo as portas da produção familiar do agricultor Gilson Carneiro para novos mercados. A certificação da granja aconteceu na última terça-feira (26). A unidade conta com 6 mil aves, quatro galpões e uma produção mensal de mais de 133 mil ovos, gerando oito empregos diretos e beneficiando 30 famílias.

Para Gilson, a conquista representa um avanço para sua família e para o município. “Eu sei que essa Granja para o Mucambo e para Santanópolis tem uma importância. Quero que outros venham para cá, que possam fazer esse trabalho e gerar emprego para a população. Não encaramos isso como concorrência, mas como crescimento do município. Hoje, com o selo, abrimos um leque de oportunidades. O crescimento vem da geração de emprego, da produção, de tudo isso”, declarou.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, ressaltou que “com infraestrutura e organização, os agricultores familiares conseguem acessar mercados, conquistar novos consumidores e agregar valor ao que produzem. O entreposto de Cacimba do Silva e a Granja Ovos Caipira do Rancho mostram como investir na avicultura é investir em desenvolvimento e em oportunidades reais para as famílias do campo.”

No Dia da Avicultura, celebrado nesta quinta-feira (28), histórias como as de Marcirivan e Gilson reforçam como o sistema produtivo é uma aliado da agricultura familiar, gerando emprego, renda e novas perspectivas de crescimento para milhares de famílias em todo o Estado.

Ascom

Avicultura em Pernambuco se reinventa para manter competitividade

Alvo de críticas e elogios nas redes sociais, o popular carro do ovo, que passa nas ruas das cidades acordando moradores, é um dos últimos elementos envolvidos no mercado da avicultura, uma das principais molas do agronegócio. Longe do burburinho e olhares da internet, o desafio dos produtores pernambucanos deste segmento, em 2023, é manter a capacidade competitiva e permanecer imune à crise sanitária internacional de Influenza Aviária. Segundo o Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção (VBP) projetado para o Estado, somando exclusivamente aves e ovos, é de R$ 2,12 bilhões. Os números foram divulgados em março.

Em 1º lugar no Nordeste

No total do VBP – faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, considerando a média de preços recebidos pelos produtores – existe uma estimativa de R$ 70 milhões a menos em 2023, comparado a 2022, um resultado que pode impactar o Produto Interno Bruto (PIB). Mas a produção de ovos se mantém em primeiro lugar no Nordeste e a de aves chega ao segundo no ranking da região, atrás apenas da Bahia.

De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Pernambuco exporta carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas para países como África do Sul, Arábia Saudita e Antiga e Barbuda, este último pouco conhecido pelos pernambucanos e localizado perto do mar do Caribe.

Exportações via Suape

O Estado pernambucano também envia para fora do Brasil, principalmente por meio do Porto de Suape, ovos de aves e gemas de ovos, sejam frescos, desidratados ou preservados, tudo na temperatura exigida pelos compradores internacionais. Porém, o montante exportado ainda não é contabilizado pelas associações e entidades ligadas à avicultura.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Avicultura de Pernambuco e Assessor Institucional da Associação Avícola de Pernambuco, Eduardo Valença, a produção local é distribuída para oito dos nove estados nordestinos, excetuando o Ceará, que é autosuficiente.

O município em destaque na produção de ovos no Estado é São Bento do Una, localizado a 215 quilômetros do Recife. Com uma população de 60,5 mil habitantes, São Bento do Una está na 4ª colocação de produção de ovos no País, sendo conhecida como a Capital do Ovo. Somente lá, criou-se uma cooperativa de produtores rurais pioneira (a COOPAVE), onde se produz 120 mil ovos por dia. Além desta cidade, as seguintes em colocação estadual são Caruaru, Carpina e Nazaré da Mata. O clima no Agreste e Zona da Mata Norte são propícios para criação de aves.

Pernambuco se destaca

Após o final de 2022, o ovo teve uma valorização do preço final, minimizando os prejuízos que os produtores tiveram por quase de mais de dois anos, onde várias granjas fecharam porque não conseguiam seguir produzindo devido aos altos custos de produção (como materiais para alimento das aves). Geramos mais de 150 mil empregos diretos e indiretos no Estado ao ano”, observou Eduardo Valença.
O que faz Pernambuco se destacar na avicultura é o investimento em tecnologia e aprimoramento do sistema de produção. “Temos diferencial na produção de frangos e em plantas de frigoríficos que exportam cortes para vários países. O Estado saiu na frente na produção de aves e ovos há mais de 70 anos. Outro fator que coopera é o clima, perfeito para a produção de aves no Estado”, disse Valença.

Quase duas mil coletas

Diretora presidente da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro), Raquel Miranda disse que o Estado não está alheio às preocupações a respeito da gripe aviária. Mas, de acordo com ela, não houve qualquer contaminação das aves de Pernambuco, que vêm sendo monitoradas.

“A Adagro está atendendo ao plano de vigilância do Ministério da Agricultura. Fizemos 1.875 coletas em 79 granjas industriais, enviamos para análise de sorologia um laboratório em São Paulo e todas as coletas deram negativas”, disse, dando mais uma esperança para o setor.

Folha PE