Assassino confesso de Marielle é transferido de Tremembé para Papuda

Ronnie Lessa, que confessou o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi transferido da Penitenciária I de Tremembé (SP) para a Penitenciária IV do Distrito Federal, em Brasília, na manhã deste sábado, 22.

A transferência foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP). Em nota, o órgão informou que Lessa foi entregue à Polícia Federal no aeroporto de São José dos Campos, por volta das 11h, para ser levado à capital federal. O procedimento cumpre determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Histórico de prisão
Detido desde 2019, Lessa passou a maior parte desse período no sistema penitenciário federal, destinado a criminosos de alta periculosidade e lideranças de facções. Nessas unidades, os presos permanecem isolados e sob rígido controle de segurança.

Em 2023, após passagens por presídios federais em Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e Campo Grande (MS), ele firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Em troca de redução de pena, o ex-policial aceitou detalhar a execução do crime, o planejamento e indicar quem seriam os mandantes do assassinato.

Em 31 de outubro, o 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Ronnie Lessa a 78 anos e 9 meses de prisão, e o ex-PM Élcio Queiroz, também envolvido no atentado, a 59 anos e 8 meses.

A Tarde

Bolsonaro faz exigência a Moraes perto de ida à Papuda

Antes de ser preso preventivamente na manhã deste sábado (22) e levado à Polícia Federal em Brasília, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, prevendo a transferência para o Complexo da Papuda, em Brasília, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para permanecer em prisão domiciliar humanitária, em vez de cumprir a pena de 27 anos e três meses em regime fechado pela condenação na trama golpista.

O pedido foi protocolado nesta sexta-feira, 21, e sustenta que Bolsonaro apresenta um quadro clínico grave, com múltiplas comorbidades e risco concreto à própria vida caso seja levado ao sistema prisional.Defesa cita doenças e histórico médico delicado

Segundo os advogados, Bolsonaro:
– É portador de hipertensão, apneia do sono e doença aterosclerótica;
– Tem histórico de pneumonias aspirativas;
– Sofre sequelas do atentado de 2018, incluindo complicações abdominais e soluços incoercíveis;
– Foi diagnosticado em 2025 com câncer de pele;
– Já precisou ser hospitalizado três vezes desde o início da prisão domiciliar.

A defesa afirma que ele pode necessitar de atendimento emergencial a qualquer momento e anexou relatórios médicos ao pedido. Relatório aponta que Papuda não teria estrutura adequada. Os advogados também mencionam um relatório recente da Defensoria Pública do DF, que aponta precariedade no setor destinado a presos idosos na Penitenciária da Papuda. De acordo com o documento, as instalações não estariam aptas a atender detentos com comorbidades graves.

Precedentes do STF reforçam pedido – A defesa lembra que o próprio Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária ao ex-senador Fernando Collor, em maio, após condenação definitiva, e cita decisões semelhantes do STF como base jurídica para a solicitação.

O que Bolsonaro pede ao Supremo
– O requerimento solicita:
– Prisão domiciliar humanitária em substituição ao regime fechado
– Uso de tornozeleira eletrônica
– Autorização para deslocamentos exclusivos para tratamento médico, mediante comunicação prévia ou justificativa em até 48 horas em caso de urgência

O documento conclui que apenas a prisão domiciliar seria compatível com a dignidade humana diante do “risco real à integridade física e à vida” do ex-presidente.

A Tarde