Pfizer fecha acordo para adquirir desenvolvedora de medicamentos para obesidade

A gigante farmacêutica americana Pfizer assinou um acordo para adquirir a desenvolvedora de medicamentos para obesidade em estágio de desenvolvimento Metsera Inc., vencendo uma guerra de lances contra a Novo Nordisk, a farmacêutica dinamarquesa por trás dos tratamentos para perda de peso Ozempic e Wegovy.

A Metsera, com sede em Nova York, não tem produtos no mercado, mas está desenvolvendo tratamentos orais e injetáveis. Isso inclui alguns tratamentos potenciais que podem visar campos lucrativos para obesidade e diabetes. O acordo ocorre enquanto a Pfizer tenta desenvolver sua própria participação nesse mercado, vários meses após encerrar o desenvolvimento de um potencial tratamento em pílula para obesidade.

Em um comunicado emitido na sexta-feira (7), a Metsera disse que a Pfizer adquirirá a empresa por até US$86,25 por ação, consistindo em US$65,60 por ação em dinheiro e um direito de valor contingente que dá aos detentores pagamentos adicionais de até US$20,65 por ação em dinheiro. A Metsera citou riscos antitruste nos EUA na oferta da Novo, dizendo em seu comunicado que o conselho determinou que os termos revisados da Pfizer representam “a melhor transação para os acionistas, tanto do ponto de vista do valor quanto da certeza de fechamento.”

O acordo ocorre três dias após a Novo Nordisk aumentar as apostas em sua tentativa de superar a Pfizer, dizendo na terça-feira que ofereceria pagar até US$10 bilhões pela Metsera. Isso foi mais alto do que sua oferta anterior de até US$9 bilhões, que gerou um processo da Pfizer.

A Pfizer também havia alterado a oferta que fez em setembro de quase US$4,9 bilhões para fornecer mais dinheiro adiantado, disse a Metsera. A Pfizer, com sede em Nova York, disse em um e-mail que estava satisfeita com os termos do acordo e espera concluir a transação logo após a reunião dos acionistas da Metsera em 13 de novembro. A Novo Nordisk disse no sábado que não aumentaria sua oferta e deixaria a corrida para adquirir a Metsera.

O acordo proposto pela Novo envolvia pagar US$62,20 em dinheiro por cada ação da Metsera, acima de sua oferta anterior de US$56 50. A farmacêutica dinamarquesa planejava adicionar um pagamento de direito de valor contingente de US$24, outra melhoria em relação à sua oferta anterior, se certos marcos de desenvolvimento e regulamentação fossem alcançados.

Diario de Pernambuco

Brasil inaugura fábrica de medicamentos para diabetes e obesidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, participaram nesta sexta-feira (23) da inauguração de fábrica de polipeptídeo sintético, em Hortolândia (SP), voltada para a produção de medicamentos para diabetes e obesidade.

Em nota, o ministério informou que a fábrica vai produzir a liraglutida sintética, “produto inovador que foi submetido para registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está na fila prioritária para avaliação”.

Operada pela farmacêutica EMS, a fábrica também deve produzir a semaglutida, insumo do medicamento Ozempic, cuja patente vigora até março de 2026 e cujo pedido de registro já foi submetido à Anvisa. “Com um investimento de R$ 60 milhões, o espaço representa um marco histórico, pois é considerado o primeiro do tipo no país e faz parte das iniciativas do governo federal relacionadas ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde”, avaliou o ministério, em nota.

Durante a inauguração, Nísia destacou benefícios para pacientes com diabetes. “É o primeiro medicamento produzido no país para tratamento de diabetes e obesidade, de forma inovadora, utilizando peptídeos, a liraglutida e também a semaglutida”. “É motivo de muito orgulho e de muita expectativa”, disse.

“A produção de polipetídeos sintéticos vai reduzir os efeitos colaterais para pacientes e também o custo, além de garantir avanço na autonomia do nosso país”, completou. Em sua fala, a ministra citou a importância de “esforços conjugados” e avaliou a inauguração da nova fábrica como “o encontro da competência e da qualidade do setor privado com as políticas públicas do governo federal”.

Durante a cerimônia, Lula avaliou o momento como “auspicioso” para a saúde no Brasil. “Muito me alegra voltar a esse complexo industrial 17 anos depois da primeira visita”, disse, ao citar o poder de compra do Estado como “fator muito importante para o desenvolvimento da indústria nacional”.

“Estamos convencidos de que o poder de compra do SUS vai permitir que a gente tenha uma indústria farmacêutica capaz de competir com qualquer uma do mundo. O Brasil cansou de ser pequeno, de ser um país em vias de desenvolvimento, de dizer que somos o país do futuro. Não.Queremos ser grandes. Pra nós, o futuro não é amanhã, começa agora. E essa fábrica é o exemplo de que o futuro já chegou na área da saúde.”

Entenda
A inauguração da fábrica atende às diretrizes da estratégia nacional para o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, lançada em setembro de 2023 e com previsão de investimento de R$ 57,4 bilhões do setor público e da iniciativa privada até 2026.

A proposta é expandir a produção nacional de itens classificados como prioritários para o Sistema Único de Saúde (SUS), além de reduzir a dependência do Brasil no que diz respeito a insumos, medicamentos, vacinas e outros produtos estrangeiros.

Na matriz de desafios produtivos e tecnológicos em saúde, o diabetes, segundo o ministério, foi identificado como prioridade, tornando a inovação e o desenvolvimento tecnológico de plataformas e produtos relacionados a essa condição relevantes no âmbito do complexo.

Agência Brasil