Lula tem 12 governadores e Flávio conta com maior colégio eleitoral

O tabuleiro para a sucessão presidencial de 2026 já apresenta contornos nítidos. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolida uma base numérica superior de governadores; do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta no peso demográfico dos grandes centros. O mapeamento atual, realizado pelo Poder360, revela que a disputa pelo apoio dos chefes dos Executivos estaduais vai ser decidida entre a capilaridade regional e o volume de votos.

Mapa das alianças – Até o momento, Lula conta com o suporte formal de 12 governadores, concentrados majoritariamente em redutos históricos da esquerda no Nordeste e Norte (Bahia, Ceará, Maranhão, Pará e Pernambuco), além do Espírito Santo. Juntos, esses estados somam 53 milhões de eleitores. No campo oposto, Flávio Bolsonaro já garantiu palanques em 5 estados fundamentais: Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Este último, sob o comando de Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o “bilhete premiado” da eleição.

Apesar de ter menos governadores ao lado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro comanda o apoio de 57,3 milhões de eleitores, superando a base lulista em números absolutos de votos potenciais.

Projeções – A tendência para um eventual segundo turno aponta para uma ampliação do arco conservador. Enquanto Lula deve manter os 12 aliados, Flávio tem potencial para atrair mais 8 estados que hoje flertam com o bolsonarismo, mas ainda não formalizaram posição, como Minas Gerais, Goiás e Paraná. Se confirmado, o senador chegaria a 13 governadores contra os 12 do petista.

No centro dessa disputa, dois nomes permanecem como incógnitas: Eduardo Leite (PSDB-RS): Ainda mantém o pé no freio enquanto avalia sua própria viabilidade como candidato à Presidência; Gladson Cameli (PP-AC): Opta pelo silêncio nacional para focar em processos judiciais que enfrenta no estado.

A sombra de Tarcísio – A aliança entre Flávio e Tarcísio de Freitas é estratégica, mas carrega uma nuance: o governador de São Paulo ainda é ventilado como um possível substituto ou cabeça de chapa no campo conservador. Por ora, ele atua como o principal cabo eleitoral de Flávio, garantindo ao senador a estrutura do maior colégio eleitoral do país.

A Tarde

Portugal realiza eleições presidenciais com opções para a extrema direita

Portugal realiza, neste domingo (18), eleições presidenciais, nas quais a extrema direita, principal força da oposição no país, busca colocar seu candidato no segundo turno. As seções eleitorais abriram às 08h locais (05h de Brasília) para 11 milhões de eleitores. Pesquisas de boca de urna serão conhecidas a partir das 20h locais (17h em Brasília).

Segundo as últimas pesquisas de opinião, André Ventura, presidente do partido de extrema direita Chega, poderia liderar a votação, embora este deputado de 42 anos tenha poucas chances de vencer o segundo turno, em 8 de fevereiro. O presidente português não tem poderes executivos, mas pode ser chamado a desempenhar um papel de árbitro em caso de crise, pois tem o direito de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas.

Após semanas de uma campanha com desfecho incerto, o candidato socialista António José Seguro parece ter uma pequena vantagem nas pesquisas frente ao eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo para assumir a segunda posição. Um total de 11 candidatos, um número recorde, disputam o cargo de chefe de Estado. O vencedor substituirá o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, eleito duas vezes em primeiro turno.

Ventura disputou as eleições presidenciais de 2021, quando obteve 11,9% dos votos e terminou na terceira posição. Desde então, seu partido não parou de crescer, até alcançar 22,8% dos votos e 60 deputados nas legislativas de maio passado, superando o Partido Socialista como principal força da oposição ao governo do conservador Luis Montenegro.

“Candidato do povo”

“Um novo resultado sólido para a extrema direita confirmaria seu domínio no cenário político” e abriria um novo capítulo na “batalha em marcha dentro da direita, entre a centro-direita tradicional e a extrema direita emergente”, informou, em nota, a consultoria Teneo. Ventura encerrou a campanha pedindo para os outros partidos de direita não “pôr obstáculos” a um eventual segundo turno com o candidato socialista.

Mas em seu último comício, na sexta-feira, este autoproclamado “candidato do povo” voltou a elevar o tom, ao se negar a tentar “agradar todo mundo” e prometer “pôr ordem” no país. “Espero que passe, e não só no primeiro turno. No segundo também”, disse Isabel Peixoto, uma simpatizante. “Os outros candidatos pertencem a partidos que já estiveram no poder, e aí está o resultado. É sempre o mesmo”, acrescentou esta desempregada de 62 anos.

Seguro, o candidato socialista de 63 anos, jogou a cartada do candidato integrador e moderado, defensor da democracia e dos serviços públicos. “Chamo todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a concentrarem seus votos na nossa candidatura”, declarou no último dia de campanha. “Precisamos de um presidente que melhore este país porque a saúde, a educação, tudo tem que ser reconstruído”, disse Sofia Taleigo, uma vendedora de frutas de 55 anos em um mercado do sul de Lisboa.

AFP