
Imunizante, que já integra estratégia piloto do SUS, será formulado e envasado no Brasil, reduzindo custos de aquisição.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4), o Instituto Butantan a fabricar em território nacional a vacina contra a chikungunya, denominada Butantan-Chik. Com a decisão, o instituto passa a ser oficialmente um centro de fabricação do imunizante, o que viabiliza sua oferta em larga escala pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina é indicada para adultos entre 18 e 59 anos residentes em áreas de exposição ao vírus. Embora o registro da Anvisa tenha sido concedido em abril de 2025, a produção estava anteriormente restrita às unidades da farmacêutica franco-austríaca Valneva. Agora, as etapas de formulação e envase ocorrerão no Brasil, mantendo os mesmos padrões de segurança e eficácia.
Impacto Econômico e Saúde Pública
Segundo o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, a nacionalização da produção é estratégica para a sustentabilidade da rede pública. “Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Butantan poderá entregar a vacina com um preço mais acessível”, afirmou.
Desde fevereiro de 2026, o Ministério da Saúde conduz uma estratégia piloto de vacinação em municípios com alta incidência da doença. Além do Brasil, o imunizante possui aprovação de agências reguladoras no Canadá, Reino Unido e União Europeia.
Eficácia e Perfil de Segurança
Os estudos clínicos que fundamentaram a aprovação incluíram 4 mil voluntários. Dados publicados na revista científica The Lancet indicam que:
98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes.
Segurança: O perfil de tolerância foi considerado positivo, com efeitos adversos leves ou moderados (cefaléia, mialgia, fadiga e febre).
Panorama da Doença
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Caracteriza-se por febre alta repentina e dores articulares intensas, que podem evoluir para quadros crônicos e incapacitantes por meses ou anos.
Dados epidemiológicos (2025):
Mundo: 500 mil casos registrados (OPAS).
Brasil: 127 mil notificações e 125 óbitos confirmados (Ministério da Saúde).



