
Decisão foi tomada após investigada não ser localizada para instalação de tornozeleira eletrônica
A técnica agrícola Taís Simone Prado Leal, natural de Petrolina, teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por descumprimento de medidas cautelares impostas no processo que apura os atos de 8 de janeiro de 2023.
A decisão foi tomada após a investigada não ser localizada para a instalação da tornozeleira eletrônica determinada pela Corte e deixar de comparecer ao juízo responsável pela fiscalização das medidas cautelares. Segundo a decisão, a Secretaria de Administração Penitenciária de Pernambuco (Seap-PE) realizou diversas tentativas para cumprir a determinação judicial, mas não conseguiu encontrar a investigada.
Taís Simone é investigada por suposta participação na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília (DF), durante os atos de 8 de janeiro de 2023.
Em março de 2024, ela havia firmado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República (PGR), confessando participação no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, onde manifestantes defendiam uma intervenção militar. O acordo, entretanto, foi revogado após a Polícia Federal apresentar novos elementos da investigação.
De acordo com a PGR, as novas provas indicam que a atuação da investigada teria sido mais ampla do que a relatada durante a celebração do acordo. Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal estão dados de geolocalização que posicionariam o celular de Taís na Esplanada dos Ministérios no dia dos ataques, além de vídeos que registrariam sua presença no local.
Os investigadores também afirmam ter identificado mensagens atribuídas à investigada, enviadas antes dos atos, nas quais ela faria referência aos CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) como uma possível “solução” para retirar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva do poder.
Ao decretar a prisão preventiva, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a investigada demonstrou desrespeito às determinações judiciais e apontou risco à aplicação da lei penal.
“A acusada está deliberadamente desrespeitando as medidas cautelares impostas nestes autos, revelando seu completo desprezo por esta Suprema Corte e pelo Poder Judiciário, havendo indícios claros de evasão, em evidente risco à aplicação da lei penal. Assim, não resta alternativa diferente da decretação da prisão preventiva da ré, a qual se encontra em local incerto e não sabido”, escreveu o ministro na decisão.
Até o momento, a defesa de Taís Simone Prado Leal não havia se manifestado sobre a decisão. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.



