Ministros do TSE divergem sobre suspensão de pesquisa eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro

Decisão do presidente do TSE que suspendeu pesquisa da AtlasIntel provocou divergências entre ministros e será analisada pelo plenário da Corte

A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de suspender a divulgação da pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel provocou divergências entre integrantes da própria Corte.

Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, pelo menos dois dos sete ministros do tribunal manifestaram reservas quanto à liminar que interrompeu a divulgação do levantamento, que apontava queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual cenário presidencial.

A suspensão foi determinada após uma representação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que alegou possível indução dos entrevistados em razão da metodologia utilizada pela AtlasIntel. O questionário continha perguntas relacionadas às investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e reproduzia um áudio divulgado durante a coleta de dados.

Na decisão, Kassio Nunes Marques afirmou que existem indícios de comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa e determinou que o instituto apresente documentação técnica complementar para comprovar a regularidade do levantamento. A medida também impede a divulgação, republicação ou impulsionamento dos resultados até nova deliberação do tribunal.

Nos bastidores do TSE, entretanto, ministros avaliam que a intervenção judicial sobre pesquisas eleitorais deve ocorrer apenas em situações excepcionais e demonstradas de forma inequívoca, defendendo que divergências metodológicas sejam analisadas com cautela para preservar a liberdade dos institutos de pesquisa e o direito à informação.

A AtlasIntel informou que respeita a decisão judicial, mas sustenta que o áudio mencionado foi apresentado apenas após a conclusão do questionário principal, em uma etapa separada destinada à avaliação de reações dos participantes, sem influência sobre as respostas referentes à intenção de voto.

O caso deverá ser analisado pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que decidirá se mantém ou revoga a liminar concedida pelo presidente da Corte. A decisão colegiada poderá estabelecer parâmetros importantes sobre a utilização de novas metodologias em pesquisas eleitorais para as eleições de 2026.

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