Editorial – A polêmica da PEC da Blindagem

Devido à complexidade do assunto e às dúvidas que chegam diariamente à redação do nosso blog, resolvemos esclarecer a chamada PEC da Blindagem, que vem sendo bastante comentada nas redes socias.

A Constituição Federal de 1988 já garante aos parlamentares imunidades importantes, como a proteção por opiniões, palavras e votos, além de prever que deputados e senadores só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável, cabendo à própria Casa decidir sobre a manutenção da prisão. Essa proteção está claramente descrita no artigo 53.

O que não existe hoje é qualquer exigência de que o Supremo Tribunal Federal precise de autorização do Congresso para abrir investigações ou processos criminais contra parlamentares. Eles têm foro privilegiado, ou seja, são julgados diretamente no STF, mas a autorização prévia do Legislativo nunca fez parte da nossa Carta Magna.

E é justamente esse o ponto central da PEC da Blindagem: a proposta buscava criar um novo filtro, obrigando que Câmara ou Senado autorizassem previamente a abertura de processos contra seus próprios membros. Uma mudança que, na prática, significaria dar ao Legislativo um poder de blindagem inédito, transformando a imunidade em impunidade.

A confusão é compreensível, já que muitos leitores pensaram que a PEC apenas reforçava algo que já constava na Constituição. Mas não é o caso. Trata-se, sim, de uma tentativa de alterar o equilíbrio entre os Poderes e limitar a atuação da Justiça.

O importante agora é destacar que a proposta foi rejeitada e sepultada no Senado, após votação unânime na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (24/09). O episódio serve de alerta: é preciso estar atento para que mecanismos de proteção legítima aos parlamentares não sejam deturpados em tentativas de criar um manto de impunidade.

Nosso papel é esclarecer: imunidade parlamentar não pode se transformar em sinônimo de impunidade. O cidadão comum precisa confiar que seus representantes são julgados pela mesma lei que atinge qualquer brasileiro. Esse é o verdadeiro espírito da democracia.

Waldiney Passos.

Manifestantes vão às ruas contra PEC da Blindagem e anistia nas 27 capitais

O domingo (21/9) foi marcado por atos contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem, e contra o Projeto de Lei (PL) da Anistia. Convocadas por partidos políticos, movimentos sociais, artistas e influenciadores, as manifestações ocorreram nas 27 capitais brasileiras.

Encaradas como um termômetro político da capacidade de mobilização do campo progressista, as manifestações começaram de manhã em Brasília, Salvador e Belo Horizonte, e ganharam força à tarde com protestos em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. A Avenida Paulista, em São Paulo, e Copacabana, no Rio de Janeiro, registraram mais de 41 mil pessoas – cada uma, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP.

A PEC da Blindagem prevê que parlamentares só possam ser investigados ou presos com a permissão dos pares. Já o PL discute o perdão ou redução de pena para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. A aprovação da PEC da Blindagem ocorreu na terça-feira (16/9) na Câmara dos Deputados. Já o PL da Anistia teve o regime de urgência aprovado na quarta-feira (17/9).

Os votos a favor da blindagem e da anistia foram majoritariamente de partidos do Centrão.