Imóveis do Atacadão são vendidos por R$ 1 bilhão no Brasil; saiba o que muda

O Grupo Carrefour confirmou a venda de 22 imóveis localizados no Brasil por um montante que chega a R$ 975 milhões, de acordo com as demonstrações financeiras publicadas pelo grupo no exterior. Os imóveis vendidos pelo Carrefour abrigam lojas da marca Atacadão. Do total, 15 imóveis foram vendidos para a Guardian, por um valor líquido de R$ 679 milhões. Outros sete imóveis foram vendidos ao fundo de investimento TRX, por R$ 296 milhões.

O Carrefour vai fechar o Atacadão?
Apesar da venda dos imóveis, o Carrefour não vai fechar as 22 unidades do Atacadão presentes nestes imóveis. A ideia da varejista é permanecer como inquilina. Essa operação é chamada de sale and leaseback. O acordo do Carrefour é para contratos de inquilinato a 15 anos de duração, podendo ser estendidos por mais cinco.

O que motivou o Carrefour?
O grupo Carrefour destacou que a operação resultou no reconhecimento de um ganho de capital de cerca de R$ 100 milhões em receita não recorrente no seu balanço de 2025.

Carrefour lidera supermercados no Brasil
O processo faz parte de um reposicionamento do Carrefour, que mantém a liderança no Brasil e teve um faturamento de R$ 120 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Nesse cenário, o Carrefour lidera com folga, apresentando faturamento 50% maior que o segundo colocado, o Assaí Atacadista. O ranking segue com: Grupo Mateus, Supermercados BH e GPA.

Confira o Ranking ABRAS 2025 – As 30 maiores redes supermercadistas do Brasil:
Grupo Carrefour Brasil (R$ 120.594.000.000)
Assaí Atacadista (R$ 80.570.000.000)
Grupo Mateus (R$ 36.385.706.000)
Supermercados BH (R$ 21.278.845.531)
GPA (R$ 20.047.800.000)
Grupo Muffato (R$ 17.433.234.858)
Grupo Pereira (R$ 15.326.536.185)
Mart Minas & Dom Atacadista (R$ 11.432.757.233)
Cencosud Brasil (R$ 11.235.202.790)
Grupo Koch (R$ 10.340.540.000)
Plurix (R$ 9.373.456.010)
Companhia Zaffari (R$ 8.410.000.000)
DMA Distribuidora (R$ 8.302.489.851)
Tenda Atacado (R$ 7.405.907.800)
Costa Atacadão (R$ 7.303.847.334)
Savegnago Supermercados (R$ 6.948.502.052)
Atacadão Dia a Dia (R$ 6.039.333.061)
Sonda Supermercados (R$ 5.870.241.552)
Novo Atacarejo (R$ 5.832.007.330)
Comercial Zaffari (R$ 5.752.584.741)
Grupo Líder (R$ 5.248.083.717)
Atacadão Atakarejo (R$ 5.232.874.797)
Grupo ABC (R$ 4.944.674.000)
Grupo Supernosso (R$ 4.728.101.662)
Grupo Bahamas (R$ 4.321.150.318)
Comercial Zaragoza (R$ 4.158.000.000)
Giassi Supermercados (R$ 4.097.475.545)
Roldão Atacadista (R$ 4.049.890.000)
Supermercados Pague Menos (R$ 3.860.000.000)
Angeloni (R$ 3.817.355.605).

A Tarde

Frigoríficos brasileiros cessam fornecimento ao Carrefour após corte de carne brasileira na França

Após o CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmar que a rede deixaria de comprar carne do Brasil, os maiores frigoríficos brasileiros decidiram suspender o fornecimento de carne ao grupo no país, que também comanda a rede Atacadão.

Segundo fontes, JBS (com a marca Friboi), Marfrig e Masterboi já iniciaram o corte de fornecimento ao grupo entre a última quinta-feira e sexta-feira. Procuradas, as empresas não comentaram.

Em nota conjunta, diversas associações, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entre outras, afirmaram que, se o executivo entende que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês, também “não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país”.

“Reafirmamos o compromisso do setor com a produção responsável, sustentável e com a segurança alimentar”, declararam as entidades. As associações destacaram ainda que o Mercosul é líder mundial em exportação de carne de frango e bovina. “Foram necessárias décadas para que o Mercosul, como um todo, avançasse em sua reputação internacional como produtor de carnes. Com responsabilidade, o setor na região foi o principal fornecedor para todos os mercados durante a pandemia.”

Procurado, o Carrefour no Brasil disse que não há desabastecimento nas lojas do Brasil.

Na noite de sexta-feira, a Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp) também se manifestou em repúdio. Em nota, a entidade convocou “todos os empresários do setor de hotelaria e alimentação fora do lar a se engajarem em uma ação de reciprocidade, boicotando essa rede de supermercados enquanto continuar a desvalorizar os produtos brasileiros”.

Entenda a crise
O impasse é motivado por conta de um possível acordo entre União Europeia e Mercosul, previsto para acontecer até o fim deste ano, o que vem gerando manifestações na França por agricultores. Durante o G20, no Rio, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país “não está isolado” em sua oposição ao estado atual do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja negociação começou em 1999. Empresários europeus temem a concorrência com produtos agrícolas do Brasil e da Argentina, principalmente.

Macron é apontado como o principal obstáculo para o avanço do acordo. Durante o encontro no Rio, a Itália manifestou apoio à posição do presidente francês. No entanto, a Comissão Europeia, com o apoio de vários países importantes do bloco, como Alemanha e Espanha, é favorável ao fechamento do acordo de livre-comércio com o Mercosul antes do fim deste ano.

Se a Comissão Europeia levar o tratado adiante sem o consenso francês, Macron precisará do apoio de outros países para bloquear a aprovação, formando a chamada “minoria de bloqueio”, que exige ao menos quatro dos 27 países da UE, desde que a aprovação fique abaixo de 65% dos integrantes.

Agência O Globo