IBGE: Pernambuco está em 21º lugar em fornecimento de água e 11º em saneamento básico

Com 75,1% dos domicílios atendidos por rede geral de abastecimento, Pernambuco ocupa a 21ª colocação nacional em fornecimento de água e segue entre os estados com maiores fragilidades em saneamento básico. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (22).

O estudo, referente a 2024, revela que o acesso à água tratada ainda não é universal no estado, especialmente nas áreas rurais, onde 39,7% dos lares dependem de fontes alternativas, como rios, açudes e caminhões-pipa. No ranking nacional, Pernambuco aparece atrás de 20 unidades da federação no quesito fornecimento de água, um dos indicadores mais críticos da pesquisa.

O esgotamento sanitário também preocupa. Apenas 51,4% dos domicílios pernambucanos possuem ligação à rede ou fossa séptica conectada à rede geral. Esse percentual coloca o estado na 11ª posição do país, empatado com Sergipe. No campo, a situação é ainda mais desafiadora: só 1,46% das moradias contam com escoamento adequado, enquanto 51,6% utilizam soluções precárias, como fossas rudimentares, valas ou lançamento em corpos d’água.

A coleta de lixo apresentou avanço nos últimos anos, mas ainda enfrenta desigualdades. Em 2024, 87,5% dos domicílios pernambucanos foram atendidos, sendo 82,8% por coleta direta e 4,8% por caçamba. Apesar do índice, que garante ao estado a 18ª colocação nacional, cerca de 10% das residências ainda queimam resíduos no próprio terreno, prática comum em áreas rurais, onde mais da metade das propriedades adota essa alternativa.

Para Fernanda Estelita, Gerente de Planejamento e Administração do IBGE em Pernambuco, os dados expõem desafios persistentes de infraestrutura e desigualdade territorial. “Os resultados mostram que, embora haja avanços na coleta de resíduos, o acesso a serviços essenciais como água e esgoto ainda é insuficiente, principalmente fora dos centros urbanos. Isso impacta diretamente a qualidade de vida e a saúde da população”, avalia.

O levantamento também aponta que o abastecimento de água via rede geral no estado manteve-se relativamente estável em relação a anos anteriores, mas distante da universalização. Em 2016, 90,2% dos domicílios urbanos tinham acesso; em 2024, esse índice recuou para 84,7%. Já na zona rural, o percentual caiu de 22,1% para 17,4% no mesmo período.

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a Compesa, mas não obteve retorno.

Diario de Pernambuco

Frigoríficos brasileiros cessam fornecimento ao Carrefour após corte de carne brasileira na França

Após o CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmar que a rede deixaria de comprar carne do Brasil, os maiores frigoríficos brasileiros decidiram suspender o fornecimento de carne ao grupo no país, que também comanda a rede Atacadão.

Segundo fontes, JBS (com a marca Friboi), Marfrig e Masterboi já iniciaram o corte de fornecimento ao grupo entre a última quinta-feira e sexta-feira. Procuradas, as empresas não comentaram.

Em nota conjunta, diversas associações, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entre outras, afirmaram que, se o executivo entende que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês, também “não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país”.

“Reafirmamos o compromisso do setor com a produção responsável, sustentável e com a segurança alimentar”, declararam as entidades. As associações destacaram ainda que o Mercosul é líder mundial em exportação de carne de frango e bovina. “Foram necessárias décadas para que o Mercosul, como um todo, avançasse em sua reputação internacional como produtor de carnes. Com responsabilidade, o setor na região foi o principal fornecedor para todos os mercados durante a pandemia.”

Procurado, o Carrefour no Brasil disse que não há desabastecimento nas lojas do Brasil.

Na noite de sexta-feira, a Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp) também se manifestou em repúdio. Em nota, a entidade convocou “todos os empresários do setor de hotelaria e alimentação fora do lar a se engajarem em uma ação de reciprocidade, boicotando essa rede de supermercados enquanto continuar a desvalorizar os produtos brasileiros”.

Entenda a crise
O impasse é motivado por conta de um possível acordo entre União Europeia e Mercosul, previsto para acontecer até o fim deste ano, o que vem gerando manifestações na França por agricultores. Durante o G20, no Rio, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país “não está isolado” em sua oposição ao estado atual do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja negociação começou em 1999. Empresários europeus temem a concorrência com produtos agrícolas do Brasil e da Argentina, principalmente.

Macron é apontado como o principal obstáculo para o avanço do acordo. Durante o encontro no Rio, a Itália manifestou apoio à posição do presidente francês. No entanto, a Comissão Europeia, com o apoio de vários países importantes do bloco, como Alemanha e Espanha, é favorável ao fechamento do acordo de livre-comércio com o Mercosul antes do fim deste ano.

Se a Comissão Europeia levar o tratado adiante sem o consenso francês, Macron precisará do apoio de outros países para bloquear a aprovação, formando a chamada “minoria de bloqueio”, que exige ao menos quatro dos 27 países da UE, desde que a aprovação fique abaixo de 65% dos integrantes.

Agência O Globo