
Mirtes Renata relembra a perda do filho e critica a demora no cumprimento da pena da ex-patroa, condenada por abandono de incapaz com resultado morte.
A morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva completou seis anos nesta terça-feira (2). Nas redes sociais, a mãe da criança, Mirtes Renata, publicou uma emocionante mensagem em que relembra a ausência do filho e faz um apelo para que a luta por justiça não seja esquecida.
Miguel morreu em 2 de junho de 2020 após cair do nono andar de um edifício das Torres Gêmeas, no bairro de São José, área central do Recife. O caso teve grande repercussão nacional e continua mobilizando debates sobre responsabilidade, justiça e desigualdade social.
Na publicação, Mirtes lamentou a demora na conclusão do processo judicial e voltou a cobrar a prisão de Sarí Corte Real, que foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte.
“Seis anos sem ouvir a voz do meu filho. Seis anos sem poder abraçá-lo. Seis anos vendo recursos, adiamentos da prisão da condenada e o tempo passar diante dos meus olhos”, escreveu.
Segundo Mirtes, a manutenção da liberdade da ex-patroa, mesmo após condenação, é uma das maiores dores enfrentadas pela família. Ela destacou que o tempo transcorrido desde a morte de Miguel já supera os cinco anos de vida da criança.
“Tenho medo de que a demora se transforme em impunidade. Tenho medo de que, enquanto a condenada segue vivendo sua vida, a história do meu filho continue presa em recursos sem fim”, afirmou.
Em maio de 2022, Sarí Corte Real foi condenada a oito anos e seis meses de prisão em regime fechado. Em novembro de 2023, a pena foi reduzida para sete anos. Na semana passada, o Tribunal de Justiça de Pernambuco manteve a condenação, mas a defesa segue recorrendo da decisão, o que permite que ela responda ao processo em liberdade.
Ao final da mensagem, Mirtes fez um novo apelo à sociedade.
“Não me deixem lutar sozinha. Essa luta é de todos. Justiça por Miguel”, declarou.
Relembre o caso
Miguel Otávio tinha apenas cinco anos quando morreu durante o período de lockdown da pandemia da Covid-19. Na ocasião, sua mãe, Mirtes Renata, trabalhava para a família de Sarí Corte Real e Sérgio Hacker.
Segundo as investigações, enquanto Mirtes havia descido para passear com o cachorro da família, Miguel permaneceu sob os cuidados de Sarí. O menino procurava pela mãe quando foi deixado sozinho em um elevador. Após sair em outro andar do prédio, ele caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros e não resistiu aos ferimentos.
Seis anos depois, o caso continua sendo acompanhado pela sociedade e pela família da criança, que segue cobrando o cumprimento da condenação e o encerramento definitivo do processo judicial.



