
Dispositivo utiliza microcâmera e modelo de inteligência artificial em nuvem para traduzir imagens do ambiente em descrições por voz.
Um projeto de extensão da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desenvolveu um crachá eletrônico com tecnologia assistiva voltado para a mobilidade de pessoas com deficiência visual. O equipamento utiliza uma microcâmera integrada ao smartphone e sistemas de Inteligência Artificial (IA) para converter imagens do ambiente ao redor em descrições de áudio.
O projeto teve início na disciplina de Física Experimental, ministrada pelo professor Helinandro Oliveira, do Colegiado de Engenharia Elétrica. A atividade acadêmica propunha o desenvolvimento de soluções tecnológicas para demandas sociais. Diante disso, o estudante Kaic Soares de Souza, do terceiro período de Engenharia da Computação, idealizou o protótipo inicial.
A versão 1.0 do dispositivo contava com um sensor de aproximação que emitia sinais sonoros (bipes) conforme o usuário se aproximava de obstáculos. Com o interesse do corpo docente, a iniciativa tornou-se um projeto de extensão e passou por testes com atletas voluntários da Associação Petrolinense de Atletismo (APA). Os usuários apontaram que os alertas sonoros contínuos causavam desconforto e sugeriram que o aparelho descrevesse o cenário em vez de apenas apontar barreiras físicas.
Evolução tecnológica e funcionamento
A partir das avaliações dos voluntários, os pesquisadores desenvolveram a versão 2.0 do equipamento, substituindo os bipes por inteligência artificial descritiva. O sistema atual consiste em uma microcâmera acoplada a um controlador fixado à roupa do usuário.
Quando acionado, o dispositivo captura uma imagem da cena e a envia a um aplicativo móvel, que faz a interface com o modelo de IA Gemma 4, do Google, hospedado em nuvem. A descrição gerada é convertida em voz e reproduzida no celular do usuário. As capturas de imagem ocorrem em intervalos de quatro a cinco segundos, permitindo atualizações frequentes do trajeto.
Segundo os desenvolvedores, a escolha por esse modelo de sistema buscou criar uma alternativa viável e de menor custo de produção regional em comparação aos dispositivos semelhantes de tecnologia assistiva disponíveis no mercado internacional.
Parcerias e perspectivas futuras
O projeto mantém cooperação com a Associação Petrolinense de Atletismo (APA), que financia a fabricação de mais oito unidades do crachá eletrônico para novos testes. O objetivo da equipe é otimizar o software e o hardware a partir do uso contínuo, visando ampliar a autonomia dos estudantes e usuários no deslocamento em ambientes cotidianos.
De acordo com a coordenação do projeto, o desenvolvimento local de tecnologias assistivas, como óculos inteligentes e teclados adaptados, esbarra frequentemente em custos elevados de aquisição, o que torna a pesquisa acadêmica uma via para a democratização do acesso a ferramentas de acessibilidade.



