
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), negou ter coordenado uma rede de espionagem contra adversários políticos ou instrumentalizado a Polícia Civil para perseguição eleitoral. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Frente a Frente, sabatina conjunta do UOL e da Folha de S.Paulo.
Raquel Lyra afirmou que a denúncia “não é verdade” e que sua trajetória como procuradora do Estado desde 2005 atesta seu zelo pela integridade institucional. “Tenho trabalhado para o fortalecimento institucional. Estamos fortalecendo o sistema de segurança pública em Pernambuco, mas eu não sou dona dele. A gente tem uma polícia séria, comprometida”, declarou a governadora.
A gestora listou uma série de melhorias estruturais implementadas em seu governo, como a compra de computadores, mesas e oferta de internet de qualidade para as delegacias. Além disso, destacou que Pernambuco agora conta com tecnologias próprias de investigação.
“Hoje os sistemas que a gente pedia emprestado da Polícia Federal, o estado de Pernambuco tem. [Temos] laboratório de combate à lavagem de dinheiro, escola de inteligência policial, formação policial de mais alto nível”, pontuou e disse: “O primeiro concurso que eu fiz, eu fiz a nomeação da polícia no ano passado. E mesmo para esses que nomeei, não sou dona deles”.
Raquel afirmou que a gestão prestará todos os esclarecimentos necessários e declarou que tem “convicção de que a polícia, pela confiança que ela tem, agiu dentro do estrito cumprimento do dever legal e dentro dos protocolos de investigação que o estado traz”.
“No mais, eu tenho a certeza que não é verdade qualquer tipo de alegação, no sentido de que estarei usando o estado para perseguir quem quer que seja”, finalizou a gestora.
Investigação
A acusação de espionagem, feita pelo ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo estadual, João Campos (PSB), chegou a ser levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em janeiro deste ano, após uma denúncia do PSB estadual, o ministro Gilmar Mendes determinou o trancamento de um procedimento investigatório conduzido pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra secretarias da Prefeitura do Recife.
O ministro identificou “desvio de finalidade” e a prática de “fishing expedition”, uma busca indiscriminada de dados, apontando indícios de que o aparato policial e de inteligência do estado estaria sendo usado para uma apuração clandestina com fins políticos.
Em sua decisão, o ministro ordenou à Polícia Federal apurar a investigação da Polícia Civil contra os servidores da Prefeitura do Recife. Em suas redes sociais, João Campos comemorou a decisão, declarando: “A Polícia Federal agora está no caso. Decisão Supremo Tribunal Federal chega para fazer justiça. A PF agora está autorizada a investigar a ação clandestina de monitoramento e de espionagem ilegal conduzida pela Polícia Civil. É hora de Pernambuco saber: quem deu a ordem? A quem interessou agir à margem da lei? Por que fazer isso em pleno ano eleitoral?”, disse.



