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O governo federal apresentou nesta quarta-feira (15) o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece as bases para o Orçamento de 2027. No entanto, mais do que as previsões otimistas, o documento acendeu um sinal de alerta ao evidenciar a fragilidade das contas públicas e a expectativa de um rombo de R$ 60 bilhões em 2026, considerando despesas fora da meta fiscal.
Embora o Executivo projete um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 — equivalente a R$ 73 bilhões —, especialistas avaliam que os números refletem um cenário distante da realidade. Isso porque parte significativa dos gastos, como precatórios e investimentos em defesa, permanece fora do cálculo oficial da meta, o que, na prática, reduz a transparência do resultado fiscal.
Outro ponto que chama a atenção é a previsão de aumento do salário mínimo para R$ 1.717, um reajuste de 5,92% em relação ao valor atual de R$ 1.621. Embora represente um alívio para trabalhadores e beneficiários da Previdência Social, o impacto nas despesas públicas amplia a pressão sobre o equilíbrio das contas.
Além disso, a LDO prevê gastos superiores a R$ 1,2 trilhão com benefícios previdenciários e mais de R$ 44 bilhões em emendas parlamentares impositivas, despesas obrigatórias que restringem a capacidade de ajuste do governo.
Economistas criticam projeções e apontam maquiagem fiscal
Para analistas do mercado, o governo tem adiado medidas estruturais e apostado excessivamente no aumento da arrecadação por meio da elevação de impostos. Essa estratégia, segundo especialistas, estaria próxima do limite.
“A gente continua vendo o governo adiando cada vez mais a expectativa de um superávit primário mais consistente e sustentável. Além disso, muito do próximo superávit ainda é baseado no crescimento de receita. Esse modelo está próximo de um esgotamento. A carga tributária teve uma alta significativa nos últimos anos”, afirma Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter.
O economista Alexandre Schwartsman também foi contundente ao questionar a credibilidade das projeções oficiais.
“O governo faz de conta que manda um Orçamento com meio ponto percentual do PIB de superávit primário. E faz de conta que as projeções têm relevância. Na prática, a dívida pública continua crescendo e deve seguir em alta nos próximos anos”, criticou.
Desafio fiscal e perda de credibilidade
As contas públicas fecharam no vermelho nos últimos três anos, e a previsão de mais um déficit reforça a preocupação com o avanço da dívida pública. Diante desse cenário, especialistas alertam que o país enfrenta um desafio crescente para equilibrar receitas e despesas sem comprometer o crescimento econômico.
A LDO, que deveria orientar o planejamento responsável das finanças nacionais, expõe um quadro de incertezas e levanta questionamentos sobre a real sustentabilidade fiscal do governo. Para o mercado e parte dos economistas, o risco é que metas excessivamente otimistas acabem servindo apenas para maquiar o Orçamento, adiando ajustes inevitáveis.



