
Governo brasileiro aplica princípio de reciprocidade e retira credenciais de funcionário dos Estados Unidos
O governo brasileiro anunciou a retirada das credenciais de trabalho de um oficial de ligação dos Estados Unidos que atua em Brasília, em resposta direta à decisão da administração de Donald Trump de solicitar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que desempenhava funções em Miami. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira, esperar que o governo americano esteja disposto a retomar o diálogo para que a relação bilateral retorne à normalidade.
Em declaração ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o presidente defendeu a medida de reciprocidade, argumentando que o tratamento dispensado ao funcionário americano deve ser equivalente ao recebido pelo delegado brasileiro.
O Ministério das Relações Exteriores emitiu nota oficial afirmando que os Estados Unidos não seguiram a boa prática diplomática ao adotar uma decisão sumária sem consulta prévia. Segundo o Itamaraty, o governo americano descumpriu o memorando de entendimento entre os dois países, que prevê consultas mútuas antes da interrupção das funções de oficiais de ligação. Diante do impasse, a encarregada de Negócios da embaixada americana em Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada para prestar esclarecimentos sobre o caso. Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro destacaram que a medida foi comunicada verbalmente antes da publicação da nota, reforçando a insatisfação com a falta de uma notificação formal por parte de Washington.
O centro da crise diplomática remete à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, ocorrida em 13 de abril, em Orlando, na Flórida. Ramagem, que havia deixado o Brasil clandestinamente em setembro de 2025 após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, foi detido por questões migratórias. Contudo, ele foi solto dois dias depois para aguardar em liberdade a conclusão de um processo de pedido de asilo político. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA justificou o pedido de saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho alegando que ele teria tentado contornar pedidos formais de extradição para promover perseguições políticas em território americano.
Em contrapartida, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou que tenha ocorrido uma expulsão formal do brasileiro, esclarecendo que o delegado retornou ao país por determinação da própria corporação para que os fatos sejam devidamente apurados. Rodrigues confirmou a retirada das credenciais de um agente de imigração americano lotado em Brasília, o que suspende o acesso deste servidor às unidades da PF e aos bancos de dados compartilhados. A dinâmica das missões internacionais, que vinha seguindo cronogramas regulares desde a nomeação de Marcelo Ivo em 2023, agora depende de novos entendimentos diplomáticos entre o Itamaraty e o Departamento de Estado americano.



