Copom corta Selic para 14,5% ao ano em meio a incertezas no Oriente Médio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira, fixando os juros básicos da economia em 14,5% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, marca o segundo corte consecutivo da taxa e confirma as expectativas que já haviam sido sinalizadas pelo mercado financeiro.

O movimento ocorre após um ciclo de aperto monetário iniciado em junho de 2025, período em que a Selic permaneceu em 15% ao ano, atingindo seu maior patamar em quase duas décadas.

Apesar da flexibilização, a autoridade monetária opera em um cenário de cautela devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. O conflito internacional tem gerado impactos diretos nos preços globais de combustíveis e alimentos, o que dificulta a convergência da inflação para o centro da meta. Além do cenário externo desafiador, o Copom realizou o encontro com desfalques em seu colegiado, uma vez que as cadeiras das diretorias de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica aguardam novas indicações presidenciais após o encerramento dos mandatos anteriores. Somou-se a isso a ausência pontual do diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, por luto familiar.

No campo da inflação, o Banco Central monitora de perto a aceleração do IPCA-15, que atingiu 0,89% em abril, levando o acumulado de 12 meses para 4,37%. O índice se aproxima do limite superior da meta de inflação, que é de 4,5% sob o novo regime de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025. Por este sistema, a meta de 3% é apurada mensalmente em uma janela móvel de 12 meses, exigindo uma vigilância constante da autoridade monetária para evitar desvios permanentes.

A percepção do mercado financeiro, refletida no boletim Focus, demonstra um pessimismo maior do que o projetado pelo próprio Banco Central. Enquanto o último Relatório de Política Monetária estimava o IPCA em 3,6% para 2026, os analistas privados já projetam uma inflação de 4,86% para o fechamento do ano, influenciada pela valorização do dólar e pela instabilidade externa. Caso essa previsão se confirme, o índice terminará o período acima do teto de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.

Ao optar pelo corte da Selic mesmo diante dessas pressões, o Copom busca equilibrar o controle de preços com o estímulo à atividade econômica. Juros mais baixos tendem a baratear o crédito e incentivar tanto o consumo das famílias quanto a produção industrial, fatores essenciais para sustentar a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que o mercado projeta em 1,85% para este ano. A autoridade monetária, no entanto, reforça que novos cortes dependerão da confirmação de que o cenário inflacionário permanece sob controle e não sofrerá novos choques de custos.

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