
Os países da União Europeia (UE) aprovaram, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul. A assinatura do tratado está prevista para o dia 17 de janeiro, mas o texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.
A expectativa é de que o acordo amplie oportunidades comerciais para diferentes setores produtivos de Pernambuco, como a fruticultura, o sucroalcooleiro e o polo automotivo. A medida também surge como alternativa diante dos efeitos do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, o acordo cria condições mais favoráveis para a exportação de açúcar e etanol ao mercado europeu. Segundo ele, está prevista a criação de uma cota com tarifa zero para o etanol, além de uma nova cota de 180 mil toneladas de açúcar sem taxação.
Cunha avalia ainda que o tratado pode reduzir os impactos do tarifaço norte-americano, já que Pernambuco mantém atualmente uma cota de exportação de açúcar para os Estados Unidos com tarifa de 50%. O acordo com a UE também prevê cotas específicas para o etanol destinado a diferentes finalidades, incluindo combustível.
Outro setor apontado como beneficiado é o automotivo, que deve contar com redução gradual das tarifas de importação e exportação. Para o gerente de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira, o acordo torna os produtos pernambucanos mais competitivos e amplia o acesso ao mercado europeu, considerado exigente.
No cenário nacional, o professor de Economia Paulo Feldmann, da USP e da FIA Business School, destaca que o acordo fortalece as relações comerciais entre Brasil e Europa, especialmente em um contexto de tensões comerciais globais. Ele pondera, no entanto, que alguns segmentos, como pequenas empresas, podem enfrentar dificuldades diante da concorrência europeia, embora considere que os benefícios superam os desafios.



